Restando menos de duas semanas, o inglês, até então indecifrável, parece soar tão bem, e com tantas palavras e expressões de assimilação aceitáveis. Com certeza vai ser difícil, mas nada que caneta e papel, gestos e uma boa dose de paciência não resolvam. O que importa é que depois de todos esses meses em função, emails, orçamentos, telefonemas, visitas, escolhas, decisões, teremos selado um dos dias mais felizes para nós dois, e vamos ter muito do que rir na Cidade Luz.
“Ela é doente, né?”
Gosto de analisar diálogos alheios, de saber o ponto de vista de outras pessoas a respeito de assuntos comuns. Na quinta passada saí da Puc por volta das seis da tarde desesperado para chegar ao centro, encontrar a Alice e ir para o jogo do Inter. Todos sabiam que seria tarefa das mais ingratas vencer o Nacional por 3 a 0, mas nós estaríamos lá fazendo a nossa parte.
- Táxi!
- Vai pro campo?
- Não. Pro centro.
- Achei que fosse pro campo. Tá brabo de chegar lá.
- Não. Ainda vou encontrar minha noiva. Depois vamos pra lá.
- O quê!? Vocês ainda vão pra lá? Mas que horas são?
- Seis e dez.
- Ah não vai dar tempo!
- Vai sim. E se não der não tem problema.
- E tu vai levá ela no jogo?
- Vou. Ela vai a todos os jogos comigo.
- Meu Deus!
- Ela é doente também?
- É.
- Barbaridade! E essa tua camisa hein? Bonita né?
- É, é bonita sim. Ela me deu de Natal.
- É mesmo é? Eu quero dar uma pro meu guri. Bonita essa tua!
- Obrigado!
- Eu já fui doente pelo Inter, sabe?
- Hum..
- É. Doente mesmo. Já era homem grande, casado, dois filhos e lá: encolhido num cantinho ouvindo o jogo no radinho. Aí se o Inter perdia corria aquela lágrima aqui ó.– e apontava com o dedo -. Mas não vai pensar que eu sou chorão. Eu chorava sim, mas não deixava ninguém ver, viu!?
- Entendo.
- E assim ó: o cara cresce e começa a dar valor pra outras coisas, família, casa, filho,... um dia tu vai pensar que nem eu, tu vai ver, aí quer saber? O Inter que vá tomar no piiiiiiii!!!! Que Inter o quê! Vou dar o meu dinheiro praqueles mercenários? Nem pensar! Pego 50 pila e faço uma churrascada, bebedeira, sabe?
- Sei...
- Por que tu não faz assim: liga pra ela e fala: “Meu amor, vamos pra casa hoje. A gente vê o jogo na televisão comendo alguma coisinha...”
- Não cara. A gente não vê problema em ir no jogo. Ela se associou justamente pra poder ir.
- Mas vocês não vão chegar a tempo.
- Não tem problema.
- É.. ela é doente né? Então não adianta.
- ...
- Eu fiz uma casinha pra mim.
- Hum.
- É. Um sobrado que nem esse aí ó. E o cara gasta, sabe?
- Ah gasta!
- Quer dizer... gasta, mas é a tua casa né?
- Claro, vale a pena. O que incomoda às vezes é o pedreiro né?
- É isso mesmo! Eu consegui um cara que fez um preço bom: 25 pila por dia.
- Hum.
- Só que o desgraçado era um bêbado!
- Bah!
- É. Aí na segunda não ia porque tava bêbado. Na terça só ia de tarde. E tava meio mal ainda. Aí na quarta engrenava. Trabalhava quarta, quinta e sexta. Aí sábado e domingo não trabalhava, ia beber!
- É.. um dia ele tinha que descansar.
- Bêbado desgraçado! Aí pra parte de cima eu contratei outro cara. Ele, um parceiro e dois guri de ajudante.
- Aí rendeu?
- Bah, fizeram em duas semanas! Que trabalho bom!
- Tu vê.
- E eu lá.. entregando dinheiro pro bêbado desgraçado!
- Tá tudo trancado mesmo né?
- Tu viu só?
