Eu e a Alice adoramos esses programas sobre bichos. Desde aquelas caçadas de leões e guepardos nas savanas africanas até os sobre educação de animais domésticos. O Encantador de Cães, do Cesar Millan é, sem dúvida, o melhor. O cara é muito bom! E num desses programas vimos algum sobre gatos, que chegamos a olhar sobre as raças na net. Não que venhamos a ter um, porque eu realmente não gosto de gatos. Mas não nego que são uns bichinhos bonitos, e às vezes, engraçados.
Eis que então deparamo-nos com essa verdadeira pérola, naquele Yahoo Respostas:
Gatos: Preços, características e onde comprar (São Paulo - SP)?
Olá! Gostaria de ganhar um gato, mas acontece que moro num apartamento relativamente cheio (moram 4 pessoas num ap. de 100m²) e eu tenho um cachorro macho, da raça shih tzu. Acredito que ele já tenha por volta dos 5 anos e é bem rabugento.
Uma coisa que não gosto nele é que ele é, literalmente, metido. Ele quer carinho só na hora que ele quer e depois que você fornece o carinho ele simplesmente sai e vai dormir (ele só dorme) e se você vai mexer nele enquanto dormindo ele avança, pra pegar mesmo. Só que eu ODEIO isso, não suporto. E sei que tem gatos que são assim. Mas pesquisei e vi que aparentemente tem uns que não são. Selecionei algumas raças (antes gostaria de adotar um filhotinho mas vi na tv que todos os vira latas costumam ser mais independentes);
>>A questão é: Que gato? E se realmente é a hora de ter um gato.
Vamos lá, tenho 16, logo farei 17. Estou indo para o 3º ano e farei cursinho.
Tenho uma irmã de 9 anos que costuma passar o dia todo na tv. Ela é meio agitada.
Tenho um cachorro, como já disse, um shih tzu.
O que eu gostaria em um gato: que ele fosse apegado ao dono (e que tenha como EU ser a dona) mas que também não se esconda quando vier visita. Que seja inteligente e carinhoso. E até sensível. O que eu gostaria era de um gato pra ficar ao meu lado e eu fazer carinho as vezes enquanto estudo. De preferência um gato que não precise de muito espaço, limpo e de certa forma obediente (sei que eles não são muito obedientes) mas uma coisa que gostaria MUITO é que se eu o chamasse, ele viesse. (meu cachorro não faz isso)
Outra coisa é que não posso ter um gato de pelo comprido porque acaba atacando a rinite.
Eu pesquisei e fiz uma tabelinha de gatos que achei bonito e ao mesmo tempo condizente com essas necessidades, depois de falar da lista vou falar dos que mais gostei.
-Abissínio
-Angorá-Turco
-Gato Azul da Rússia (russian blue)
-Bengali
-Korat
-Birmanês
-Bombaim
-Califórnia Malhado (spangled)
-Gato sagrado da Birmânia
-Chartreux
-Tonquinês
Dessas as que mais gosteis foi o Gato Azul da Rússia (muito lindo, aparentemente do jeito que quero!), Gato Sagrado da Birmânia e o Chartreux.
Apesar de tudo eu gostaria de adotar um gatinho vira latinha, alguém tem um e sabe se eles costumam se apegar ao dono e tudo o mais? Porque eu queria um gato alto, com pelo curto, um aspecto magro (como o azul da russia).
Queria também informações sobre preços de rações, se alguem tivesse site também... com as informações. Sobre como criar e de certa forma adestrar.
Uma coisa que gostei no Azul da russia é que ele pode andar de coleira e tem um miado suave.
É basicamente isso, sei que sou meio fresca, mas quero que seja um gato legal pra que eu seja muito feliz com ele por muuuito tempo.
Me ajudem, não quero informações perfeitas, a união faz a força.
Obrigada!^^
1 ano atrás
Detalhes Adicionais
Oi, gente, as respostas estão muito boas!
Acho que vou seguir seus conselhos e >>adotar<< um gato jovem!
Só que simplesmente não consigo escolher qual é a melhor, se importam se eu mandar para votação?! Podem responder por mensagem! Obrigada; e quem tem gatos, eu gostaria de conversar pra saber quanto gasta com comida, areia, veterinario, por mes.
:)
1 ano atrás
Thursday, July 08, 2010
Thursday, July 01, 2010
O primeiro título mundial que asssti...
Posso dizer que minha primeira Copa do Mundo, emancipado, foi a de 94. Eu achava que podia decidir por mim, ir onde eu quisesse e chegar em casa tarde da noite. Eu tinha 17 anos, e esboçava algumas saídas noturnas. Mas a cada tentativa era uma sessão de sermões, onde tinha ido, com quem, etc.
1994 foi justamente o ano em que o Senna morreu. E acho que isso contribuiu para aquele estado de catarse no qual eu via o mundo às vésperas da final do mundial. O brasileiro estava acostumado às vitórias do Senna, embora aquela temporada não fosse exatamente boa. Mas ele já era recordista de pole positions, de vitórias, e era tricampeão mundial. Todas as suas conquistas, aliadas ao seu carisma, levaram o Brasil a um luto muito singular, tenham gostado dele ou não.
Então aquele tetracampeonato de 1994 foi como um grito de desafogo para o clima de funeral no qual vivíamos. Na época a mãe do Luiz trabalhava na Antarctica, e nos conseguiu umas credenciais que davam direito a assistir aos jogos do Brasil na cervejaia Berlim com cerveja liberada. Assim eu era apresentado ao mundo dora da severidade dos meus pais em casa: vitórias da Seleção Brasileira no telão, amigos, muita gente e cerveja. No jogo da final não nos deixaram entrar na Berlim, e assistimos na casa do Luiz. Mas depois fomos para a Nilo e fizemos festa até tarde...
Tarde, na época, era um pouco depois da meia-noite. E não existia telefone celular. Cheguei em casa à 1h da manhã e fui recebido por uma mãe irreconhecível desde os tempos de criança. Quase apanhei. Ouvi um sermão violentíssimo e a notícia de que meu pai passara mal. Não lembro exatamente, mas acho que foi um pouco depois dele infartar, algo como uns dois ou três meses. E minha mãe disse que se acontecesse algo eu seria o culpado. Foi foda! Mas o Brasil era campeão e eu tinha comemorado na rua como gente grande.
1994 foi justamente o ano em que o Senna morreu. E acho que isso contribuiu para aquele estado de catarse no qual eu via o mundo às vésperas da final do mundial. O brasileiro estava acostumado às vitórias do Senna, embora aquela temporada não fosse exatamente boa. Mas ele já era recordista de pole positions, de vitórias, e era tricampeão mundial. Todas as suas conquistas, aliadas ao seu carisma, levaram o Brasil a um luto muito singular, tenham gostado dele ou não.
Então aquele tetracampeonato de 1994 foi como um grito de desafogo para o clima de funeral no qual vivíamos. Na época a mãe do Luiz trabalhava na Antarctica, e nos conseguiu umas credenciais que davam direito a assistir aos jogos do Brasil na cervejaia Berlim com cerveja liberada. Assim eu era apresentado ao mundo dora da severidade dos meus pais em casa: vitórias da Seleção Brasileira no telão, amigos, muita gente e cerveja. No jogo da final não nos deixaram entrar na Berlim, e assistimos na casa do Luiz. Mas depois fomos para a Nilo e fizemos festa até tarde...
Tarde, na época, era um pouco depois da meia-noite. E não existia telefone celular. Cheguei em casa à 1h da manhã e fui recebido por uma mãe irreconhecível desde os tempos de criança. Quase apanhei. Ouvi um sermão violentíssimo e a notícia de que meu pai passara mal. Não lembro exatamente, mas acho que foi um pouco depois dele infartar, algo como uns dois ou três meses. E minha mãe disse que se acontecesse algo eu seria o culpado. Foi foda! Mas o Brasil era campeão e eu tinha comemorado na rua como gente grande.
Wednesday, June 16, 2010
O primeiro fio branco nunca vem sozinho...
Assim como os erros de português quase nunca aparecem desacompanhados, sobretudo os mais grotescos, o primeiro fio branco não prova da solidão quando é descoberto. Se ainda não tens idade de experimentar essa espantosa descoberta no espelho, ou no comentário daquela pessoa que acompanha todas as mutações do teu corpo, tente observar com atenção qualquer texto onde tenhas identificado um erro. Se o erro for simples, que caracterize um descuido, é menos provável. Mas os mais frequentes, apesar de toda defesa de que foram mero erro de digitação, são erros convictos. E se houver tentativa de correção ou apenas advertência, com certeza cairão na defesa do erro de digitação, pressa, etc. Como se tivesséssemos que perder sempre o dobro do tempo para tudo o que escrevemos: um para escrever e outro para ler. Os mais legais são os das publicações, porque – esses sim – foram (teoricamente) revisados, e depois mandados à impressão. Mas como são mais raros, e bem menos grotescos, é bom recorrer logo aos emails, de preferência os mais sérios e longos.
Eu acabo me perdendo mais nesse assunto porque me incomoda verdadeiramente. Embora eu também erre. Mas pode ter certeza que não darei desculpa de que escrevi rápido. Meus erros, quando houver, provavelmente serão convictos. Esta semana, e justamente no seu primeiro dia, ele apareceu. O fio, digo, não o erro de português. Primeiro no espelho, e em seguida logo após um doce “meu amor!!!”. Ele estava ali, um pouco acima da orelha direita e mais compridinho que os demais normais pretinhos. Ou castanho-escuros, como quiser. Mas estava. Então completei várias lacunas de pensamentos sobre coisas úteis com aquele que seria o meu primeiro fio branco. Considerei aquele momento, num domingo à noite, de certa forma, poético. Pensei em nomes para títulos de um livro, de como contaria isso aos sobrinhos e aos seus filhos, essas coisas. Até que hoje de manhã, depois de dois dias sem fazer a barba, eles apareceram todos. Resolveram se concentrar no queixo, os malditos. E pior que são de um branco com brilho, que poderia até parecer bonito para que gosta deles. Eu não gosto, mas vou, no máximo cortar os da barba. Aliás, foi assim, fazendo a barba todos os dias que eles chegaram sem que eu os percebesse. Não apelarei a nenhum tipo de tintura.
Vou apreciá-los como parte do curso natural, assim como não se podem banir os mais grossos e belos erros de português.
Eu acabo me perdendo mais nesse assunto porque me incomoda verdadeiramente. Embora eu também erre. Mas pode ter certeza que não darei desculpa de que escrevi rápido. Meus erros, quando houver, provavelmente serão convictos. Esta semana, e justamente no seu primeiro dia, ele apareceu. O fio, digo, não o erro de português. Primeiro no espelho, e em seguida logo após um doce “meu amor!!!”. Ele estava ali, um pouco acima da orelha direita e mais compridinho que os demais normais pretinhos. Ou castanho-escuros, como quiser. Mas estava. Então completei várias lacunas de pensamentos sobre coisas úteis com aquele que seria o meu primeiro fio branco. Considerei aquele momento, num domingo à noite, de certa forma, poético. Pensei em nomes para títulos de um livro, de como contaria isso aos sobrinhos e aos seus filhos, essas coisas. Até que hoje de manhã, depois de dois dias sem fazer a barba, eles apareceram todos. Resolveram se concentrar no queixo, os malditos. E pior que são de um branco com brilho, que poderia até parecer bonito para que gosta deles. Eu não gosto, mas vou, no máximo cortar os da barba. Aliás, foi assim, fazendo a barba todos os dias que eles chegaram sem que eu os percebesse. Não apelarei a nenhum tipo de tintura.
Vou apreciá-los como parte do curso natural, assim como não se podem banir os mais grossos e belos erros de português.
Wednesday, May 26, 2010
Reeducando a oratória...
Preciso urgentemente reeducar a fala, de modo que consiga finalizar as orações. Vejo que estou herdando uma péssima mania do meu pai, de não completar as frases, deixando subentendido o final. Sempre impliquei com ele por isso, falava uma frase e deixava o final vago. “Vai ali noooooo... e fala com ooooo... né?” E eu insistia: “onde, pai? Com quem?’ E ele ficava indignado, como se tivesse dito a informação, que era justamente a mais importante.
E eu ando assim, tipo Seu Antônio, quando trato sobre um assunto mais sério, pessoal ou profissional. Espero que não seja um sinal da idade pegando...
E eu ando assim, tipo Seu Antônio, quando trato sobre um assunto mais sério, pessoal ou profissional. Espero que não seja um sinal da idade pegando...
Tuesday, May 25, 2010
Thursday, April 29, 2010
Como é mais fácil ser bronco...
Com a mulher da limpeza, lá do trabalho, que teve a habilidade de passar um produto no mouse do meu computador e deixá-lo grudento. Eu já peço, a cada vez que trocam a pessoa da limpeza, que não precisa organizar a minha mesa. Mas não adianta, quando volto do almoço vejo que houve uma tentativa de organização. Então um dia notei que o mouse tava pegajoso, como quando se arranca um adesivo de um plástico. Pensei no que eu poderia ter sujado, até que caiu q ficha que devia ser um produto da mulher. Aí pensei numa maneira de perguntar a ela sem ser “bronco” e ela confirmou que “Só passei um paninho.” O pior foi que tive que deixá-la terminar o serviço, mas quando vi que estava quase perdendo o meu mouse emborrachado ThinkPad, pedi que deixasse assim. Agora ele tá lá.. grudentinho.Com um monte de coisas que eu não consigo entender, como esses guris principalmente guris – que tatuam o seu próprio nome em um dos braços, enorme assim.
