Meu pai fica louco se saio de casa sem guarda-chuva quando está chovendo. “Olha o guarda-chuva!” – alerta ele enquanto tomo café. Sempre foi assim. E eu sempre tento dar um jeito de sair de fininho quando ele se distrai. Parece coisa de criança até.
Aliás, devo ter um que de criança que não me abandona. Por um lado dá um medo de, de repente, ter crescido e a mente não ter acompanhado. Mas por outro uma imensa alegria de ver graça em tudo. Mesmo quando me mantenho sério muitas vezes estou gargalhando por dentro. Digo isso por uma frase que ouvi dia desses: “Às vezes te vejo como uma criança.”
Na hora aquilo me soou estranho, quis saber o que, em mim, fazia passar essa imagem. Depois de um pouco de conversa, e de ver que não era uma crítica de uma imagem ruim, eu mesmo percebi muitos momentos dessa parcela criança.
Um deles, que me foi lembrado, foi o de apertar o botãozinho da sinaleira pra atravessar a rua. Um dia me disseram que dava choque, aquele botãozinho. E até hoje dá um friozinho cada vez que me aproximo da caixinha preta que o envolve. E talvez isso tudo se manifeste em trejeitos que fazem eu ter essa imagem.
E o que é ser criança? Não mais é que a faixa de idade em que temos um pouco mais de liberdade de expressão. Podemos brincar ajoelhados ou mesmo debruçados com carrinhos réplicas de Ferraris; encher o tanque de água simulando uma lagoa, podemos criar diálogos falando sozinhos, enfim, uma série de coisas que, se fizéssemos hoje, seríamos chamados de loucos.
À criança se dá essa liberdade, e até se criam escudos que defendem esses atos. Aquelas rodelas de couro costuradas nos joelhos das calças de abrigo pra poder se ajoelhar à vontade sem rasgar a roupa. Lembram? Parece ridículo hoje, não? Mais ridículo é imaginar um adulto brincando ajoelhado e criando diálogos imaginários com bonequinhos no meio da sala.
Então, já que minhas calças não podem ter as rodelas de couro nos joelhos, tampouco posso brincar ajoelhado ou criar diálogos com meus bonequinhos, recheio minha vida e, conseqüentemente, a de quem está ao meu redor com elementos que remetem à infância. Algum gesto, palavras, uma pronúncia errada propositalmente, lembrança dos brinquedos e das brincadeiras da época.. tudo para buscar e provocar o riso na sua forma mais pura e limpa.
Um riso puro e limpo. Feliz de quem não tem vergonha de mostrar sua parcela criança e assim o conserva. Muito melhor do que ter saudade de bons momentos é ter a consciência desses momentos e vivê-los intensamente, ainda que com jeito de criança. É o que torna cada instante eterno. Um durante sem gosto de acabar. Um agora com perfume de ontem e desejo de amanhã.. um enquanto um tanto quanto sem fim.
Wednesday, June 21, 2006
Monday, June 19, 2006
Ainda sobre vulcões...
Fragmentos do texto que escrevi no dia 17 de janeiro, sobre vulcões..
Que amantes incondicionais são como vulcões: podem passar um bom tempo na calmaria, totalmente pacíficos. Porém, por baixo de uma espessa crosta, extremamente dura de rocha que é, escondem uma paixão que, quando em erupção, nada mede sua temperatura. Derretem as mais sólidas camadas magmáticas que os encrostam.
O fogo é que atrai homens e mulheres, é comum e fundamental aos amantes.
Não precisava mais de pedras, e sim de abalos sísmicos.
Hoje, cinco meses depois, digo que, há muito, um forte tremor fez me descobrir vulcão. Depois, abalos menores não foram capazes de causar impacto sequer parecido. Assim, por anos e anos sem registros sísmicos relevantes como o de outrora, a camada de crosta tornou-se cada vez maior e mais difícil de ser quebrada.
Cheguei a acreditar que jamais sentiria o sangue como lava quente percorrendo as veias sedentas de calor. Passaria o resto dos dias como montanha que tinha sim um calor incontrolável guardado, e que assim ficaria. Contentaria-me com lembranças saudosas e intempéries efêmeras que não provariam desse calor.
Como pode o homem ser tão descrente e despretensioso? Talvez medo de sofrer, de se frustrar, de sentir que se subiu tão alto que uma queda seria fatal a qualquer sentimento futuro. Mas por razões que estão acima do entendimento veio à tona o incandescente numa fusão de lavas, antes distintas, agora únicas.
O calor supera o medo, e a maior preocupação é, não a de se frustrar, mas de não frustrar. De que um eventual sofrimento não diminui nem oculta tantos momentos de felicidade sem medida. Sintonia e desejo alimentam o fogo e mantém a chama, que por dois corpos num só, se alastra, funde vontades e sonhos, faz uma cadeia de atos que culmina em êxtase mútua.
Se as noites não podem ser maiores, são infindas até que se adormeça. E que bom que não são eventuais. São todas e são plenas.
Que amantes incondicionais são como vulcões: podem passar um bom tempo na calmaria, totalmente pacíficos. Porém, por baixo de uma espessa crosta, extremamente dura de rocha que é, escondem uma paixão que, quando em erupção, nada mede sua temperatura. Derretem as mais sólidas camadas magmáticas que os encrostam.
O fogo é que atrai homens e mulheres, é comum e fundamental aos amantes.
Não precisava mais de pedras, e sim de abalos sísmicos.
Hoje, cinco meses depois, digo que, há muito, um forte tremor fez me descobrir vulcão. Depois, abalos menores não foram capazes de causar impacto sequer parecido. Assim, por anos e anos sem registros sísmicos relevantes como o de outrora, a camada de crosta tornou-se cada vez maior e mais difícil de ser quebrada.
Cheguei a acreditar que jamais sentiria o sangue como lava quente percorrendo as veias sedentas de calor. Passaria o resto dos dias como montanha que tinha sim um calor incontrolável guardado, e que assim ficaria. Contentaria-me com lembranças saudosas e intempéries efêmeras que não provariam desse calor.
Como pode o homem ser tão descrente e despretensioso? Talvez medo de sofrer, de se frustrar, de sentir que se subiu tão alto que uma queda seria fatal a qualquer sentimento futuro. Mas por razões que estão acima do entendimento veio à tona o incandescente numa fusão de lavas, antes distintas, agora únicas.
O calor supera o medo, e a maior preocupação é, não a de se frustrar, mas de não frustrar. De que um eventual sofrimento não diminui nem oculta tantos momentos de felicidade sem medida. Sintonia e desejo alimentam o fogo e mantém a chama, que por dois corpos num só, se alastra, funde vontades e sonhos, faz uma cadeia de atos que culmina em êxtase mútua.
Se as noites não podem ser maiores, são infindas até que se adormeça. E que bom que não são eventuais. São todas e são plenas.
Monday, June 12, 2006
Pra quem o cara agradece?
Quando algo nos surpreende, há uma tendência natural de nos perguntarmos: por quê!? Surpresas ruins, surpresas boas, surpresas corriqueiras e surpresas de cair o queixo. Surpresas que provocam sensações extremas, que nos fazem perder o controle, apresentam-se embaladas em papel de sonho.. mas guardam no recheio um sabor residual de algo muito real, e que se renova a cada bom dia.Por que tudo isso? Achamos que conhecemos a nós mesmos e muito daqueles que estão ao nosso redor. Chegamos a apostar e querer que um dia seremos surpreendidos por pessoas e situações desconhecidas, quando estivermos desprevenidos. E acabamos criando defesas e barreiras, tanto para o novo quanto para o que já faz parte da nossa vida.
Acontece que, inconscientemente, as barreiras para o que ou quem conhecemos tornam-se mais frágeis, vulneráveis.. funcionam mais como advertências de não ultrapassar certos limites, e não bloqueio, como para o novo. E essas surpresas avassalam como o fogo que se alastra, e chutamos essas barreiras pra longe, nos permitindo tornar o que se achava conhecido em novo.. permitindo tornar-se novo, a cada ato, para quem era conhecido.
Desprovidos das defesas sentimos um calor incontrolável tomando conta.. buscamos à volta algo que sirva para conter, sabendo que longe já está. Nos arrastamos, já deitados de costas, numa vã tentativa de fuga. Mas as pernas já não mais respondem e não há forças para gritar. Deixamo-nos levar então, à mão do embalo dessa surpresa boa, sempre tentando entender a razão, o porquê.
Por sorte entendemos que preocupações e medos em demasia podem ocultar o sabor, sem igual, do presente. A sorte do amanhã não nos pertence. É prêmio a quem não deixa passar o hoje sem brilho. E já que não há mais tanta relevância em querer saber o porquê, apenas de viver intensamente cada segundo do presente que é hoje, nos resta então agradecer àquele que, por seus motivos, resolveu nos presentear assim: para cada dia bom, uma noite melhor; para cada bom dia doce, um boa noite enlouquecedor, e para todo antes ótimo, um agora maravilhoso..
Obrigado, JC!!!
Friday, June 09, 2006
Pobre do mosquitinho...
Essa semana recebemos um email para conhecimento e providências. O conteúdo: retirar os adesivos dos bonecos da vivo dos carros. Teria que mandar numa dessas empresas de sinalização. Eu tinha ido ali na Paquetá do Parcão comprar os kits pra assistir aos jogos do Brasil no Opinião. Quando voltei fiquei olhando o carro.. os bonecos.. e pensei: vou puxar uma pontinha do decalque...
A pontinha veio vindo, veio vindo... até que tirei todo o boneco da porta. Gostei da brincadeira e fui pro próximo. Assim fui.. até que tirei todos os adesivos do carro. Ficou muito diferente. Pois bem, precisava mandar lavar, embaixo dos adesivos tava bem limpinho, mas o resto... O problema é que ficou boa parte da cola na lataria, e vi que aquilo ia logo logo atrair sujeira.
Mandei lavar. Tive o cuidado de pedir pro cara remover a cola. Pergunta se ele tirou.. Óbvio que não. Cada vez que encostava a mão na porta grudava. Quando fui, enfim, sair com o carro, notei um pontinho escuro na porta do carona. Era um mosquitinho que grudara suas asas na cola da porta e se debatia como louco pra tentar sair dali. Percebi que tinha que ajudá-lo. Peguei a pontinha da chave e fui empurrar a asinha... ploft.. saiu um pedaço do pobre do bicho e grudou mais adiante.
Ele parou de se debater, não sei por quê. Bom, já que o bicho já era, resolvi meter a mão e, pelo menos, deixar a porta limpa, sem vestígios de mosquito suicida, ou de parte dele. “Salivei” o dedo e tentei tirar o corpo dali. Que nada... os restos do bicho foram se espalhando, se espalhando e sujando mais e mais a porta.
Desisti! Tá lá, o bicho!
Eight days a week...
Algo como o chocolate, que costuma quebrar regras. Quando longe dos olhos não perturba. Mas assim, como diante do chocolate favorito, o barulhinho da embalagem se abrindo, o aroma.. aliado à forma, textura.. temperatura, aquela que se derrete ao mais leve toque. Compulsão? Desejo? Vício? Descontrole... Eu diria prazer..
Sem nenhuma moderação quer mais, pede mais.. e estar longe dos olhos não é mais garantia de controle.. as horas passam, a noite cai.. às vezes fria, de repente quente..
Por que tão ardente? Se no calor o chocolate se derrete.. e busca novamente a boca que jamais sacia.. do prazer do sabor, de uma semana de oito dias...
Perspectiva...
Há duas semanas encasquetei com essa música do Jorge Mautner. Faz tempo que a conheço, sempre gostei. Mas agora eu queria a letra inteira, com as palavras em russo e tudo! Às vezes a ouço na Ipanema ou na FM Cultura. Então fui buscar a letra na rede mundial de computadores. Como bom seguidor de Murphy, não a encontrei. Deixei passar, procuraria outro dia. Não! Eu queria a letra agora (há duas semanas) e estava disposto a vasculhar o site que fosse para encontrá-la. Procurei, procurei, procurei.. nada! Google, Altavista.. nada! Tomei uma atitude de emergência: coloquei anúncio no nick do msn: “Alô!!! Um UPA e um BEIJO pra quem me conseguir a letra de Perspectiva do Jorge Mautner” Fiz isso depois de esgotar todas as fontes onde eu poderia procurar.
O engraçado foi ver a preocupação do pessoal, não sei se com o meu desespero ou com a recompensa. Sim, porque teve gente que até perguntou se tinha como ganhar a recompensa sem ter me conseguido a letra. Hahahhahahhaa!!! E outros.. “bah, não achei nada!”, “Não consegui achar essa música..” É óbvio! Óbvio! Eu estava há duas semanas procurando. O que leva uma pessoa a pensar que em cinco minutos acharia? E olha que não foram poucos. Mas, de qualquer forma, gostei muito do empenho do pessoal.
Depois dessas duas semanas a atitude mais drástica: eu ia comprar o cd. Azar! Como o personagem sou eu.. não tinha na Banana Records e nem na Multisom. Acabei comprando na Toca do Disco e... pirata! Ou seja, sem encarte!
Só que agora.. eu!!!! Tive o trabalho de digitar a letra todinha e publico, para todo o mundo, coim exclusividade, para todos os amantes da boa música e das boas palavras..
Perspectiva – Jorge Mautner e Nelson Jacobina
Gosto de quem gosta
Das coisas sem querer prendê-las
Gosto de quem gosta, como eu
De ficar namorando, ficar se beijando, olhando
Para as estrelas
Gosto de quem gosta
Das coisas sem querer prendê-las
Gosto de quem gosta, como eu
De ficar namorando, ficar se beijando, olhando
Para as estrelas
Assim vou caminhando
Por esta vida
Assim eu vou andando
Por esta imensa avenida
Vivendo não sei bem por quê
Sempre numa grande expectativa ahh
E avenida em russo quer dizer perspectiva
E avenida em russo quer dizer perspectiva
Sendo assim eu lhe pergunto
Se você não quer ser
A minha avenida, a minha ávida vida
A minha expectativa, a minha perspectiva
A minha expectativa, a minha perspectiva
Por exemplo
Perspectiva é avenida
Avenida Nevsky: perspectiva Nevsky
Avenida Getúlio Vargas: perspectiva Getúlio Vargas
Avenida Brasil: perspectiva Brasil
Avenida Paulista: perspectiva Paulista
É.... glasnost... transparência
E abertura é perestroika
Karandash é lápis e babushka é vovó
E camarada, ah camarada é tovarish
E paz, paz é mir mir mir
Gosto de quem gosta...
Para a rua, tambores e poetas
Ainda há palavras lindas
U R S S – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas
Ó tu, União Soviética, Cristo entre as nações
Para o júbilo, o planeta ainda está imaturo
É preciso arrancar alegria lá do futuro
Morrer nesta vida não é difícil
O difícil é a vida e seu ofício
E os demais todo mundo sabe
O coração tem moradia certa
Bem aqui no meio do peito
Mas é que comigo
A anatomia ficou louca
E sou todo, todo, todo, mas todo...
Coração
A pontinha veio vindo, veio vindo... até que tirei todo o boneco da porta. Gostei da brincadeira e fui pro próximo. Assim fui.. até que tirei todos os adesivos do carro. Ficou muito diferente. Pois bem, precisava mandar lavar, embaixo dos adesivos tava bem limpinho, mas o resto... O problema é que ficou boa parte da cola na lataria, e vi que aquilo ia logo logo atrair sujeira.
Mandei lavar. Tive o cuidado de pedir pro cara remover a cola. Pergunta se ele tirou.. Óbvio que não. Cada vez que encostava a mão na porta grudava. Quando fui, enfim, sair com o carro, notei um pontinho escuro na porta do carona. Era um mosquitinho que grudara suas asas na cola da porta e se debatia como louco pra tentar sair dali. Percebi que tinha que ajudá-lo. Peguei a pontinha da chave e fui empurrar a asinha... ploft.. saiu um pedaço do pobre do bicho e grudou mais adiante.
Ele parou de se debater, não sei por quê. Bom, já que o bicho já era, resolvi meter a mão e, pelo menos, deixar a porta limpa, sem vestígios de mosquito suicida, ou de parte dele. “Salivei” o dedo e tentei tirar o corpo dali. Que nada... os restos do bicho foram se espalhando, se espalhando e sujando mais e mais a porta.
Desisti! Tá lá, o bicho!
Eight days a week...
Algo como o chocolate, que costuma quebrar regras. Quando longe dos olhos não perturba. Mas assim, como diante do chocolate favorito, o barulhinho da embalagem se abrindo, o aroma.. aliado à forma, textura.. temperatura, aquela que se derrete ao mais leve toque. Compulsão? Desejo? Vício? Descontrole... Eu diria prazer..
Sem nenhuma moderação quer mais, pede mais.. e estar longe dos olhos não é mais garantia de controle.. as horas passam, a noite cai.. às vezes fria, de repente quente..
Por que tão ardente? Se no calor o chocolate se derrete.. e busca novamente a boca que jamais sacia.. do prazer do sabor, de uma semana de oito dias...
Perspectiva...
Há duas semanas encasquetei com essa música do Jorge Mautner. Faz tempo que a conheço, sempre gostei. Mas agora eu queria a letra inteira, com as palavras em russo e tudo! Às vezes a ouço na Ipanema ou na FM Cultura. Então fui buscar a letra na rede mundial de computadores. Como bom seguidor de Murphy, não a encontrei. Deixei passar, procuraria outro dia. Não! Eu queria a letra agora (há duas semanas) e estava disposto a vasculhar o site que fosse para encontrá-la. Procurei, procurei, procurei.. nada! Google, Altavista.. nada! Tomei uma atitude de emergência: coloquei anúncio no nick do msn: “Alô!!! Um UPA e um BEIJO pra quem me conseguir a letra de Perspectiva do Jorge Mautner” Fiz isso depois de esgotar todas as fontes onde eu poderia procurar.
O engraçado foi ver a preocupação do pessoal, não sei se com o meu desespero ou com a recompensa. Sim, porque teve gente que até perguntou se tinha como ganhar a recompensa sem ter me conseguido a letra. Hahahhahahhaa!!! E outros.. “bah, não achei nada!”, “Não consegui achar essa música..” É óbvio! Óbvio! Eu estava há duas semanas procurando. O que leva uma pessoa a pensar que em cinco minutos acharia? E olha que não foram poucos. Mas, de qualquer forma, gostei muito do empenho do pessoal.
Depois dessas duas semanas a atitude mais drástica: eu ia comprar o cd. Azar! Como o personagem sou eu.. não tinha na Banana Records e nem na Multisom. Acabei comprando na Toca do Disco e... pirata! Ou seja, sem encarte!
Só que agora.. eu!!!! Tive o trabalho de digitar a letra todinha e publico, para todo o mundo, coim exclusividade, para todos os amantes da boa música e das boas palavras..
Perspectiva – Jorge Mautner e Nelson Jacobina
Gosto de quem gosta
Das coisas sem querer prendê-las
Gosto de quem gosta, como eu
De ficar namorando, ficar se beijando, olhando
Para as estrelas
Gosto de quem gosta
Das coisas sem querer prendê-las
Gosto de quem gosta, como eu
De ficar namorando, ficar se beijando, olhando
Para as estrelas
Assim vou caminhando
Por esta vida
Assim eu vou andando
Por esta imensa avenida
Vivendo não sei bem por quê
Sempre numa grande expectativa ahh
E avenida em russo quer dizer perspectiva
E avenida em russo quer dizer perspectiva
Sendo assim eu lhe pergunto
Se você não quer ser
A minha avenida, a minha ávida vida
A minha expectativa, a minha perspectiva
A minha expectativa, a minha perspectiva
Por exemplo
Perspectiva é avenida
Avenida Nevsky: perspectiva Nevsky
Avenida Getúlio Vargas: perspectiva Getúlio Vargas
Avenida Brasil: perspectiva Brasil
Avenida Paulista: perspectiva Paulista
É.... glasnost... transparência
E abertura é perestroika
Karandash é lápis e babushka é vovó
E camarada, ah camarada é tovarish
E paz, paz é mir mir mir
Gosto de quem gosta...
Para a rua, tambores e poetas
Ainda há palavras lindas
U R S S – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas
Ó tu, União Soviética, Cristo entre as nações
Para o júbilo, o planeta ainda está imaturo
É preciso arrancar alegria lá do futuro
Morrer nesta vida não é difícil
O difícil é a vida e seu ofício
E os demais todo mundo sabe
O coração tem moradia certa
Bem aqui no meio do peito
Mas é que comigo
A anatomia ficou louca
E sou todo, todo, todo, mas todo...
Coração
Tuesday, June 06, 2006
Nuvens...
Há mais ou menos 4 anos fiz um curso de fotografia. Eu acabara de me dar de Natal uma câmera reflex, sonho de muitos anos. Uma Yashica, preta, robusta, novinha em folha! Saí distribuindo meus clics indiscriminadamente, ora pelas ruas da Capital, ora pela orla de Torres. Sem nenhum conhecimento técnico, apostava na sorte pra que saísse, ao menos, alguma foto bacana.E saíram! Em março, quando mandei revelar os filmes, tive uma surpresa muito boa: muitas das fotos eram merecedoras de moldura. Me empolguei mais ainda pra fazer o tal curso. Fiz e aprendi bastante coisa interessante. Como revelar fotos, por exemplo. Mas um outro ponto do curso que me deixou de queixo caído foram os filtros. Bah, existe filtro pra tudo que se pode imaginar.. pra dar efeito de estrelinha, pra bater foto bem de pertinho, pra dar um tom de determinada cor..
Mas o filtro mais legal de todos é o polarizador! Tu encaixa ele na frente da lente e ele polariza a luz dispersa, tirando o reflexo da água e dos vidros, e dando vida aos tons de verde das árvores e realçando o azul intenso do céu, fazendo ali contrastar o branco das nuvens que ficam como algodão no anil. Uma maravilha aos olhos..
E eu, que sempre gostei de apreciar as nuvens, especialmente quando elas permitiam à minha fértil imaginação formar coisas das mais diversas, estava fascinado! Agora o cachorro, urso, dinossauro.. tinham um toque especial. Podia perder horas apreciando as formas mais diversas e fascinantes que as nuvens de algodão tomavam.
Assim, como as chamas de uma fogueira e as ondas do mar, as nuvens encantam pelo simples fato de, mesmo sendo diferentes umas das outras, em nenhum momento perderem a graça e a beleza, e a capacidade de fazer nossa imaginação viajar. Como podem..? Nenhuma igual à outra, nenhuma sem brilho, sem a graça, todas belas, especiais, mágicas..
E pensar que são água.. e que um simples estender de braços não as alcança, há que se ir aos céus para senti-las. E não são palpáveis, apenas úmidas, completamente.. e em dias de chuva, uma delas, carregada positivamente, e outra, negativamente, se aproximam.. e do seu contato, tamanha energia é produzida que seu efeito é sentido a distâncias extremas. E seu contato não cessa.. até que precipitam mutuamente.. como se não fossem parar.. e não param. Ainda que a previsão seja de sol, nunca se sabe quando vai chover, mas quando chove..
Friday, June 02, 2006
Significados de um tchau..

Um tchau, geralmente, é a última palavra de um diálogo. É o que caracteriza o desligamento, seja ele físico ou não.. um telefonema, uma conversa no msn, um email..