- Mas não tem problema, vamos lá. E o teu guri?
- Que que tem?
- Ele não vê o jogo?
- Não vê? Que nada.. vai a tudo que é jogo! Eu associei ele.
Tuesday, April 24, 2007
Monday, April 09, 2007
Tudo é uma oportunidade...
Um dia eu queria aprender a lidar com as oportunidades diárias. Vejo cada fato como uma oportunidade, não apenas aquilo que se apresenta como favorável. Muitas vezes temos a grande chance de fazer o que se considera como nada mais que o dever, e que se não feito, é capaz de arruinar um bem estar. Vivemos cercados dessas oportunidades ocultas, e o cumprimento de boa parte delas – ainda que seja um ato automático – nos diferencia do sujeito comum.
A justiça se dá por tornar possível o “nada mais que o dever” em sucesso, mas este cabe ao detentor da arte do tratamento. Uma pessoa visivelmente com sede pode ser tratada com indiferença. Talvez peça água. Pode-se, também, oferecer-lhe algo para beber. Ou ainda, sem perguntar, trazer-lhe a água gelada num copo bonito. A arte está em saber lidar com as variáveis em questão. Uma pessoa com muita sede não quer saber de copo bonito, apenas que se traga a água o mais breve possível. O simples e objetivo costuma ser mais eficaz do que a demora do ornamento.
A sentença de cada ato é categórica e, às vezes, um tanto quanto dura, por mais que não seja proferida. E o somatório dessas sentenças constitui a forma com que lidamos com as oportunidades, ocultas ou não, e que promove e mantém o bem estar. Temos uma tendência de não olhar pelo ponto de vista alheio e esquecemos que – dependendo da importância que tem para nós, não só o olhar, mas todos os sentidos – o bem estar é o bem maior, e pode sim, ser sempre maravilhoso.
A justiça se dá por tornar possível o “nada mais que o dever” em sucesso, mas este cabe ao detentor da arte do tratamento. Uma pessoa visivelmente com sede pode ser tratada com indiferença. Talvez peça água. Pode-se, também, oferecer-lhe algo para beber. Ou ainda, sem perguntar, trazer-lhe a água gelada num copo bonito. A arte está em saber lidar com as variáveis em questão. Uma pessoa com muita sede não quer saber de copo bonito, apenas que se traga a água o mais breve possível. O simples e objetivo costuma ser mais eficaz do que a demora do ornamento.
A sentença de cada ato é categórica e, às vezes, um tanto quanto dura, por mais que não seja proferida. E o somatório dessas sentenças constitui a forma com que lidamos com as oportunidades, ocultas ou não, e que promove e mantém o bem estar. Temos uma tendência de não olhar pelo ponto de vista alheio e esquecemos que – dependendo da importância que tem para nós, não só o olhar, mas todos os sentidos – o bem estar é o bem maior, e pode sim, ser sempre maravilhoso.
Thursday, March 22, 2007
Sou alguém que não está aqui...
Depois de uma semana e meia de volta ao trabalho percebo que ainda não aterrissei. Nem no trabalho, nem nas aulas. A mesa assusta qualquer desavisado, mas não a ponto de me fazer organizá-la. Ainda bem que a Rita sequer tira o pó acumulado, e não é por falta de vontade. Às vezes, quando chego da rua, ela está – cuidadosamente – limpando os poucos espaços vazios entre as pilhas de papéis que visivelmente são lixo. Mas ela os deixa ali. E acredito que vai ser assim, pelo menos até o meio do ano: um estado de flutuação em que corpo e mente só se encontram à noite, quando a porta é fechada.
É nesse momento que o dia realmente acontece, ou seja, não passa tão somente no calendário ou na página da agenda. Se é preciso guardar um instante para marcar a história dos meus dias, guardo toda a noite e as primeiras horas. O acordar e o café da manhã são como uma carga de energia e riso para os mais conturbados dias. A noite inicia e termina com um leve toque de lábios que nos fazem adormecer depois de saciados os mais acirrados diálogos entre dois corpos e duas mentes em harmonia.
Vôo e volto até os mais esperados dias, sem deixar que o agora se perca..