Com essa nova moda de as mulheres usarem calça de palhaço. Essas com o fundilho lá no joelho. Deve ter algum outro nome, eu imagino. Mas não existe coisa mais horrorosa! E elas usam, e não ficam se sentindo mal! Ao menos não parece que estão.
Com os erros e incoerências com a nossa Língua Portuguesa, principalmente pelos comunicadores. Agora estou implicando com o “recorde”. Eu também acho que soaria melhor “récorde”, como muitos falam, mas não é assim. Poderiam ter aproveitado a mudança ortográfica e ter definido que a partir de agora seria “récorde”. Mas não, não tem acento, é uma paroxítona e se fala reCORde. Não me importo que as pessoas do meu convívio falem, mas o brabo é ver num telejornal um falando récorde e outro recorde, na mesma matéria.
Eu poderia tentar entender essas coisas como normais. Mas não, eu fico bronco. Ainda que eu não demonstre, fulminei com pensamentos a mulher da limpeza, quase me arranco os cabelos quando vejo essas calças de palhaço e quando ouço “récorde” no rádio ou na tv.
Monday, April 12, 2010
Um apaixonado na cozinha...
Quando casei houve uma mudança radical na minha alimentação que teve vários colaboradores. Um deles, o Vitor, além de ótimo professor, me oportunizou conhecer o magnífico Mesa de Cinema. Ali vi que meu potencial para apreciar a boa mesa ia muito além do xis do Cabecinha, do Speed. Com o tempo resolvi me aventurar por essas bandas da cozinha. Comecei com alguns assados. Sempre com algum incremento além do sal, geralmente o adobo. Adobo é um mix de temperos, basicamente orégano, tomilho, pimenta vermelha e algumas variações, dependendo da marca.
Um tempo depois vieram as massas e o risoto. Eu sempre achei que massa era massa, e só. Fiquei fascinado com a pasta di grano duro. O risoto foi outro marco, principalmente depois de conhecer o Tutto Riso. Hoje fazemos muito risoto, quase sempre muito bons.
Mas ultimamente acho que perdi a mão. O encanto se foi, alguma coisa aconteceu. Poderiam dizer que o cozinheiro está apaixonado, porque o sal e a picância tem sido exagerados. Eu sempre quis fazer um bacalhau. E em pedaços, pois desfiado seria muito simples. Fiz o dessalgue como sugerido e o assei. Ficou simplesmente impraticável! Deixei uns dois dias na água. Entendi que foi pouco. Mas sou brasileiro... Resolvi fazer outro para a Páscoa, dessa vez com os sogros de convidados. Deixei o bicho uns quatro dias trocando a água. Digamos que tenha ficado... aceitável. Mas eu acho que deveria ter menos sal.
Semana passada inventei de fazer um molho que há anos queria, o bechamel. Sempre achei que seria muito complicado e envolveria ingredientes não usuais, como manteiga, ovos, e outras coisas que geralmente não comemos. Li algumas receitas e vi que era basicamente simples. Ainda por cima achei a receita do espetacular “Al borgheto” do Atelier de Massas. A receita toda não seria tão simples, com o molho, funghi, e brócolis ao vapor. Como eu estaria sozinho, resolvi tentar. Bah! Ficou um negócio de bom!
Quando a Alice chegou, de tanto que eu falei, ela quis experimentar. Teria tudo pra dar certo, melhorando o que, na primeira tentativa já tinha ficado muito bom. Não sei se foi pela saudade, sei lá, sei que exagerei tanto na pimenta vermelha (além do adobo) que nem eu, que adoro pimenta, consegui comer. Mas eu sou brasileiro...
Thursday, April 08, 2010
Pedágio
Antes de eu contar sobre o episódio do pedágio preciso chegar até lá. Tínhamos passado pelo mais difícil em termos de comunicação, o grego moderno da Grécia. Se fosse o grego antigo.. ih! Já tinha até recebido instruções de como funcionava a nossa motoneta, em grego.
Depois de quase uma semana na Grécia, mudamos radicalmente para a França num roteiro que assusta qualquer um que - como nós - só fala português. Estrategicamente simples, vejamos: Fomos de Paris a Rennes via trem. Lá pegamos um carro, visitamos o Mont Saint Michel e depois fomos para uma mini-piccola-cidadezinha, mas que todos já devem ter ouvido falar: Savigné-sur-Lathan. Mil e trinta e três habitantes.
Todo nosso itinerário foi pensado, repensado e muito detalhado. Tudo para evitarmos imprevistos, principalmente nos perdermos ou pagar uma conta indevida de pedágio. E realmente rodamos uns 200km sem maiores contratempos. Fomos aos castelos. A dona da Closerie La Fontaine, onde nos hospedamos, falava exclusivamente francês. E não era por opção. Nada, nada, nada de inglês. E aí!? Não sei como, mas conseguimos que ela nos emprestasse alguns mapas e nos desse algumas dicas de como chegar ao primeiro chateau, o Chenonceau.
Havia uma diferença na dica que ela nos deu. Dizia para pegarmos a autoestrada, enquanto tínhamos traçado um trajeto por uma via secundária. Nas autoestradas haveria o pedágio, e não tínhamos ideia de quanto pagar, nem como, uma vez que não há atendentes, como aqui. Pedágios, sem chance! Era o nosso lema. Sem contar que o site da Michelin oferece três opções de rota entre as cidades: mais rápido, mais econômico e mais bonito. Os mais baratos são os mais bonitos, pois cruzam as cidades por belos campos verdes.
Como já eram cerca de 14h, queríamos chegar logo ao castelo, almoçar e retornar por volta das seis da tarde. Sabíamos também que há trechos em que a estrada não cobra pedágio, e imaginamos que ela não iria nos oferecer justamente uma rota que precisássemos pagar. Talvez ela tenha dito que teria o pedágio, mas essa parte eu não entendi... só essa... Nos despedimos e tomamos o rumo do chateau. Logo encontramos o acesso à A10, a estrada maldita! Andamos por ela um pouco, e veio a cena que não queríamos: uma praça de pedágio. Gelei! E o pé abandonou o acelerador. Buzinas! 140 era o limite, e eu devia estar a uns 30km/h. Maaaas... vi que os carros chegavam na cancela, apertavam um botão e passavam. Não pareciam estar pagando. Nos aproximamos, apertei o tal botão e a máquina imprimiu um tíquete. Juro que pensei que fosse algo como um registro apenas para fins estatísticos. Depois de meia hora de completo frio na barriga avistamos a nossa saída. E outra cena nada agradável: outra praça. Agora tudo fazia sentido, tu entra na estrada e recebe o registro do km, e o valor é cobrado de acordo com o trecho percorrido. Separei o cartão de crédito e umas moedas. Havia somente máquinas, nada de pessoas. Me aproximei, inseri o tíquete e ele pediu o cartão. 3 euros. Normal! Mensagem: Cartão refusé, algo assim. E nada do tíquete. Eu já tava meio que suando frio, o carro em completo silêncio. Quando olhei para a Alice a máquina fez um barulho e só vi nosso tíquetezinho ser cuspido e sair voando pela estrada. “Olha lá ele!” E ele indo, voando longe já. Tinha bastante vento. A Alice saiu correndo atrás do papelzinho e eu fiquei ali tentando entender. Quando ela voltou tentamos de novo. Os carros todos iam para as outras cancelas. Inseri novamente o papel, depois o cartão, mas a mensagem foi a mesma. E não achamos nenhuma máquina que aceitasse dinheiro ou moedas. Pânico e colapso absoluto. Pior, a máquina não devolveu o papel. Eu sabia que estávamos sendo filmados, mas chutei o balde. Fizemos a volta e retornamos. Foi a única saída que conseguimos raciocinar. Iríamos perder mais 30 minutos pra voltar onde entramos, depois retornar pela estrada que tínhamos planejado e o combustível. Na volta avistei outra saída. Mas a praça de pedágio estava lá. Usamos o limite de velocidade da pista e voltamos ao lugar de origem. E havia uma cabine com uma mulher. Salve! Nada de inglês também. Expliquei a ela por mímica que o papel tinha voado pela janela. Ela então apontou para o preço máximo da estrada; 36 euros. Se eu não tinha o tíquete ela poderia supor que eu tivesse andado todo o trecho. Aí sim! O nível de engasgo, frio na barriga, era absurdo. Até que ela perguntou onde tínhamos entrado. E eu disse que tinha sido ali mesmo, naquela cancela. Só tínhamos entrado e feito a volta. Então ela me passou um termo em que eu me responsabilizava que tinha entrado ali. Nos cobrou o trecho mínimo: 2 euros. Finalmente conseguimos sorrir, rir, gargalhar e, também, sentir fome. Eram 4 da tarde. Depois disso, nada mais de dicas!
Depois de quase uma semana na Grécia, mudamos radicalmente para a França num roteiro que assusta qualquer um que - como nós - só fala português. Estrategicamente simples, vejamos: Fomos de Paris a Rennes via trem. Lá pegamos um carro, visitamos o Mont Saint Michel e depois fomos para uma mini-piccola-cidadezinha, mas que todos já devem ter ouvido falar: Savigné-sur-Lathan. Mil e trinta e três habitantes.
Todo nosso itinerário foi pensado, repensado e muito detalhado. Tudo para evitarmos imprevistos, principalmente nos perdermos ou pagar uma conta indevida de pedágio. E realmente rodamos uns 200km sem maiores contratempos. Fomos aos castelos. A dona da Closerie La Fontaine, onde nos hospedamos, falava exclusivamente francês. E não era por opção. Nada, nada, nada de inglês. E aí!? Não sei como, mas conseguimos que ela nos emprestasse alguns mapas e nos desse algumas dicas de como chegar ao primeiro chateau, o Chenonceau.
Havia uma diferença na dica que ela nos deu. Dizia para pegarmos a autoestrada, enquanto tínhamos traçado um trajeto por uma via secundária. Nas autoestradas haveria o pedágio, e não tínhamos ideia de quanto pagar, nem como, uma vez que não há atendentes, como aqui. Pedágios, sem chance! Era o nosso lema. Sem contar que o site da Michelin oferece três opções de rota entre as cidades: mais rápido, mais econômico e mais bonito. Os mais baratos são os mais bonitos, pois cruzam as cidades por belos campos verdes.
Como já eram cerca de 14h, queríamos chegar logo ao castelo, almoçar e retornar por volta das seis da tarde. Sabíamos também que há trechos em que a estrada não cobra pedágio, e imaginamos que ela não iria nos oferecer justamente uma rota que precisássemos pagar. Talvez ela tenha dito que teria o pedágio, mas essa parte eu não entendi... só essa... Nos despedimos e tomamos o rumo do chateau. Logo encontramos o acesso à A10, a estrada maldita! Andamos por ela um pouco, e veio a cena que não queríamos: uma praça de pedágio. Gelei! E o pé abandonou o acelerador. Buzinas! 140 era o limite, e eu devia estar a uns 30km/h. Maaaas... vi que os carros chegavam na cancela, apertavam um botão e passavam. Não pareciam estar pagando. Nos aproximamos, apertei o tal botão e a máquina imprimiu um tíquete. Juro que pensei que fosse algo como um registro apenas para fins estatísticos. Depois de meia hora de completo frio na barriga avistamos a nossa saída. E outra cena nada agradável: outra praça. Agora tudo fazia sentido, tu entra na estrada e recebe o registro do km, e o valor é cobrado de acordo com o trecho percorrido. Separei o cartão de crédito e umas moedas. Havia somente máquinas, nada de pessoas. Me aproximei, inseri o tíquete e ele pediu o cartão. 3 euros. Normal! Mensagem: Cartão refusé, algo assim. E nada do tíquete. Eu já tava meio que suando frio, o carro em completo silêncio. Quando olhei para a Alice a máquina fez um barulho e só vi nosso tíquetezinho ser cuspido e sair voando pela estrada. “Olha lá ele!” E ele indo, voando longe já. Tinha bastante vento. A Alice saiu correndo atrás do papelzinho e eu fiquei ali tentando entender. Quando ela voltou tentamos de novo. Os carros todos iam para as outras cancelas. Inseri novamente o papel, depois o cartão, mas a mensagem foi a mesma. E não achamos nenhuma máquina que aceitasse dinheiro ou moedas. Pânico e colapso absoluto. Pior, a máquina não devolveu o papel. Eu sabia que estávamos sendo filmados, mas chutei o balde. Fizemos a volta e retornamos. Foi a única saída que conseguimos raciocinar. Iríamos perder mais 30 minutos pra voltar onde entramos, depois retornar pela estrada que tínhamos planejado e o combustível. Na volta avistei outra saída. Mas a praça de pedágio estava lá. Usamos o limite de velocidade da pista e voltamos ao lugar de origem. E havia uma cabine com uma mulher. Salve! Nada de inglês também. Expliquei a ela por mímica que o papel tinha voado pela janela. Ela então apontou para o preço máximo da estrada; 36 euros. Se eu não tinha o tíquete ela poderia supor que eu tivesse andado todo o trecho. Aí sim! O nível de engasgo, frio na barriga, era absurdo. Até que ela perguntou onde tínhamos entrado. E eu disse que tinha sido ali mesmo, naquela cancela. Só tínhamos entrado e feito a volta. Então ela me passou um termo em que eu me responsabilizava que tinha entrado ali. Nos cobrou o trecho mínimo: 2 euros. Finalmente conseguimos sorrir, rir, gargalhar e, também, sentir fome. Eram 4 da tarde. Depois disso, nada mais de dicas!