Quando sentimos segurança em relação a alguém, um tchau é apenas como reticências, um segue, um continua, um até mais. Quando não, assusta. Não dá a certeza de um novo oi. Dependendo das circuntâncias que antecederam o tchau, em contrapartida àquela falta de segurança, essa incerteza assusta mesmo.
Podemos pensar que cada tchau pode ser uma despedida, ainda que já venha carregado de saudade. Um tchau ouvido como adeus pode ser a despedida mais triste quando se trata de alguém que se gosta e quer muito.
E não vai ser em palavras que um tchau vai mudar de significado. Deixar de ser despedida e se tornar até breve... Pequenas atitudes e gestos, com o passar do tempo, carregarão um tchau – antes de partida, sem garantia de retorno – de elementos que cada vez mais o deixarão com cara de até logo: o tom de saudade na entonação, a linha de um olhar, que estica sem romper, um derradeiro carinho, suave.. um último toque nas pontas dos dedos, que se seguram e.. finalmente se soltam, mas não pra se desprender.. como um último gole numa taça de um bom vinho que anseia encher novamente e ser deliciosamente degustado.
E por mais que tudo isso aconteça, o gosto bom da certeza incerta de uma despedida sempre vai deixar um próximo oi.. melhor do que todos os anteriores. Quando um tchau for o selo de algo saciado, aí sim seria de assustar. Por isso um bom tchau tem que ser, na origem, assim, tênue a um adeus, mas tão carregado de saudade que um medo bom o fará soar como um até breve...
Wednesday, May 31, 2006
O poder da brisa e do vento sobre as dunas...

Sempre gostei de apreciar as dunas da praia. Talvez mais até do que o próprio mar. Quando criança gostava de passear por aquelas dunas gigantes que tinham perto da lagoa de Quintão. Nem chamávamos de dunas, na época. Crescemos conhecendo aqueles grandes morros de areia por cômoros.
Muitas e muitas vezes saí a caminhar sem rumo pelas areias brancas e finas em alto relevo nos finais de tarde. Os passos deixados no chão eram apagados pelo vento que sempre soprava mais forte à noite. No outro dia, já de manhã, não havia mais marcas, fossem de pegadas ou de qualquer elemento externo que viesse a marcar a superfície da areia.
Outro fato impressionante é como aquelas dunas gigantes se movem tão rápido. O vento que sopra, mexe apenas com as areias da superfície. Mas acabam por deixar à mostra o que tem por baixo. E assim, pouco a pouco, sem que se perceba na hora, a grande duna se deixa levar longe. Algo impensável para uma estrutura que aparenta tamanha firmeza.
O superficial dá essa impressão de não mexer com o que está por baixo. Mas o superficial é justamente o que está exposto. E por mais que a grande duna pareça não se deixar abalar por uma simples brisa, esta pode soprar contínua, persistente, revelando camadas cada vez mais profundas e as deixando sensivelmente vulneráveis.
Assim são conduzidas, por maiores e fortes que sejam dunas, pelo vento e pela brisa que sopram sem parar. Desde os grãos de areia mais finos e sensíveis da superfície até os mais profundos e resistentes que a sustentam.
Quando menos se espera montes de areia, antes firmes e incólumes, vulneráveis estarão a brisas e ventos despretensiosos que os levarão a terrenos desconhecidos, quem sabe numa só duna, maior e mais bela. O importante é que mantenham a forma e o significado belo daqueles que os apreciam. E nunca se desmanchem à simples areia do chão, sem forma, sem significado, sem sentido. Sejam sempre duna, com sua superfície sensível e estrutura resistente.
Monday, May 29, 2006
Aquele quadro...
Logo abaixo do quadro estava escrito: "Este quadro não é de se apaixonar, lembre sempre disso". Fiquei intrigado com aquela legenda e a guardei. No mesmo instante ouvi um comentário.. "Eu sei!" Algum tempo depois vim a saber.. o quadro era sim, de se apaixonar. Mas era muito caro e esse era o risco.
Por vezes nos deparamos com situações assim. Não existe uma lógica no valor das coisas que nos apaixonam. E quando menos esperamos estamos pagando preços loucos pra visitar lugares, conhecer melhor as pessoas, comprando quadros.
Desde que a saúde não me falte quero viver loucamente assim, sem lógica, sem preço, sem medida e sem tamanho. Nunca sem prazer, frio na espinha, arrepio e pele. Olhar e sorriso, sempre com sorriso no olhar. Assim entendi que por mais que aquele pintor tenha colocado lá, aquela legenda, havia, no fundo outro sentido. Vã tentativa de ocultar o valor sem preço de tamanha entrega.
Por vezes nos deparamos com situações assim. Não existe uma lógica no valor das coisas que nos apaixonam. E quando menos esperamos estamos pagando preços loucos pra visitar lugares, conhecer melhor as pessoas, comprando quadros.
Desde que a saúde não me falte quero viver loucamente assim, sem lógica, sem preço, sem medida e sem tamanho. Nunca sem prazer, frio na espinha, arrepio e pele. Olhar e sorriso, sempre com sorriso no olhar. Assim entendi que por mais que aquele pintor tenha colocado lá, aquela legenda, havia, no fundo outro sentido. Vã tentativa de ocultar o valor sem preço de tamanha entrega.
Friday, May 26, 2006
Vaidade...
Quanto mais me surpreendo com algumas pessoas e suas atitudes, mais elas aparecem e acontecem. Teve um tempo que eu já me espantei mais com quem tentasse insistir em algo que era sabido sem chance. E o tempo fez eu olhar pra mim e ver o quanto eu tinha atitudes teimosas, que resultavam em nada; insistentes, que demoravam muito pra alcançar um objetivo de relevância duvidosa; e persistentes, que com muita luta me levavam a um bom prêmio.
Sempre tive uma linha de comportamento assim, cabeça dura, fosse manifestada por teimosia, insistência ou persistência. O problema é quando o objetivo é muito mais fruto de uma vaidade do que real interesse em receber e se entregar, ainda mais quando se trata de sentimentos. Por isso tenho relevado esses comportamentos de objetivos infundados ou duvidosos.
Agora o que eu ainda não consegui assimilar é a distorção dos fatos em detrimento da vaidade. Se eu perco – e nossa vida vive recheada de derrotas – procuro não tratar desse fato como o mais importante, o mais decisivo. Tento dar mais valor às lembranças de uma vitória gostosa. Não me engano nem tento fazer imagem pra ninguém, de que saí de uma situação por cima, que fulano ou fulana se deram mal, que fizeram isso ou aquilo de errado.. E mais: se perguntam como resolvi determinado problema, digo se tive sucesso ou não.
Distorcer um fato ou uma fala pode trazer transtornos inimagináveis. A mente humana, inspirada em fatos isolados, cria situações, personagens, falas, atitudes e mistura tudo isso numa trama que é repassada como algo real podendo envolver pessoas que só virão a saber muito tempo depois. E provavelmente vão ser pegas de surpresa sem saber o que dizer, uma vez que nunca participaram de nada do que foi dito. E se participaram, a maioria dos dados não fecha.
Um dia te vergarás e verás teus sentimentos expostos. Poderão ser acolhidos ou dispensados. Conseqüentemente feridos. Se assim forem, marcados ficarão, e um peito não mais se voltará àquela direção. E ainda que se curve e volte tal inspiração, a lembrança de um desdém não dará mais esperança a este alguém.
Aos ventos soará, no entanto, entre flores e cândidas palavras, que a antiga inspiração fora tentada novamente. E isso será dito com argumentos de querer bem, de querer proteger. Pura vaidade de uma imagem que fora colocada alto demais para se alcançar. Caiu e se quebrou: não mais foi inspiração. Foi sim, já sem brilho, buscar oferta.. e não achou.
Sempre tive uma linha de comportamento assim, cabeça dura, fosse manifestada por teimosia, insistência ou persistência. O problema é quando o objetivo é muito mais fruto de uma vaidade do que real interesse em receber e se entregar, ainda mais quando se trata de sentimentos. Por isso tenho relevado esses comportamentos de objetivos infundados ou duvidosos.
Agora o que eu ainda não consegui assimilar é a distorção dos fatos em detrimento da vaidade. Se eu perco – e nossa vida vive recheada de derrotas – procuro não tratar desse fato como o mais importante, o mais decisivo. Tento dar mais valor às lembranças de uma vitória gostosa. Não me engano nem tento fazer imagem pra ninguém, de que saí de uma situação por cima, que fulano ou fulana se deram mal, que fizeram isso ou aquilo de errado.. E mais: se perguntam como resolvi determinado problema, digo se tive sucesso ou não.
Distorcer um fato ou uma fala pode trazer transtornos inimagináveis. A mente humana, inspirada em fatos isolados, cria situações, personagens, falas, atitudes e mistura tudo isso numa trama que é repassada como algo real podendo envolver pessoas que só virão a saber muito tempo depois. E provavelmente vão ser pegas de surpresa sem saber o que dizer, uma vez que nunca participaram de nada do que foi dito. E se participaram, a maioria dos dados não fecha.
Um dia te vergarás e verás teus sentimentos expostos. Poderão ser acolhidos ou dispensados. Conseqüentemente feridos. Se assim forem, marcados ficarão, e um peito não mais se voltará àquela direção. E ainda que se curve e volte tal inspiração, a lembrança de um desdém não dará mais esperança a este alguém.
Aos ventos soará, no entanto, entre flores e cândidas palavras, que a antiga inspiração fora tentada novamente. E isso será dito com argumentos de querer bem, de querer proteger. Pura vaidade de uma imagem que fora colocada alto demais para se alcançar. Caiu e se quebrou: não mais foi inspiração. Foi sim, já sem brilho, buscar oferta.. e não achou.
Monday, May 22, 2006
Uh, mamãe!
Conheci o Ernesto num churras pós Festival do Chopp lá no Belém Velho, no sítio do Coimbra. Um cara bacana! Foi um domingo muito animado, nós ainda de ressaca da noite anterior e tendo pela frente dois barris de 30L pra derrubar. A maioria dos presentes era da família do Coimbra, e alguns amigos, como nós.
Só que os amigos do bairro eram umas peças raras, como o Ernesto. Daqueles que contam as histórias mais engraçadas e não riem. E se alguém contasse outro caso hilário ele ouvia atento, mas não ria. Só comentava: “Bacana, bacana!” E logo puxava outra das suas. Uma pior que a outra. Com todo aquele chopp a galera quase se mijava rindo.
Ao cair da noite já estávamos rindo sem motivo. Só que o Ernesto não nos deixava sem motivo pra rir. Até que o assunto caiu em sexo. Brochada! Ele logo se aprumou. Passou a mão no cabelo. Aliás, o cabelo era outro detalhe que lhe rendia um aspecto bastante pitoresco. Crespo meio compridinho e com franja. Não demorou a chamarem-no de Santana, o guitarrista.
E o assunto foi rolando.. porque o fulano já brochou, o beltrano tomou uma guampa, o cicrano tá pensando em tomar Viagra..
Aí o Ernesto saltou: “Opa, disso eu posso falar, eu é que sei!” Pois bem, tivemos que perguntar.. “e aí Santana, como é que é o troço..?” e dávamos risada..
“É.. vocês tão rindo (ele sempre sério). Tu não sabe, tu não sabe.. (apontava pra nós). Eu sei! Uh! Tu toma e.. uh, mamãe! Tu olha pra lâmpada assim.. (estendia o braço na direção da lâmpada como se fosse apertar um seio) , ah.. tu olha pra lâmpada e.. Uh, mamãe!”
Entre muitas risadas um outro amigo dee pergunta:”E o coração, Ernesto?”
“Bah.. o coração.. nem me fala.. o coração do cara fica com cinco quilo! Assim ó.. (colocava as duas mãos no coração). O troço é bacana mesmo! Uh, mamãe!”
Só que os amigos do bairro eram umas peças raras, como o Ernesto. Daqueles que contam as histórias mais engraçadas e não riem. E se alguém contasse outro caso hilário ele ouvia atento, mas não ria. Só comentava: “Bacana, bacana!” E logo puxava outra das suas. Uma pior que a outra. Com todo aquele chopp a galera quase se mijava rindo.
Ao cair da noite já estávamos rindo sem motivo. Só que o Ernesto não nos deixava sem motivo pra rir. Até que o assunto caiu em sexo. Brochada! Ele logo se aprumou. Passou a mão no cabelo. Aliás, o cabelo era outro detalhe que lhe rendia um aspecto bastante pitoresco. Crespo meio compridinho e com franja. Não demorou a chamarem-no de Santana, o guitarrista.
E o assunto foi rolando.. porque o fulano já brochou, o beltrano tomou uma guampa, o cicrano tá pensando em tomar Viagra..
Aí o Ernesto saltou: “Opa, disso eu posso falar, eu é que sei!” Pois bem, tivemos que perguntar.. “e aí Santana, como é que é o troço..?” e dávamos risada..
“É.. vocês tão rindo (ele sempre sério). Tu não sabe, tu não sabe.. (apontava pra nós). Eu sei! Uh! Tu toma e.. uh, mamãe! Tu olha pra lâmpada assim.. (estendia o braço na direção da lâmpada como se fosse apertar um seio) , ah.. tu olha pra lâmpada e.. Uh, mamãe!”
Entre muitas risadas um outro amigo dee pergunta:”E o coração, Ernesto?”
“Bah.. o coração.. nem me fala.. o coração do cara fica com cinco quilo! Assim ó.. (colocava as duas mãos no coração). O troço é bacana mesmo! Uh, mamãe!”
Thursday, May 18, 2006
Um dia antes de amanhã...
Por minutos fiquei tentando entender o que pode ser definido por expectativa. Não consegui chegar numa resposta objetiva, óbvio. Feliz de mim, que posso ter ssa sensação de esperar muito por um momento. Mais: ciente de que mesmo com todo esse entusiasmo para algo que sequer aconteceu, o resultado quantitativo sempre será aquém do esperado. E que o momento vivido será de prazer pleno por ter sido tão esperado e ao mesmo tempo frustrante por estar se esvaindo como ouro moído por entre os dedos. Restará nas mãos resquícios do brilho reluzente que se foi entre sorrisos.
Tem gente que simplesmente não se dá conta de que está vivendo um dos momentos mais felizes da vida. Depois vai ficar lembrando, com ar nostálgico e saudoso daquilo que não mais se recupera.. bah, tava bom... Fica aquele gosto de querer reviver o momento, saboreando cada segundo. Mas o tempo não permite nada mais além do que as lembranças guardadas. Feliz de quem vive sabendo disso e guarda todos esses pormenores num lugar em evidência na memória. E quanto maior a expectativa, maior será essa evidência.
Ao apagar das luzes, não será um sentimento de.. acabou! Mas sim de.. eu vivi! Eu estava ali!É diferente. Experimente comer um Bauru do Trianon pensando na vida.. em alguma preocupação. Será dinheiro posto fora. Dia desses parei ali e pedi: bauru com ovo, queijo duplo e uma coca com bastante limão. Em seguida o garçom trouxe e fui comendo, olhando as mensagens do celular e prestando atenção no rádio. Quando vi já tinha devorado o bauru, mal tinha colocado a mostarda maravilhosa e só tinha um pouco do refri pela frente. A vontade era de pedir outro pra poder saborear, mas o estômago não deixava.
Quem gosta daquele bauru sabe que cada mordida precisa ser sentida com todos os dentes envolvidos, todas as folhas de alface quebrando, a mostarda precisa arder na medida certa a língua e, por fim, uma leve quebrada com um gole de coca com bastante limão. Assim que tem que ser. E assim precisam ser vividos os melhores momentos da vida, sabendo-se que está neles. Provavelmente eles não se repitam, mas serão muito mais intensos se aproveitados assim, saboreados por completo, cada segundo.
Amanhã é a festa do meu aniversário, e por enquanto só estou ansioso, mas bastante ansioso. Criei uma expectativa que aumenta a cada instante. Podia dormir a noite de hoje só pensando na de amanhã, mas não. Hoje vou pra rua me entregar à noite, que não me terá amanhã. Amanhã serei da minha festa e dos meus amigos. Amanhã a noite se entrega a mim. Ontem vi a lua das mais bonitas que já se apresentou. Amanhã a quero como meu travesseiro, ao final de um tudo que vai acontecer e que guardarei como momento único. Ao escorrer aquele ouro por entre os dedos, colocarei a outra mão embaixo e levantarei novamente.
Ao final de tudo vou correr como criança, com as mãos ainda reluzentes, e vou limpá-las na lua que vai ser travesseiro de um travesso, que vai dormir em sorriso depois de uma noite no paraíso!
Tem gente que simplesmente não se dá conta de que está vivendo um dos momentos mais felizes da vida. Depois vai ficar lembrando, com ar nostálgico e saudoso daquilo que não mais se recupera.. bah, tava bom... Fica aquele gosto de querer reviver o momento, saboreando cada segundo. Mas o tempo não permite nada mais além do que as lembranças guardadas. Feliz de quem vive sabendo disso e guarda todos esses pormenores num lugar em evidência na memória. E quanto maior a expectativa, maior será essa evidência.
Ao apagar das luzes, não será um sentimento de.. acabou! Mas sim de.. eu vivi! Eu estava ali!É diferente. Experimente comer um Bauru do Trianon pensando na vida.. em alguma preocupação. Será dinheiro posto fora. Dia desses parei ali e pedi: bauru com ovo, queijo duplo e uma coca com bastante limão. Em seguida o garçom trouxe e fui comendo, olhando as mensagens do celular e prestando atenção no rádio. Quando vi já tinha devorado o bauru, mal tinha colocado a mostarda maravilhosa e só tinha um pouco do refri pela frente. A vontade era de pedir outro pra poder saborear, mas o estômago não deixava.
Quem gosta daquele bauru sabe que cada mordida precisa ser sentida com todos os dentes envolvidos, todas as folhas de alface quebrando, a mostarda precisa arder na medida certa a língua e, por fim, uma leve quebrada com um gole de coca com bastante limão. Assim que tem que ser. E assim precisam ser vividos os melhores momentos da vida, sabendo-se que está neles. Provavelmente eles não se repitam, mas serão muito mais intensos se aproveitados assim, saboreados por completo, cada segundo.
Amanhã é a festa do meu aniversário, e por enquanto só estou ansioso, mas bastante ansioso. Criei uma expectativa que aumenta a cada instante. Podia dormir a noite de hoje só pensando na de amanhã, mas não. Hoje vou pra rua me entregar à noite, que não me terá amanhã. Amanhã serei da minha festa e dos meus amigos. Amanhã a noite se entrega a mim. Ontem vi a lua das mais bonitas que já se apresentou. Amanhã a quero como meu travesseiro, ao final de um tudo que vai acontecer e que guardarei como momento único. Ao escorrer aquele ouro por entre os dedos, colocarei a outra mão embaixo e levantarei novamente.
Ao final de tudo vou correr como criança, com as mãos ainda reluzentes, e vou limpá-las na lua que vai ser travesseiro de um travesso, que vai dormir em sorriso depois de uma noite no paraíso!
Thursday, May 11, 2006
Acho que minha mãe é uma bruxa...
Há alguns dias estou lutando contra uma febre daquelas. Começou segunda de noite, do nada. Tinha passado o dia todo muito bem. Cheguei em casa e senti um frio incomum, com um princípio de tremor. Como eu tava bem empolgado com o filme do Vinícius (de Moraes) que eu tinha pego na locadora, nem dei bola e fiquei lá na sala assistindo. Uma hora e meia depois, não agüentando mais tremer, fui dormir. Mas parecia que o cobertor não era suficiente. Me enrolei bem e segui ali, batendo queixo. Às duas da manhã acordei com o corpo muito quente e com muito frio. Só o que atinei a fazer foi ir à cozinha e tomar um copo d’água. Às quatro, a mesma coisa. Achei que fosse morrer de frio. Às seis horas a tremedeira me acordou de novo. Foi então que recorri à minha mãe. Ela prontamente se levantou, me deu um comprimido e preparou um chá de limão com açúcar queimado, guaco e muito sazon. Consegui dormir um pouquinho melhor, mas levantei com muita febre.
Passei o dia seguinte todo errado. Se tirava a blusa dava frio, se colocava, calor. Sempre tremendo. Assim foi o dia todo. Não via a hora de voltar da aula e tomar aquele chá preparado com tanto carinho pela minha mãe. Depois de passar a aula inteira fungando, tossindo e tremendo, cheguei em casa. O chá era o mesmo da noite anterior.. limão, açúcar queimado, guaco e muito sazon de mãe. Até gostaria de pedir pra mãe fazer um novinho, mas como eu sabia que ela tinha acabado de voltar do aniversário da minha irmã e certamente tomado umas coisinhas a mais, não quis acordá-la.
Esquentei aquele mesmo e fui tomar... quer dizer...
Servi na xícara e notei um objeto estranho não identificado. Apurei a vista para a caneca e atribuí o tal objeto como uma asinha de mosquito, pra ser brando. Tenho que ser forte, pensei. Peguei um garfo e, com cuidado, tirei a asinha. Será que minha mãe é meio bruxa e colocou alguns ingredientes daqueles de desenho??? Aí achei algo que parecia ser uma perninha. Bah, perninha é sacanagem! Bravamente tirei a tal perninha. Pronto, meu chá poção mágica estava isento de seres do reino animal.
Mas não adiantou, tomei um golezinho mínimo, já que estava muito quente.. logo lembrei da imagem da perninha e desisti. Tomei os comprimidos com água e fui dormir. A noite em si foi uma das piores, talvez pior do que a anterior, quando deu o creps. Levantei num mal estar horrível, todo suado e louco de frio. Como pode isso? Sequei-me e voltei a deitar, com muito frio. Tapei-me e logo senti calor. Tirei um cobertor. Às 4 e pouco levantei novamente, muito suado e com muito frio. Sequei-me novamente e tirei o outro cobertor, ficando apenas com o lençol. Como imaginei que o lençol da cama estivesse suado, enrolei-me no lençol e deitei.
Quando acordei, a primeira coisa que pensei foi ver se estaria com febre ou não. Não estava! Estava com um pouquinho de frio, mas por estar frio mesmo e eu estar apenas com o lençol. Coloquei mais um cobertor e fiquei mais um pouquinho na cama. Sensação ótima de sentir um quentinho bom, não o de febre. Fiquei tri feliz!
Não sei se foi a tal perninha, mas que eu fiquei bom, fiquei!
Passei o dia seguinte todo errado. Se tirava a blusa dava frio, se colocava, calor. Sempre tremendo. Assim foi o dia todo. Não via a hora de voltar da aula e tomar aquele chá preparado com tanto carinho pela minha mãe. Depois de passar a aula inteira fungando, tossindo e tremendo, cheguei em casa. O chá era o mesmo da noite anterior.. limão, açúcar queimado, guaco e muito sazon de mãe. Até gostaria de pedir pra mãe fazer um novinho, mas como eu sabia que ela tinha acabado de voltar do aniversário da minha irmã e certamente tomado umas coisinhas a mais, não quis acordá-la.
Esquentei aquele mesmo e fui tomar... quer dizer...