É nesse momento que o dia realmente acontece, ou seja, não passa tão somente no calendário ou na página da agenda. Se é preciso guardar um instante para marcar a história dos meus dias, guardo toda a noite e as primeiras horas. O acordar e o café da manhã são como uma carga de energia e riso para os mais conturbados dias. A noite inicia e termina com um leve toque de lábios que nos fazem adormecer depois de saciados os mais acirrados diálogos entre dois corpos e duas mentes em harmonia.
Vôo e volto até os mais esperados dias, sem deixar que o agora se perca..
Friday, March 02, 2007
Férias...
Após as viagens de férias estou de volta a Porto Alegre. As aulas começaram ontem, mas só retorno ao trabalho daqui a duas semanas. Tomara que até lá o clima humanamente tolerável também retorne.
Tirando a chuva do Carnaval, as férias foram maravilhosamente boas. Os dias em Bombinhas foram perfeitos. Água muito limpa, muito sol, praias lindas, peixes coloridos e muito, muito amor..
Tirando a chuva do Carnaval, as férias foram maravilhosamente boas. Os dias em Bombinhas foram perfeitos. Água muito limpa, muito sol, praias lindas, peixes coloridos e muito, muito amor..
Wednesday, February 07, 2007
Construindo um novo mundo...
Depois de tanto ouvir o Júlio Reny cantar o contrário, descobri que o mundo é um pouco menor que o meu quarto. Há uma infinidade de coisas depositadas quase como em forma de entulho num pequeno espaço, e em cada uma delas uma história atrelada. Saudosista que sou, guardo todas essas quinquilharias com o carinho do momento vivido. E assim como um dia a criança precisa expandir-se das firmes paredes do lar, do olhar da mãe em tempo integral; deixar de lado os brinquedos e dedicar-se aos cuidados com o material escolar e seu conteúdo, hoje abandono o que há algum tempo já não tem mais significado relevante. Faço agora parte de um mundo que não é construído apenas por mim, e que tem tudo para ser muito maior do que aquele que um dia foi o meu quarto. Mais duas mãozinhas encantadoras dividem tudo o que montamos, desmontamos, guardamos e, principalmente, dividem o carinho multiplicado.
Dou risada quando estou escovando os dentes e ouço que ela escova os cabelos para dormir. Deve ser para aparecer mais linda nos meus sonhos..
Tema de verão...
Já ouvi alguns temas de verão, mas nenhum tão bom e criativo como este!
Tema de Verão - Ipanema
Quero não
Ir à praia dar aquela relaxada e fugir do calorão
Quero não
Ir à praia ver a mulherada sarada, jogar bola e tomar um cascão
Quero não
Ir à praia só pra encontrar a galera, beber chopp e comer camarão
Quero não
Ir à praia só pra esquecer os problemas, dormir tarde e curtir o verão
Quero não, ir à praia
Não tem Ipanema pra escutar
Quero não, ir à praia
Só tem rádio louca pra aturar
Dessa vez não vou agüentar
A rádio B enchendo
Seja em Floripa ou Xangrilá
Meus parceiros tão emburrecendo
Não tem rádio pra eu escutar
Só tem rádio cocô
Se com tudo isso você vai para o mar
Só tome cuidado pra não relinchar - relinchar
Compre um tapa-ouvido, cd’s, um canarinho
Ou ensine a sua mina a assobiar
Sem Ipanema não dá
Não güento ouvir a Rádio A
Eu acho que vou me matar
Quero que acabe logo esse verão
Como odeio essa estação
Onde não tem Ipanema eu fico meio burrão
Quando eu me mando pela Estrada do Mar
Vou aos poucos vou me deprimindo
E avisa a Rádio A: desliga que eu não tô te ouvindo
Monday, January 29, 2007
Seminatore...
Depois de analisar tantas mudanças ao longo de um ano, percebo que a maior perda foi a confiança que tinha em algumas pessoas, principalmente no cuidado que eu julgava que tivessem por mim, por tudo e todos que, a mim, dizem respeito. Talvez não devesse apostar tanto em tantas pessoas, visto que meu orgulho sempre fez arrancar, com a confiança perdida, boa parte, senão toda, da simples afeição. Também não quero deixar de acreditar na confiança. Ainda continua sendo um valor imprescindível na busca do crescimento com as relações.