Tuesday, April 06, 2010
Tenho andado distraído
Há dias ouvia um toc toc estranho quando caminhava. Como se um pé fizesse e o outro não. No início, há cerca de uma semana, achei que fosse o jeito de pisar. Para um pé torto que nunca teve sucesso algum no futebol, esse argumento foi perfeito, e fiquei tranquilo. Até que ontem, subindo as escadas para a minha sala, já aqui no trabalho, a diferença do toc toc era muito evidente. E por mais que eu virasse o pé, não acompanhava o barulho do outro. Tive então a brilhante ideia de olhar para os pés e constatar o óbvio: era um pé de cada sapato.
Tuesday, March 30, 2010
Dormir bem...
Se alguém tem problemas relacionados ao sono, sejam recorrentes ou em função de alguma preocupação momentânea, recomendo assistir ao filme Um Bom Ano, com o Gladiador. Esqueci o nome do ator...
Eu tenho acordado quase todas as noites apertado e com sede. Geralmente volto pra cama e durmo em seguida, mas também ocorre de demorar.
Então ontem vimos o filme, que é bastante leve e divertido, além de ser um descarado convite a se conhecer a região de Provence... Não sei se foi por isso, mas dormi muito bem, até de manhã. Talvez não funcione pra todo mundo, mas é uma ótima alternativa a Cracolândia, julgamento da Isabela, etc.
E eu não lembro o nome do cara.. E não vou procurar!
Eu tenho acordado quase todas as noites apertado e com sede. Geralmente volto pra cama e durmo em seguida, mas também ocorre de demorar.
Então ontem vimos o filme, que é bastante leve e divertido, além de ser um descarado convite a se conhecer a região de Provence... Não sei se foi por isso, mas dormi muito bem, até de manhã. Talvez não funcione pra todo mundo, mas é uma ótima alternativa a Cracolândia, julgamento da Isabela, etc.
E eu não lembro o nome do cara.. E não vou procurar!
Tuesday, March 16, 2010
Recomeçando...
Voltei das férias com o mesmo pensamento de que este ano será mais organizado, que vou mudar isso e aquilo pra melhor e tals. Algumas coisas, como a minha mesa de trabalho, segue completamente bagunçada. Mas tenho procurado fazer o que me proponho.
Por outro lado, vejo como nunca, sonhos e passos importantes, daqueles de pedir pulando as ondas na virada de ano, tomando forma.
Meu cachorro morreu. Eu não tinha mais uma ligação tão próxima, pois era, na verdade, o cachorro dos meus pais, e ele já devia ter seus 15 anos. Tava bem velhinho, o Duque. Meus pais estavam na praia e eu fui lá dar ração e trocar a água. O encontrei deitado. Me despedi em nome da família.
Já é metade de março e mal consigo escrever no blog. Isso quer dizer que por mais que eu tente me organizar algumas coisas ainda não se encaixaram e me fazem perder um pouco de tempo útil. E também atrasa o início do livro que quero escrever este ano e ainda nem sei sobre o quê.
Por outro lado, vejo como nunca, sonhos e passos importantes, daqueles de pedir pulando as ondas na virada de ano, tomando forma.
Meu cachorro morreu. Eu não tinha mais uma ligação tão próxima, pois era, na verdade, o cachorro dos meus pais, e ele já devia ter seus 15 anos. Tava bem velhinho, o Duque. Meus pais estavam na praia e eu fui lá dar ração e trocar a água. O encontrei deitado. Me despedi em nome da família.
Já é metade de março e mal consigo escrever no blog. Isso quer dizer que por mais que eu tente me organizar algumas coisas ainda não se encaixaram e me fazem perder um pouco de tempo útil. E também atrasa o início do livro que quero escrever este ano e ainda nem sei sobre o quê.
Friday, February 12, 2010
Saindo de férias...
A última semana antes das férias foi bastante cheia. Tive de deixar as tarefas em dia, preencher planilhas, fazer a tal da avaliação de performance do ano anterior e outras burocracias do sistema. E justamente quando o tempo deixa explícita sua preciosidade aparecem essas pessoas desprovidas de algo que não me arrisco a definir. Não sei se é puramente burrice, ou ignorância, ou sei lá o quê, mas não é bom! No fim, depois do assunto resolvido, ao menos serve para divertir...
A recepcionista
Há cerca de 12 anos, comecei a trabalhar na empresa A. Mais precisamente no setor AB. Um ano depois a empresa A foi vendida e transformou-se em duas: a empresa AB, na qual eu trabalhava e a empresa B. Mais uns anos depois, a empresa AB passou a se chamar empresa T e a empresa B seguiu com esse nome. Os anos foram passando e a minha empresa mudou novamente de nome, agora para empresa V, e aquela empresa B, completamente independente da nossa, sem nenhum resquício de ligação entre as duas, mudou seu nome para empresa O.
Então ontem fui ao Banrisul para acessar nossos equipamentos. Fazer uma vistoria periódica.
- Boa tarde, sou da empresa V. Preciso acessar o equipamento da empresa V no oitavo andar.
- Documento.
- Aqui...
- Qual o setor que libera a entrada?
- Telefonia? Talvez Manutenção, mas acho que é a Telefonia.
Geralmente é rápido, mas ela demorou um bom tempo no telefone até que me pediu pra falar com a pessoa no outro lado da linha.
- Boa tarde!
- Boa tarde, meu nome é Raul. Sou da empresa V, preciso acessar nossos equipamentos.
- Ah, sim. É que a recepcionista me disse que era da empresa A e eu achei estranho.
- Não, eu disse que era da empresa V.
- Ok, pode subir!
Lembrando: a empresa A não existe desde 1998.
Cortando o cabelo
- Como o senhor quer?
- Assim ó.. assim e assim.
Fiquei o tempo todinho me olhando no espelho e acompanhando os movimentos da cabeleireira. De repente notei algo estranho. Eu uso suíça, ou costeleta, ou como queiram chamar. Notei que o lado esquerdo parecia atorado. Fiquei com medo, estava me olhando só de frente, não queria virar o rosto. Mas tive que fazê-lo... e não deu outra, a mulher tinha atorado minha costeleta cultivada por anos. Não me contive:
- O que tu fez!!!???!!!
- Como assim?
- Tu cortou aqui...
- Não, só emparelhei.
- Não. Eu uso assim – mostrei o outro lado.
- É que tava fininho...
Fiz toda espécie de careta e disse que tinha me dado tristeza. Ela disse que como eu tinha falado como queria todo o cabelo, achou que podia cortar ali. Por sorte não me deixou sem as sobrancelhas...
Abastecendo
Com o frentista...
- Coloca 40 litros de álcool. Vou ali passando o cartão.
- Tá.
Com o caixa...
- 40 litros de álcool.
Ele passou o cartão na maquininha e começou a calcular, calcular, calcular... Perguntei se tava com algum problema. Ele me disse que tava calculando pra não precisar esperar. Quando voltou à máquina do cartão teve de passar de novo. Teve que calcular de novo. Perguntei se ele sabia o preço do álcool. Disse-me que sim. Só então pude observar ele digitando no teclado do PC: 40, e depois 2399. Voltou à maquininha e digitou – pasmem – 40, para os litros e... 16,67 para o valor.
- 16,67?
- Pelos meus cálculos, sim!
- Mas são 40 litros...
- Então vamos esperar – cara de brabo...
- Cara, tu não sabe o preço do litro do álcool?
- Sei, R$2,399.
- Então só multiplica... 40 vezes 2,399.
- Ah, tsc, desculpa, fiz um cálculo totalmente diferente...
Medo!
- Eu dividi em vez de multiplicar.
Mais medo!
A recepcionista
Há cerca de 12 anos, comecei a trabalhar na empresa A. Mais precisamente no setor AB. Um ano depois a empresa A foi vendida e transformou-se em duas: a empresa AB, na qual eu trabalhava e a empresa B. Mais uns anos depois, a empresa AB passou a se chamar empresa T e a empresa B seguiu com esse nome. Os anos foram passando e a minha empresa mudou novamente de nome, agora para empresa V, e aquela empresa B, completamente independente da nossa, sem nenhum resquício de ligação entre as duas, mudou seu nome para empresa O.
Então ontem fui ao Banrisul para acessar nossos equipamentos. Fazer uma vistoria periódica.
- Boa tarde, sou da empresa V. Preciso acessar o equipamento da empresa V no oitavo andar.
- Documento.
- Aqui...
- Qual o setor que libera a entrada?
- Telefonia? Talvez Manutenção, mas acho que é a Telefonia.
Geralmente é rápido, mas ela demorou um bom tempo no telefone até que me pediu pra falar com a pessoa no outro lado da linha.
- Boa tarde!
- Boa tarde, meu nome é Raul. Sou da empresa V, preciso acessar nossos equipamentos.
- Ah, sim. É que a recepcionista me disse que era da empresa A e eu achei estranho.
- Não, eu disse que era da empresa V.
- Ok, pode subir!
Lembrando: a empresa A não existe desde 1998.
Cortando o cabelo
- Como o senhor quer?
- Assim ó.. assim e assim.
Fiquei o tempo todinho me olhando no espelho e acompanhando os movimentos da cabeleireira. De repente notei algo estranho. Eu uso suíça, ou costeleta, ou como queiram chamar. Notei que o lado esquerdo parecia atorado. Fiquei com medo, estava me olhando só de frente, não queria virar o rosto. Mas tive que fazê-lo... e não deu outra, a mulher tinha atorado minha costeleta cultivada por anos. Não me contive:
- O que tu fez!!!???!!!
- Como assim?
- Tu cortou aqui...
- Não, só emparelhei.
- Não. Eu uso assim – mostrei o outro lado.
- É que tava fininho...
Fiz toda espécie de careta e disse que tinha me dado tristeza. Ela disse que como eu tinha falado como queria todo o cabelo, achou que podia cortar ali. Por sorte não me deixou sem as sobrancelhas...
Abastecendo
Com o frentista...
- Coloca 40 litros de álcool. Vou ali passando o cartão.
- Tá.
Com o caixa...
- 40 litros de álcool.
Ele passou o cartão na maquininha e começou a calcular, calcular, calcular... Perguntei se tava com algum problema. Ele me disse que tava calculando pra não precisar esperar. Quando voltou à máquina do cartão teve de passar de novo. Teve que calcular de novo. Perguntei se ele sabia o preço do álcool. Disse-me que sim. Só então pude observar ele digitando no teclado do PC: 40, e depois 2399. Voltou à maquininha e digitou – pasmem – 40, para os litros e... 16,67 para o valor.
- 16,67?
- Pelos meus cálculos, sim!
- Mas são 40 litros...
- Então vamos esperar – cara de brabo...
- Cara, tu não sabe o preço do litro do álcool?
- Sei, R$2,399.
- Então só multiplica... 40 vezes 2,399.
- Ah, tsc, desculpa, fiz um cálculo totalmente diferente...
Medo!
- Eu dividi em vez de multiplicar.
Mais medo!
Thursday, February 04, 2010
Calor sem precedentes...
Faz duas noites que não consigo dormir direito. Fico pensando em várias coisas, se é o fim do mundo ou algo parecido. Levanto, bebo água e tento dormir. Mas tá difícil, é um calor estranho, abafado.
Ontem o Batista soufru um apagão devido ao forte calor. Eu fico imaginando quem não tem nenhum recurso...
Ontem o Batista soufru um apagão devido ao forte calor. Eu fico imaginando quem não tem nenhum recurso...
Thursday, January 28, 2010
Huang Chuncai
Domingo assisti no National Geographic ao documentário sobre o Huang Chuncai, o Homem Elefante. Como eu não vi o filme de mesmo nome, achei que era o mesmo caso. Mas não, o filme trata de uma história de mil oitocentos e poucos, e o Huang, pelo que entendi, vive no sul da China até hoje. Olhando a forma como a família vive, em condições extremamente precárias, não se entende como conseguem administrar uma situação tão delicada. Para ajudá-lo, o irmão mais novo deixou a mulher; e a irmã, também mais nova, deixou o trabalho. Antes de realizar a primeira cirurgia, os tumores na cabeça de Huang somavam cerca de 20kg. Para falar precisava segurar o excesso de pele do rosto. A visão do olho esquerdo fora perdida, e a respiração era um exercício a cada dia mais difícil. Quando estava indo para o hospital, saindo pela segunda vez do pequeno vilarejo onde morava durante 30 anos, Huang disse que não imaginava que o mundo ali fora fosse tão bonito, e que se pudesse viajaria o mundo todo dentro de um carro com vidros escuros.
Tuesday, January 19, 2010
A piada mais sem graça que já ouvi
Não consegui rir nem pra não perder o amigo. E estava num lugar dos mais apropriados para rir de qualquer coisa que se fale, sobretudo das piadas sem graça: um boteco. Eu, a Alice e uns amigos, entre eles o Hahn, bebíamos o calor do Ano Novo a goles gelados de chopp Brahma cremoso ali na Choperia Maryland.
Então o Hahn anuncia que ocorrera consigo uma situação real e inusitada das mais engraçadas. Passava por um advogado, num dos corredores da empresa na qual trabalha, também numa tarde de calor. O tal advogado tinha as mangas da camisa arremangadas e na dobra que vinha até o antebraço direito uma carta de baralho.
Ao observar, comentou:
- Tá com a carta na manga então!
- Pior, estou com o controle da situação... – continuou o advogado.
E sacou do bolso um controle remoto.
Então o Hahn anuncia que ocorrera consigo uma situação real e inusitada das mais engraçadas. Passava por um advogado, num dos corredores da empresa na qual trabalha, também numa tarde de calor. O tal advogado tinha as mangas da camisa arremangadas e na dobra que vinha até o antebraço direito uma carta de baralho.
Ao observar, comentou:
- Tá com a carta na manga então!
- Pior, estou com o controle da situação... – continuou o advogado.
E sacou do bolso um controle remoto.
Thursday, January 14, 2010
Terremoto no Haiti...