Servi na xícara e notei um objeto estranho não identificado. Apurei a vista para a caneca e atribuí o tal objeto como uma asinha de mosquito, pra ser brando. Tenho que ser forte, pensei. Peguei um garfo e, com cuidado, tirei a asinha. Será que minha mãe é meio bruxa e colocou alguns ingredientes daqueles de desenho??? Aí achei algo que parecia ser uma perninha. Bah, perninha é sacanagem! Bravamente tirei a tal perninha. Pronto, meu chá poção mágica estava isento de seres do reino animal.
Mas não adiantou, tomei um golezinho mínimo, já que estava muito quente.. logo lembrei da imagem da perninha e desisti. Tomei os comprimidos com água e fui dormir. A noite em si foi uma das piores, talvez pior do que a anterior, quando deu o creps. Levantei num mal estar horrível, todo suado e louco de frio. Como pode isso? Sequei-me e voltei a deitar, com muito frio. Tapei-me e logo senti calor. Tirei um cobertor. Às 4 e pouco levantei novamente, muito suado e com muito frio. Sequei-me novamente e tirei o outro cobertor, ficando apenas com o lençol. Como imaginei que o lençol da cama estivesse suado, enrolei-me no lençol e deitei.
Quando acordei, a primeira coisa que pensei foi ver se estaria com febre ou não. Não estava! Estava com um pouquinho de frio, mas por estar frio mesmo e eu estar apenas com o lençol. Coloquei mais um cobertor e fiquei mais um pouquinho na cama. Sensação ótima de sentir um quentinho bom, não o de febre. Fiquei tri feliz!
Não sei se foi a tal perninha, mas que eu fiquei bom, fiquei!
Tuesday, May 09, 2006
Só eu...
A semana passada tinha o final de semana marcado por duas festas meio fortes.. uma no Opinião e o Festival do Chopp de Feliz, no sábado. Eu não tava muito afim de ir no Opinião, tô meio saturado. Saí da aula de sexta e fui pra Lima e Silva, onde encontraria uns amigos. Me deram um chá de cadeira que quase fui embora, mas depois chegaram, o Miojo e o Ragador com duas amigas.
Tomamos umas ali no bar e fomos no aniversário de uma amiga do Miojo. Aqui tenho que fazer uma pausa pra falar desse bar, o Mr Dam. Sexta rola só som nacional do mais alto bom gosto. Preciso voltar lá mais muitas vezes!
Esse bar fica ali na José do Patrocínio, grudado no Opinião. Então o diabinho do ombro esquerdo já começou a me dar idéias. Me imaginei entrando às duas da manhã no Opinião, encontrar aquela galera toda. Ia ser uma surpresa daquelas, a Pi ia me ver e gritar “Aeeeeeeeeeeeeeeeee...” ia ser uma loucura!
Não pensei duas vezes: me despedi do pessoal ali e me toquei pro Opinião. As pessoas pareciam que me olhavam todas com o mesmo pensamento: “Olha.. ele veio, ele veio!! Dá passagem!!” Juro, eu entrei ali num astral que podia ver as gurias cutucando umas às outras pra me mostrar. Passei reto pelo balcão do bar até o banheiro dos fundos, subi, dei aquele abraço na Mari da chapelaria e continuei andando lá por cima. Achei estranho não ter encontrado ninguém, havia uns 70 nomes na lista. Fui até a área reservada pros aniversários, nada.. As pessoas continuavam a me olhar sorridentes e receptivas. Desci novamente, passei pela pista e não encontrei ninguém! Algo estava muito errado. Não podiam ter ido todos embora.
Tive que tomar uma atitude: mandei msg pra Pi.. “Cadê a galera da showtur no Opinas?” e continuei a obsrvar ao redor. Dez minutos depois veio a resposta acompanhada de muita desilusão e de todas aquelas carinhas – outrora receptivas – me olhando torto com seus olhares fulminantes que me expulsaram dali:
“É amanhã!”
Tomamos umas ali no bar e fomos no aniversário de uma amiga do Miojo. Aqui tenho que fazer uma pausa pra falar desse bar, o Mr Dam. Sexta rola só som nacional do mais alto bom gosto. Preciso voltar lá mais muitas vezes!
Esse bar fica ali na José do Patrocínio, grudado no Opinião. Então o diabinho do ombro esquerdo já começou a me dar idéias. Me imaginei entrando às duas da manhã no Opinião, encontrar aquela galera toda. Ia ser uma surpresa daquelas, a Pi ia me ver e gritar “Aeeeeeeeeeeeeeeeee...” ia ser uma loucura!
Não pensei duas vezes: me despedi do pessoal ali e me toquei pro Opinião. As pessoas pareciam que me olhavam todas com o mesmo pensamento: “Olha.. ele veio, ele veio!! Dá passagem!!” Juro, eu entrei ali num astral que podia ver as gurias cutucando umas às outras pra me mostrar. Passei reto pelo balcão do bar até o banheiro dos fundos, subi, dei aquele abraço na Mari da chapelaria e continuei andando lá por cima. Achei estranho não ter encontrado ninguém, havia uns 70 nomes na lista. Fui até a área reservada pros aniversários, nada.. As pessoas continuavam a me olhar sorridentes e receptivas. Desci novamente, passei pela pista e não encontrei ninguém! Algo estava muito errado. Não podiam ter ido todos embora.
Tive que tomar uma atitude: mandei msg pra Pi.. “Cadê a galera da showtur no Opinas?” e continuei a obsrvar ao redor. Dez minutos depois veio a resposta acompanhada de muita desilusão e de todas aquelas carinhas – outrora receptivas – me olhando torto com seus olhares fulminantes que me expulsaram dali:
“É amanhã!”
Thursday, May 04, 2006
Vamu dominá...
Comecei o mês com os ouvidos lapidados: America no Teatro do Sesi. Como era feriado do Dia do Trabalho, também era dia de Passe Livre. É incontestável que é uma ótima iniciativa essa de um dia de passagem grátis no mês. Pode parecer muito pouco o 1,85, mas tem gente que simplesmente não tem. E então as pessoas usam esse dia pra ir da Vila Elizabete, na zona leste até o Belém Novo, nos confins da zona sul, onde mora a irmã mais velha com sua penca de filhos.
Nos dias normais, uma pessoa gastaria, pra ir e voltar, sete reais e quarenta. Duas, quatorze e oitenta: quinze pila! Não é tão irrisório assim. O lance é que não são cinco famílias que passam por esse drama, de não ter o somatório dos múltiplos de 1,85, são trocentas mil famílias, cada uma com o bando de ranhentinhos a tira colo, sacolas mil e pacotes diversos. Resultado: todos os ônibus são lotados nesse dia. Sim, porque toda família desprovida dos 15 pilas tem parentes longe e precisa usar o dia de passe livre pra fazer a visita.
Até aí não teria problema, senão passar um pouquinho de aperto pra chegar à porta de trás. É que não são só as famílias que não têm os 7 ou 15 pilas, a gurizada que cresceu também não tem. E eles formam hordas. Medo! Eles se juntam em grupos de uns quinze, de uns 16 a 20 anos e saem pela cidade. Vão aos shoppings, praças de skate, todos juntos e barulhentos. Sinceramente, dá medo! Pode até ser que minha idade esteja contribuindo, mas tenho certo receio de bandos travestidos em bonés que tapam os rostos, óculos espelhados, bermudões até as canelas e correntes de cachorro penduradas em tudo que é parte do corpo.
Mas vamos lá, o show me esperava. Peguei um ônibus que passasse pela Assis Brasil e depois pegaria outro até a Fiergs. Passei a carteira pro bolso da frente e fiquei ali no corredor do meio. Uma mão no corrimão do teto e a outra verificando, vez que outra, os bolsos. Uma vez tirei a mão inteirinha de um guri de dentro do meu bolso, num jogo do Inter. Baita cara de pau! Não demorou muito e a horda dos acorrentados entrou. Por sorte consegui um lugar pra sentar. Aos gritos foram se acomodando no fundo do ônibus. Era notável o desconforto das pessoas, inclusive das mães daquelas famílias sem quinze pila.
Tudo fluía tranqüilo, apesar da bagunça. Até que, nas imediações do Carrefour, um deles grita: “AGORA VAMU DOMINÁ O T1”, seguido de um: “VAMOOOOOOOOO!!!!”
Como assim, “dominá o T1”? Seria o que eles estavam fazendo ali? Apenas entrar todos e fazerem prevalecer suas vozes sobre as demais? Ou não... ou algo como fazer o motorista mudar o itinerário? Ou pior.. um deles assumir o volante!!! Mais: um outro pular no banco do cobrador e resolver cobrar passagem em dia de Passe livre. Fiquei imaginando todas essas coisas enquanto desciam ali na parada do Itau. Tomara que os próximos passageiros tivessem a mesma sorte.
Cheguei são e salvo ao show. Apreciei aquela maravilhosa apresentação de folk-rock e voltei pra casa. Menos mal que na volta os ônibus estavam vazios e pude chegar tranqüilamente em casa. Mas foi bom encarar uma outra realidade, e nada melhor do que fazer isso num Dia de Passe Livre.
Nos dias normais, uma pessoa gastaria, pra ir e voltar, sete reais e quarenta. Duas, quatorze e oitenta: quinze pila! Não é tão irrisório assim. O lance é que não são cinco famílias que passam por esse drama, de não ter o somatório dos múltiplos de 1,85, são trocentas mil famílias, cada uma com o bando de ranhentinhos a tira colo, sacolas mil e pacotes diversos. Resultado: todos os ônibus são lotados nesse dia. Sim, porque toda família desprovida dos 15 pilas tem parentes longe e precisa usar o dia de passe livre pra fazer a visita.
Até aí não teria problema, senão passar um pouquinho de aperto pra chegar à porta de trás. É que não são só as famílias que não têm os 7 ou 15 pilas, a gurizada que cresceu também não tem. E eles formam hordas. Medo! Eles se juntam em grupos de uns quinze, de uns 16 a 20 anos e saem pela cidade. Vão aos shoppings, praças de skate, todos juntos e barulhentos. Sinceramente, dá medo! Pode até ser que minha idade esteja contribuindo, mas tenho certo receio de bandos travestidos em bonés que tapam os rostos, óculos espelhados, bermudões até as canelas e correntes de cachorro penduradas em tudo que é parte do corpo.
Mas vamos lá, o show me esperava. Peguei um ônibus que passasse pela Assis Brasil e depois pegaria outro até a Fiergs. Passei a carteira pro bolso da frente e fiquei ali no corredor do meio. Uma mão no corrimão do teto e a outra verificando, vez que outra, os bolsos. Uma vez tirei a mão inteirinha de um guri de dentro do meu bolso, num jogo do Inter. Baita cara de pau! Não demorou muito e a horda dos acorrentados entrou. Por sorte consegui um lugar pra sentar. Aos gritos foram se acomodando no fundo do ônibus. Era notável o desconforto das pessoas, inclusive das mães daquelas famílias sem quinze pila.
Tudo fluía tranqüilo, apesar da bagunça. Até que, nas imediações do Carrefour, um deles grita: “AGORA VAMU DOMINÁ O T1”, seguido de um: “VAMOOOOOOOOO!!!!”
Como assim, “dominá o T1”? Seria o que eles estavam fazendo ali? Apenas entrar todos e fazerem prevalecer suas vozes sobre as demais? Ou não... ou algo como fazer o motorista mudar o itinerário? Ou pior.. um deles assumir o volante!!! Mais: um outro pular no banco do cobrador e resolver cobrar passagem em dia de Passe livre. Fiquei imaginando todas essas coisas enquanto desciam ali na parada do Itau. Tomara que os próximos passageiros tivessem a mesma sorte.
Cheguei são e salvo ao show. Apreciei aquela maravilhosa apresentação de folk-rock e voltei pra casa. Menos mal que na volta os ônibus estavam vazios e pude chegar tranqüilamente em casa. Mas foi bom encarar uma outra realidade, e nada melhor do que fazer isso num Dia de Passe Livre.
Tuesday, May 02, 2006
Dia do berro...
2 de maio de 1977. Há exatos 29 anos o primeiro filho da puta me bateu e fez chorar. Feliz dele que eu ainda não sabia proferir nenhum palavrão. Imagina só.. 9 meses no conforto quentinho da barriga da minha querida mãe, de repente sou puxado pela cabeça (imagina uma pessoa te puxando pela cabeça), sou levado pro frio e ainda por cima um filho da mãe vem e me dá um tapão na bunda. Primeira mostra de provalecimento desse mundão.
Mas em seguida, bem em seguida, vi que se existe um paraíso, isso daqui é o pré. Em primeiro lugar uma família maravilhosa que sempre esteve junto comigo e nunca me deixou faltar nada. Principalmente carinho, apoio, educação, cumplicidade e um amor incondicional que desfruto até hoje.
Logo depois, no colégio, lá na rua, pelo mundo enfim.. conheci essa outra maravilhosa relação com as pessoas que chamamos de amizade. E é pelos meus amigos que agradeço ao Barbudão lá de cima. A inspiração da minha alegria radiante está no sorriso franco, nos abraços apertados, nos olhares cúmplices, em todas as caras e bocas que recebo em troca das minhas traquinagens e alimentam meu senso de humor.
Cidadão do mundo, do mundo sou. Das raízes da minha terra tiro o alimento do meu dia, a cada dia. E em cada laço de amizade estendo meus braços e abraço aqueles que longe estão. Para o show da vida ganhei o ingresso, e de platéia passei a artista. Sem ensaio damos espetáculo, e os boas noites são os aplausos de mais uma conquista.
Premiado com uma vida repleta de agrados, família, saúde, amigos, alegrias e amores, vejo nos sorrisos as flores que enfeitam meu jardim. Águas novas passadas e lágrimas, alegres e tristes, regam esse jardim. A chuva lava a alma e leva à terra todas as coisas que recebo, e depois de cada noite fazem brotar vida nova no orvalho de cada manhã.
Parabéns!
Mas em seguida, bem em seguida, vi que se existe um paraíso, isso daqui é o pré. Em primeiro lugar uma família maravilhosa que sempre esteve junto comigo e nunca me deixou faltar nada. Principalmente carinho, apoio, educação, cumplicidade e um amor incondicional que desfruto até hoje.
Logo depois, no colégio, lá na rua, pelo mundo enfim.. conheci essa outra maravilhosa relação com as pessoas que chamamos de amizade. E é pelos meus amigos que agradeço ao Barbudão lá de cima. A inspiração da minha alegria radiante está no sorriso franco, nos abraços apertados, nos olhares cúmplices, em todas as caras e bocas que recebo em troca das minhas traquinagens e alimentam meu senso de humor.
Cidadão do mundo, do mundo sou. Das raízes da minha terra tiro o alimento do meu dia, a cada dia. E em cada laço de amizade estendo meus braços e abraço aqueles que longe estão. Para o show da vida ganhei o ingresso, e de platéia passei a artista. Sem ensaio damos espetáculo, e os boas noites são os aplausos de mais uma conquista.
Premiado com uma vida repleta de agrados, família, saúde, amigos, alegrias e amores, vejo nos sorrisos as flores que enfeitam meu jardim. Águas novas passadas e lágrimas, alegres e tristes, regam esse jardim. A chuva lava a alma e leva à terra todas as coisas que recebo, e depois de cada noite fazem brotar vida nova no orvalho de cada manhã.
Parabéns!
Thursday, April 27, 2006
Um véio magal...
Será que vamos guardar algumas de nossas manias mesmo quando formos bem velhinhos? Homem – via de regra – adora carro. Por motivos financeiros, não se vê mais tantos carros esportivos, roncos de motores, aceleradas.. o que se vê é a magaleada enfiando aerofólios e spoilers em carrinhos de passeio e um clip de funk no dvd poluindo os ouvidos alheios. Antigamente era tri comum Opala 6 cilindros ou Maverik de 6 ou até 8 cilindros e seus roncos inconfundíveis. Um carro do mesmo porte hoje, como um Omega ou Mustang, é privilégio de pouquíssimos, muitas vezes em idade avançada que não querem mais saber de exibir os roncos dos motores.
Pois não é que hoje vi um Maverikão 4 portas novíssimo. Inteiraço mesmo. Branco, rodas originais, tudo original, aliás. Pilotando? Um senhor.. beeeem velhinho! Vestia um casaco Gabardine creme. E o que ele fazia? Acelerava! Brllrlrlrlrlrllruuuuuummm.... E mais.. Balançava o carro enquanto acelerava, segurando no freio de mão. Bah, daí eu não acreditei! O véio parecia um guri brincando de acelerar e balançar o carro na sinaleira. Muito engraçado! Claro, se fosse um gurizão eu ia chamar de magal. Mas achei engraçado. Será que eu vou brincar de enfiar a mão na boca aos 76?
Eu tenho um ímã pra veado...
Olha, num breve exercício mental lembrei de alguns episódios. Pensei logo em outra coisa pra não virem mais e más recordações. Já até publiquei uma delas (22/06/04), que foi aquela em que um magrão me convida pra dividir uma cerveja e eu, ingenumente, aceito. Aí ele me convida pra sairmos do balcão e sentarmos numa mesa, que ele tinha tudo o que eu queria.. fala sério!
Noutra ocasião eu e uns colegas de serviço estávamos saindo ali do Bauru e Cia, na Demétrio e indo pegar o carro na Espírito Santo. Eua ia na frente e os guris logo atrás. No sentido contrário vinham dois senhores, já de cabelos brancos, um deles com um blusãozinho rosa bebê sobre os ombros e brincos dourados nas duas orelhas. Ao passar por mim, falou: “Ui.. meu gaaaaaalo!!!” Eu inventei de perguntar “O quê?” e aí sim.. “Te chamei de meu galo, ué!!!”. Acabou totalmente com a minha reputação entre os colegas.
Vou puxar só essas duas do arquivo, tá mais que bom.
Mas aí tô eu no Azimute, bem tranqüilo, eu e dez gurias. Pra não dizer que era só eu de homem tinha o namorado de uma das gurias. Aí fui no bar buscar uma cerveja. Me escorei no balcão e fiquei esperando o garçom me atender. Tava bem cheio, muita gente no bar. De repente senti uma assoprada quente e contínua no pescoço, muito de perto. Imaginei logo, não se tratar de uma mulher. Mas fiquei frio, nem ohei pro lado. Mas aí veio de novo.. mais demorado ainda.
Eu odeio briga, ainda mais em bar. Em lugar nenhum, pra falar a verdade. Sou tri cagão. Olho roxo e cara esfolada não são pra mim. Mas eu precisava tomar uma atitude. Tomara que eu não tivesse que brigar, mas se tivesse, azar! Vierei-me e olhei bem pra cara do marmanjo. Nem cara de veado tinha.
- Tu tá com algum problema? – já falei pensando que ia ter que enfiar a mão na cara do infeliz.
- Não, por quê? – bem cara de pau!
- Não mesmo?
- Não..
- Então tá.
Voltei-me ao balcão e pedi a cerveja. Ele não fez mais nada. Pode não ter sido a atitude de muitos, mas achei a mais sensata pra que o veado visse que eu não tinha gostado e sem causar tumulto no bar.
Contei pras gurias e elas deram risada! Uma delas até perguntou como era o figura. Quando o descrevi ela disse: “eu sabia!”. Diz ela que entrou no bar, olhou pro magrão e deduziu: é!
No dia seguinte voltamos ao Azimute. E quem encontramos? O tal! Bah.. quando as gurias me mostraram vi ainda que ele tava me olhando, talvez reconhecendo da noite anterior. Curtimos a noite tranqüilamente, sem percalços. Ele ainda conversou com uma de nossas amigas, dizendo que tinha adorado seu perfume. Ela respondeu que tinha versão masculina. O que ele disse? Que tinha gostado era daquele mesmo! Quando descemos pra ir embora faltava uma das gurias. A Sandi. Uma das nossas amigas prontamente disse que subiria novamente pra chamá-la. Voltou toda se rindo.
- O que houve?
- (ela não parava de rir)
- Fala, mulher!
- (risadas)
- Já sei, ela ficou com o veado!
- ... (balançou a cabeça positivamente, rindo muito)
Bah, quando contei o episódio do bar pras gurias, essa nossa amiga não tava. O pior, depois, foi agüentar as piadinhas das gurias de que ele só tinha ficado com a Sandi pra se aproximar de mim. Pode? Hahahahahahahaha!!!!
Pois não é que hoje vi um Maverikão 4 portas novíssimo. Inteiraço mesmo. Branco, rodas originais, tudo original, aliás. Pilotando? Um senhor.. beeeem velhinho! Vestia um casaco Gabardine creme. E o que ele fazia? Acelerava! Brllrlrlrlrlrllruuuuuummm.... E mais.. Balançava o carro enquanto acelerava, segurando no freio de mão. Bah, daí eu não acreditei! O véio parecia um guri brincando de acelerar e balançar o carro na sinaleira. Muito engraçado! Claro, se fosse um gurizão eu ia chamar de magal. Mas achei engraçado. Será que eu vou brincar de enfiar a mão na boca aos 76?
Eu tenho um ímã pra veado...
Olha, num breve exercício mental lembrei de alguns episódios. Pensei logo em outra coisa pra não virem mais e más recordações. Já até publiquei uma delas (22/06/04), que foi aquela em que um magrão me convida pra dividir uma cerveja e eu, ingenumente, aceito. Aí ele me convida pra sairmos do balcão e sentarmos numa mesa, que ele tinha tudo o que eu queria.. fala sério!
Noutra ocasião eu e uns colegas de serviço estávamos saindo ali do Bauru e Cia, na Demétrio e indo pegar o carro na Espírito Santo. Eua ia na frente e os guris logo atrás. No sentido contrário vinham dois senhores, já de cabelos brancos, um deles com um blusãozinho rosa bebê sobre os ombros e brincos dourados nas duas orelhas. Ao passar por mim, falou: “Ui.. meu gaaaaaalo!!!” Eu inventei de perguntar “O quê?” e aí sim.. “Te chamei de meu galo, ué!!!”. Acabou totalmente com a minha reputação entre os colegas.
Vou puxar só essas duas do arquivo, tá mais que bom.
Mas aí tô eu no Azimute, bem tranqüilo, eu e dez gurias. Pra não dizer que era só eu de homem tinha o namorado de uma das gurias. Aí fui no bar buscar uma cerveja. Me escorei no balcão e fiquei esperando o garçom me atender. Tava bem cheio, muita gente no bar. De repente senti uma assoprada quente e contínua no pescoço, muito de perto. Imaginei logo, não se tratar de uma mulher. Mas fiquei frio, nem ohei pro lado. Mas aí veio de novo.. mais demorado ainda.
Eu odeio briga, ainda mais em bar. Em lugar nenhum, pra falar a verdade. Sou tri cagão. Olho roxo e cara esfolada não são pra mim. Mas eu precisava tomar uma atitude. Tomara que eu não tivesse que brigar, mas se tivesse, azar! Vierei-me e olhei bem pra cara do marmanjo. Nem cara de veado tinha.
- Tu tá com algum problema? – já falei pensando que ia ter que enfiar a mão na cara do infeliz.
- Não, por quê? – bem cara de pau!
- Não mesmo?
- Não..
- Então tá.
Voltei-me ao balcão e pedi a cerveja. Ele não fez mais nada. Pode não ter sido a atitude de muitos, mas achei a mais sensata pra que o veado visse que eu não tinha gostado e sem causar tumulto no bar.