Tuesday, January 12, 2010
Pôr-do-sol em Oía
Seria nossa primeira longa viagem com o quadriciclo. Cerca de 8km para ir e mais 8 para voltar. Não sabíamos ao certo a que horas o sol daria seu espetáculo, mas sabíamos que uma certa multidão iria se aglomerar nas vielas, telhados e qualquer ponto estratégico para assistir. Então saímos do hotel por volta das 5 da tarde e iniciamos nossa viagem. Aquela motoneta não devia passar de uns 40km/h, mas com o barulho e a instabilidade dava impressão de estarmos a uns 80, pelo menos. Só que éramos ultrapassados por todos que não estavam de quadriciclo.
Depois de passar por alguns vilarejos, a estrada cortava uma paisagem de deserto. Apenas vinhedos de meio metro de altura e muita terra seca. Me senti no Easy Rider.Quando estávamos quase chegando, depois de alguns sustos, a vista para a continuação de um penhasco mostrava um cemitério improvisado com cruzes, caveiras e sucatas de quadriciclos e motos. Tinha também alguma mensaem em grego que, por sorte, não conseguimos entender. Por um momento fiquei pensando que depois do sol se pôr seria noite e não havia um poste com lâmpada ao longo da estrada. Se minha cautela era máxima, tive certeza de que uma atmosfera repleta de deuses nos levaria de volta ao hotel ilesos.
Chegamos a Oía e começamos a identificar a trajetória do sol e procurar um bom lugar para ficar. Depois de muitas voltas numa espécie de labirinto de concreto branco, entre rampas escadas, um pouco de fome, pátios e telhados, achamos uma escadaria. Ali esperamos o sol se espreguiçar e iniciar sua descida diante de milhares de olhos e lentes rumo ao escuro azul do mar Egeu. Já ouvi algumas pessoas falarem que o pôr-do-sol do Guaíba é o mais lindo do mundo, e eu acreditava nisso. Depois de ver aquele pôr-do-sol não posso dizer que é o mais bonito do mundo, mas certamente é um dos melhores presentes que a natureza podia oferecer a estes olhos. E a partir de então prefiro deixar que em cada cantinho do mundo o sol monte seu espetáculo de acordo com a moldura oferecida.
Monday, January 04, 2010
Ano Novo!
Esses dias falei com os guris sobre comportamento nas estradas e vi que minha porralouquice deu uma acalmada. Disse que dificilmente passava dos 110km/h e quase fui apedrejado. Ninguém andava a menos de 140. Talvez seja o medo de sentir novamente no bolso o peso da multa, dos pontos na carteira, da perda do desconto no IPVA e toda aquela atmosfera que ronda o multado.
E agora, indo pra praia, descobri que aquele espaço à minha frente é a casa da mãe Joana. Sempre ouvi dizer que se deve manter uma distância segura do carro à frente. Mas parece que é um sinal: “entre aqui!”. E não adianta: ou eu ando colado, o que além de perigoso é chato para quem está na frente, ou deixo o espaço e um bonito se enfia ali. Depois do terceiro deixei um pouco de lado a defensiva e tentei me manter o mais perto/seguro possível do carro à frente, sobretudo quando sentia que havia um costurão por perto.
O Natal começou na casa dos meus pais
E o meu pai teve o talento de tirar minha mãe no amigo secreto e não dar presente!!!
Friday, December 11, 2009
Inspiração fotográfica...
Logo que chegamos, a apresentação do Fernando, em pessoa, iria começar. Fizemos um brinde com o vinho branco e subimos para assitir. O ambiente bastante escuro era todo intimista para os poucos presentes. Naquelas horas, entre nossos brindes de vinho saboreamos aquelas músicas de maestro cantadas como que entre amigos, e depois as músicas dos amigos: Chico, João Gilberto, etc.
Senti vontade de fazer tudo naquele momento, mas principalmente de fotografar. Pensei que seria bom passar os dias inteiros fazendo retratos em preto e branco e ouvindo aquelas músicas todas. E bebendo aquele vinho... O recital acabou, e o Fernando seguiu entre Chico, Vinícius, Vitor Ramil, e eu, não sei por que, viajava em fazer retratos em P&B.
Para quem quiser apreciar a próxima apresentação, dia 15/12, terça que vem, terá um sarau homenageando Chico, por ele, o Fernando, o próprio, em pessoa.
Thursday, November 19, 2009
Sem sorte nos velórios...
Depois que dei os parabéns, em vez de pêsames, à minha professora da quarta série primária no velório do seu marido acabei criando um bloqueio com esses cerimoniais de morte. Tudo bem, eu tinha apenas dez anos, mas até hoje acho que não superei isso. Sempre acho que vou cometer outra gafe, não sei o que falar para os amigos e familiares que ficam. Desde então tenho resistido a ir a velórios e enterros.Muito tempo depois, talvez 15 anos, faleceu uma amiga do Zé Gota. Não cheguei a conhecê-la, mas sabia que ele a tinha como irmã. Pensei que devia superar aquela resistência a cemitérios e velórios e oferecer meu abraço ao amigo; sabia que era um momento muito difícil pra ele. Se não me engano o velório estava marcado para as 17h30min. Saí do trabalho às 17h e fui o mais rápido que pude até o Cemitário Parque Jardim da Paz, lá... na Lomba do Pinheiro.
Vi que por mais rápido que fosse chegaria um pouco atrasado. Estacionei o carro ali na frente, por volta das seis da tarde, talvez um pouquinho mais. Tinha idéia daqueles jardins gramados, com todos de freto frente a um padre e ao caixão. Não era bem assim... O funcionário do cemitério me conduziu a um corredor com umas capelas e voltou à portaria. Me senti num filme, num corredor vazio com luz fraca, puxando para o verde e as portas das capelas, todas vazias. Até que numa das capelas encontrei um caixão. Não havia ninguém acompanhando. Procurei por algum nome, mas como o Zé tratava sua amiga por Nina, ou algo parecido, não imaginava qual seria seu nome.
Fiquei ali e depositei todos meus sentimentos àquela pessoa que partira. Estava um pouco intrigado por não haver mais ninguém, nem o próprio Zé. Tínhamos combinado entre pelo menos umas seis pessoas de estar ali. Não quis telefonar pois o silêncio era absoluto, e não queria ser eu, justamente, a quebrá-lo. Passados uns 20 minutos resolvi sair e ligar pra alguém. No outro lado muitas vozes e risos. “Onde vocês estão?”, perguntei baixinho. Estavam todos no bar no qual tínhamos combinado de ir após o velório. Velório que começara pontualmente e cujo corpo já fora enterrado.
Monday, November 09, 2009
Tava bem boa a festinha...
Festa na Associação geralmente é diversão garantida. Como era a comemoração de quatro aniversariantes, entre eles a Alice, mais a Rossa e o Gus, era uma boa oportunidade para reunir os amigos. A Rossa bolou um convitinho bacana, estilo Feira do Livro, cada um levava seus comes e bebes e a festa se conduziria por si.

Logo que chegamos nos assustamos um pouco. Todas as luzes acesas, todo mundo muito sóbrio. Muitas crianças. Parecia festa evangélica. A minha irmã disse que parecia aqueles reencontros da turma de sessenta e poucos do colégio tal. Nem música tinha, pra se ter uma ideia. Tinha um cara que devia ser o dj, mas ele tomou um laço de pelo menos meia hora até conseguir apertar o play pela primeira vez.
Aos poucos as coisas começaram a funcionar. A música foi embalando, a cerveja foi servida, depois chegou o Gus com o gelo e pude fazer umas caipirinhas, e, enfim, a luz se apagou. Já era uma festa normal, com diversão e amigos bebendo juntos.

Houve alguns contratempos, mas havia ainda a promessa da banda do Décio...
...que garantiu a animação até o final. Vimos novamente aquelas cenas de todo mundo cantando abraçado, fotos e fotos da banda, com a banda,... E isso era apenas o final de uma noite de sexta-feira!


Logo que chegamos nos assustamos um pouco. Todas as luzes acesas, todo mundo muito sóbrio. Muitas crianças. Parecia festa evangélica. A minha irmã disse que parecia aqueles reencontros da turma de sessenta e poucos do colégio tal. Nem música tinha, pra se ter uma ideia. Tinha um cara que devia ser o dj, mas ele tomou um laço de pelo menos meia hora até conseguir apertar o play pela primeira vez.
Aos poucos as coisas começaram a funcionar. A música foi embalando, a cerveja foi servida, depois chegou o Gus com o gelo e pude fazer umas caipirinhas, e, enfim, a luz se apagou. Já era uma festa normal, com diversão e amigos bebendo juntos.
Houve alguns contratempos, mas havia ainda a promessa da banda do Décio...
...que garantiu a animação até o final. Vimos novamente aquelas cenas de todo mundo cantando abraçado, fotos e fotos da banda, com a banda,... E isso era apenas o final de uma noite de sexta-feira!


Tuesday, October 20, 2009
A motoneta...
Vencidos alguns passos até a ilha e instalados no hotel, o próximo passo era o aluguel do... vejamos... motoneta. Esse foi o nome que demos. Mas tínhamos que passar essa mensagem a algum grego, e isso não foi muito fácil. Poderíamos ter alugado daqui, pela internet, mas imaginamos que na hora conseguiríamos um preço melhor do que os 25 euros por dia. A primeira a nos oferecer foi a Arguiro, no próprio hotel. A locadora levaria o que ela chamou de “moto” até o hotel e o levaria dali mesmo. Essa comodidade tinha seu preço: 20 euros a diária. Mais, era uma moto mesmo, two wheels, duas rodas. O motociclo com 4 rodas já era mais caro. Ela já queria que fechássemos ali, na hora, mas dissemos que pretendíamos pagar menos e tentaríamos em Thira, Capital da ilha no dia seguinte. Ela fez uma cara de quem não gostou muito e dispensou o cara da locadora ao telefone.
A ilha é dividida em pequenos povoados, que seriam como bairros, mas na verdade são cidades independentes. Existe ônibus que ligam todas essas vilas, mas tem a questão do horário e dos intervalos de pelo menos meia-hora. Então um meio de deslocamento próprio é fundamental. E esses motociclos fazem muito sucesso. São mais baratos que um carro, não há muito risco de cair, pois tem quatro rodas e se pode ter a sensação do ar batendo no rosto.
Wednesday, August 05, 2009
Santorini
Depois do pequeno contratempo com a numeração dos assentos, tratamos de descansar. Por mais confortáveis que fossem as poltronas, foram oito horas até a ilha. No caminho a recorrente reflexão sobre uma viagem como aquela. Não sobre essa vez, especificamente, mas uma longa viagem em geral.O meu ponto de vista, e acredito que o da Alice também, é de que uma viagem é um investimento cultural tão rico ou mais do que o conhecimento que nos é oferecido nas escolas. Eu não gostava das disciplinas de história no primeiro grau, e isso foi uma dificuldade a mais para o jornalismo, pois tive de estudar por conta alguns fatos importantes. E em cada viagem a preparação envolve um breve estudo sobre o lugar, os costumes, a cultura, etc. Depois, estar nesses lugares é como um diploma, um certificado que mistura conhecimento e prazer que ninguém mais te tira.
Na última hora do trajeto a ansiedade em pisar no solo da ilha era grande. Cabe lembrar que paralelamente ao prazer de estar chegando a uma ilha grega existe um constante raciocínio lógico e organizado em como proceder cada ato: descer do ferry; checar as malas e pertences; conseguir um transporte até o hotel; chegar ao hotel; confirmar a reserva; entrar no quarto e o quarto corresponder às fotos. Nunca esquecendo que o primeiro contato sempre é em grego: Parakaló!
Tuesday, July 21, 2009
A caminho de Santorini...
O porto, apesar de não ter quase nenhuma infra, tem uma escada rolante gigante para atravessar a avenida, e impressiona pelo tamanho dos barcos que levam milhares de turistas às ilhas todos os dias, além de carros e caminhões.
Embora apenas o alfabeto seja grego – os algarismos eram arábicos – o sistema de numeração nos atrapalhou. Havia uns 5 lounges, o nosso era o segundo, com duas fileiras de poltronas. Procurei pelos nossos números e encontrei uma senhora de idade, grega, na nossa poltrona. Fiz uns barulhos, emendei um “please, sorry” e mostrei nosso bilhete. Ela resmungou em grego e ficou parada. Como ela não esboçou nada em inglês, mostrei-lhe novamente o bilhete. Com isso a mulher que estava dormindo no banco de trás, onde seria o lugar da senhora, levantou. Olhou os bilhetes, resmungou em grego e pulou um banco pra trás. A velha, demonstrando certa indignação, passou para o lugar da que estava dormindo. Pronto, nos acomodamos. Então comecei a observar que a numeração, que estava indicada no encosto da poltrona, correspondia ao lugar da frente. A velha estava certa. E tivemos passar pra frente. Eu acho que a velha não deve ter gostado. Mas eu falei um novo “sorry!” pra ela.
Friday, June 19, 2009
Novas impressões do velho mundo: Atenas
Saímos de Porto Alegre tendo como destino Atenas sob um ambiente carregado de dúvidas e especulações sobre o acidente da véspera, no voo AF447, e a segurança do transporte aéreo.
Durante uma viagem a um país estrangeiro – no caso, dois – geralmente temos boas e más experiências de tratamentos recebidos. Sendo na maior parte do tempo clientes, antes da denominação turistas, entendemos que, além de respeito, um pouco de gentileza sempre vai bem.