Contei pras gurias e elas deram risada! Uma delas até perguntou como era o figura. Quando o descrevi ela disse: “eu sabia!”. Diz ela que entrou no bar, olhou pro magrão e deduziu: é!
No dia seguinte voltamos ao Azimute. E quem encontramos? O tal! Bah.. quando as gurias me mostraram vi ainda que ele tava me olhando, talvez reconhecendo da noite anterior. Curtimos a noite tranqüilamente, sem percalços. Ele ainda conversou com uma de nossas amigas, dizendo que tinha adorado seu perfume. Ela respondeu que tinha versão masculina. O que ele disse? Que tinha gostado era daquele mesmo! Quando descemos pra ir embora faltava uma das gurias. A Sandi. Uma das nossas amigas prontamente disse que subiria novamente pra chamá-la. Voltou toda se rindo.
- O que houve?
- (ela não parava de rir)
- Fala, mulher!
- (risadas)
- Já sei, ela ficou com o veado!
- ... (balançou a cabeça positivamente, rindo muito)
Bah, quando contei o episódio do bar pras gurias, essa nossa amiga não tava. O pior, depois, foi agüentar as piadinhas das gurias de que ele só tinha ficado com a Sandi pra se aproximar de mim. Pode? Hahahahahahahaha!!!!
Monday, April 24, 2006
Meus parabéns!!!
Eu tinha dez anos e nunca tinho ido a um velório. No dia de finados sempre íamos no cemitério de Canoas, onde estavam os túmulos de dois avós. Mas a enterros e velórios ainda não.
Aos dez anos eu tava na quarta série e tinha aulas de português com a tia Carla Lemos, que era nossa vizinha. Um amor de pessoa. Antes de eu ser seu aluno vivia indo à sua casa brincar com um coelho que ela tinha. Grande, branco e com os olhos bem vermelhos. Depois que passei a ser seu aluno não quis mais ir lá brincar com o coelho. Talvez tenha estabelecido no meu subconsciente uma relação de distância professor/aluno.
Nesse mesmo ano, o marido da dona Carla tava com uns problemas financeiros e deu uma sumida. Todos achavam que ele ia procurar algum tipo de ajuda, pedir dinheiro emprestado, sei lá. Mas simplesmente sumiu e não deu notícias. A dona Carla que tinha qiue se virar desdobrando os credores que não paravam de aparecer, além de não saber mais onde procurar o marido.
O desespero foi tanto, que ela mandou um de seus filhos à praia, ver se ele não tinha ido se exilar na casa que tinham em Capão. Naquela época não tinha celular, as informações demoravam bem mais pra chegar. No final do dia, finalmente, a notícia de que o Seu Heitor realmente tinha se recolhido à casa de Capão. E lá, num ato de profundo egoísmo e falta de humildade pra pedir ajuda, cortara os pulsos. Deixava assim, além de todas as contas, a dor tatuada na mulher e nos três filhos.
A comoção lá na rua foi geral. Todos trataram de consolar Dona Carla e seus filhos. Depois de um tempo, a família conseguiu reverter a situação financeira e até hoje vivem muito bem. Aliás, a casa da Dona Carla é a mais simpática de toda a rua. Mas ainda tinha o velório e o enterro do Seu Heitor, que foi lá no João XXIII.
Minha mãe era muito amiga da Dona Carla. Mas meu pai não quis acompanhá-la no velório. Aí ela me convidou. Fomos com um vizinho, o Seu Fernando. Era uma noite chuvosa e fria de uma quarta-feira de agosto. Desci correndo do Del Rey do Seu Fernando e me abriguei embaixo de uma marquise. Nunca vi tanta gente lá da rua reunida. Minha mãe me deu a mão e nos aproximamos da capelinha onde acontecia o velório.
Tinha uma fila enorme de pessoas que chegavam até a Dona Carla, falavam baixinho no seu ouvido, abraçavam-na e saíam. Resolvi que ia entrar na fila e acompanhar a minha mãe. Fiquei à frente dela. Só que tinha um porém: eu Não sabia o que se dizia a uma viúva numa hora dessas. E não quis perguntar à minha mãe. Ah, e eu era a única criança presente. Fiquei ali, quietinho na fila esperando a minha vez. Tentava escutar o que diziam, mas não tinha como.
Faltava só uma pessoa, o Seu Agostinho. Foi lá, sussurrou, deu um abraço e saiu. Era a minha vez. Eu já estava um pouco tremendo pelo frio que fazia. Não tinha a mínima idéia do que se falava naquela ocasião. Me aproximei. Dei os quatro passos que separavam o primeiro da fila até a poltrona da Dona Carla. Abracei-a, puxei ar pra pegar um pouco de fôlego e soltei, de uma só vez:
- Meus parabéns!
Aos dez anos eu tava na quarta série e tinha aulas de português com a tia Carla Lemos, que era nossa vizinha. Um amor de pessoa. Antes de eu ser seu aluno vivia indo à sua casa brincar com um coelho que ela tinha. Grande, branco e com os olhos bem vermelhos. Depois que passei a ser seu aluno não quis mais ir lá brincar com o coelho. Talvez tenha estabelecido no meu subconsciente uma relação de distância professor/aluno.
Nesse mesmo ano, o marido da dona Carla tava com uns problemas financeiros e deu uma sumida. Todos achavam que ele ia procurar algum tipo de ajuda, pedir dinheiro emprestado, sei lá. Mas simplesmente sumiu e não deu notícias. A dona Carla que tinha qiue se virar desdobrando os credores que não paravam de aparecer, além de não saber mais onde procurar o marido.
O desespero foi tanto, que ela mandou um de seus filhos à praia, ver se ele não tinha ido se exilar na casa que tinham em Capão. Naquela época não tinha celular, as informações demoravam bem mais pra chegar. No final do dia, finalmente, a notícia de que o Seu Heitor realmente tinha se recolhido à casa de Capão. E lá, num ato de profundo egoísmo e falta de humildade pra pedir ajuda, cortara os pulsos. Deixava assim, além de todas as contas, a dor tatuada na mulher e nos três filhos.
A comoção lá na rua foi geral. Todos trataram de consolar Dona Carla e seus filhos. Depois de um tempo, a família conseguiu reverter a situação financeira e até hoje vivem muito bem. Aliás, a casa da Dona Carla é a mais simpática de toda a rua. Mas ainda tinha o velório e o enterro do Seu Heitor, que foi lá no João XXIII.
Minha mãe era muito amiga da Dona Carla. Mas meu pai não quis acompanhá-la no velório. Aí ela me convidou. Fomos com um vizinho, o Seu Fernando. Era uma noite chuvosa e fria de uma quarta-feira de agosto. Desci correndo do Del Rey do Seu Fernando e me abriguei embaixo de uma marquise. Nunca vi tanta gente lá da rua reunida. Minha mãe me deu a mão e nos aproximamos da capelinha onde acontecia o velório.
Tinha uma fila enorme de pessoas que chegavam até a Dona Carla, falavam baixinho no seu ouvido, abraçavam-na e saíam. Resolvi que ia entrar na fila e acompanhar a minha mãe. Fiquei à frente dela. Só que tinha um porém: eu Não sabia o que se dizia a uma viúva numa hora dessas. E não quis perguntar à minha mãe. Ah, e eu era a única criança presente. Fiquei ali, quietinho na fila esperando a minha vez. Tentava escutar o que diziam, mas não tinha como.
Faltava só uma pessoa, o Seu Agostinho. Foi lá, sussurrou, deu um abraço e saiu. Era a minha vez. Eu já estava um pouco tremendo pelo frio que fazia. Não tinha a mínima idéia do que se falava naquela ocasião. Me aproximei. Dei os quatro passos que separavam o primeiro da fila até a poltrona da Dona Carla. Abracei-a, puxei ar pra pegar um pouco de fôlego e soltei, de uma só vez:
- Meus parabéns!
Wednesday, April 19, 2006
Herança de mãe...
Minha mãe não sabe, mas ela me deixou uma herança em vida que dinheiro nenhum paga. Na verdade fiquei procurando uso pra essa palavra que só ouvi sendo pronunciada com naturalidade nas novelas da globo nos idos de 80. Nessas novelas em que marmanjos como a Lucinha Lins e o Cássio Gabus Mendes tratam os pais por mamãe e papai, que meiguinho. Pois nessas novelas se falava muito em herança.
A herança a que me refiro, que minha mãe me deixou na infância e que só me dei conta há alguns dias, não tem dólares, nem apartamentos, nem sítios nem haras – aliás, haras é outra coisa que só vi em novela – é uma coisa muito mais simples: me chamar lá do pátio, quando eu estava brincando, pra tomar o café da tarde...
- Raulziiiiiiiiiiiiinho!!! – gritava ela da cozinha.
- Quêêêêê.. mããããe...??? – eu respondia, invariavelmente brincando com meus Playmobil
- Vem tomar café!!!
Na verdade eu já sabia, porque o cheirinho do café passado percorria todos os cantinhos do pátio e invadia até as cozinhas - desprovidas de minha mãe - dos vizinhos, que não se continham e davam uma espiadela por cima do muro, sempre fazendo um comentário..
- Passando um cafezinho, Dona Nair?
- Tô.. daqui a pouquinho minha filha chega do colégio e gosta de tomar um café..
Falavam isso por cima do muro, muitas vezes sem ver umas às outras. Quem mora em casa tem dessas coisas. E era bom aquele café. Posso dizer que até hoje é, mas o segredo estava nas guarnições. Elas é que são minha herança. Naquele tempo o pão não era esse cacetinho amassado que comemos hoje. Era pão de meio e pão de quarto, que o seu Herny, o italiano do armazém, vendia quentinho. Minha mãe servia o café com leite na minha caneca de porcelana, um hábito que tenho até hoje, e cortava o pão de meio, ainda quente, em fatias de dois dedos, e passava a manteiga da Corlac, aquela do papel dourado.
Eu arregalava os olhos pra manteiga que se derretia em cima da fatia do pão e assoprava o café pela borda da caneca pra não queimar a língua. Isso quando minha mãe não inventava de fazer um bolo de laranja, que igual nunca vi. Até hoje o velho pé de laranja ornamenta o nosso pátio e colore-se de laranja em setembro. Minha diversão era colher as laranjas com um artefato de madeira com uma lata de nescau na ponta e depois, fazer delas o suco para o bolo. Lembro que ela dava o toque final no bolo com uma calda de laranja por cima e as raspas da casca que perfumavam toda a casa.
São essas coisas que nenhum hotel de luxo, nenhum restaurante mais requintado, nem mesmo os cafés coloniais de gramado vão conseguir reproduzir. Existia toda a mística que envolve uma criança que brinca no pátio com seu Playmobil e terá o maior prazer em interromper o seu brinquedo, porque tudo o que a rodeia é amor, desde o seu lar, a sua mãe e tudo o que ela faz.
A herança a que me refiro, que minha mãe me deixou na infância e que só me dei conta há alguns dias, não tem dólares, nem apartamentos, nem sítios nem haras – aliás, haras é outra coisa que só vi em novela – é uma coisa muito mais simples: me chamar lá do pátio, quando eu estava brincando, pra tomar o café da tarde...
- Raulziiiiiiiiiiiiinho!!! – gritava ela da cozinha.
- Quêêêêê.. mããããe...??? – eu respondia, invariavelmente brincando com meus Playmobil
- Vem tomar café!!!
Na verdade eu já sabia, porque o cheirinho do café passado percorria todos os cantinhos do pátio e invadia até as cozinhas - desprovidas de minha mãe - dos vizinhos, que não se continham e davam uma espiadela por cima do muro, sempre fazendo um comentário..
- Passando um cafezinho, Dona Nair?
- Tô.. daqui a pouquinho minha filha chega do colégio e gosta de tomar um café..
Falavam isso por cima do muro, muitas vezes sem ver umas às outras. Quem mora em casa tem dessas coisas. E era bom aquele café. Posso dizer que até hoje é, mas o segredo estava nas guarnições. Elas é que são minha herança. Naquele tempo o pão não era esse cacetinho amassado que comemos hoje. Era pão de meio e pão de quarto, que o seu Herny, o italiano do armazém, vendia quentinho. Minha mãe servia o café com leite na minha caneca de porcelana, um hábito que tenho até hoje, e cortava o pão de meio, ainda quente, em fatias de dois dedos, e passava a manteiga da Corlac, aquela do papel dourado.
Eu arregalava os olhos pra manteiga que se derretia em cima da fatia do pão e assoprava o café pela borda da caneca pra não queimar a língua. Isso quando minha mãe não inventava de fazer um bolo de laranja, que igual nunca vi. Até hoje o velho pé de laranja ornamenta o nosso pátio e colore-se de laranja em setembro. Minha diversão era colher as laranjas com um artefato de madeira com uma lata de nescau na ponta e depois, fazer delas o suco para o bolo. Lembro que ela dava o toque final no bolo com uma calda de laranja por cima e as raspas da casca que perfumavam toda a casa.
São essas coisas que nenhum hotel de luxo, nenhum restaurante mais requintado, nem mesmo os cafés coloniais de gramado vão conseguir reproduzir. Existia toda a mística que envolve uma criança que brinca no pátio com seu Playmobil e terá o maior prazer em interromper o seu brinquedo, porque tudo o que a rodeia é amor, desde o seu lar, a sua mãe e tudo o que ela faz.
Monday, April 17, 2006
Uma Páscoa com a família que a gente escolhe..
Depois do Carnaval, o evento mais esperado por todos é um só: a Páscoa. Mas não a Páscoa assim.. como é que eu vou dizer? Aquela loucura toda que se sucedeu lá pelas bandas de Jerusalém há dois mil anos e lembrada até hoje como uma das maiores histórias de amor já ocorridas. Todo aquele sacrifício, todo aquele sangue, toda a entrega, não são suficientes pra fazer frente aos coelhinhos de chocolate e todos seus ovinhos. Mesmo sem saber explicar a relação de um coelho com a Páscoa e muito menos da relação do ovo com esse coelho, a indústria do chocolate, nessa época, é mais promissora a cada ano. Ainda que o mascote achocolatado fosse trocado por uma galinha grávida, garanto que em pouco tempo o sucesso seria obtido.
Isso é só uma observação. Eu faço a minha parte nesse sucesso todo do chocolate. E quanto à história do JC na cruz, apenas lembro, nenhuma atitude mais cristã. Uma coisa que sempre procuro fazer é passar esse momento com o maior número de amigos possíveis. A galera sempre se agiliza pra uma trip na praia ou um acampamento, seja nos canions de Cambará do Sul, na Cascata do Chuvisqueiro ou às margens do Paranhana em Três Coroas. Qualquer lugar é lugar quando se quer curtir um fim de semana entre amigos.
Assim foi a Páscoa deste ano. As propostas iniciais eram muitas, desde o Forte Santa Tereza, no Uruguai até a praia da Pinheira, em SC. Depois de lotar a caixa de emails com discussões se íamos pra cá ou pra lá, acabamos optando pelo camping de Três Coroas. E isso só foi acontecer na tarde de quinta. Chegamos até a pensar em desistir, pelas desistências, mas como não é número que faz uma indiada acontecer, prosseguimos. Eu ia fazer uma indiada à parte, mas fui interceptado.
Pra garantir lugar nos carros, que eram poucos, saí do trampo correndo e comprei uma passagem pra Três Coroas para as 20h de quinta. Fui pra casa organizar as coisas e partir logo. Às 18:10, extamente, entrei em casa. O Plano: até 18:30 arrumar a parte das roupas e até às 19h os outros utensílios: lonas, cordas, fósforos, fogãozinho, panela, bola.. e tudo mais que se pode usar num camping. A barraca tava na casa de um amigo. Eu iria de táxi de casa até a rodoviária, passando na casa desse amigo pra buscar a barraca. A idéia era de eu chegar na rodoviária de Três Coroas e ficar esperando a galera num boteco qualquer.
Eu tava bem tranqüilo dobrando uma camiseta amarela e ajeitando-a na mala quando vi as horas. PQP!!! 18:50h E eu ainda não tinha nem tomado banho. Bah, passei voando embaixo do chuveiro e tratei de arrecadar tudo o que eu via pela frente.. isqueiro, cordinha, lâmpada, violão, rádio,... entrei no primeiro táxi que vi e dei o destino.
Parênteses: o tiozinho motora do táxi tinha mais tique que louco de porta de hospital. Se remexia todo no banco e dava uns solavancos pra arrancar o carro. Uma hora virei pra ele e fiquei olhando sério, como perguntando se ele tava com algum problema. Parou de pular na hora. Ainda quis dizer que acampar na Barra do Ribeiro e Magistério seria mais interessante que Três Coroas... tsc tsc tsc
No caminho pra casa do meu amigo recebi a ligação da Ro, que já saiu dizendo:
- Não compra passagem!
- Como assim?
- Não compra, a gente vai junto. Aí tu vai com a gente!
- Bah, que show! Eu já comprei, mas tudo bem. Guardo-a de recordação.
Parei no Bourbon e fui comprar as coisas que faltavam, esperando eles chegarem, ela e o Scooby. Dali em diante foi só tranqüilidade. Lá no camping foi aquela função de sempre.. escolher lugar pra colocar as barracas, retirar as pedras* que estorvavam, catar tocos pra fazer a fogueira, procurar tomadas pra luz...
* Esse lance das pedras foi engraçado. Achei o lugar ideal pra colocar a barraca, mas tinha uma pedra de tamanho considerável incomodando. Passei uma meia hora escavando na volta e me matando pra tirar a dita cuja dali. Ficou um baita buracão. Montei toda a barraca e no fim, a surpresa: o buraco tava longe da barraca. Não faria diferença nenhuma se a pedra ficasse ali.
O segundo carro chegou no meio da madrugada agitando todo mundo. Era a primeira noite de uma Páscoa muito divertida no meio do mato. No sábado jogamos futebol com uma gurizada que tava acampada por lá, entre eles um magrão com a camiseta do MST. Os guris o apelidaram na hora de "Zé Rainha". Foi muito engraçado, e serviu de inspiração pra uma boa sessão de risadas na manhã seguinte. O Rodrigão puxou a seqüência de frases, e nós demos continuação..
- Quando o Zé Rainha pegou a bola teve um latifúndio pra trabalhar!
- Hahahahahhahaha
- Zé Rainha só queria saber de invadir a área!
- Hahahahhahahha
- Zé Rainha entrou impedido!
- Hahahahahahhaha
- Eu vi: Zé Rainha amanheceu acampado na área do campo!
- Hahahahahahhahahaha
- Zé Rainha orientava sua equipe: nada de marcação homem a homem, a marcaçao deve ser por área!
- Hahahahahahahahahahaha
E assim foi.. como é bom rir de qualquer besteira. Aliás, esse foi um dos pontos marcantes do findi: diversão. Tudo era motivo de graça, de riso. Na sexta giramos horas na cidade em busca de peixe, mas tava tudo fechado. Acabamos num pesque e pague, onde fomos muito bem recebidos pela família que almoçava. Ficamos ali de papo e acabamos comprando um peixe de 8kg. Eles foram tão receptivos que nos deram os peixes que não tinham comido, assim como a salada de maionese. Tiveram todo o cuidado em dizer que não se tratava de sobra, mas que já haviam comido e não tinham mais fome. E nem precisava, os peixes e a salada estavam numa travessa sobre a mesa, ainda quentinhos. Momento ímpar!
Imagem & Ação
Quem já jogou sabe que esse é um dos molhores jogos que já foi inventado, ainda mais quando se joga regado a ceva, caipira e vinho. Caneta e papel, inspiração pras mímicas, divisão dos times.. e lá vai! Pode virar a ampulheta! Olha.. o jogo era pura risada! Saía cada desenho, cada mímica que nos mijávamos de rir.. mas uma carece de menção honrosa:
- Tá, eu vou desenhar.. - disse o Scooby
- Tá, vai lá então, pode começar?
- Pode. - viraram a ampulheta.
- ... (ele desenhando.. parecia uma forca)
- FORCA!
- ABAJUR!
- Faz outro desenho!
- .... (outro desenho... igual!)
- SAMAMBAIA! - HAHAHAHAHHAHA
- QUE PUTARIA É ESSA?
- FAZ OUTRO DESENHO, VAI ACABAR O TEMPO!
- ... (ele circulava aquilo que pareciam um monte de samambaias)
O tempo acabou. O time das gurias vibrava. Mas o que seria aquilo? Então ele revelou, pra espanto geral, inclusive das gurias:
- Um Laboratório, oras - falou na maior cara de pau!
Mau Deus, aquilo não era laboratório nem se tivesse legenda. Ele ainda tentou fazer um bonequinho ao lado, do tamanho daquilo que era pra ser um microscópio. Depois a ampliação da lâmina, que ficou parecendo um prédio.. olha.. sem comentários. Vou scanear e colocar aqui o desenho, aguardem!
Depois de tudo, só o que tenho a fazer é agradecer por um final de semana tão especial, sem todos os amigos que eu gostaria, mas onde cada um dos que foram fizeram encher cada minuto. Todos se divertindo com todos, sem máscaras, sem incompatibilidades. E se a paixão de JC não foi mais lembrada que os chocolates, com certeza a vivemos um pouquinho, na partilha do peixe, na ajuda pra montar e desmontar as barracas, na humildade em aceitar o peixe daquela família, e, principalmente, por fazer acontecer algo que estava quase morto. Ainda que com poucos integrantes, deixar marcado um evento que foi aberto a todos, sem restrições.
Isso é só uma observação. Eu faço a minha parte nesse sucesso todo do chocolate. E quanto à história do JC na cruz, apenas lembro, nenhuma atitude mais cristã. Uma coisa que sempre procuro fazer é passar esse momento com o maior número de amigos possíveis. A galera sempre se agiliza pra uma trip na praia ou um acampamento, seja nos canions de Cambará do Sul, na Cascata do Chuvisqueiro ou às margens do Paranhana em Três Coroas. Qualquer lugar é lugar quando se quer curtir um fim de semana entre amigos.
Assim foi a Páscoa deste ano. As propostas iniciais eram muitas, desde o Forte Santa Tereza, no Uruguai até a praia da Pinheira, em SC. Depois de lotar a caixa de emails com discussões se íamos pra cá ou pra lá, acabamos optando pelo camping de Três Coroas. E isso só foi acontecer na tarde de quinta. Chegamos até a pensar em desistir, pelas desistências, mas como não é número que faz uma indiada acontecer, prosseguimos. Eu ia fazer uma indiada à parte, mas fui interceptado.
Pra garantir lugar nos carros, que eram poucos, saí do trampo correndo e comprei uma passagem pra Três Coroas para as 20h de quinta. Fui pra casa organizar as coisas e partir logo. Às 18:10, extamente, entrei em casa. O Plano: até 18:30 arrumar a parte das roupas e até às 19h os outros utensílios: lonas, cordas, fósforos, fogãozinho, panela, bola.. e tudo mais que se pode usar num camping. A barraca tava na casa de um amigo. Eu iria de táxi de casa até a rodoviária, passando na casa desse amigo pra buscar a barraca. A idéia era de eu chegar na rodoviária de Três Coroas e ficar esperando a galera num boteco qualquer.
Eu tava bem tranqüilo dobrando uma camiseta amarela e ajeitando-a na mala quando vi as horas. PQP!!! 18:50h E eu ainda não tinha nem tomado banho. Bah, passei voando embaixo do chuveiro e tratei de arrecadar tudo o que eu via pela frente.. isqueiro, cordinha, lâmpada, violão, rádio,... entrei no primeiro táxi que vi e dei o destino.
Parênteses: o tiozinho motora do táxi tinha mais tique que louco de porta de hospital. Se remexia todo no banco e dava uns solavancos pra arrancar o carro. Uma hora virei pra ele e fiquei olhando sério, como perguntando se ele tava com algum problema. Parou de pular na hora. Ainda quis dizer que acampar na Barra do Ribeiro e Magistério seria mais interessante que Três Coroas... tsc tsc tsc
No caminho pra casa do meu amigo recebi a ligação da Ro, que já saiu dizendo:
- Não compra passagem!
- Como assim?
- Não compra, a gente vai junto. Aí tu vai com a gente!
- Bah, que show! Eu já comprei, mas tudo bem. Guardo-a de recordação.
Parei no Bourbon e fui comprar as coisas que faltavam, esperando eles chegarem, ela e o Scooby. Dali em diante foi só tranqüilidade. Lá no camping foi aquela função de sempre.. escolher lugar pra colocar as barracas, retirar as pedras* que estorvavam, catar tocos pra fazer a fogueira, procurar tomadas pra luz...
* Esse lance das pedras foi engraçado. Achei o lugar ideal pra colocar a barraca, mas tinha uma pedra de tamanho considerável incomodando. Passei uma meia hora escavando na volta e me matando pra tirar a dita cuja dali. Ficou um baita buracão. Montei toda a barraca e no fim, a surpresa: o buraco tava longe da barraca. Não faria diferença nenhuma se a pedra ficasse ali.
O segundo carro chegou no meio da madrugada agitando todo mundo. Era a primeira noite de uma Páscoa muito divertida no meio do mato. No sábado jogamos futebol com uma gurizada que tava acampada por lá, entre eles um magrão com a camiseta do MST. Os guris o apelidaram na hora de "Zé Rainha". Foi muito engraçado, e serviu de inspiração pra uma boa sessão de risadas na manhã seguinte. O Rodrigão puxou a seqüência de frases, e nós demos continuação..
- Quando o Zé Rainha pegou a bola teve um latifúndio pra trabalhar!
- Hahahahahhahaha
- Zé Rainha só queria saber de invadir a área!
- Hahahahhahahha
- Zé Rainha entrou impedido!
- Hahahahahahhaha
- Eu vi: Zé Rainha amanheceu acampado na área do campo!
- Hahahahahahhahahaha
- Zé Rainha orientava sua equipe: nada de marcação homem a homem, a marcaçao deve ser por área!
- Hahahahahahahahahahaha
E assim foi.. como é bom rir de qualquer besteira. Aliás, esse foi um dos pontos marcantes do findi: diversão. Tudo era motivo de graça, de riso. Na sexta giramos horas na cidade em busca de peixe, mas tava tudo fechado. Acabamos num pesque e pague, onde fomos muito bem recebidos pela família que almoçava. Ficamos ali de papo e acabamos comprando um peixe de 8kg. Eles foram tão receptivos que nos deram os peixes que não tinham comido, assim como a salada de maionese. Tiveram todo o cuidado em dizer que não se tratava de sobra, mas que já haviam comido e não tinham mais fome. E nem precisava, os peixes e a salada estavam numa travessa sobre a mesa, ainda quentinhos. Momento ímpar!
Imagem & Ação
Quem já jogou sabe que esse é um dos molhores jogos que já foi inventado, ainda mais quando se joga regado a ceva, caipira e vinho. Caneta e papel, inspiração pras mímicas, divisão dos times.. e lá vai! Pode virar a ampulheta! Olha.. o jogo era pura risada! Saía cada desenho, cada mímica que nos mijávamos de rir.. mas uma carece de menção honrosa:
- Tá, eu vou desenhar.. - disse o Scooby
- Tá, vai lá então, pode começar?
- Pode. - viraram a ampulheta.
- ... (ele desenhando.. parecia uma forca)
- FORCA!
- ABAJUR!
- Faz outro desenho!
- .... (outro desenho... igual!)
- SAMAMBAIA! - HAHAHAHAHHAHA
- QUE PUTARIA É ESSA?
- FAZ OUTRO DESENHO, VAI ACABAR O TEMPO!
- ... (ele circulava aquilo que pareciam um monte de samambaias)
O tempo acabou. O time das gurias vibrava. Mas o que seria aquilo? Então ele revelou, pra espanto geral, inclusive das gurias:
- Um Laboratório, oras - falou na maior cara de pau!
Mau Deus, aquilo não era laboratório nem se tivesse legenda. Ele ainda tentou fazer um bonequinho ao lado, do tamanho daquilo que era pra ser um microscópio. Depois a ampliação da lâmina, que ficou parecendo um prédio.. olha.. sem comentários. Vou scanear e colocar aqui o desenho, aguardem!
Depois de tudo, só o que tenho a fazer é agradecer por um final de semana tão especial, sem todos os amigos que eu gostaria, mas onde cada um dos que foram fizeram encher cada minuto. Todos se divertindo com todos, sem máscaras, sem incompatibilidades. E se a paixão de JC não foi mais lembrada que os chocolates, com certeza a vivemos um pouquinho, na partilha do peixe, na ajuda pra montar e desmontar as barracas, na humildade em aceitar o peixe daquela família, e, principalmente, por fazer acontecer algo que estava quase morto. Ainda que com poucos integrantes, deixar marcado um evento que foi aberto a todos, sem restrições.
Monday, April 10, 2006
Trilha sonora...
Tenho uma estranha mania de associar músicas a filmes. Quem me conhece sabe: basta alguém cantarolar uma melodia, ou ouvir um trechinho de uma música quando se troca de estação no rádio e eu já lanço..
- Tu viu esse filme?
- Qual? – as pessoas perguntam.
Aí entra a minha indignação. Além de eu querer que todos tenham visto os mesmos filmes que eu, quero que tenham decorado a trilha sonora de cada um deles.
- Apocalipse Now! Vai dizer que tu não viu!!!!?
- Não. Não vi.
- Bah.. tens que ver!
Então tento convencer a pessoa de que ela precisa ver o tal filme. Invariavelmente é assim. Ontem mesmo.. dois dos meus sobrinhos estavam lá em casa. Faziam arte por toda a casa: espalhavam a areia que o pai comprou pra terminar a reforma dos fundos, jogavam água nos cachorros, subiam na grade do portão.. essas coisas que guri faz. Mas um deles, o Mano, tem um viés pra música. Toca violão. E pior que toca direitinho!
Vendo o guri tocar me encorajei e fui pro teclado com os dedos bastante enferrujados. Mas consegui brincar com a Blowers Daughter, do filme Closer – Perto Demais. Tanto que minha irmã ficou me assistindo à porta, e pediu que eu ensinasse o Mano a tocá-la no violão.
Já fui logo falando do filme:
- Ah, tu viu esse filme, então?
- Não, qual? – tri boiando, ela!
- Closer! – numa entonação de obviedade.
- Não..
- Closer, perto demais
- Não, não vi. Com quem é? É bom?
- Ah deixa.. é bom, uma hora tu pega pra ver.
Me caiu a ficha, então, de que ela entendera como sendo a música do Seu Jorge com a Ana Carolina.. “É isso aí”.
É isso aí, às vezes tenho uma vontade de ter um cinema e passar para os meus amigos todos os filmes bons que já vi.
Boa semana a todos!
- Tu viu esse filme?
- Qual? – as pessoas perguntam.
Aí entra a minha indignação. Além de eu querer que todos tenham visto os mesmos filmes que eu, quero que tenham decorado a trilha sonora de cada um deles.
- Apocalipse Now! Vai dizer que tu não viu!!!!?
- Não. Não vi.
- Bah.. tens que ver!
Então tento convencer a pessoa de que ela precisa ver o tal filme. Invariavelmente é assim. Ontem mesmo.. dois dos meus sobrinhos estavam lá em casa. Faziam arte por toda a casa: espalhavam a areia que o pai comprou pra terminar a reforma dos fundos, jogavam água nos cachorros, subiam na grade do portão.. essas coisas que guri faz. Mas um deles, o Mano, tem um viés pra música. Toca violão. E pior que toca direitinho!
Vendo o guri tocar me encorajei e fui pro teclado com os dedos bastante enferrujados. Mas consegui brincar com a Blowers Daughter, do filme Closer – Perto Demais. Tanto que minha irmã ficou me assistindo à porta, e pediu que eu ensinasse o Mano a tocá-la no violão.
Já fui logo falando do filme:
- Ah, tu viu esse filme, então?
- Não, qual? – tri boiando, ela!
- Closer! – numa entonação de obviedade.
- Não..
- Closer, perto demais
- Não, não vi. Com quem é? É bom?
- Ah deixa.. é bom, uma hora tu pega pra ver.
Me caiu a ficha, então, de que ela entendera como sendo a música do Seu Jorge com a Ana Carolina.. “É isso aí”.
É isso aí, às vezes tenho uma vontade de ter um cinema e passar para os meus amigos todos os filmes bons que já vi.
Boa semana a todos!
Thursday, April 06, 2006
Distantes...
Ainda eu fique sem palavras. Ainda que eu fique sem jeito. Nem sei se vou saber te olhar. Só sinto algo estranho no peito enquanto conto as horas. A cada dia que passa repenso se devo ou não ir ao teu encontro.
Aí encontro o ombro dos amigos, e neles o incentivo a não desistir. Depois de tanto tempo não há mais motivos para protelar. Não há porque esperar uma oportunidade. Hei de fazê-la. Desenraizar os pés da comodidade e regar com um abraço apertado os campos de um laço fraterno que outrora fora esquecido.
Não haverá mais, então, essa falta, mas sim o compromisso de não deixar esse nó soltar-se novamente. E noutro abraço selar-se-á, agora, a saudade.
Manias internérdicas
Nerd porque, por eu achar que essas coisas remetem a pessoas muito ligadas num troço, não necessariamente nos estudos. Me refiro a emoticons do msn e comunidades do orkut, pra não espraiar muito. Não vou dizer que dá raiva ou que odeio, mas é um saco tentar manter uma conversa no msn cheio de “Ois” piscantes, “bom dias” cheios de estrelinhas com um passarinho em cima do B, tendo que entender que um bonequinho andando na tela é um “vou”, e uma casinha esquiita é a própria casa. Tem pessoas que conseguem escrever uma grase sem que apareça uma única palavra crua, só desenhinhos. Eu acho legais muitos emoticons, mas uns criativos, usados vez lá que outra. Indiscriminadamente assim, não. Fiquei de cara esses dias que fui escrever alguma palavra que tinha “lamb” no meio e me apareceu uma vaquinha dando um lambida! Aí tive que trocar pra maiúsculo.
Outra coisa que eu não entendo são essas comunidades de “Eu sou fã do fulano..” Pior, o convite enviado pelo próprio fulano! Hahahahhahahaha O orkut já tem aquela paradinha de classificação pra colocar quem são teus fãs. Tá mais do que bom. Agora uma comunidade.. dá licença! Até tenho nas minhas comunidades uma de fãs do Décio. Mas o cara é o cara, se tiver 18 comunidades com o mesmo nome entro em todas. Agora os reles mortais.. deleto! Hehehehe..
*****************
Amansa burro: o textinho ali de cima fiz para um amigo que não vê a irmã há alguns anos.
Aí encontro o ombro dos amigos, e neles o incentivo a não desistir. Depois de tanto tempo não há mais motivos para protelar. Não há porque esperar uma oportunidade. Hei de fazê-la. Desenraizar os pés da comodidade e regar com um abraço apertado os campos de um laço fraterno que outrora fora esquecido.
Não haverá mais, então, essa falta, mas sim o compromisso de não deixar esse nó soltar-se novamente. E noutro abraço selar-se-á, agora, a saudade.
Manias internérdicas
Nerd porque, por eu achar que essas coisas remetem a pessoas muito ligadas num troço, não necessariamente nos estudos. Me refiro a emoticons do msn e comunidades do orkut, pra não espraiar muito. Não vou dizer que dá raiva ou que odeio, mas é um saco tentar manter uma conversa no msn cheio de “Ois” piscantes, “bom dias” cheios de estrelinhas com um passarinho em cima do B, tendo que entender que um bonequinho andando na tela é um “vou”, e uma casinha esquiita é a própria casa. Tem pessoas que conseguem escrever uma grase sem que apareça uma única palavra crua, só desenhinhos. Eu acho legais muitos emoticons, mas uns criativos, usados vez lá que outra. Indiscriminadamente assim, não. Fiquei de cara esses dias que fui escrever alguma palavra que tinha “lamb” no meio e me apareceu uma vaquinha dando um lambida! Aí tive que trocar pra maiúsculo.
Outra coisa que eu não entendo são essas comunidades de “Eu sou fã do fulano..” Pior, o convite enviado pelo próprio fulano! Hahahahhahahaha O orkut já tem aquela paradinha de classificação pra colocar quem são teus fãs. Tá mais do que bom. Agora uma comunidade.. dá licença! Até tenho nas minhas comunidades uma de fãs do Décio. Mas o cara é o cara, se tiver 18 comunidades com o mesmo nome entro em todas. Agora os reles mortais.. deleto! Hehehehe..
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Amansa burro: o textinho ali de cima fiz para um amigo que não vê a irmã há alguns anos.
Tuesday, April 04, 2006
Numa madrugada, num quarto frio...
Aos amigos recorri quando fui tomado pela falta de tudo, apesar do tudo que me era oferecido. Era uma manhã de atípico frio de março e a noite anterior fora marcada pelo medo de caminhar algumas quadras numa rua de poucas casas com a iluminação falha. Na lembrança as mesmas risadas inéditas dos mesmos amigos surpreendentes como companhia. Naquela noite, ao contrário das outras, havia me deitado cedo. Não sei ao certo que horas eram quando duas sensações insuportáveis me acordaram e ao mesmo tempo me prenderam à cama. As poucas horas que passaram desde que adormeci serviram pra fazer os rins trabalharem e preencherem todo o volume da bexiga; e o cair brusco da temperatura não fizeram conhecimento do fino lençol que me cobria.
Uma imensa força não foi suficiente pra conseguir abrir os olhos. Estaria ainda dormindo enquanto o corpo sofria aquelas sensações desconfortantes? As forças então foram usadas pra tentar acordar com o auxílio do corpo que tremia sem parar e das pernas unidas uma à outra pra não molhar a cama. Os olhos, enfim, se abriram. Mas o corpo insistia em tentar abraçar mais o fino lençol em vão. Parecia que o frio aumentava. Recobrei o tino e me levantei. Notei que a janela ficara aberta e por isso uma brisa muito fria invadia o quarto naquela madrugada. Fui ao banheiro e depois estendi o cobertor que hibernava no roupeiro. Enrolei-me feito um lagarto no casulo e adormeci, permanecendo assim por mais umas cinco horas.
A manhã já se fazia quente novamente e alguns raios de sol faziam fachos de luz por entre as frestas da veneziana culminando em algum desenho estranho na parede, próximo à tomada. Em vã tentativa de decifrá-los refletia sobre tudo o que estava ao meu redor e como eu estava me sentindo em relação a essas coisas. Foi então que percebi que minha agenda mental não era suficiente pra dar conta de tantos afazeres, tantos amigos, tantos sentimentos conflitantes, tantas coisas pra dizer, mas nenhuma palavra pra expressar. Uma vontade de fugir e uma saudade de ficar. Pensamentos, sensações e sentimentos dúbios, reversos, imersos num mar confuso e turbulento.
Se as coisas não fossem amarradas seriam muito mais fáceis. E não teriam nenhuma graça. Tudo causa, tudo implica. E como tudo que nos satisfaz plenamente depende de alguém, tudo o que fizermos repercutirá uma reação. Boa ou ruim. Às vezes ruim sem que tenhamos vontade de que acontecesse assim. Às vezes boa demais sem que desejássemos que acontecesse assim. Digo que depende de alguém porque posso achar que me satisfaço plenamente com o sol que nasce no horizonte do oceano, mas logo preciso compartilhar esse momento. Tudo o que sentimos passa por uma necessidade de ser exposto.
Talvez a dor seja guardada. Por vezes é. Talvez por querer preservar a reação de quem está próximo a nós. Já o riso geralmente é exposto e quer ser muito compartilhado. Intensificado se for possível. Mas nesse momento eu estava só. Eu, o fino lençol, o cobertor que me salvou, o desenho feito pelo sol na parede e todo o universo do meu quarto. Nada podia ser compartilhado, nem mesmo um sorriso que não aconteceu. Nem mesmo uma lágrima. Nem o calor do corpo que agora não mais precisava se cobrir. Nem o brilho dos olhos nem o quente dos lábios.
A vida toma sentido pela esperança de que nada disso transborde e se perca. Que nada disso vá embora, apenas acumule. Até mesmo a dor, porque ela valorizará a vitória de cada batalha. Mas que principalmente se acumule os sorrisos que provocarão outros, as lágrimas que farão chorar outros olhos, o calor do corpo, que junto a outro parecerá febril, o quente dos lábios que em outros lábios.. braços estarãoa eriçar e olhos a se fechar, olhos que destes que brilham.. por estes se farão perder.
Uma imensa força não foi suficiente pra conseguir abrir os olhos. Estaria ainda dormindo enquanto o corpo sofria aquelas sensações desconfortantes? As forças então foram usadas pra tentar acordar com o auxílio do corpo que tremia sem parar e das pernas unidas uma à outra pra não molhar a cama. Os olhos, enfim, se abriram. Mas o corpo insistia em tentar abraçar mais o fino lençol em vão. Parecia que o frio aumentava. Recobrei o tino e me levantei. Notei que a janela ficara aberta e por isso uma brisa muito fria invadia o quarto naquela madrugada. Fui ao banheiro e depois estendi o cobertor que hibernava no roupeiro. Enrolei-me feito um lagarto no casulo e adormeci, permanecendo assim por mais umas cinco horas.
A manhã já se fazia quente novamente e alguns raios de sol faziam fachos de luz por entre as frestas da veneziana culminando em algum desenho estranho na parede, próximo à tomada. Em vã tentativa de decifrá-los refletia sobre tudo o que estava ao meu redor e como eu estava me sentindo em relação a essas coisas. Foi então que percebi que minha agenda mental não era suficiente pra dar conta de tantos afazeres, tantos amigos, tantos sentimentos conflitantes, tantas coisas pra dizer, mas nenhuma palavra pra expressar. Uma vontade de fugir e uma saudade de ficar. Pensamentos, sensações e sentimentos dúbios, reversos, imersos num mar confuso e turbulento.
Se as coisas não fossem amarradas seriam muito mais fáceis. E não teriam nenhuma graça. Tudo causa, tudo implica. E como tudo que nos satisfaz plenamente depende de alguém, tudo o que fizermos repercutirá uma reação. Boa ou ruim. Às vezes ruim sem que tenhamos vontade de que acontecesse assim. Às vezes boa demais sem que desejássemos que acontecesse assim. Digo que depende de alguém porque posso achar que me satisfaço plenamente com o sol que nasce no horizonte do oceano, mas logo preciso compartilhar esse momento. Tudo o que sentimos passa por uma necessidade de ser exposto.
Talvez a dor seja guardada. Por vezes é. Talvez por querer preservar a reação de quem está próximo a nós. Já o riso geralmente é exposto e quer ser muito compartilhado. Intensificado se for possível. Mas nesse momento eu estava só. Eu, o fino lençol, o cobertor que me salvou, o desenho feito pelo sol na parede e todo o universo do meu quarto. Nada podia ser compartilhado, nem mesmo um sorriso que não aconteceu. Nem mesmo uma lágrima. Nem o calor do corpo que agora não mais precisava se cobrir. Nem o brilho dos olhos nem o quente dos lábios.
A vida toma sentido pela esperança de que nada disso transborde e se perca. Que nada disso vá embora, apenas acumule. Até mesmo a dor, porque ela valorizará a vitória de cada batalha. Mas que principalmente se acumule os sorrisos que provocarão outros, as lágrimas que farão chorar outros olhos, o calor do corpo, que junto a outro parecerá febril, o quente dos lábios que em outros lábios.. braços estarãoa eriçar e olhos a se fechar, olhos que destes que brilham.. por estes se farão perder.
Thursday, March 30, 2006
Minha mãe bebe e perde os critérios...
Faz horas que não falo sobre minha mãe. É uma pena, principalmente pra ela, que o que tenho a contar não lhe seja muito favorável.
Meu pai é um figura muito conservador e nada festivo. Não tolera palavrões, mau comportamento das crianças, música alta, conversas esticadas no telefone, bebedeiras e nem chegar tarde em casa. Tirando o “chegar tarde em casa” e “música alta”, nada do resto eu pratico em casa. É certo que meus tragos deixam vestígios por horas depois que eu acordo, mas lá em casa não bebo um gole sequer. Deixo meus eventuais palavrões pra rua e, se possível, mantenho o bom comportamento.. hehehehe
Quem acaba sofrendo o pênalti é minha mãezinha. Dona de um vasto vocabulário chulo, uma queda significativa por umas geladas a qualquer hora do dia e que, se pudesse, vivia fazendo palhaçadas pra alegrar quem está por perto, tem que “se comportar” em casa. Mas ela é feliz, o que importa pra Dona Anair é ver a casa sempre em harmonia. Seu Antônio, por mais que tudo ande na boa, tá sempre reinando com alguma coisa. É só não ligar que ele logo se aquieta.
Já disse aqui que ele vai pra praia só depois que todos já foram e começa a bater a saudade. Pois é.. por conta disso minha mãe deita e rola lá na praia. Todos os dias do verão me ligava pra contar das suas peripécias. Das quais, uma delas me deixou consideravelmente chocado.
O sapo..
Nossa casa da praia fica a cinco quadras do mar. Há poucas casas construídas por perto. Alguns cômoros de areia e um que outro banhado de água da chuva, o que atrai bastante os sapos, que vivem invadindo a casa em busca de insetos.
Ainda era de manhã quando minha mãe e minha irmã foram no mercadinho buscar umas cervejas pra tomar durante o dia, coisa que não acontece aqui em Poa. Aqui, duas garrafas durante o almoço bastam, não importa quantas pessoas estejam à mesa. Assim passaram o dia. As crianças brincando nos cômoros de areia e elas se gelando e rindo. Almoço preparado regado a cerveja e, logo depois, uma soneca.
No final da tarde elas voltavam a dar início aos trabalhos, mais umas geladas, as crianças correndo e gritando nos cômoros.. todos felizes.
Minha mãe tem um sério problema de incontinência, tanto urinária quanto... deixa pra lá. Ainda era de tardezinha quando ela, já bem embalada pelas cervejas que tomavam, sentiu que pre-ci-as-va ir ao banheiro. Como os sinais eram adversos, resolveu que ia no dos fundos. Como além de adversos, os sinais eram de extrema urgência, resolveu dar a volta por fora da casa. Levantou-se de fininho e deu início à empreitada de chegar ilesa ao banheiro e, enfim, aliviar-se. Sentiu que uma forte pressão a forçava a não mais prender uma nádega junto à outra. Mas recém havia passado pela primeira janela. Ainda restavam duas.