No aeroporto de Paris, o funcionário da polícia poderia nos ver apenas como dois estrangeiros, olhar nossos passaportes e as fotos e nos liberar. Ele foi um pouco mais adiante: ao ver que éramos brasileiros, sorriu e disse: “Você está feliz?”. Respondemos que estávamos muito felizes, o agradecemos, e tivemos nossa primeira boa impressão. Cerca de uma hora e meia depois estávamos embarcando para Atenas com algumas poucas palavras: kalimera (bom dia), kalispera (boa tarde), kalinihta (boa noite), parakalô (por favor) e efharistó (obrigado), que no alfabeto grego se escreve assim: Eυχαριστώ. Fácil, né?
A briga e as descobertas com o idioma foram uma aventura à parte. Nos rendeu situações engraçadas, mas nos mostrou, mais uma vez, que temos uma educação completamente pobre sobre culturas e línguas. Tanto na Grécia quanto na França acabamos nos virando com o nosso pobríssimo inglês apoiado moralmente por algumas noções de espanhol e italiano. No Hotel Metropolis, em Atenas, resolvi ousar. Já tinha decorado os números de zero a dez. Então olhei no nosso guia como era quarenta. Já no segundo encontro com o recepcionista pedi a chave do nosso quarto: “Saranda dio” (42). Ele sorriu, surpreso, e nos entregou a chave, repetindo o “saranda dio”.
A primeira vista da janela do quarto confirmava nossa escolha pela localização. No alto da Acrópole, o Partenon já esperava nossa visita do dia seguinte. Apesar de muito cansados da viagem tomamos um banho e fomos visitar a Ágora Antiga e conhecer um pouco dos arredores do hotel, tudo a pé. Estávamos muito bem localizados. As ruas eram cheias de lojinhas de souvenirs e restaurantes. Algumas bancas de frutas e turistas e muitos e muitos gregos. Nessa noite experimentamos o souvlaki de porco, que é um espetinho, e a salada grega, com tomates, azeitonas, pepino, cebola roxa, azeite de oliva e uma deliciosa fatia de queijo feta. Para acompanhar bebemos a Retsina, um vinho branco típico.


No dia 3 subimos até o terraço para tomar o café da manhã olhando para a Acrópole, que foi o nosso passeio daquela tarde. Em seguida do café fomos visitar o Museu Arqueológico Nacional que ajudou a formar, juntamente com os monumentos, uma idéia de como devia ser a civilização naqueles dois mil e poucos anos antes. No museu, a riqueza está puramente nas peças expostas. Não é bonito como o Louvre, não tem telas nas paredes. Quase tudo são esculturas e vasos pintados. Há também uma ala com muitas jóias, a maioria delas em ouro. Colares e coroas enormes, com folhas de árvore e ramos em ouro extremamente brilhante.



A visita aos monumentos da Acrópole não é simples. Embora fisicamente seja apenas um monte seco, com construções em ruínas, um sentimento forte de imaginar como pode o homem ter feito tudo aquilo há tanto tempo intriga a todo instante. Agradeci por poder pisar ali. Era o nosso último dia em Atenas. Na manhã seguinte embarcamos num ferryboat gigante para Santorini.

A Alice sempre faz fotos nas agências de Correios por onde passamos. Esta, em especial, na Acrópole, foi bem bacana.
Durante uma viagem a um país estrangeiro – no caso, dois – geralmente temos boas e más experiências de tratamentos recebidos. Sendo na maior parte do tempo clientes, antes da denominação turistas, entendemos que, além de respeito, um pouco de gentileza sempre vai bem.
No aeroporto de Paris, o funcionário da polícia poderia nos ver apenas como dois estrangeiros, olhar nossos passaportes e as fotos e nos liberar. Ele foi um pouco mais adiante: ao ver que éramos brasileiros, sorriu e disse: “Você está feliz?”. Respondemos que estávamos muito felizes, o agradecemos, e tivemos nossa primeira boa impressão. Cerca de uma hora e meia depois estávamos embarcando para Atenas com algumas poucas palavras: kalimera (bom dia), kalispera (boa tarde), kalinihta (boa noite), parakalô (por favor) e efharistó (obrigado), que no alfabeto grego se escreve assim: Eυχαριστώ. Fácil, né?
A briga e as descobertas com o idioma foram uma aventura à parte. Nos rendeu situações engraçadas, mas nos mostrou, mais uma vez, que temos uma educação completamente pobre sobre culturas e línguas. Tanto na Grécia quanto na França acabamos nos virando com o nosso pobríssimo inglês apoiado moralmente por algumas noções de espanhol e italiano. No Hotel Metropolis, em Atenas, resolvi ousar. Já tinha decorado os números de zero a dez. Então olhei no nosso guia como era quarenta. Já no segundo encontro com o recepcionista pedi a chave do nosso quarto: “Saranda dio” (42). Ele sorriu, surpreso, e nos entregou a chave, repetindo o “saranda dio”.
Tuesday, June 16, 2009
Intrigante proximidade...
Tentaram nos assustar. Eram 8h da manhã de segunda, 1° de junho quando eu terminava de ajeitar as malas. Sempre escutamos a Itapema FM, que toca músicas agradáveis intercaladas com alguns drops de manchetes. Geralmente notícias burocráticas como o índice de aceitação do governo ou culturais, como os shows que estão para vir para Porto Alegre. Só que naquele dia o locutor interrompeu o jeito descontraído e falou com voz de plantão noticiário de filme que havia desaparecido um avião da companhia aérea francesa Air France com cerca de 200 pessoas a bordo no trecho Rio – Paris. Era justamente o trecho que faríamos: Rio – Paris. O último contato da aeronave, que saíra às 19h de domingo do Rio, teria sido por volta das 6h da manhã. Naquela hora, às 8, não tinha nenhuma notícia concreta. A Alice saiu do quarto e perguntou: “E agora?”.
Deixei as malas de lado, levantei e fui até ela. Abracei-a e disse que tudo daria certo. No fundo eu estava com muito medo, mas não podia abandonar tudo ali. Se essas coisas podem apresentar-se como um sinal para se desistir de algo, para mim era um sinal de que, por maior que fosse o desastre, o nosso voo estaria a salvo. Não tínhamos muito tempo pra refletir o que fazer, o voo para o Rio era às 10h40min. No Galeão, centenas de jornalistas e TVs de todas as partes lotavam as áreas comuns em busca de entrevistas. Mas ainda nenhuma notícia do que havia ocorrido, só especulações. Aguardamos até o embarque, às 16h20min, naquele ambiente nada favorável para o início de uma viagem de duas semanas em férias.
De nossa parte, o fato mais intrigante, além de irmos pela Air France, era de que tentei comprar as passagens saindo no domingo, mas o atendente disse que não havia mais no valor que eu queria, apenas na segunda. Como iríamos chegar aqui no sábado, 13, e ter o domingo para descansar, não faria muita diferença adiantar o cronograma para mais um dia. Só que nosso voo, mesmo que fosse no domingo, não seria no mesmo horário do AF447 (19h), e sim no das 16h20min.
Fomos e voltamos muito bem. Durante a viagem vimos muito pouco sobre os desdobramentos do acidente e conseguimos aproveitar ao máximos as maravilhas que nos foram oferecidas.
Deixei as malas de lado, levantei e fui até ela. Abracei-a e disse que tudo daria certo. No fundo eu estava com muito medo, mas não podia abandonar tudo ali. Se essas coisas podem apresentar-se como um sinal para se desistir de algo, para mim era um sinal de que, por maior que fosse o desastre, o nosso voo estaria a salvo. Não tínhamos muito tempo pra refletir o que fazer, o voo para o Rio era às 10h40min. No Galeão, centenas de jornalistas e TVs de todas as partes lotavam as áreas comuns em busca de entrevistas. Mas ainda nenhuma notícia do que havia ocorrido, só especulações. Aguardamos até o embarque, às 16h20min, naquele ambiente nada favorável para o início de uma viagem de duas semanas em férias.
De nossa parte, o fato mais intrigante, além de irmos pela Air France, era de que tentei comprar as passagens saindo no domingo, mas o atendente disse que não havia mais no valor que eu queria, apenas na segunda. Como iríamos chegar aqui no sábado, 13, e ter o domingo para descansar, não faria muita diferença adiantar o cronograma para mais um dia. Só que nosso voo, mesmo que fosse no domingo, não seria no mesmo horário do AF447 (19h), e sim no das 16h20min.
Fomos e voltamos muito bem. Durante a viagem vimos muito pouco sobre os desdobramentos do acidente e conseguimos aproveitar ao máximos as maravilhas que nos foram oferecidas.
Friday, May 22, 2009
Falta pouco...
Maio vai chegando ao fim e a viagem fica a cada dia mais próxima. Foram meses de muita especulação cambial, roteiros, lugares, quebra-cabeças intermináveis para definir os hotéis dentro dos nossos critérios de recursos oferecidos, preço e localização, além de muita leitura de outros viajantes e do que devemos encontrar no caminho.
Como a organização dos preparativos tomou muita energia, não consegui aproveitar esses últimos dias para o que havia me programado, que era ler sobre a história e os personagens de cada um dos nossos destinos.
Um pouco do nosso roteiro
Partimos aqui de Porto na segunda, 1° de junho, e desembarcamos na terça, em Atenas. Teremos um dia e meio para mergulhar na história de uma atmosfera milenar e mitológica por onde passaram nomes como Alexandre, o Grande.
Dia 4 de junho pegaremos um ferryboat às 7h da manhã até a ilha de Santorini. Uma viagem de aproximadamente sete horas e meia até um dos destinos mais românticos do mundo. A ilha de origem vulcânica tem imensas encostas repletas de casinhas brancas e aberturas azuis, típicas da maioria das cenas gregas, como em Oía, ao norte, que também é muito conhecida pelo seu pôr-do-sol. Ficaremos nesse pedaço de paraíso num hotel com piscina e vista para a caldeira do vulcão até o dia 8, fechando nossa primeira semana.
Por volta da uma da tarde do dia 8 pegaremos um voo, em Santorini mesmo, até Paris. Ainda não definimos o que ver em dois dias, mas uma coisa é certa: vamos fazer o passeio noturno.
Dia 10 de junho será um dos dias mais cheios de toda a viagem. Teoricamente é simples: Paris – Le Mont Saint Michel. Nos despedimos brevemente da cidade-luz e vamos de trem para Rennes, no noroeste da França. Ali na estação de trem um carro da avis estará nos esperando. Então coloco em prática minha Carteira de Habilitação Internacional que recebi ontem e viajamos 60km para o norte de Rennes até o monte que durante a Guerra dos Cem Anos, entre França e Inglaterra, foi uma verdadeira fortaleza, resistindo a todas as tentativas inglesas de tomá-la e constituindo-se, assim, em símbolo da identidade nacional francesa. Declarado monumento histórico e Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1979. Mais ou menos no meio do caminho entre Rennes e o Monte pararemos em Liffré, a cidadezinha onde fica o hotel no qual passaremos essa noite. Nossa idéia é ficar no Mont Saint Milchel até umas nove da noite, quando o sol começa a se pôr. Depois voltaremos ao hotel.
Na manhã do dia 11 seguiremos para o Vale do Loire. Ficaremos numa cidadezinha próxima a Tours. Ali visitaremos alguns castelos seguindo numa atmosfera medieval que estará nos acompanhando desde o Mont Saint Michel, inclusive no dia 12 de junho, um Dia dos namorados bastante especial.
Finalmente, no sábado, dia 13, depois de devolver o carro na estação de Tours, pegaremos um trem até o aeroporto de Paris, de onde sai nosso voo de volta.
A ideia de escrever um livro este ano ainda é só uma ideia. Mas creio que depois dessa viagem terei bons motivos para começar a escrever.
Como a organização dos preparativos tomou muita energia, não consegui aproveitar esses últimos dias para o que havia me programado, que era ler sobre a história e os personagens de cada um dos nossos destinos.
Um pouco do nosso roteiro
Partimos aqui de Porto na segunda, 1° de junho, e desembarcamos na terça, em Atenas. Teremos um dia e meio para mergulhar na história de uma atmosfera milenar e mitológica por onde passaram nomes como Alexandre, o Grande.
Dia 4 de junho pegaremos um ferryboat às 7h da manhã até a ilha de Santorini. Uma viagem de aproximadamente sete horas e meia até um dos destinos mais românticos do mundo. A ilha de origem vulcânica tem imensas encostas repletas de casinhas brancas e aberturas azuis, típicas da maioria das cenas gregas, como em Oía, ao norte, que também é muito conhecida pelo seu pôr-do-sol. Ficaremos nesse pedaço de paraíso num hotel com piscina e vista para a caldeira do vulcão até o dia 8, fechando nossa primeira semana.Por volta da uma da tarde do dia 8 pegaremos um voo, em Santorini mesmo, até Paris. Ainda não definimos o que ver em dois dias, mas uma coisa é certa: vamos fazer o passeio noturno.
Dia 10 de junho será um dos dias mais cheios de toda a viagem. Teoricamente é simples: Paris – Le Mont Saint Michel. Nos despedimos brevemente da cidade-luz e vamos de trem para Rennes, no noroeste da França. Ali na estação de trem um carro da avis estará nos esperando. Então coloco em prática minha Carteira de Habilitação Internacional que recebi ontem e viajamos 60km para o norte de Rennes até o monte que durante a Guerra dos Cem Anos, entre França e Inglaterra, foi uma verdadeira fortaleza, resistindo a todas as tentativas inglesas de tomá-la e constituindo-se, assim, em símbolo da identidade nacional francesa. Declarado monumento histórico e Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1979. Mais ou menos no meio do caminho entre Rennes e o Monte pararemos em Liffré, a cidadezinha onde fica o hotel no qual passaremos essa noite. Nossa idéia é ficar no Mont Saint Milchel até umas nove da noite, quando o sol começa a se pôr. Depois voltaremos ao hotel.
Na manhã do dia 11 seguiremos para o Vale do Loire. Ficaremos numa cidadezinha próxima a Tours. Ali visitaremos alguns castelos seguindo numa atmosfera medieval que estará nos acompanhando desde o Mont Saint Michel, inclusive no dia 12 de junho, um Dia dos namorados bastante especial.Finalmente, no sábado, dia 13, depois de devolver o carro na estação de Tours, pegaremos um trem até o aeroporto de Paris, de onde sai nosso voo de volta.
A ideia de escrever um livro este ano ainda é só uma ideia. Mas creio que depois dessa viagem terei bons motivos para começar a escrever.
Tuesday, May 19, 2009
Amigos dispersos...
Dia desses conversávamos sobre amigos desaparecidos. Não com um paradeiro completamente desconhecido. Sabemos mais ou menos onde estão, mas não dão as caras. A Aline sempre cita o caso de um amigo que, quando aparece, aparenta apenas estar promovendo algum evento ou a nova atividade.
Acho que ela tem razão. Só que as pessoas todas que chamamos - ou não - amigos não encontram-se mais como já foi um dia. Os interesses e situações individuais mudaram. Não há mais eventos abertos a todos. O grande grupo se dispersou, e restou a lembrança das festas, das viagens, excursões... E nos pequenos eventos que hoje acontecem a ausência de um ou de outro se torna mais evidente.
Eu sinto falta do grande grupo não se reunir mais em um grande grupo. Por outro lado entendo que o momento passou e querer remontar algo semelhante raramente dá certo. Prefiro deixar que o acaso nos reúna em algumas datas especiais e aniversários.
Acho que ela tem razão. Só que as pessoas todas que chamamos - ou não - amigos não encontram-se mais como já foi um dia. Os interesses e situações individuais mudaram. Não há mais eventos abertos a todos. O grande grupo se dispersou, e restou a lembrança das festas, das viagens, excursões... E nos pequenos eventos que hoje acontecem a ausência de um ou de outro se torna mais evidente.
Eu sinto falta do grande grupo não se reunir mais em um grande grupo. Por outro lado entendo que o momento passou e querer remontar algo semelhante raramente dá certo. Prefiro deixar que o acaso nos reúna em algumas datas especiais e aniversários.
Tuesday, May 12, 2009
Aniversários...
Meu aniversário teve uma comemoração bem divertida. Calma, de certa forma, mas divertida. Neste ano, novamente não farei uma festa, deixarei para os 33. Já estou preparando uma temática comigo e o JC, com displays em tamanho real, eu e o JC abraçados e tals.
Fiz ali no Z Café da Padre Chagas, o que provocou espanto em alguns. Foram as vinte pessoas que eu previra, o pessoal todo comportado tomando um chopinho. A Alice bebeu umas caipirinhas. Me deu a camisa dourada do centenário do Inter, muito bonita!
O nosso aniversário de casamento comemoramos a dois, com uma jantinha e um vinho. Pela manhã mandei flores pros Correios. Algumas lembranças de quando éramos namorados, muitas lembranças da noite do nosso casamento, nossa dança, nossa festa, a celebração na igreja,... Beijos, carinhos, um gole de vinho... e alguns preparativos finais para a nossa próxima lua-de-mel, no mês que vem.
Fiz ali no Z Café da Padre Chagas, o que provocou espanto em alguns. Foram as vinte pessoas que eu previra, o pessoal todo comportado tomando um chopinho. A Alice bebeu umas caipirinhas. Me deu a camisa dourada do centenário do Inter, muito bonita!
O nosso aniversário de casamento comemoramos a dois, com uma jantinha e um vinho. Pela manhã mandei flores pros Correios. Algumas lembranças de quando éramos namorados, muitas lembranças da noite do nosso casamento, nossa dança, nossa festa, a celebração na igreja,... Beijos, carinhos, um gole de vinho... e alguns preparativos finais para a nossa próxima lua-de-mel, no mês que vem.
Thursday, April 23, 2009
Caminhando...
Sábado estávamos bem a fim de comer umas sobrecoxas de frango assadas e um purê do Zaffari. Escolhi uma bandejinha de sobrecoxas, devidamente sem pele e sem ossos, só o trabalho de mastigar.. Tudo se montava perfeitamente para um delicioso almoço de sábado.
Então fui até o balcão das comidas (rotisseria?) para pedir o purê e avistei a barata de longe. Dentro do balcão! Me aproximei para ter certeza. E quando começaram a me olhar como se eu estivesse furando a fila, falei: "tem uma barata ali!"
A atendente deu uma olhada despretensiosa, se fez de mosca e seguiu atendendo quem se arriscou a permanecer na fila. Um tiozinho disse que dava vontade de sair correndo. Mas ficou e pediu a sua massa com molho...
Eu, obviamente desisti. Abstraí e peguei umas batatinhas cruas que eu mesmo lavaria e descascaria para o nosso limpo e delicioso almoço de sábado.
Escrevo pois acho que o comportamento da atendente deveria ter sido outro. Parava o atendimento e tirava todas as comidas dali para limpar o balcão. Mas não sei como é a instrução do Seu Zaffari nesses casos, nem quero saber. Só sei que depois disso perderam por um bom tempo um assíduo cliente no balcão das comidas prontas.
Então fui até o balcão das comidas (rotisseria?) para pedir o purê e avistei a barata de longe. Dentro do balcão! Me aproximei para ter certeza. E quando começaram a me olhar como se eu estivesse furando a fila, falei: "tem uma barata ali!"
A atendente deu uma olhada despretensiosa, se fez de mosca e seguiu atendendo quem se arriscou a permanecer na fila. Um tiozinho disse que dava vontade de sair correndo. Mas ficou e pediu a sua massa com molho...
Eu, obviamente desisti. Abstraí e peguei umas batatinhas cruas que eu mesmo lavaria e descascaria para o nosso limpo e delicioso almoço de sábado.
Escrevo pois acho que o comportamento da atendente deveria ter sido outro. Parava o atendimento e tirava todas as comidas dali para limpar o balcão. Mas não sei como é a instrução do Seu Zaffari nesses casos, nem quero saber. Só sei que depois disso perderam por um bom tempo um assíduo cliente no balcão das comidas prontas.
Tuesday, March 31, 2009
Meu pai não curte o Lula...
Cresci com a imagem da foto do Getúlio pendurada num dos pilares da garagem da casa dos meus pais. Uma foto velha, em um tom desbotado puxando pro marrom. Mas o Getúlio permaneceu firme ali durante anos. Depois dele, ouvi muito falar do Brizola, mas a imagem que tinha dele, ainda vivo, destoava daquela que meu pai se agarrava, de um homem forte. Para mim não parecia ter forças para brigar com a vibrante imagem do Collor, por exemplo.
E esse foi o responsável pela minha grande decepção política. Eu não votei em 89, tinha 12 anos. Então, depois de correr atrás do caminhão do Collor pra ganhar camisetas com os guris da rua e sentir a desaprovação do meu pai, minha parte rebelde da adolescência me fez tomar rumo de uma terceira tendência. Assim tornei-me um petista. Nada radical, nem muito explícito. Simpatizava, apenas. Tanto que não votei na eleição em que me era facultado.
Acho que meu pai não gostou muito quando me viu com o bigode do Olívio durante a campanha para o governo do Estado, e isso o enraizou fortemente na sua nova convicção tucana. Por um lado até entendo, pois ele associava o PT à anarquia. E me chamava de descamisado – brincando – quando eu ficava sem camisa em casa.
Hoje quero mais que os políticos se explodam. Não sei qual a parcela de culpa do Lula nisso tudo que acontece no país, mas “simpatizo” com o governo dele. Coisa que eu não conseguia com o Fernando Henrique e com o Rigotto, e agora com a Yeda, a versão gaúcha do David Bowie. Não consigo ver nada de bom no governo dela e, sinceramente, torço contra.
Achei engraçado isso quando vi o sentimento de desaprovação refletido no meu pai. Ele não aceita o Lula de jeito nenhum, algo semelhante ao que acontece com alguns amigos. Esses dias eu falava com meus pais a respeito de provas de concursos e minha mãe levantou a questão do hífen. Meu pai não podia perder:
- É coisa desse bobalhão que tá lá. – ele nem cogita chamá-lo de Presidente.
- Pai, era só o que faltava, colocar a culpa da reforma ortográfica no Lula, que nem sabe escrever direito...
- Pois é, mas ele assinou!
É por isso que uma mudança política é tão difícil!
E esse foi o responsável pela minha grande decepção política. Eu não votei em 89, tinha 12 anos. Então, depois de correr atrás do caminhão do Collor pra ganhar camisetas com os guris da rua e sentir a desaprovação do meu pai, minha parte rebelde da adolescência me fez tomar rumo de uma terceira tendência. Assim tornei-me um petista. Nada radical, nem muito explícito. Simpatizava, apenas. Tanto que não votei na eleição em que me era facultado.
Acho que meu pai não gostou muito quando me viu com o bigode do Olívio durante a campanha para o governo do Estado, e isso o enraizou fortemente na sua nova convicção tucana. Por um lado até entendo, pois ele associava o PT à anarquia. E me chamava de descamisado – brincando – quando eu ficava sem camisa em casa.
Achei engraçado isso quando vi o sentimento de desaprovação refletido no meu pai. Ele não aceita o Lula de jeito nenhum, algo semelhante ao que acontece com alguns amigos. Esses dias eu falava com meus pais a respeito de provas de concursos e minha mãe levantou a questão do hífen. Meu pai não podia perder:
- É coisa desse bobalhão que tá lá. – ele nem cogita chamá-lo de Presidente.
- Pai, era só o que faltava, colocar a culpa da reforma ortográfica no Lula, que nem sabe escrever direito...
- Pois é, mas ele assinou!
É por isso que uma mudança política é tão difícil!
Wednesday, March 18, 2009
Estão tentando retomar o controle...
Entre os diversos males dos quais somos obrigados a conviver, o que mais me procupa é a drogadição. Mais que assalto – que vem em segundo – mais que o câncer e as doenças do coração. Mais que o Gremio ser campeão da Libertadores (o Roth no comando me garante isso).
Não tenho medo do efeito das drogas, tampouco curiosidade: em quase 32 anos nunca experimentei um baseado. O que me assusta é a atmosfera criminosa que circunda o “inofensível” consumo. Não creio que seja um entendedor do assunto, mas acompanho quase que diariamente, nos jornais, as apreensões de drogas e prisões de envolvidos. Vejo a epidemia do crack ligada a assaltos a pessoas e furtos em residências e a cocaína e a maconha ao roubo de carros e bancos.
Então ouço rumores otimistas, se assim puder dizer. A epidemia do crack seria mal vista pelos traficantes, os que efetivamente tem algum controle. Lembrei de quando fazia as primeiras excursões pro Farol de Santa Marta, com os amigos de um colega da eletrônica, lá por 96. Entre todos os ocupantes dos dois ônibus, apenas eu e a namorada de um cara não fumávamos. Os demais compensavam e bem. E por incrível que pareça, no meio de todo aquele buffet do mal, havia uma regra: não era permitido loló. Nunca entendi o porquê, mas chegavam a bater em quem se escondia no banheiro do ônibus pra enfiar a cara no saco plástico.
Talvez para o crack haja uma argumentação melhor. Existe uma parcela de consumidores que ainda tem poder de consumo com dinheiro, mas à medida em que a classe social diminui, a fatia aumenta, e a moeda passa a ser os bens: roupas, panelas, tênis, relógios, enfeites de casa, maçanetas, assoalhos, torneiras, janelas e tudo mais que surgir numa imaginação em plena fissura.
Quem sabe...
Não tenho medo do efeito das drogas, tampouco curiosidade: em quase 32 anos nunca experimentei um baseado. O que me assusta é a atmosfera criminosa que circunda o “inofensível” consumo. Não creio que seja um entendedor do assunto, mas acompanho quase que diariamente, nos jornais, as apreensões de drogas e prisões de envolvidos. Vejo a epidemia do crack ligada a assaltos a pessoas e furtos em residências e a cocaína e a maconha ao roubo de carros e bancos.
Então ouço rumores otimistas, se assim puder dizer. A epidemia do crack seria mal vista pelos traficantes, os que efetivamente tem algum controle. Lembrei de quando fazia as primeiras excursões pro Farol de Santa Marta, com os amigos de um colega da eletrônica, lá por 96. Entre todos os ocupantes dos dois ônibus, apenas eu e a namorada de um cara não fumávamos. Os demais compensavam e bem. E por incrível que pareça, no meio de todo aquele buffet do mal, havia uma regra: não era permitido loló. Nunca entendi o porquê, mas chegavam a bater em quem se escondia no banheiro do ônibus pra enfiar a cara no saco plástico.
Talvez para o crack haja uma argumentação melhor. Existe uma parcela de consumidores que ainda tem poder de consumo com dinheiro, mas à medida em que a classe social diminui, a fatia aumenta, e a moeda passa a ser os bens: roupas, panelas, tênis, relógios, enfeites de casa, maçanetas, assoalhos, torneiras, janelas e tudo mais que surgir numa imaginação em plena fissura.
Quem sabe...
Tuesday, March 10, 2009
2009
Depois dos 81 anos do pai, do Carnaval e das férias, 2009 começa. Começa um pouco mais lento do que eu esperava, com menos metas estabelecidas objetivamente. Esse ver passar o tempo sem definições concretas a curto e médio prazos causam uma pequena frustração. Devia ter guardado uns dias antes das férias para organizar isso. Então coloco os pés no chão e tento dar conta do agora com algumas trivialidades úteis para não deixar o tempo passar simplesmente pensando. Só que as trivialidades, por mais simples que sejam, esbarram em processos lentos e pessoas sem vontade e sem possibilidade de cobrança. Desanima, profissionalmente falando.