Enquanto isso as crianças continuavam brincando e minhas irmãs bebendo e rindo, lá na frente. Na última curvinha que antecedia o banheiro, o inevitável... Minha pobre mãezinha não se conteve e.. como vou dizer? Isso mesmo que vocês estão pensando! Antes mesmo de entrar no banheiro, como todos estavam lá na frente, tirou as calças premiadas e largou no tanque. Terminou o serviço no vaso e tomou um banho. Ainda tonta, colocou uma roupa limpa e voltou lá pra frente com as gurias, que não desconfiaram de nada.
À noite minha sobrinha se preparava pra ir com as amigas pra boate, enquanto minha mãe, agora limpinha, e minhas irmãs lá.. se gelando e dando uma olhada na gurizada. Prepararam a janta, assistiram TV e foram dormir.
Já de manhã, minha sobrinha voltou pra casa, lavou o rosto e foi dormir, enquanto todos acordavam. Levantou-se um pouco antes do almoço, já reclamando:
- Que droga esses sapos! Tão por toda parte! – resmungava com voz sonolenta.
- O que foi, minha filha.. te incomodaram? – Consolou minha irmã.
- Ahhh.. cheguei e fui lavar o rosto ali no tanque. Tinham umas roupas da vó. Eu tirei pro lado e tinha um baita dum sapo! Eu joguei água nele, mas ele não quis sair.
Todos entreolharam-se. A essa hora o tanque já havia sido limpo, e o então sapo, retirado.
- TALIIIITHAAAAAA!!!! – gritou minha outra irmã.
- É.. eu jogava água nele e dizia: “Sai, sapo!” mas ele não saía. Aí lavei o rosto e fui dormir.
Acho que já estava na hora de o meu pai aparecer...
Meu pai é um figura muito conservador e nada festivo. Não tolera palavrões, mau comportamento das crianças, música alta, conversas esticadas no telefone, bebedeiras e nem chegar tarde em casa. Tirando o “chegar tarde em casa” e “música alta”, nada do resto eu pratico em casa. É certo que meus tragos deixam vestígios por horas depois que eu acordo, mas lá em casa não bebo um gole sequer. Deixo meus eventuais palavrões pra rua e, se possível, mantenho o bom comportamento.. hehehehe
Quem acaba sofrendo o pênalti é minha mãezinha. Dona de um vasto vocabulário chulo, uma queda significativa por umas geladas a qualquer hora do dia e que, se pudesse, vivia fazendo palhaçadas pra alegrar quem está por perto, tem que “se comportar” em casa. Mas ela é feliz, o que importa pra Dona Anair é ver a casa sempre em harmonia. Seu Antônio, por mais que tudo ande na boa, tá sempre reinando com alguma coisa. É só não ligar que ele logo se aquieta.
Já disse aqui que ele vai pra praia só depois que todos já foram e começa a bater a saudade. Pois é.. por conta disso minha mãe deita e rola lá na praia. Todos os dias do verão me ligava pra contar das suas peripécias. Das quais, uma delas me deixou consideravelmente chocado.
O sapo..
Nossa casa da praia fica a cinco quadras do mar. Há poucas casas construídas por perto. Alguns cômoros de areia e um que outro banhado de água da chuva, o que atrai bastante os sapos, que vivem invadindo a casa em busca de insetos.
Ainda era de manhã quando minha mãe e minha irmã foram no mercadinho buscar umas cervejas pra tomar durante o dia, coisa que não acontece aqui em Poa. Aqui, duas garrafas durante o almoço bastam, não importa quantas pessoas estejam à mesa. Assim passaram o dia. As crianças brincando nos cômoros de areia e elas se gelando e rindo. Almoço preparado regado a cerveja e, logo depois, uma soneca.
No final da tarde elas voltavam a dar início aos trabalhos, mais umas geladas, as crianças correndo e gritando nos cômoros.. todos felizes.
Minha mãe tem um sério problema de incontinência, tanto urinária quanto... deixa pra lá. Ainda era de tardezinha quando ela, já bem embalada pelas cervejas que tomavam, sentiu que pre-ci-as-va ir ao banheiro. Como os sinais eram adversos, resolveu que ia no dos fundos. Como além de adversos, os sinais eram de extrema urgência, resolveu dar a volta por fora da casa. Levantou-se de fininho e deu início à empreitada de chegar ilesa ao banheiro e, enfim, aliviar-se. Sentiu que uma forte pressão a forçava a não mais prender uma nádega junto à outra. Mas recém havia passado pela primeira janela. Ainda restavam duas.
Enquanto isso as crianças continuavam brincando e minhas irmãs bebendo e rindo, lá na frente. Na última curvinha que antecedia o banheiro, o inevitável... Minha pobre mãezinha não se conteve e.. como vou dizer? Isso mesmo que vocês estão pensando! Antes mesmo de entrar no banheiro, como todos estavam lá na frente, tirou as calças premiadas e largou no tanque. Terminou o serviço no vaso e tomou um banho. Ainda tonta, colocou uma roupa limpa e voltou lá pra frente com as gurias, que não desconfiaram de nada.
À noite minha sobrinha se preparava pra ir com as amigas pra boate, enquanto minha mãe, agora limpinha, e minhas irmãs lá.. se gelando e dando uma olhada na gurizada. Prepararam a janta, assistiram TV e foram dormir.
Já de manhã, minha sobrinha voltou pra casa, lavou o rosto e foi dormir, enquanto todos acordavam. Levantou-se um pouco antes do almoço, já reclamando:
- Que droga esses sapos! Tão por toda parte! – resmungava com voz sonolenta.
- O que foi, minha filha.. te incomodaram? – Consolou minha irmã.
- Ahhh.. cheguei e fui lavar o rosto ali no tanque. Tinham umas roupas da vó. Eu tirei pro lado e tinha um baita dum sapo! Eu joguei água nele, mas ele não quis sair.
Todos entreolharam-se. A essa hora o tanque já havia sido limpo, e o então sapo, retirado.
- TALIIIITHAAAAAA!!!! – gritou minha outra irmã.
- É.. eu jogava água nele e dizia: “Sai, sapo!” mas ele não saía. Aí lavei o rosto e fui dormir.
Acho que já estava na hora de o meu pai aparecer...
Monday, March 27, 2006
Ele sabia das coisas...
Certo que ele tinha engolido uma enciclopédia, o Maurício Kroef. Certo! Eu era estagiário numa empresa de relógios-ponto eletrônicos pra concluir o segundo grau. O Maurício fazia estágio de engenharia, pela UFRGS. Engenharia Elétrica na UFRGS, o curso mais temido entre os espinhentos estudantes de eletrônica e afins do segundo grau. E o Maurício já estava lá, com conhecomento profundo sobre todas as coisas que conversávamos, em meio aos testes nas plaquinhas dos relógios-ponto.
Tinha horas que eu parava tudo e pensava: o cara só pode estar de sacanagem! Ele deslanchava a falar sobre a invasão russa à Auschwitz, em 45, travando batalha com os alemães. E falava aquilo com uma riqueza de detalhes que impressionava. Em seguida passava a falar de algum esporte, lembrando o medalha de ouro no lançamento de dardos nas olimpíadas de 68. Eu tentava passar para algum esporte mais popular, como futebol, mas aí ele vinha com a escalação completa da seleção olímpica do mesmo ano.
E olha que ele não era nerd, ao menos não parecia. Vivia falando das boemias com os colegas da engenharia nos bares da Cidade Baixa e das aventuras amorosas que passava. Mulheres das mais interessantes que conhecia na noite e acabavam enroscadas nos lençóis do seu apartamento. Eu ouvia aquilo admirado, com as mãos no queixo. As histórias que ouvia dos guris do colégio não passavam de uns amassos nos corredores do Parobé.
Um dia Maurício chegou com uma questão intrigante: que quando o cara tá muito apertado, muito apertado mesmo, a sensação de alívio ao urinar chega a ser melhor que a do gozo. Não pode! - Eu pensava. Não lembro muito bem, mas se não me engano, na época eu ainda não tinha experimentado tal prazer, o de atingir o clímax do orgasmo com uma mulher. Quem me dera! Mas era, sem dúvida, o que eu mais anseava. Agora ficar apertado eu já tinha ficado um monte de vezes, e até sabia que a sensação era maravilhosamente boa. As últimas gotas até vinham acompanhadas de um “Ahhhhhhhh....” Mas aquilo não podia ser melhor do que gozar, não podia.
Anos depois, já tendo passado por algumas aventuras carnais, lembrei da questão do Maurício. Esperei até a primeira festa, onde seria mais provável eu ficar apertado. O problema era que eu nunca conseguia reunir as duas sensações na mesma noite. Uma porque eu não era louco de ficar apertado e não ir ao banheiro, caso tivesse um por perto. Outra porque não era toda hora que se conseguia ir pra cama com uma mulher. A dúvida foi tomando conta de tudo o que eu queria saber.
Finalmente chegou o dia. Estava numa festa ali na Cristóvão. Elektra, acho que era. Os espelhos dos banheiros eram vazados e podia se ver quem estava no espelho do outro lado, no feminino. Ali o pessoal trocava olhares e, se fosse de interesse mútuo, encontravam-se depois na pista. O problema é que o banheiro era sempre muito cheio. Na última vez que fui ao banheiro, já bem apertado por conta da cerveja que tomávamos no balcão, pintou um desses olhares com uma menina do outro lado.
Já de volta ao balcão, eu ficava tentando achá-la na pista. Ela estava perto da parede oposta, me olhando. Fui até lá. Mal nos cumprimentamos e logo nos beijamos. Foi um beijo longo, bom, daqueles de esquecer até a música que tá tocando. Quase não conversamos. A sintonia dos beijos e das carícias apontavam pra que buscássemos um lugar mais apropriado pra continuar a noite. Não precisei perguntar.. e ela também não respondeu, apenas sorriu...
Mas eu tava muito apertado de novo. Precisava ir pela última vez ao banheiro. Ela ia me esperar perto do caixa. Enquanto cruzava a pista a situação foi se tornando crítica ao ponto de eu achar que não seguraria até chegar ao banheiro. E se tivesse fila? Ah, eu faria no corredor mesmo. Engraçado é que quando o cérebro sabe que tu tá te dirigindo pra um banheiro, fica praticamente impossível segurar, como se o tempo limite fosse dado por uma ampulheta.
Consegui chegar ao banheiro, só um magrão na fila. Apura que eu tô apertado – falei. Ele foi rapidinho e saiu. Escorei a cabeça na parede, abri as calças e aaahhhhhhhhhh.... Quando a gente bebe, é mais legal fazer xixi assim, com a cabeça escorada na parede.
Só que não fez o barulhinho tradicional na água do vaso..
PQP!!! PQP!!! PQP!!! PQP!!!
Na hora senti um quentinho escorrendo pela perna esquerda. Olhei pra baixo e constatei que minha noite acabara de ir por água abaixo, ou melhor, perna abaixo. Uma imensa mancha escura contrastou com o claro do jeans. O que eu ia fazer? Como ia me apresentar à moça todo mijado? Não tinha como.. E pior.. se eu contasse o que tinha acontecido e ela não se importasse?
Não, não, não.. eu é que não ia passar por tamanho mico. Além de ter que sair do banheiro todo mijado e, inevitavelmente, ouvir piadinhas. Já abri a porta com cara de brabo. Ai que alguém se atrevesse a falar alguma coisa. Passei pela pista sério, firme, sentindo agora, que a calça estava gelada. Poucas situações são piores que essa. Na hora não conseguia lembrar de nenhuma outra.
A moça estava lá, perto do caixa. Me avistou de longe e percebeu que não estava indo ao encontro dela. Não sei o que pode ter pensado, mas fui direto pra saída. Não dei nem tchau, nem olhei. Saí e fui embora, adiando mais uma vez a comparação sugerida pelo sábio Maurício. Ele que nunca deve ter se mijado nas calças.
Tinha horas que eu parava tudo e pensava: o cara só pode estar de sacanagem! Ele deslanchava a falar sobre a invasão russa à Auschwitz, em 45, travando batalha com os alemães. E falava aquilo com uma riqueza de detalhes que impressionava. Em seguida passava a falar de algum esporte, lembrando o medalha de ouro no lançamento de dardos nas olimpíadas de 68. Eu tentava passar para algum esporte mais popular, como futebol, mas aí ele vinha com a escalação completa da seleção olímpica do mesmo ano.
E olha que ele não era nerd, ao menos não parecia. Vivia falando das boemias com os colegas da engenharia nos bares da Cidade Baixa e das aventuras amorosas que passava. Mulheres das mais interessantes que conhecia na noite e acabavam enroscadas nos lençóis do seu apartamento. Eu ouvia aquilo admirado, com as mãos no queixo. As histórias que ouvia dos guris do colégio não passavam de uns amassos nos corredores do Parobé.
Um dia Maurício chegou com uma questão intrigante: que quando o cara tá muito apertado, muito apertado mesmo, a sensação de alívio ao urinar chega a ser melhor que a do gozo. Não pode! - Eu pensava. Não lembro muito bem, mas se não me engano, na época eu ainda não tinha experimentado tal prazer, o de atingir o clímax do orgasmo com uma mulher. Quem me dera! Mas era, sem dúvida, o que eu mais anseava. Agora ficar apertado eu já tinha ficado um monte de vezes, e até sabia que a sensação era maravilhosamente boa. As últimas gotas até vinham acompanhadas de um “Ahhhhhhhh....” Mas aquilo não podia ser melhor do que gozar, não podia.
Anos depois, já tendo passado por algumas aventuras carnais, lembrei da questão do Maurício. Esperei até a primeira festa, onde seria mais provável eu ficar apertado. O problema era que eu nunca conseguia reunir as duas sensações na mesma noite. Uma porque eu não era louco de ficar apertado e não ir ao banheiro, caso tivesse um por perto. Outra porque não era toda hora que se conseguia ir pra cama com uma mulher. A dúvida foi tomando conta de tudo o que eu queria saber.
Finalmente chegou o dia. Estava numa festa ali na Cristóvão. Elektra, acho que era. Os espelhos dos banheiros eram vazados e podia se ver quem estava no espelho do outro lado, no feminino. Ali o pessoal trocava olhares e, se fosse de interesse mútuo, encontravam-se depois na pista. O problema é que o banheiro era sempre muito cheio. Na última vez que fui ao banheiro, já bem apertado por conta da cerveja que tomávamos no balcão, pintou um desses olhares com uma menina do outro lado.
Já de volta ao balcão, eu ficava tentando achá-la na pista. Ela estava perto da parede oposta, me olhando. Fui até lá. Mal nos cumprimentamos e logo nos beijamos. Foi um beijo longo, bom, daqueles de esquecer até a música que tá tocando. Quase não conversamos. A sintonia dos beijos e das carícias apontavam pra que buscássemos um lugar mais apropriado pra continuar a noite. Não precisei perguntar.. e ela também não respondeu, apenas sorriu...
Mas eu tava muito apertado de novo. Precisava ir pela última vez ao banheiro. Ela ia me esperar perto do caixa. Enquanto cruzava a pista a situação foi se tornando crítica ao ponto de eu achar que não seguraria até chegar ao banheiro. E se tivesse fila? Ah, eu faria no corredor mesmo. Engraçado é que quando o cérebro sabe que tu tá te dirigindo pra um banheiro, fica praticamente impossível segurar, como se o tempo limite fosse dado por uma ampulheta.
Consegui chegar ao banheiro, só um magrão na fila. Apura que eu tô apertado – falei. Ele foi rapidinho e saiu. Escorei a cabeça na parede, abri as calças e aaahhhhhhhhhh.... Quando a gente bebe, é mais legal fazer xixi assim, com a cabeça escorada na parede.
Só que não fez o barulhinho tradicional na água do vaso..
PQP!!! PQP!!! PQP!!! PQP!!!
Na hora senti um quentinho escorrendo pela perna esquerda. Olhei pra baixo e constatei que minha noite acabara de ir por água abaixo, ou melhor, perna abaixo. Uma imensa mancha escura contrastou com o claro do jeans. O que eu ia fazer? Como ia me apresentar à moça todo mijado? Não tinha como.. E pior.. se eu contasse o que tinha acontecido e ela não se importasse?
Não, não, não.. eu é que não ia passar por tamanho mico. Além de ter que sair do banheiro todo mijado e, inevitavelmente, ouvir piadinhas. Já abri a porta com cara de brabo. Ai que alguém se atrevesse a falar alguma coisa. Passei pela pista sério, firme, sentindo agora, que a calça estava gelada. Poucas situações são piores que essa. Na hora não conseguia lembrar de nenhuma outra.
A moça estava lá, perto do caixa. Me avistou de longe e percebeu que não estava indo ao encontro dela. Não sei o que pode ter pensado, mas fui direto pra saída. Não dei nem tchau, nem olhei. Saí e fui embora, adiando mais uma vez a comparação sugerida pelo sábio Maurício. Ele que nunca deve ter se mijado nas calças.
Thursday, March 23, 2006
Um dia especial pra um cara muito especial...
Décio tinha 8 anos quando teve o primeiro contato com um violão. Enquanto a maioria dos gurizinhos da sua idade esfolavam os joelhos jogando bola nas calçadas da Floresta ou na quadra da Florida, ele estava lá, isolado no seu quarto. Abraçado no seu violão e produzinho os primeiros acordes que o despertariam para um gosto ímpar pela música e o revelariam um talento sem igual.
Ao contrário da maioria do hobbys, Décio não abandonou jamais seu violão, e o gosto pela música e por fazer música só aumentou. Seu pai, o Seu Décio, que também era músico de talento, o alimentava com muito Beatles e tudo o que julgasse bom para lapidar os tímpanos debutantes do guri.
Quando eu o conheci, há uns 2 anos, ele já mostrava que tinha uma veia diferente pra coisa. E todos gostavam de ouvi-lo, fosse com a guitarra ou com o violão. Era ele chegar nos churras da galera e já ia um lá desligar o rádio e todos já se acomodavam à sua volta esperando o tom que ele ia dar. O legal de tudo é que ele nunca se mixava, a gente pedia e ele tocava. “Toca aquela, toca aquela outra..!” a gente pedia.
Durante esse tempo ele já passou por algumas bandas. Diz ele que nunca teve a pretensão de seguir uma carreira comercial, embora sempre que tocava o fazia com muita seriedade e dedicação, o que lhe rendia muitos aplausos e admiração. Assim ele nos cativou, e assim que ele sempre arrasta um de nós onde quer que vá tocar.
Ontem ele me ligou. Eu tava na frente do trampo do Pitoko, o esperando pra almoçar e ouvindo o Passado a Limpo, na Pop Rock. Aliás, um dos poucos programas que ainda dá pra se ouvir nessa rádio. Pois bem.. ele ligou..
- Ô cara, tudo bom?
- E aí locão, tudo bem!
- Ô cara, tu tá sentado? - daquele jeito bem pausado do Décio..
- Tô sim..
- Eu preciso te falar um negócio..
- Tá, fala!
- Ô cara.. o vice presidente do Inter... me convidou... (aqui eu pensei que o convite era pra assistir ao jogo nas cabines)
...pra tocar o hino do Inter e o hono do Rio Grande antes do jogo...
(instante de silêncio)
- PUUUUUUUUUTAAAAAQUEEEEOPARIIIIIIIIIIU BATMAN!
- Cara, não tô acreditando..
- Caraaaaaaalho cara, que afude!!! Como é que tu conseguiu isso?
- Um amigo meu blá blá blá conhece o vice presidente blá blá blá e eu to aindo hoje de tarde lá pra passar o som
- Bah, meu velho.. meus parabéns! blá blá blá..
O meu plano era de ir pra aula e pegar a chamada das 21:15. Só que, no meio da tarde ele me mandou uma msg dizendo que tocaria justamente às 21:15. Eu ia ser obrigado a gazear essa aula. Mas a das 19:30 não tinha como faltar. Entrei na aula e segurei até às oito e meia. Saí de fininho e me larguei voando pro Beira Rio. Tão logo entrei no estádio já ouvi um som de guitarra.
Era ele!
Subi alguns degraus na arquibancada e pude vê-lo. Ele tava ali na beira do gramado, ele e sua guitarra. Nos alto falantes de todo o estádio a melodia arrepiante do hino do Rio Grande. Era ele, era o Décio, diante de pelo menos 30 mil colorados, imprensa, funcionários e de todos que possuíam ouvidos. Ele caminhava leve no gramado enquanto tocava. Ao final do hino fez uma graça, deixando a guitarra no suporte e se abaixando pra fazer um solo de encerramento.
Quando terminou, o locutor do estádio anunciou:
- Agora Décio Jr. Vai tocar o hino do Sport Club Internacional!!!!
A galera já começou a vibrar. Ele tirou a camisa preta e revelou uma camiseta branca do Inter. Fez um sinal com os braços e levantou ainda mais a massa. E tocou o hino do Colorado. Eu arrepiei. Eu não conseguia acreditar que era ele, o Décio, que tava ali.
Fico imaginando o que representou esse momento pra ele. Com certeza nada paga. Um presente que ele e nós todos merecemos. Fiquei muito feliz por ele mesmo. O cara é o cara! Não conseguimos nos encontrar depois do jogo. Não vejo a hora de sentar com ele numa mesa de bar e saber, no tete a tete os pormenores de tudo.
Ao contrário da maioria do hobbys, Décio não abandonou jamais seu violão, e o gosto pela música e por fazer música só aumentou. Seu pai, o Seu Décio, que também era músico de talento, o alimentava com muito Beatles e tudo o que julgasse bom para lapidar os tímpanos debutantes do guri.
Quando eu o conheci, há uns 2 anos, ele já mostrava que tinha uma veia diferente pra coisa. E todos gostavam de ouvi-lo, fosse com a guitarra ou com o violão. Era ele chegar nos churras da galera e já ia um lá desligar o rádio e todos já se acomodavam à sua volta esperando o tom que ele ia dar. O legal de tudo é que ele nunca se mixava, a gente pedia e ele tocava. “Toca aquela, toca aquela outra..!” a gente pedia.
Durante esse tempo ele já passou por algumas bandas. Diz ele que nunca teve a pretensão de seguir uma carreira comercial, embora sempre que tocava o fazia com muita seriedade e dedicação, o que lhe rendia muitos aplausos e admiração. Assim ele nos cativou, e assim que ele sempre arrasta um de nós onde quer que vá tocar.
Ontem ele me ligou. Eu tava na frente do trampo do Pitoko, o esperando pra almoçar e ouvindo o Passado a Limpo, na Pop Rock. Aliás, um dos poucos programas que ainda dá pra se ouvir nessa rádio. Pois bem.. ele ligou..
- Ô cara, tudo bom?
- E aí locão, tudo bem!
- Ô cara, tu tá sentado? - daquele jeito bem pausado do Décio..
- Tô sim..
- Eu preciso te falar um negócio..
- Tá, fala!
- Ô cara.. o vice presidente do Inter... me convidou... (aqui eu pensei que o convite era pra assistir ao jogo nas cabines)
...pra tocar o hino do Inter e o hono do Rio Grande antes do jogo...
(instante de silêncio)
- PUUUUUUUUUTAAAAAQUEEEEOPARIIIIIIIIIIU BATMAN!
- Cara, não tô acreditando..
- Caraaaaaaalho cara, que afude!!! Como é que tu conseguiu isso?
- Um amigo meu blá blá blá conhece o vice presidente blá blá blá e eu to aindo hoje de tarde lá pra passar o som
- Bah, meu velho.. meus parabéns! blá blá blá..