Enquanto isso, os objetivos não profissionais estão bem traçados e prometem muito prazer. Semana que vem recomeça o italiano. E procuro assunto e inspiração para dar início a um livro..
Enquanto isso, os objetivos não profissionais estão bem traçados e prometem muito prazer. Semana que vem recomeça o italiano. E procuro assunto e inspiração para dar início a um livro..
Friday, February 13, 2009
Uma visita à casa da minha infância...
Os cães latiam como sempre. O Duque mais forte, mesmo cego, o Sultão um pouco menos, mas por mais tempo. Acho que não era fome, os potes ainda tinham bastante ração.
Como pode ter sido essa a casa em que vivi? Como posso ter me acostumado a um ambiente tão cheio, tão carregado? Uma coisa eu sempre soube: que guardávamos mais do que o útil e que o inútil. Assim não me espantei ao ver que deixaram bananas maduras na cesta de frutas sobre a mesa. O cheiro da casa toda é como uma mistura da minha infância com um cheiro de vó que não conheci. Um cheiro velho.
Uma das minhas atribuições no trabalho é vistoriar prédios e instalações e listar todas as pendências e melhorias possíveis. No meu cotidiano consigo não levar esse olhar à procura de defeitos para a minha casa e para os lugares que não o meu expediente. Mas ali na casa dos meus pais não pude fugir à pergunta de como faria se tivesse que deixá-la limpa, apreciável.
Dei mais uma volta pela casa, completei os potes com ração, me despedi dos cães e saí.
Agora a tarefa era o presente do meu pai. O que poderia esperar um homem aos 81 anos. Confesso que há uma tendência inicial em tratá-lo como uma criança. Muitas coisas dificultam: ele não lê livros, não assiste a filmes, não ouve cds, nada cultural. Não usa perfumes.. Queria algo diferente da cadeira de praia do Natal. Se os 80 anos foram uma marca forte, cada ano a mais é como mais um brinde. À vida. Mais uma saideira daquelas noites em que se fecha o bar com os amigos, sempre espiando o garçom e esperando que não comece a levantar as cadeiras e recolher as mesas. Aquela saideira que se sabe – não é a última.
Como pode ter sido essa a casa em que vivi? Como posso ter me acostumado a um ambiente tão cheio, tão carregado? Uma coisa eu sempre soube: que guardávamos mais do que o útil e que o inútil. Assim não me espantei ao ver que deixaram bananas maduras na cesta de frutas sobre a mesa. O cheiro da casa toda é como uma mistura da minha infância com um cheiro de vó que não conheci. Um cheiro velho.
Uma das minhas atribuições no trabalho é vistoriar prédios e instalações e listar todas as pendências e melhorias possíveis. No meu cotidiano consigo não levar esse olhar à procura de defeitos para a minha casa e para os lugares que não o meu expediente. Mas ali na casa dos meus pais não pude fugir à pergunta de como faria se tivesse que deixá-la limpa, apreciável.
Dei mais uma volta pela casa, completei os potes com ração, me despedi dos cães e saí.
Agora a tarefa era o presente do meu pai. O que poderia esperar um homem aos 81 anos. Confesso que há uma tendência inicial em tratá-lo como uma criança. Muitas coisas dificultam: ele não lê livros, não assiste a filmes, não ouve cds, nada cultural. Não usa perfumes.. Queria algo diferente da cadeira de praia do Natal. Se os 80 anos foram uma marca forte, cada ano a mais é como mais um brinde. À vida. Mais uma saideira daquelas noites em que se fecha o bar com os amigos, sempre espiando o garçom e esperando que não comece a levantar as cadeiras e recolher as mesas. Aquela saideira que se sabe – não é a última.
Friday, February 06, 2009
Que palhaçada é essa de Canoas em vez de Ulbra?
Em fevereiro do ano passado o Leo Prestes, do Linha Burra, já havia previsto, mas eu achei que não chegariam a efetivar essa palhaçada. A equipe da RBS TV está tratando a ULBRA simplesmente por CANOAS.
Ainda ontem houve uma discussão no Sala de Redação a respeito de como, afinal, se chamava o time da universidade. Lembraram de outros exemplos, inclusive do Gremio, que deveria se chamar PORTOALEGRENSE. Há vários outros casos em que o time é chamado não pelo nome principal, mas por aquele que “pegou”. Então o professor Ruy deu a real: “o nome do time é o nome consolidado ao longo dos anos e assumido pela sua torcida”.
Tomara que assim seja, porque além de todo o mal estar político, fica ridículo e nada natural. Sorte da Internazionale que não é nome de empresa, senão seria chamada de Milão.
Ainda ontem houve uma discussão no Sala de Redação a respeito de como, afinal, se chamava o time da universidade. Lembraram de outros exemplos, inclusive do Gremio, que deveria se chamar PORTOALEGRENSE. Há vários outros casos em que o time é chamado não pelo nome principal, mas por aquele que “pegou”. Então o professor Ruy deu a real: “o nome do time é o nome consolidado ao longo dos anos e assumido pela sua torcida”.
Tomara que assim seja, porque além de todo o mal estar político, fica ridículo e nada natural. Sorte da Internazionale que não é nome de empresa, senão seria chamada de Milão.
Wednesday, January 28, 2009
Por onde andamos...
Sou daquelas pessoas que precisam registrar as coisas para que a roda ande. E como vejo um 2009 cheio de possibilidades, não quero deixar em branco este espaço onde coloco algumas coisas importantes que acontecem.
No dia 23 teve duas formaturas, a da De e a da Raquel, irmã da Alice. Essa última, Nutrição/IPA, teve uma colação com detalhes que a diferenciaram. Ninguém, absolutamente, bateu palmas depois dos hinos Nacional e Riograndense. Como era uma turma com suprema predominância feminina, os discursos eram "a todos e todas presentes", "queridas e querido formandas e formando". E o mais legal de tudo: a homenagem aos pais, que nunca foge da Adriana Calcanhoto cantando bochecha sem cladinho. Som de Phil Colins para uma montagem com cenas de desenhos animados com imagens de família.. Rei Leão, Tarzan, Nemo, vários, vários. Muito emocionante!
Shows
Começamos a temporada 2009 com o James Blunt ontem, no Pepsi On Stage. Não recomendo o lugar: ruim de estacionar e vista prejudicada da pista. O show foi muito.. vibrante, digamos. O cara entrou no palco com uma energia que não deixou cair nem um minuto. Todas as músicas, mesmo as de letra triste, foram pra cima, desenvolvidas com empolgação. Muito bom show!
E em plena era digital, onde as mãos todas levantadas empunhavam uma câmera ou celular, aproveitamos o calor do show abraçados, apenas. Em vez de cliques, guardávamos os melhores momentos do show com beijos..
No dia 23 teve duas formaturas, a da De e a da Raquel, irmã da Alice. Essa última, Nutrição/IPA, teve uma colação com detalhes que a diferenciaram. Ninguém, absolutamente, bateu palmas depois dos hinos Nacional e Riograndense. Como era uma turma com suprema predominância feminina, os discursos eram "a todos e todas presentes", "queridas e querido formandas e formando". E o mais legal de tudo: a homenagem aos pais, que nunca foge da Adriana Calcanhoto cantando bochecha sem cladinho. Som de Phil Colins para uma montagem com cenas de desenhos animados com imagens de família.. Rei Leão, Tarzan, Nemo, vários, vários. Muito emocionante!
Shows
Começamos a temporada 2009 com o James Blunt ontem, no Pepsi On Stage. Não recomendo o lugar: ruim de estacionar e vista prejudicada da pista. O show foi muito.. vibrante, digamos. O cara entrou no palco com uma energia que não deixou cair nem um minuto. Todas as músicas, mesmo as de letra triste, foram pra cima, desenvolvidas com empolgação. Muito bom show!
E em plena era digital, onde as mãos todas levantadas empunhavam uma câmera ou celular, aproveitamos o calor do show abraçados, apenas. Em vez de cliques, guardávamos os melhores momentos do show com beijos..
Friday, January 16, 2009
DWL7713 - Parati Track & Field prata - SP - São Paulo
Dessa vez não foi traumático. Pelo menos acho que não foi. Fui assaltado e roubaram o carro. Passado o susto inicial foi tranquilo. O carro era da empresa, por isso não gerou tanta indignação. Meus, foram levados o relógio, dinheiro (60 pila), a bateria do celular e uma barraca.
O maior valor é a vida, sem dúvida. Depois a integridade física. Mas não vejo como não ficar indignado diante da situação e não contabilizar os bens.
Segunda-feira saí pra almoçar. Eram quase 2h da tarde. Parei num cruzamento na Atanásio Belmonte, paralela à Plínio. Arranquei e parei em seguida para anotar um telefone de um prédio em construção. Ouvi um toc toc toc no vidro. Achei que fosse algum conhecido. Como o vidro estava fechado e o som e o ar ligados, prestei atenção no que dizia: “Abre! Abre!” Um pouco mais abaixo, o que fazia o toc toc toc era o cano do revólver. Levantei as mãos e calmamente abri a porta. A primeira coisa que pediu foi o dinheiro, o que me fez pensar que seria só isso. Entreguei a carteira, mas ele pediu novamente só o dinheiro, que eu podia ficar com os documentos. Na hora devo ter feito uma expressão de “Pô, bacana!” Abri a carteira colocando a palma da mão para cima, escondendo a aliança, que era – depois da vida – o que mais temia. Eu disse que podia levar tudo, mas que virasse aquele negócio pra lá.
Puxei uma nota de dez pila, ao que imediatamente ele comentou: “Bah, tá mais pelado que eu!” Eu sabia que tinha uma de 50, e entreguei em seguida. Depois pediu o telefone, e mais um comentário tragicômico: “Bah, teu celular tá mal.. deixa eu pegar só a bateria pra tu não ligar.” Novamente fiquei contente por não perder meu telefone, e sabia que tinha uma bateria reserva no escritório.
Perguntou se o carro tinha corta-corrente e se eu estava armado. Disse que não tinha nada e podia levar. Quando desci do carro pediu ainda meu relógio vagabundo – um Technos Skydiver lindo que ganhara de Natal da Alice – que um parceiro dele tava precisando daquele relógio. Finalmente desci do carro e ele arrncou. O pesadelo tinha acabado e, passado o susto, eu estava inteiro, ileso, com meus documentos, cartão do banco, celular, aliança e a convicção de que meu Santo que é forte se encarregue de aprontar alguma pra aquele filho da puta.
O maior valor é a vida, sem dúvida. Depois a integridade física. Mas não vejo como não ficar indignado diante da situação e não contabilizar os bens.
Segunda-feira saí pra almoçar. Eram quase 2h da tarde. Parei num cruzamento na Atanásio Belmonte, paralela à Plínio. Arranquei e parei em seguida para anotar um telefone de um prédio em construção. Ouvi um toc toc toc no vidro. Achei que fosse algum conhecido. Como o vidro estava fechado e o som e o ar ligados, prestei atenção no que dizia: “Abre! Abre!” Um pouco mais abaixo, o que fazia o toc toc toc era o cano do revólver. Levantei as mãos e calmamente abri a porta. A primeira coisa que pediu foi o dinheiro, o que me fez pensar que seria só isso. Entreguei a carteira, mas ele pediu novamente só o dinheiro, que eu podia ficar com os documentos. Na hora devo ter feito uma expressão de “Pô, bacana!” Abri a carteira colocando a palma da mão para cima, escondendo a aliança, que era – depois da vida – o que mais temia. Eu disse que podia levar tudo, mas que virasse aquele negócio pra lá.
Puxei uma nota de dez pila, ao que imediatamente ele comentou: “Bah, tá mais pelado que eu!” Eu sabia que tinha uma de 50, e entreguei em seguida. Depois pediu o telefone, e mais um comentário tragicômico: “Bah, teu celular tá mal.. deixa eu pegar só a bateria pra tu não ligar.” Novamente fiquei contente por não perder meu telefone, e sabia que tinha uma bateria reserva no escritório.
Perguntou se o carro tinha corta-corrente e se eu estava armado. Disse que não tinha nada e podia levar. Quando desci do carro pediu ainda meu relógio vagabundo – um Technos Skydiver lindo que ganhara de Natal da Alice – que um parceiro dele tava precisando daquele relógio. Finalmente desci do carro e ele arrncou. O pesadelo tinha acabado e, passado o susto, eu estava inteiro, ileso, com meus documentos, cartão do banco, celular, aliança e a convicção de que meu Santo que é forte se encarregue de aprontar alguma pra aquele filho da puta.
Tuesday, January 06, 2009
Presentes infelizes para um Natal monótono...
Recebi do Jurânio uma tentativa de votos natalinos fora do lugar-comum – não sei se o hífen está correto. Desejava aos constantes na lista do email dificuldades elevadas à n-potência num texto cujo tom me lembrou muito o Sunscreen, aquele video que teve uma versão em português com narração do Bial. Apenas em tom, pois o Sunscreen tem um texto “do bem”, é otimista. Para finalizar, nos desejou de forma muito pessimista que, um dia, tenhamos um feliz Natal.
Considero-me um tradicionalista e otimista. Por outro lado gosto de ver o empenho para mudanças; gosto de quando algumas pessoas – amigos ou não – te dão a real sem maldade. Sem querer usar o que dizem como um investimento pessimista para futura promoção pessoal. Não creio que tenha sido esse o motivador, entendi como dificuldades que provoquem desafios, superações pessoais e, sobretudo, profissionais. O sucesso, enfim. Só que nos desejou a parte suja.