O meu plano era de ir pra aula e pegar a chamada das 21:15. Só que, no meio da tarde ele me mandou uma msg dizendo que tocaria justamente às 21:15. Eu ia ser obrigado a gazear essa aula. Mas a das 19:30 não tinha como faltar. Entrei na aula e segurei até às oito e meia. Saí de fininho e me larguei voando pro Beira Rio. Tão logo entrei no estádio já ouvi um som de guitarra.
Era ele!
Subi alguns degraus na arquibancada e pude vê-lo. Ele tava ali na beira do gramado, ele e sua guitarra. Nos alto falantes de todo o estádio a melodia arrepiante do hino do Rio Grande. Era ele, era o Décio, diante de pelo menos 30 mil colorados, imprensa, funcionários e de todos que possuíam ouvidos. Ele caminhava leve no gramado enquanto tocava. Ao final do hino fez uma graça, deixando a guitarra no suporte e se abaixando pra fazer um solo de encerramento.
Quando terminou, o locutor do estádio anunciou:
- Agora Décio Jr. Vai tocar o hino do Sport Club Internacional!!!!
A galera já começou a vibrar. Ele tirou a camisa preta e revelou uma camiseta branca do Inter. Fez um sinal com os braços e levantou ainda mais a massa. E tocou o hino do Colorado. Eu arrepiei. Eu não conseguia acreditar que era ele, o Décio, que tava ali.
Fico imaginando o que representou esse momento pra ele. Com certeza nada paga. Um presente que ele e nós todos merecemos. Fiquei muito feliz por ele mesmo. O cara é o cara! Não conseguimos nos encontrar depois do jogo. Não vejo a hora de sentar com ele numa mesa de bar e saber, no tete a tete os pormenores de tudo.
Monday, March 20, 2006
A história de Júlio Caribe...
Júlio Caribe adorava dar uma volta de barco pelas águas da praia do Coqueirinho. Ele passava o dia todo na praia e, volta e meia, aceitava uma carona pra aventurar-se nas águas de Coqueirinho. Ia de uma ponta a outra, ria, passava por trás da Ilha do Padre e voltava. Geralmente dava mais umas voltas no mesmo barco nos dias seguintes e depois ficava um bom tempo na praia. Mesmo que os barcos que andasse ainda estivessem por ali. Mesmo que o passeio tivesse sido ótimo. Até que surgia um outro barquinho. Um novo barco enchia os olhos de Júlio e trazia as lembranças da face oculta da Ilha do Padre. E lá ia ele. Mais uns dias de aventuras e lá estava Júlio de volta à praia.
Não faltavam conselhos ao Júlio Caribe largar de vez aqueles barquinhos e se empenhar num projeto maior. Já que ele gostava tanto das maravilhas do mar, que desse jeito de navegar numa embarcação de maior porte. Aí sim sairia dos limites da quase que totalmente conhecida praia do Coqueirinho. Outros mares o esperavam. Quem sabe uma volta ao mundo.
Mas o Julio Caribe sabia que esses barcos grandes davam muito trabalho. Depois de estar em alto mar, teria que enfrentar a tempestade que surgisse. Isso o assustava muito. Mas a expectativa das maravilhas que viria a descobrir o faziam pensar com mais carinho no assunto.
Na verdade Júlio já havia navegado numa embarcação dessas. Ficou por um bom tempo no mar. Só que quando viu-se no limite entre perder-se no Atlântico e continuar sua vidinha na prainha, não quis arriscar. Passou um bom tempo até assimilar o arrependimento. E por um bom tempo nem quis mais saber das aventuras nos barquinhos, por mais charmosos e insinuantes que fossem.
Anos depois Júlio do Caribe voltou a se embrenhar nas curvas que costeavam a Ilha do Padre e andou em alguns barcos bem interessantes. Alguns deles até guardavam um projeto de se tornar barcos maiores, mas Júlio não queria mais passar por aquele momento de escolha novamente. Só iria se entregar ao oceano quando estivesse convicto desde o primeiro dia.
Então o Júlio Caribe observou um fato que o intrigou. Ele podia muito bem perambular pela orla de Coqueirinho, dar umas voltas nos barquinhos que havia por ali, até aí tudo bem. Mas caso ele avistasse um desses barcos maiores, empolgantes, que poderiam levá-lo a águas distantes, tudo complicava. Os pequenos barcos se colocavam à frente do Júlio Caribe e não o deixavam chegar perto da embarcação que lhe empolgara.
Numa bela noite na Praia do Coqueirinho teve uma festa entre os locais. Júlio foi molhar os pés na água e avistou, ante a luz que vinha da lua cheia no horizonte, a silhueta de um belo veleiro. Ficou encantado, deslumbrado, leve... Cada parte do barco que a luz revelava fazia os olhos de Júlio brilharem mais.
É esse, pensou!
Por dias Júlio do Caribe passou a admirar e se encantar mais e mais no belo veleiro e imaginar a longa, maravilhosa e empolgante viagem que faria nele.
Sem saber dos seus planos, Júlio pode chegar sem problemas ao veleiro. Chegou a dar umas voltas pela praia, porém, ainda não era hora de o barco partir. E ele teve que voltar à praia. Nos dias seguintes as manobras do veleiro produziam ondas que não deixavam Júlio se aproximar. E nos dias em que ele chegava, não partiam.
Foi aí que ficou evidente que Júlio Caribe queria algo mais que uma volta na praia ou pela Ilha do Padre. Ele queria ganhar o Oceano.
Foi aí que Júlio Caribe descobriu quão turbulentas podiam ficar as águas da Praia do Coqueirinho pela fúria de alguns pequenos barcos. Tentaram afogá-lo, tentaram puxá-lo pra cima de outros barcos, tentaram fazê-lo voltar à praia. E ele voltava. Assim foram os dias seguintes, as semanas seguintes...
Não faltavam conselhos ao Júlio Caribe largar de vez aqueles barquinhos e se empenhar num projeto maior. Já que ele gostava tanto das maravilhas do mar, que desse jeito de navegar numa embarcação de maior porte. Aí sim sairia dos limites da quase que totalmente conhecida praia do Coqueirinho. Outros mares o esperavam. Quem sabe uma volta ao mundo.
Mas o Julio Caribe sabia que esses barcos grandes davam muito trabalho. Depois de estar em alto mar, teria que enfrentar a tempestade que surgisse. Isso o assustava muito. Mas a expectativa das maravilhas que viria a descobrir o faziam pensar com mais carinho no assunto.
Na verdade Júlio já havia navegado numa embarcação dessas. Ficou por um bom tempo no mar. Só que quando viu-se no limite entre perder-se no Atlântico e continuar sua vidinha na prainha, não quis arriscar. Passou um bom tempo até assimilar o arrependimento. E por um bom tempo nem quis mais saber das aventuras nos barquinhos, por mais charmosos e insinuantes que fossem.
Anos depois Júlio do Caribe voltou a se embrenhar nas curvas que costeavam a Ilha do Padre e andou em alguns barcos bem interessantes. Alguns deles até guardavam um projeto de se tornar barcos maiores, mas Júlio não queria mais passar por aquele momento de escolha novamente. Só iria se entregar ao oceano quando estivesse convicto desde o primeiro dia.
Então o Júlio Caribe observou um fato que o intrigou. Ele podia muito bem perambular pela orla de Coqueirinho, dar umas voltas nos barquinhos que havia por ali, até aí tudo bem. Mas caso ele avistasse um desses barcos maiores, empolgantes, que poderiam levá-lo a águas distantes, tudo complicava. Os pequenos barcos se colocavam à frente do Júlio Caribe e não o deixavam chegar perto da embarcação que lhe empolgara.
Numa bela noite na Praia do Coqueirinho teve uma festa entre os locais. Júlio foi molhar os pés na água e avistou, ante a luz que vinha da lua cheia no horizonte, a silhueta de um belo veleiro. Ficou encantado, deslumbrado, leve... Cada parte do barco que a luz revelava fazia os olhos de Júlio brilharem mais.
É esse, pensou!
Por dias Júlio do Caribe passou a admirar e se encantar mais e mais no belo veleiro e imaginar a longa, maravilhosa e empolgante viagem que faria nele.
Sem saber dos seus planos, Júlio pode chegar sem problemas ao veleiro. Chegou a dar umas voltas pela praia, porém, ainda não era hora de o barco partir. E ele teve que voltar à praia. Nos dias seguintes as manobras do veleiro produziam ondas que não deixavam Júlio se aproximar. E nos dias em que ele chegava, não partiam.
Foi aí que ficou evidente que Júlio Caribe queria algo mais que uma volta na praia ou pela Ilha do Padre. Ele queria ganhar o Oceano.
Foi aí que Júlio Caribe descobriu quão turbulentas podiam ficar as águas da Praia do Coqueirinho pela fúria de alguns pequenos barcos. Tentaram afogá-lo, tentaram puxá-lo pra cima de outros barcos, tentaram fazê-lo voltar à praia. E ele voltava. Assim foram os dias seguintes, as semanas seguintes...
Thursday, March 16, 2006
O boné amarelo...
Show é um negócio engraçado. Pensa só.. o Santana ontem, por exemplo. Analisando muito friamente, o que o cara faz, é mexer freneticamente os dedos da mão esquerda sobre as cordas de aço da guitarra enquando as vibra - com o auxílio de uma palheta – com a mão direita. Só!
É claro.. a combinação desses toques todos produz uma melodia intrigante de tão boa, que nenhum mortal como nós seria capaz de reproduzir. Muito menos, muito menos produzir. E o cara inventou aquilo! E toca do mesmo jeito, não erra nada, com a naturalidade de quem escova os dentes. O cara é o cara!
Mas aí eu penso.. por aqueles toques melodiosos dos dedos do Carlos Santana ele ganhou o mundo. Ele toca a guitarra, não canta, (tem um magrão que canta pra ele) e por esse seu trabalho, ganhou o mundo! Pessoas no mundo inteiro esperam uma visita do mexicano ao seu país, organizam seus horários, convidam amigos e pagam 80 reais pra assistir àquela exibição de talento.
Eu não conseguiria reunir 10 pessoas que pagassem 1 real pra me assistir trabalhando. Nem a pau!
Mas tem outra coisa engraçada em show. Encontrar pessoas conhecidas na multidão. Mais.. tem gente que surta se alguém consegue encontrá-lo de longe. Se o vir pela TV então.. capaz de ter um ataque cardíaco.
Aconteceu no show do U2 em São Paulo. Ninguém me contou, eu vi! Já tinham fechado a Hot Area e nós estávamos ali, comemorando por termos conseguido entrar e esperando o tempo passar. Como ali dentro não é atrolhado, podíamos ficar conversando na boa, sentar ou levantar a qualquer hora, ir ao banheiro tranqüilamente, enfim. Ao meu redor: duas patricinhas, uma delas de rosa e boné amarelo; Alice e Catherine, mãe e filha, as que me deram a bandeira do Brasil no final do show; um casal.. ele, o Carlos, bem magrinho, ela, Márcia, pesava umas três vezes o peso dele. Muito gigante! Daquelas que têm seios grandes, mas que a massa que tem abaixo ultrapassa, fazendo uma forma única, e muito alta. Daquelas que suam o cantinho da testa ao menor sinal de calor. Os dois e um amigo.
Entre os assuntos que discorriam, Alice advertia a filha Catherine sobre a conta do celular, que tinha dado muito alto, que era pra ela maneirar e tals. Foi ela fechar a boca, Márcia pediu o telefone emprestado, caso Alice não se importasse. Bah, não acreditei.. ela tinha acabado de reclamar da conta do telefone! Mas emprestou. Na maior cara de pau, olhou o número no seu telefone e ligou com o de Alice..
- Alôôôôôô!!!!?
Tiiiia? A Carla tá aí?
Não?
Tá, tudo bem. Ela tá no show?
à hããã.. tá, me dá o número então..
Tá.. oooito.. ã hã meia cinco.. tá.. tá.. obrigaaaada!
Desligou, e com a mesma cara de pau e naturalidade disse que só faria mais uma ligação. Ligou.
- Caaaaaaaaaarla!!!! Oooooooooooi!!!!
Eu to aqui na hot area!!!! Isso, aqui no palco..
Onde cê tá?
Na arquibancada? Ah tá.. no anel bem de cima
Camiseta preta.. cê não tá vendo?
Olha aqui.. bem em frente à caixa de som.. não, mais pro lado, peraí!
Nisso ela passou a mão no boné amarelo da patricinha, que ficou boquiaberta.
- Eu tô sacudindo um boné amarelo, tá vendo?
Aqui.. cê tá vendo? Tá vendo? Tá vendo?
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
Amigaaaaaaaaaaaaaaaaaa AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
A cena foi das mais clássicas. A Márcia, com seu físico de cinturinha de kombi pulava, e tudo nela balançava. Sacudia o braço que parecia um salame daqueles que ficam pendurados com um cordão amarrado na volta, e gritava sem parar. Gritava muito! E a chamada correndo. Mas era tão engraçado que a Alice nem reclamou, todos riam muito, inclusive o Carlos, o namorado e a patricinha, a qual ela subtraíra o boné amarelo. Cada berro dela era ensurdecedor, e eu me deitava no chão de tanto rir. Foi clássico!
Mas Márcia queria roubar a cena mais uma vez. E conseguiu. Num show é comum, os caras colocam as gurias na garupa.Uma perna da moça de cada lado do pescoço e a nuca do rapaz no paraíso. Ela nas alturas, acima de todos. Braços erguidos e peitos estufados na camiseta. Coisa mais linda!
Ao ver aquela cena, Márcia não hesitou..
- Ah não, eu também quero!! – olhou pro namorado.
O silêncio se instaurou. Ninguém mais falava nada, só observavam a cara de pré falecido do Carlos. Cara de carro daqueles filmes americanos que são esmagados numa prensa. Mas o anjo da guarda de Carlos deu os ares..
- Aaaaai, amor.. tadinho, não vai poder, tá com o joelhinho machucado. – todos respiraram aliviados. E logo veio outra bomba...
- Aháááááá.. mas você não tááááááááá....!!!! – e apontou pro amigo.
- Te fudeu, magrão!!! – concluiu o Carlos.
É claro.. a combinação desses toques todos produz uma melodia intrigante de tão boa, que nenhum mortal como nós seria capaz de reproduzir. Muito menos, muito menos produzir. E o cara inventou aquilo! E toca do mesmo jeito, não erra nada, com a naturalidade de quem escova os dentes. O cara é o cara!
Mas aí eu penso.. por aqueles toques melodiosos dos dedos do Carlos Santana ele ganhou o mundo. Ele toca a guitarra, não canta, (tem um magrão que canta pra ele) e por esse seu trabalho, ganhou o mundo! Pessoas no mundo inteiro esperam uma visita do mexicano ao seu país, organizam seus horários, convidam amigos e pagam 80 reais pra assistir àquela exibição de talento.
Eu não conseguiria reunir 10 pessoas que pagassem 1 real pra me assistir trabalhando. Nem a pau!
Mas tem outra coisa engraçada em show. Encontrar pessoas conhecidas na multidão. Mais.. tem gente que surta se alguém consegue encontrá-lo de longe. Se o vir pela TV então.. capaz de ter um ataque cardíaco.
Aconteceu no show do U2 em São Paulo. Ninguém me contou, eu vi! Já tinham fechado a Hot Area e nós estávamos ali, comemorando por termos conseguido entrar e esperando o tempo passar. Como ali dentro não é atrolhado, podíamos ficar conversando na boa, sentar ou levantar a qualquer hora, ir ao banheiro tranqüilamente, enfim. Ao meu redor: duas patricinhas, uma delas de rosa e boné amarelo; Alice e Catherine, mãe e filha, as que me deram a bandeira do Brasil no final do show; um casal.. ele, o Carlos, bem magrinho, ela, Márcia, pesava umas três vezes o peso dele. Muito gigante! Daquelas que têm seios grandes, mas que a massa que tem abaixo ultrapassa, fazendo uma forma única, e muito alta. Daquelas que suam o cantinho da testa ao menor sinal de calor. Os dois e um amigo.
Entre os assuntos que discorriam, Alice advertia a filha Catherine sobre a conta do celular, que tinha dado muito alto, que era pra ela maneirar e tals. Foi ela fechar a boca, Márcia pediu o telefone emprestado, caso Alice não se importasse. Bah, não acreditei.. ela tinha acabado de reclamar da conta do telefone! Mas emprestou. Na maior cara de pau, olhou o número no seu telefone e ligou com o de Alice..
- Alôôôôôô!!!!?
Tiiiia? A Carla tá aí?
Não?
Tá, tudo bem. Ela tá no show?
à hããã.. tá, me dá o número então..
Tá.. oooito.. ã hã meia cinco.. tá.. tá.. obrigaaaada!
Desligou, e com a mesma cara de pau e naturalidade disse que só faria mais uma ligação. Ligou.
- Caaaaaaaaaarla!!!! Oooooooooooi!!!!
Eu to aqui na hot area!!!! Isso, aqui no palco..
Onde cê tá?
Na arquibancada? Ah tá.. no anel bem de cima
Camiseta preta.. cê não tá vendo?
Olha aqui.. bem em frente à caixa de som.. não, mais pro lado, peraí!
Nisso ela passou a mão no boné amarelo da patricinha, que ficou boquiaberta.
- Eu tô sacudindo um boné amarelo, tá vendo?
Aqui.. cê tá vendo? Tá vendo? Tá vendo?
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
Amigaaaaaaaaaaaaaaaaaa AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
A cena foi das mais clássicas. A Márcia, com seu físico de cinturinha de kombi pulava, e tudo nela balançava. Sacudia o braço que parecia um salame daqueles que ficam pendurados com um cordão amarrado na volta, e gritava sem parar. Gritava muito! E a chamada correndo. Mas era tão engraçado que a Alice nem reclamou, todos riam muito, inclusive o Carlos, o namorado e a patricinha, a qual ela subtraíra o boné amarelo. Cada berro dela era ensurdecedor, e eu me deitava no chão de tanto rir. Foi clássico!
Mas Márcia queria roubar a cena mais uma vez. E conseguiu. Num show é comum, os caras colocam as gurias na garupa.Uma perna da moça de cada lado do pescoço e a nuca do rapaz no paraíso. Ela nas alturas, acima de todos. Braços erguidos e peitos estufados na camiseta. Coisa mais linda!
Ao ver aquela cena, Márcia não hesitou..
- Ah não, eu também quero!! – olhou pro namorado.
O silêncio se instaurou. Ninguém mais falava nada, só observavam a cara de pré falecido do Carlos. Cara de carro daqueles filmes americanos que são esmagados numa prensa. Mas o anjo da guarda de Carlos deu os ares..
- Aaaaai, amor.. tadinho, não vai poder, tá com o joelhinho machucado. – todos respiraram aliviados. E logo veio outra bomba...
- Aháááááá.. mas você não tááááááááá....!!!! – e apontou pro amigo.
- Te fudeu, magrão!!! – concluiu o Carlos.
Tuesday, March 14, 2006
Piscina de bolinhas...
Eu sempre digo que as pessoas mais felizes são aquelas que guardam um pouco da inocência de criança dentro de si. Isso num âmbito psicológico. Já no material diria que felizes plenos são os que não precisam de grandes posses ou dinheiro pra se divertir. Os que conseguem fazê-lo no simples.
Eis que um dos momentos mais divertidos que guardo - e acredito que muitos mais não hesitariam em fazer isso hoje – é a piscina de bolinhas que eu brincava ali no Iguatemi. E o melhor: era de grátis! Minha mãe, que nessa época ainda era Dona de Casa, depois que terminava os afazeres do lar levava eu e a minha irmã pra brincar na tal piscina.
Pra nós aquilo era o paraíso. Estar num ambiente isolado dos grandes, e criança tem essa rivalidade com os adultos, com o único propósito de brincar. Naquele momento não haveria nenhuma tormenta de estudo, de manter a roupa limpa, de não correr pra não se machucar.. nada!
Como se não bastasse nossa alegria de poder, de vez em quando, brincar na piscina de bolinhas do shopping, uma vez os caras se puxaram.. trouxeram o Parquinho da Turma da Mônica!!! Bah, nem era de se acreditar! Um parquinho inteiro, todo com massinhas de modelar (eu era craque em fazer esculturazinhas de massinha), folhas em branco e canetinhas, escorregadores, puffs com as caras do Cascão e do Cebolinha e o brinquedo mais perfeito que podiam nos apresentar: o Elefante!
Bah, o Elefante era sem explicação. Um enorme colchão inflável montado dentro da cabeça do Elefante verde da Turma da Mônica. Ali ficávamos pulando, dando cambalhotas, rolando de um lado pro outro... muito bom!
Hoje vejo ambições da vida assim, como querer mergulhar numa piscina de bolinhas particular. Mas assim como algumas crianças eram barradas por idade ou por tamanho, ou até por mães que simplesmente não deixavam brincar, alguns dos nossos ideais esbarram em adversidades que nossa parcela inocente não entende, e nos limita a olhar para aquele brinquedo de longe, mesmo sabendo que foi feito pra nós.
Até o dia em que o guarda dormir e eu invadir minha piscina de bolinhas à noite. Quando já for dia e todos perceberem minha alegria de criança e o envolvimento com o brinquedo, tenho certeza que ninguém vai querer nos afastar...
Eis que um dos momentos mais divertidos que guardo - e acredito que muitos mais não hesitariam em fazer isso hoje – é a piscina de bolinhas que eu brincava ali no Iguatemi. E o melhor: era de grátis! Minha mãe, que nessa época ainda era Dona de Casa, depois que terminava os afazeres do lar levava eu e a minha irmã pra brincar na tal piscina.
Pra nós aquilo era o paraíso. Estar num ambiente isolado dos grandes, e criança tem essa rivalidade com os adultos, com o único propósito de brincar. Naquele momento não haveria nenhuma tormenta de estudo, de manter a roupa limpa, de não correr pra não se machucar.. nada!
Como se não bastasse nossa alegria de poder, de vez em quando, brincar na piscina de bolinhas do shopping, uma vez os caras se puxaram.. trouxeram o Parquinho da Turma da Mônica!!! Bah, nem era de se acreditar! Um parquinho inteiro, todo com massinhas de modelar (eu era craque em fazer esculturazinhas de massinha), folhas em branco e canetinhas, escorregadores, puffs com as caras do Cascão e do Cebolinha e o brinquedo mais perfeito que podiam nos apresentar: o Elefante!
Bah, o Elefante era sem explicação. Um enorme colchão inflável montado dentro da cabeça do Elefante verde da Turma da Mônica. Ali ficávamos pulando, dando cambalhotas, rolando de um lado pro outro... muito bom!
Hoje vejo ambições da vida assim, como querer mergulhar numa piscina de bolinhas particular. Mas assim como algumas crianças eram barradas por idade ou por tamanho, ou até por mães que simplesmente não deixavam brincar, alguns dos nossos ideais esbarram em adversidades que nossa parcela inocente não entende, e nos limita a olhar para aquele brinquedo de longe, mesmo sabendo que foi feito pra nós.
Até o dia em que o guarda dormir e eu invadir minha piscina de bolinhas à noite. Quando já for dia e todos perceberem minha alegria de criança e o envolvimento com o brinquedo, tenho certeza que ninguém vai querer nos afastar...