E nessa época de festividades, em que o aniversário do JC consta como um ilustre coadjuvante, acho que as pessoas querem o bom e velho otimismo. Eu sou assim, pelo menos. Olho sorrindo para o ano que passou, agradeço o que tive de bom e torço que o ano seguinte seja melhor. Tudo muito generalizado, superficial, mas que me deixa leve, imune a eventuais contratempos (sem hífen?) e, por que não, monótono.
A Alice já me cobrou algumas vezes por aquele Raul impulsivo, surpreendente, imprevisível. Fazer isso com responsabilidade é uma meta. No Natal, porém, eu assisti a tudo sem responsabilidade e sem mais nada, apenas estampando um sorriso que não era meu. Vi minha sobrinha obesa aos 8 anos, que passara a tarde tomando refrigerante comer até todos perceberem que era de mais. Vi a teimosia da minha irmã caçula promover um Papai Noel que ninguém viu para a mesma sobrinha. Assisti ao silêncio da mesa só ser quebrado pelo barulho da tv. Vi os presentes que ficaram acumulados no canto da sala serem atirados pelo ar aos seus donos pela mesma sobrinha que buscava mais um com o seu nome. Assim a Alice recebeu o presente que passei dias pensando e horas escolhendo:
- Ó, Alice.
Assim recebi a linda camisa que ela me deu. Assim, também, recebemos os infelizes: a bermuda xadrez, um bermudão até a canela, um vestido tomara-que-caia e uma blusinha frente única. Coisas que nunca usamos nada parecido que inspirasse um presente assim. Depois de tudo conseguimos rir. Mas era preciso um desabafo. Restou o desafio de uma receita com o melhor do tradicional e impulsos surpreendentes. Não apenas para um feliz Natal.
Considero-me um tradicionalista e otimista. Por outro lado gosto de ver o empenho para mudanças; gosto de quando algumas pessoas – amigos ou não – te dão a real sem maldade. Sem querer usar o que dizem como um investimento pessimista para futura promoção pessoal. Não creio que tenha sido esse o motivador, entendi como dificuldades que provoquem desafios, superações pessoais e, sobretudo, profissionais. O sucesso, enfim. Só que nos desejou a parte suja.
E nessa época de festividades, em que o aniversário do JC consta como um ilustre coadjuvante, acho que as pessoas querem o bom e velho otimismo. Eu sou assim, pelo menos. Olho sorrindo para o ano que passou, agradeço o que tive de bom e torço que o ano seguinte seja melhor. Tudo muito generalizado, superficial, mas que me deixa leve, imune a eventuais contratempos (sem hífen?) e, por que não, monótono.
A Alice já me cobrou algumas vezes por aquele Raul impulsivo, surpreendente, imprevisível. Fazer isso com responsabilidade é uma meta. No Natal, porém, eu assisti a tudo sem responsabilidade e sem mais nada, apenas estampando um sorriso que não era meu. Vi minha sobrinha obesa aos 8 anos, que passara a tarde tomando refrigerante comer até todos perceberem que era de mais. Vi a teimosia da minha irmã caçula promover um Papai Noel que ninguém viu para a mesma sobrinha. Assisti ao silêncio da mesa só ser quebrado pelo barulho da tv. Vi os presentes que ficaram acumulados no canto da sala serem atirados pelo ar aos seus donos pela mesma sobrinha que buscava mais um com o seu nome. Assim a Alice recebeu o presente que passei dias pensando e horas escolhendo:
- Ó, Alice.
Assim recebi a linda camisa que ela me deu. Assim, também, recebemos os infelizes: a bermuda xadrez, um bermudão até a canela, um vestido tomara-que-caia e uma blusinha frente única. Coisas que nunca usamos nada parecido que inspirasse um presente assim. Depois de tudo conseguimos rir. Mas era preciso um desabafo. Restou o desafio de uma receita com o melhor do tradicional e impulsos surpreendentes. Não apenas para um feliz Natal.
Wednesday, December 24, 2008
Também quero!
Mesmo eu gostando mais do antigo método da surpresa ao dar e receber presentes, entendo que existe uma boa fatia da nação capitalista que adianta o que quer ganhar ou parte direto pro vale-presente.
Claro que no time dos que preferem a surpresa valem as dicas, pistas, etc. Digamos que seria um processo implícito construtivo intrínseco. Ao quadrado. Não, muito matemático. Mas é isso. Só que algumas pessoas não têm saco e chutam o balde. No meio do involuntário jogo resolvem falar: “Olha, quem sabe tu me dá isso...!”
O normal seria fazer isso a quem presenteia: familiares próximos, alguns amigos, namorado, namorada, filhos, ou ao Papai Noel. E eu tenho certeza que não tenho cara de Papai Noel.
Um vizinho de uma estação me ligou e solicitou que eu fosse até o local. Como eu tava aqui no ar condicionado, e se fosse pros 33° da rua iria diretamente onde precisava. Pedi que me adiantasse o assunto. Ficou brabo!
- Olha aqui, ó. Me falaram que qualquer problema era pra eu ligar pra esse número. Se não vai funcionar eu vou ligar lá e reclamar.
- Primeiro o senhor se acalma e depois a gente conversa.
- Eu não tô nervoso! É que me disseram...
- Tudo bem, o senhor me adianta do que se trata e eu vou aí.
- Não é, é que precisa falar pessoalmente.
E assim foi. Até que o convenci a adiantar que se tratava de furtos do pessoal que pulava pra dentro do nosso terreno. E ele iria nos dar umas “idéias”. Cheguei na estação e ele já estava ali na frente. Camisa só com um botão preso e sandálias franciscanas. Disse que mora há anos ali e acompanha as reuniões dos vagabundos em frente ao nosso terreno. Eles o respeitam, mas que uma hora precisa dormir e então eles pulam a grade e furtam os cabos que conseguem.
Pensei que ele fosse pedir café ou guaraná do amazonas pra conseguir se manter mais tempo acordado. Que ingenuidade. Respondi amenidades.
- É, a violência hoje em dia...
Foi aí que ele foi direto ao ponto:
- Olha, eu vou me mudar mês que vem. Quem sabe vocês não constróem uma casinha pra mim no fundo do terreno pra eu morar e eu cuido aí pra vocês?
Claro que no time dos que preferem a surpresa valem as dicas, pistas, etc. Digamos que seria um processo implícito construtivo intrínseco. Ao quadrado. Não, muito matemático. Mas é isso. Só que algumas pessoas não têm saco e chutam o balde. No meio do involuntário jogo resolvem falar: “Olha, quem sabe tu me dá isso...!”
O normal seria fazer isso a quem presenteia: familiares próximos, alguns amigos, namorado, namorada, filhos, ou ao Papai Noel. E eu tenho certeza que não tenho cara de Papai Noel.
Um vizinho de uma estação me ligou e solicitou que eu fosse até o local. Como eu tava aqui no ar condicionado, e se fosse pros 33° da rua iria diretamente onde precisava. Pedi que me adiantasse o assunto. Ficou brabo!
- Olha aqui, ó. Me falaram que qualquer problema era pra eu ligar pra esse número. Se não vai funcionar eu vou ligar lá e reclamar.
- Primeiro o senhor se acalma e depois a gente conversa.
- Eu não tô nervoso! É que me disseram...
- Tudo bem, o senhor me adianta do que se trata e eu vou aí.
- Não é, é que precisa falar pessoalmente.
E assim foi. Até que o convenci a adiantar que se tratava de furtos do pessoal que pulava pra dentro do nosso terreno. E ele iria nos dar umas “idéias”. Cheguei na estação e ele já estava ali na frente. Camisa só com um botão preso e sandálias franciscanas. Disse que mora há anos ali e acompanha as reuniões dos vagabundos em frente ao nosso terreno. Eles o respeitam, mas que uma hora precisa dormir e então eles pulam a grade e furtam os cabos que conseguem.
Pensei que ele fosse pedir café ou guaraná do amazonas pra conseguir se manter mais tempo acordado. Que ingenuidade. Respondi amenidades.
- É, a violência hoje em dia...
Foi aí que ele foi direto ao ponto:
- Olha, eu vou me mudar mês que vem. Quem sabe vocês não constróem uma casinha pra mim no fundo do terreno pra eu morar e eu cuido aí pra vocês?
Tuesday, November 25, 2008
De volta pra casa...
Voltei ao meu posto de trabalho. Já faz umas duas semanas. Pude então rever meu conceito em querer deixar a casa isolada onde trabalhamos para estar na vitrine do prédio sede. Depois de 11 anos não seria a exposição que abriria portas a uma possível promoção. O ônus da sensação de ser vigiado 8 horas por dia não compensa.
Estou um pouco alheio aos problemas da humanidade. Sei que Santa Catarina vive uma das maiores calamidades de sua história – se não a maior; que rompeu o duto que traz GNV para o RS e a normalização deve ocorrer só daqui a 21 dias; que a crise mundial ainda tem forças e tudo mais. Mas não tenho acompanhado mais nenhum detalhe de nada. Fico só nas manchetes.
Aprofundei-me um pouco mais no trabalho e vi que a roda pode girar um pouco melhor se eu mantiver este empenho, e já que ali estou, devo tratar de tornar o processo mais atrativo.
O ano vai se aproximando do final e as festividades vão tomando forma. Percebi, agora, que estou sendo alienado a um motivo para a virada do ano. Quando surge o assunto tento parecer o menos inoportuno às expectativas e acabo simplificando tudo a um: “pra mim tá bom”. Quero realmente comemorar o Ano Novo, como sempre fiz. Sempre fui contrário à idéia de querer logo que o ano acabe. Mas não é simplesmente isso. Não querer que o ano acabe e não viver a passagem como uma mudança realmente boa não tem muita diferença.
Viver como se as expectativas não existissem seria hibernar a vontade de viver.
Estou um pouco alheio aos problemas da humanidade. Sei que Santa Catarina vive uma das maiores calamidades de sua história – se não a maior; que rompeu o duto que traz GNV para o RS e a normalização deve ocorrer só daqui a 21 dias; que a crise mundial ainda tem forças e tudo mais. Mas não tenho acompanhado mais nenhum detalhe de nada. Fico só nas manchetes.
Aprofundei-me um pouco mais no trabalho e vi que a roda pode girar um pouco melhor se eu mantiver este empenho, e já que ali estou, devo tratar de tornar o processo mais atrativo.
O ano vai se aproximando do final e as festividades vão tomando forma. Percebi, agora, que estou sendo alienado a um motivo para a virada do ano. Quando surge o assunto tento parecer o menos inoportuno às expectativas e acabo simplificando tudo a um: “pra mim tá bom”. Quero realmente comemorar o Ano Novo, como sempre fiz. Sempre fui contrário à idéia de querer logo que o ano acabe. Mas não é simplesmente isso. Não querer que o ano acabe e não viver a passagem como uma mudança realmente boa não tem muita diferença.
Viver como se as expectativas não existissem seria hibernar a vontade de viver.
Tuesday, November 04, 2008
Previsível
Fui transferido temporariamente. Faz quase um mês. E nesse pequeno período posso perceber consideráveis diferenças em habitar o prédio sede. Inegavelmente a empresa é ali; acontece ali. Não poderia ser diferente. Mas quando se passa alguns anos trabalhando num setor sediado numa casa de bairro não se tem a mesma percepção.
No prédio sede me sinto um personagem do Dilbert. Não saberia dizer qual. Mas vejo características de todos eles ali. Ontem a Zero colocou um que eu ri muito, pela coincidência.
O interlocutor apenas ouve as três sentenças:
“Você excedeu seu limite de armanezamento de emails.
Para aumentar seu limite você precisa de autorização do céu, do Presidente da República e de alguém ainda a ser especificado.
Estou em dúvida entre o Abominável Homem das Neves e uma Top Model formada em Engenharia.”
Logo na entrada do corredor principal do andar um senhor que considero atípico. Notavelmente ele tenta se fazer ver como alguém diferenciado. Não seria necessário. É um homem de uma ímpar riqueza cultural mergulhado num oceano nerd. Então ele o faz. Lê em voz alta um email spam: um banco teria lhe alertado sobre falsos emails e informado que “maiores informações” poderiam ser obtidas clicando “aqui”, e para não receber mais emails do tipo outro “clique aqui”. Ele diz isso em voz alta como se fosse a primeira pessoa a receber algo assim e estivesse alertando em primeira mão os incautos sobre a fraude. Lê, como se fosse um discurso, e em seguida abre um silêncio para os comentários.
A previsibilidade é uma merda!
No prédio sede me sinto um personagem do Dilbert. Não saberia dizer qual. Mas vejo características de todos eles ali. Ontem a Zero colocou um que eu ri muito, pela coincidência.
O interlocutor apenas ouve as três sentenças:
“Você excedeu seu limite de armanezamento de emails.
Para aumentar seu limite você precisa de autorização do céu, do Presidente da República e de alguém ainda a ser especificado.
Estou em dúvida entre o Abominável Homem das Neves e uma Top Model formada em Engenharia.”
Logo na entrada do corredor principal do andar um senhor que considero atípico. Notavelmente ele tenta se fazer ver como alguém diferenciado. Não seria necessário. É um homem de uma ímpar riqueza cultural mergulhado num oceano nerd. Então ele o faz. Lê em voz alta um email spam: um banco teria lhe alertado sobre falsos emails e informado que “maiores informações” poderiam ser obtidas clicando “aqui”, e para não receber mais emails do tipo outro “clique aqui”. Ele diz isso em voz alta como se fosse a primeira pessoa a receber algo assim e estivesse alertando em primeira mão os incautos sobre a fraude. Lê, como se fosse um discurso, e em seguida abre um silêncio para os comentários.
A previsibilidade é uma merda!
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