Monday, March 13, 2006
Wednesday, March 08, 2006
A minha alegria atravessou o mar...
Quarta-feira da semana que precedia o Carnaval. Eram quase duas da tarde quando eu iniciava mais uma entre tantas aprontadas. Sim, daquelas que só acontecem comigo e que me rendeu, pela amada Pi, o apelido de Corpo Fechado, vulgo Papaéu.
Meu vôo estava marcado para as 14:15h de quinta. Almocei com um brother na rodoviária de SP (estação Tietê do Metrô) e estava prestes a voltar pro Rio. Comprei a passagem de ônibus SP/RJ para as 14:20h. Poderia curtir o restante do dia e a manhã do dia seguinte na cidade maravilhosa. Mas não seria tão simples assim.
Cinco pras duas, uma amiga ligou. Ainda não tínhamos nos visto, e ela ficou indignada quando soube que eu estava indo embora. Queria que eu tomasse pelo menos um chopp com ela e as amigas. Lá fui eu.. cancelei a passagem e deixei o horário em aberto. No final da tarde me encontrei com elas na casa de uma amiga, a qual tinha me passado o endereço.
Conversamos um pouco ali e fomos tomar um chopp. Eu e mais umas 5 mulheres. Foi muito divertido, embora minha participação tenha se resumido a rir das besteiras que elas falavam, e que não eram poucas.
Eram quase dez da noite quando elas me largaram na estação do metrô pra eu ir pro Rio. Tava tudo certinho, era só eu ver o próximo horário de ônibus e ir.. ao que eu tive o seguinte raciocínio:
Eu ia passar a noite viajando, ia chegar no Rio com uma mala e uma mochila e não ia poder nem pegar uma praia, já que não teria onde deixar as bagagens até o início da tarde, quando sairia o vôo. Na hora me veio a idéia de curtir uma noite em SP mesmo. Deixaria as bagagens num guarda volumes e sairia pro Rio na manhã seguinte. Viajaria dormindo e chegaria quase na hora do vôo. Perfeito! Ou não...
Sem pestanejar deixei as tralhas no guarda volumes da estação e peguei um táxi até a Vila Olímpia, onde tinham uns barzinhos. Acabei ficando no Favela, que era o mais movimentado. Fiquei ali, degustando um chopp e saboreando um caldinho de feijão. Coisa mais boa! Às cinco da manhã fui embora. Teria que pegar um táxi até a estação mais próxima e dali, o metrô até a estação Tietê.
O garçom disse que eu poderia pegar um ônibus, em vez de táxi, já que passava um ali na frente e o ponto final era justamente na estação. Esperei um pouco e veio o tal ônibus. Entrei, paguei a passagem e... apaguei.
- Ô magrão, acorda! Final da linha! – me cutucou o cobrador.
Acordei apavorado, entrei na estação, comprei o bilhete do metrô, esperei.. embarquei. Quando abri os olhos eu estava quase no fim da linha do metrô. Tinha passado e muito a estação Tietê, que era a da rodoviária. Desci as escadas rolantes, subi do outro lado, peguei o metrô de volta e... dormi de novo! PQP!
Dessa vez acordei umas cinco estações depois. Lá fui eu.. tudo de novo. Desce escada rolante, sobe do outro lado.. embarca e... dorme! PQP!
Resumindo: eu dormi 6 (seis) vezes na porá do metrô. Acho que conheci São Paulo inteira dormindo. Até que na última, como eu tinha passado só duas estações, resolvi ir em pé. Se eu dormisse ia cair no chão. Finalmente consegui descer. Só que aí me deparei com outro problema. Fiquei quase duas horas naquela função vai-volta dormindo. Eram 7h da manhã, e um ônibus pro Rio demora umas 6h de viagem.
Consegui passagem pras 7:40h e comecei a fazer os cálculos.. mais seis horas dariam 13:40h na rodoviária. O vôo era às 14:15 do Galeão, certo que não daria tempo. Azar, fui assim mesmo. Como o esperado, o ônibus chegou na rodoviária do Rio exatamente às 13:40. Pulei pra dentro de um táxi e perguntei se o motora conseguia estar até às 14:15 no Galeão.
- Já estamos lá! – afirmou ele, convicto.
Às 14:13h cheguei no aeroporto e corri até o guichê da Tam. As pernas estavam bambas. Não sabia o que faria se perdesse o avião. A minha passagem era promocional e não aceitava trocas. A moça emitiu oi bilhete.. uuuuuuuufa!
14:40! O Vôo tinha atrasado. Bah, muita sorte mesmo!
E assim pude viajar, finalmente, tranqüilo.
O Carnaval...
Nessa mesma quinta, subimos de Porto Alegre pra Laguna, pro Carnaval. Chegamos lá na madruga e já demos início aos trabalhos. De leve.. só pra dar embalo pros próximos dias, que prometiam.
A rotina não mudava muito.. abastecíamos um ou dois isopores de ceva e gelo e íamos pra algum lugar. O cenário sim, mudava. No primeiro dia fomos até uma prainha que tem ali do lado.. Itapirubá. Muito astral, com mar dos dois lados. Fizemos campeonato de A Última Chance, acho que é um quadro do programa do Huck. Amarramos uma camiseta no cantinho da goleira e ali tentávamos acertara bola. O Rodrigo comandava o espetáculo fazendo uma narração muito engraçada.
Na casa também aconteciam coisas muito engraçadas, o que era de se esperar já que ali se instalavam 21 pessoas. Fizemos uma lista das atrocidades que a gente falava, depois eu trago pra cá. Na porta da geladeira colamos uma consumação de bar, que nós mesmos confeccionamos. Ali a gente marcava um x pra cada ceva que tomasse. Isso quando lembrasse. E era muito x. Lá pelas tantas alguém se indignou e escreveu: “Bibi demais”, e assim foi. Tudo era graça, tudo era motivo de riso.
Na avenida escolhíamos um lugar pra estacionar os isopores e curtíamos a bagunça geral da galera. O legal de Laguna é que todo mundo fala com todo mundo. Parece que as pessoas se desprendem de seus escudos e todos têm um só propósito que é a folia e a diversão.
O domingo, como sempre, foi marcado pelo fato de os homens se vestirem de mulher. A bagunça começa na casa, onde as gurias nos ajudam a escolher as roupas e a fazer a nossa maquiagem. A galera se liberta.. hahahahha.
Não me lembro se foi na sexta ou no sábado.. sei que um magrão inventou de estragar o jipe bem na frente da nossa casa. E o jipe era virado em som. Pra que... Fizemos a festa ali na frente da casa mesmo. O magrão, que na verdade era gordão, pulava como criança em cima do capô do jipe. O capô afundava e ele nem aí.
Os dias e as noites seguintes seguiram nesse embalo. Festa de dia e de noite.. muita, muita e muita ceva. Uma pena que acaba. Uma festa única de diversão sem igual. Uma casa ocupada só por amigos que faziam festa em qualquer lugar e a qualquer hora. Sem preço!
Que venha 2007!
Meu vôo estava marcado para as 14:15h de quinta. Almocei com um brother na rodoviária de SP (estação Tietê do Metrô) e estava prestes a voltar pro Rio. Comprei a passagem de ônibus SP/RJ para as 14:20h. Poderia curtir o restante do dia e a manhã do dia seguinte na cidade maravilhosa. Mas não seria tão simples assim.
Cinco pras duas, uma amiga ligou. Ainda não tínhamos nos visto, e ela ficou indignada quando soube que eu estava indo embora. Queria que eu tomasse pelo menos um chopp com ela e as amigas. Lá fui eu.. cancelei a passagem e deixei o horário em aberto. No final da tarde me encontrei com elas na casa de uma amiga, a qual tinha me passado o endereço.
Conversamos um pouco ali e fomos tomar um chopp. Eu e mais umas 5 mulheres. Foi muito divertido, embora minha participação tenha se resumido a rir das besteiras que elas falavam, e que não eram poucas.
Eram quase dez da noite quando elas me largaram na estação do metrô pra eu ir pro Rio. Tava tudo certinho, era só eu ver o próximo horário de ônibus e ir.. ao que eu tive o seguinte raciocínio:
Eu ia passar a noite viajando, ia chegar no Rio com uma mala e uma mochila e não ia poder nem pegar uma praia, já que não teria onde deixar as bagagens até o início da tarde, quando sairia o vôo. Na hora me veio a idéia de curtir uma noite em SP mesmo. Deixaria as bagagens num guarda volumes e sairia pro Rio na manhã seguinte. Viajaria dormindo e chegaria quase na hora do vôo. Perfeito! Ou não...
Sem pestanejar deixei as tralhas no guarda volumes da estação e peguei um táxi até a Vila Olímpia, onde tinham uns barzinhos. Acabei ficando no Favela, que era o mais movimentado. Fiquei ali, degustando um chopp e saboreando um caldinho de feijão. Coisa mais boa! Às cinco da manhã fui embora. Teria que pegar um táxi até a estação mais próxima e dali, o metrô até a estação Tietê.
O garçom disse que eu poderia pegar um ônibus, em vez de táxi, já que passava um ali na frente e o ponto final era justamente na estação. Esperei um pouco e veio o tal ônibus. Entrei, paguei a passagem e... apaguei.
- Ô magrão, acorda! Final da linha! – me cutucou o cobrador.
Acordei apavorado, entrei na estação, comprei o bilhete do metrô, esperei.. embarquei. Quando abri os olhos eu estava quase no fim da linha do metrô. Tinha passado e muito a estação Tietê, que era a da rodoviária. Desci as escadas rolantes, subi do outro lado, peguei o metrô de volta e... dormi de novo! PQP!
Dessa vez acordei umas cinco estações depois. Lá fui eu.. tudo de novo. Desce escada rolante, sobe do outro lado.. embarca e... dorme! PQP!
Resumindo: eu dormi 6 (seis) vezes na porá do metrô. Acho que conheci São Paulo inteira dormindo. Até que na última, como eu tinha passado só duas estações, resolvi ir em pé. Se eu dormisse ia cair no chão. Finalmente consegui descer. Só que aí me deparei com outro problema. Fiquei quase duas horas naquela função vai-volta dormindo. Eram 7h da manhã, e um ônibus pro Rio demora umas 6h de viagem.
Consegui passagem pras 7:40h e comecei a fazer os cálculos.. mais seis horas dariam 13:40h na rodoviária. O vôo era às 14:15 do Galeão, certo que não daria tempo. Azar, fui assim mesmo. Como o esperado, o ônibus chegou na rodoviária do Rio exatamente às 13:40. Pulei pra dentro de um táxi e perguntei se o motora conseguia estar até às 14:15 no Galeão.
- Já estamos lá! – afirmou ele, convicto.
Às 14:13h cheguei no aeroporto e corri até o guichê da Tam. As pernas estavam bambas. Não sabia o que faria se perdesse o avião. A minha passagem era promocional e não aceitava trocas. A moça emitiu oi bilhete.. uuuuuuuufa!
14:40! O Vôo tinha atrasado. Bah, muita sorte mesmo!
E assim pude viajar, finalmente, tranqüilo.
O Carnaval...
Nessa mesma quinta, subimos de Porto Alegre pra Laguna, pro Carnaval. Chegamos lá na madruga e já demos início aos trabalhos. De leve.. só pra dar embalo pros próximos dias, que prometiam.
A rotina não mudava muito.. abastecíamos um ou dois isopores de ceva e gelo e íamos pra algum lugar. O cenário sim, mudava. No primeiro dia fomos até uma prainha que tem ali do lado.. Itapirubá. Muito astral, com mar dos dois lados. Fizemos campeonato de A Última Chance, acho que é um quadro do programa do Huck. Amarramos uma camiseta no cantinho da goleira e ali tentávamos acertara bola. O Rodrigo comandava o espetáculo fazendo uma narração muito engraçada.
Na casa também aconteciam coisas muito engraçadas, o que era de se esperar já que ali se instalavam 21 pessoas. Fizemos uma lista das atrocidades que a gente falava, depois eu trago pra cá. Na porta da geladeira colamos uma consumação de bar, que nós mesmos confeccionamos. Ali a gente marcava um x pra cada ceva que tomasse. Isso quando lembrasse. E era muito x. Lá pelas tantas alguém se indignou e escreveu: “Bibi demais”, e assim foi. Tudo era graça, tudo era motivo de riso.
Na avenida escolhíamos um lugar pra estacionar os isopores e curtíamos a bagunça geral da galera. O legal de Laguna é que todo mundo fala com todo mundo. Parece que as pessoas se desprendem de seus escudos e todos têm um só propósito que é a folia e a diversão.
O domingo, como sempre, foi marcado pelo fato de os homens se vestirem de mulher. A bagunça começa na casa, onde as gurias nos ajudam a escolher as roupas e a fazer a nossa maquiagem. A galera se liberta.. hahahahha.
Não me lembro se foi na sexta ou no sábado.. sei que um magrão inventou de estragar o jipe bem na frente da nossa casa. E o jipe era virado em som. Pra que... Fizemos a festa ali na frente da casa mesmo. O magrão, que na verdade era gordão, pulava como criança em cima do capô do jipe. O capô afundava e ele nem aí.
Os dias e as noites seguintes seguiram nesse embalo. Festa de dia e de noite.. muita, muita e muita ceva. Uma pena que acaba. Uma festa única de diversão sem igual. Uma casa ocupada só por amigos que faziam festa em qualquer lugar e a qualquer hora. Sem preço!
Que venha 2007!
Thursday, March 02, 2006
RaU2...
Sinceramente, eu achava que nada superaria o show dos Stones. Mesmo tendo passado a maior parte do tempo preocupado em conseguir manter o lugar onde estava e também a integridade física, o que não foi nada fácil.
No domingo eu estava perdido. Não sabia se ficava no Rio, se ia conhecer Cabo Frio ou ia pra São Paulo. Pela propaganda que me fizeram preferi conhecer Cabo Frio. Fiz muita festa e conheci uma das praias mais lindas e limpas que já vi.
Segunda-feira comecei a tomar rumo pra algo que eu imaginava ser grandioso, mas que ainda era muito incerto. Na rodoviária do Rio, na fila pra comprar a passagem, conheci dois novos amigos: a Cíntia e o Jéferson. Os dois tinham ido no show dos Stones e a Cíntia também ia no U2. Ficamos ali na rodoviária tomando um chopp enquanto aguardávamos os respectivos ônibus.
Já em São Paulo encontrei o Zé Gota na saída do show e pude perceber a sua empolgação. Mesmo assim não imaginava o que me esperava na noite seguinte. Ele fora no show da segunda e eu iria no de terça.
Acordei cedo, tomei um café e fui pro estádio. Aí aconteceu o primeiro contratempo. Eu ainda não tinha retirado o ingresso, e imaginava que pudesse fazer isso no Morumbi, local do show. Não podia, só no Pacaembu. O pior é que eu já estava na rua do Morumbi. Eram 10h da manhã. Tive que sair perguntando pra um monte de gente que ônibus eu pegava pra chegar no Pacaembu. Três horas e meia depois e quatro ônibus, consegui voltar ao Morumbi e encarar a quilométrica fila.
Não queria passar pelo mesmo sufoco do show dos Stones. Então, já que eu ficaria longe do palco nem ia me estressar. Nisso, fiquei sabendo que liberariam os 4 mil primeiros da fila pra Hot Area, um espaço reservado, grudado no palco. Antes de iniciarem as vendas especulava-se que os ingressos pra esse espaço seriam vendidos a mil reais.
Esqueci todo o sofrimento do show de sábado e novamente estava disposto a passar pelo que fosse pra entrar na tal Hot Area. Às 3h, quando abriram os portões meu pensamento não saía disso, de conseguir entrar ali. Avistei o gramado e saí correndo muito, tentando passar quem estava na frente, porque uns iam caminhando. Corri, corri, corri.. até que vi os seguranças pedindo pra gente se acalmar e fazendo sinal pra entrarmos na Hot Area. Assim que passei na catraca minhas pernas começaram a tremer. Muita gente gritava, uns choravam. Eu simplesmente não acreditava.
Corri pra frente do palco e me agarrei na grade. Olhava pro palco ali na minha frente, a menos de quatro metros. Loucura! O que eu teria feito pra merecer tamanho presente?
Olhei pra trás e vi que já tinham bloqueado as catracas, e a galera já começava a se acumular na grade que dividia a hot area. Tive muita sorte em ter conseguido entrar.
As horas passaram voando até começar o show. Como não estava atrolhado, pudemos esperar na boa, sentados, sem aquele tumulto todo.
O show...
Não há como eu descrever em algumas linhas a sensação de estar lá. Cada acorde, cada toque na bateria, cada palavra do Bono... tudo era de arrepiar. Um espetáculo sem igual, sem preço. Uma sensação de não haver lugar nenhum que se queira estar senão ali. Agradeço muito por esse momento, e sugiro que quem gosta de boa música um dia se disponha a assistir esse espetáculo. Maravilhoso!
Uma lembrança...
Antes de começar o show, conversei com os que estavam à minha volta, entre eles uma mãe com sua filha. Alice e Catherine, respectivamente. A Alice contou de todos os shows que já assistiu.. Paul McCartney, Rod Stewart, Stones, e por aí vai. Tinha consigo uma enorme bandeira do Brasil, que deixou pendurada na grade até o final do show. Sacudia a bandeira toda empolgada a cada música.
A todo momento a Alice reclamava por não venderem cerveja dentro do estádio. Combinei então de tomarmos uma gelada na saída. Assim que terminou saímos e compramos duas latas dos ambulantes ali de fora. A Catherine quis levar uma bandana do U2. Custava 1 real, e ela procurava se tinha trocado. Como eu tinha algumas moedas, saquei uma de 1 real e entreguei ao vendedor. Ao que Alice, sua mãe, interviu:
- Deixa eu retribuir com uma lembrança então. Toma esta bandeira! – e me ofereceu a enorme bandeira do Brasil.
- Que isso, Alice!? Não tenho como aceitar! Não posso aceitar mesmo!
- Por favor, você disse que vai a muitos shows. Leva consigo ela sempre. Vai ser uma lembrança desse shows e das suas amigas de São Paulo.
- Bah.. muito obrigado mesmo! Não sei como agradecer!
- Que isso, garoto, não precisa agradecer não!
Fui pra casa boquiaberto. Pelo show e pelo presente que ganhara. Coloquei a bandeira às costas e fui embora.
Mais uma vez agradeço por tamanha generosidade do Cara lá de cima.
Ainda tem o Carnaval...
No domingo eu estava perdido. Não sabia se ficava no Rio, se ia conhecer Cabo Frio ou ia pra São Paulo. Pela propaganda que me fizeram preferi conhecer Cabo Frio. Fiz muita festa e conheci uma das praias mais lindas e limpas que já vi.
Segunda-feira comecei a tomar rumo pra algo que eu imaginava ser grandioso, mas que ainda era muito incerto. Na rodoviária do Rio, na fila pra comprar a passagem, conheci dois novos amigos: a Cíntia e o Jéferson. Os dois tinham ido no show dos Stones e a Cíntia também ia no U2. Ficamos ali na rodoviária tomando um chopp enquanto aguardávamos os respectivos ônibus.
Já em São Paulo encontrei o Zé Gota na saída do show e pude perceber a sua empolgação. Mesmo assim não imaginava o que me esperava na noite seguinte. Ele fora no show da segunda e eu iria no de terça.
Acordei cedo, tomei um café e fui pro estádio. Aí aconteceu o primeiro contratempo. Eu ainda não tinha retirado o ingresso, e imaginava que pudesse fazer isso no Morumbi, local do show. Não podia, só no Pacaembu. O pior é que eu já estava na rua do Morumbi. Eram 10h da manhã. Tive que sair perguntando pra um monte de gente que ônibus eu pegava pra chegar no Pacaembu. Três horas e meia depois e quatro ônibus, consegui voltar ao Morumbi e encarar a quilométrica fila.
Não queria passar pelo mesmo sufoco do show dos Stones. Então, já que eu ficaria longe do palco nem ia me estressar. Nisso, fiquei sabendo que liberariam os 4 mil primeiros da fila pra Hot Area, um espaço reservado, grudado no palco. Antes de iniciarem as vendas especulava-se que os ingressos pra esse espaço seriam vendidos a mil reais.
Esqueci todo o sofrimento do show de sábado e novamente estava disposto a passar pelo que fosse pra entrar na tal Hot Area. Às 3h, quando abriram os portões meu pensamento não saía disso, de conseguir entrar ali. Avistei o gramado e saí correndo muito, tentando passar quem estava na frente, porque uns iam caminhando. Corri, corri, corri.. até que vi os seguranças pedindo pra gente se acalmar e fazendo sinal pra entrarmos na Hot Area. Assim que passei na catraca minhas pernas começaram a tremer. Muita gente gritava, uns choravam. Eu simplesmente não acreditava.
Corri pra frente do palco e me agarrei na grade. Olhava pro palco ali na minha frente, a menos de quatro metros. Loucura! O que eu teria feito pra merecer tamanho presente?
Olhei pra trás e vi que já tinham bloqueado as catracas, e a galera já começava a se acumular na grade que dividia a hot area. Tive muita sorte em ter conseguido entrar.
As horas passaram voando até começar o show. Como não estava atrolhado, pudemos esperar na boa, sentados, sem aquele tumulto todo.
O show...
Não há como eu descrever em algumas linhas a sensação de estar lá. Cada acorde, cada toque na bateria, cada palavra do Bono... tudo era de arrepiar. Um espetáculo sem igual, sem preço. Uma sensação de não haver lugar nenhum que se queira estar senão ali. Agradeço muito por esse momento, e sugiro que quem gosta de boa música um dia se disponha a assistir esse espetáculo. Maravilhoso!
Uma lembrança...
Antes de começar o show, conversei com os que estavam à minha volta, entre eles uma mãe com sua filha. Alice e Catherine, respectivamente. A Alice contou de todos os shows que já assistiu.. Paul McCartney, Rod Stewart, Stones, e por aí vai. Tinha consigo uma enorme bandeira do Brasil, que deixou pendurada na grade até o final do show. Sacudia a bandeira toda empolgada a cada música.
A todo momento a Alice reclamava por não venderem cerveja dentro do estádio. Combinei então de tomarmos uma gelada na saída. Assim que terminou saímos e compramos duas latas dos ambulantes ali de fora. A Catherine quis levar uma bandana do U2. Custava 1 real, e ela procurava se tinha trocado. Como eu tinha algumas moedas, saquei uma de 1 real e entreguei ao vendedor. Ao que Alice, sua mãe, interviu:
- Deixa eu retribuir com uma lembrança então. Toma esta bandeira! – e me ofereceu a enorme bandeira do Brasil.
- Que isso, Alice!? Não tenho como aceitar! Não posso aceitar mesmo!
- Por favor, você disse que vai a muitos shows. Leva consigo ela sempre. Vai ser uma lembrança desse shows e das suas amigas de São Paulo.
- Bah.. muito obrigado mesmo! Não sei como agradecer!
- Que isso, garoto, não precisa agradecer não!
Fui pra casa boquiaberto. Pelo show e pelo presente que ganhara. Coloquei a bandeira às costas e fui embora.
Mais uma vez agradeço por tamanha generosidade do Cara lá de cima.
Ainda tem o Carnaval...
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