Em contrapartida o ganho foi ter me dado conta disso, ainda que não sozinho, mas por circunstâncias e pessoas que espero realmente nunca romper o laço da confiança, por nenhuma das partes.
Friday, January 12, 2007
A resistência do chuveiro queimou!
Foi a primeira coisa que pensei quando o calor começou a ficar mais intenso e vimos a necessidade de trocar a chave do chuveiro, de Inverno para Verão. Já tínhamos percebido que havia algo de errado com a posição Verão, visto que a água não aquecia nada. Mas até então abríamos bem, e a temperatura da água era um quente suportável.
No domingo do dia 24, véspera de Natal, dispunha de bastante tempo: o único compromisso era a Ceia de natal, às nove da noite, lá nos meus pais. Resolvi então abrir o chuveiro pra ter certeza do problema. Tão logo manifestei essa vontade, fui reprimido:
- Tu vai abrir o chuveiro hoje – véspera de Natal?
- Eu ia.. tu acha muito ruim?
- Tu não quer deixar pra outro dia?
- Tá..
Desisti. Teria que fazer aquilo algum outro dia menos importante. Mas devo ter estampado a frustração no rosto..
- Se tu quiser pode mexer no chuveiro..
- Eeeeeeeeeeeeee!!!!
Me muni das ferramentas que tinham na gaveta, desliguei o disjuntor correspondente e dei início à “simples” verificação da resistência. Era pra ser uma coisa bem simples mesmo. A maioria dos homens, e até mesmo muitas mulheres já devem ter aberto um chuveiro pra trocar a resistência. Acho que até veado troca!
Tentei em vão não me molhar. Fiz escorrer o que achava que eram os últimos pingos pela mangueirinha, mas assim que desenrosquei veio o banho. Me molhar não era o problema maior: a água na sola suja do chinelo deixou o chão num tom não muito agradável para o azulejo branco.
Lá estava: a parte do inverno inteira e a do verão queimada.
- Vou sacar e trocar por uma nova!
Meu pensamento me pareceu brilhante e objetivo. Me pareceu. E no instante em que toquei com o alicate na resistência, a parte que estava inteira se rompeu. Um belo mal começo. Agora eu era obrigado a consertar aquele chuveiro e torcer para que o calor permanecesse.
- Tu vai trocar isso, agora? (17h)
- Sim. Vou ali no Zaffari..
- Não tá fechado - o Zaffari?
- Não. Vi que estaria aberto até às 20h, hoje.
- Tá..
Corri até o super e comprei, não só uma, mas duas resistências. Assim, quando queimasse novamente o chuveiro numa fria noite de inverno, eu, o precavido, teria uma resistência sobressalente e salvaria o banho quente da donzela. Esse pensamento me levou saltitante ao caixa e já me imaginava trocando a segunda resistência, na tal noite fria do inverno.
Já em casa, abri a embalagem, identifiquei as partes e troquei. Montei novamente todo o chuveiro, deixei correr um pouco de água para não queimar e liguei o disjuntor. Voltei ao banheiro e...
Nada!
Nenhum barulhinho de banho quente. O primeiro “Puta que o pariu!” foi proferido. Lá fui eu: desliga disjuntor, escorre água pela mangueirinha, desenrosca a parte furadinha, e a constatação: a porra da resistência queimou! Nova! Eu juro que tinha deixado correr um pouco de água antes de ligar. Eu só não tinha era afastado as espiras umas das outras. Assim, a corrente em vez de passar por todo o fio, passou pela superfície, onde a resistência é bem menor, causando o curto! “Antes de ligar, afaste as espiras” dizia na embalagem! E eu não li.
Tive que sacrificar a resistência da noite fria do inverno. Afastei as espiras e montei tudo de novo. Deixei correr a água e liguei o disjuntor. Liguei o chuveiro e..
Nada!
Pela segunda vez proferi o palavrão. Fui até o disjuntor, troquei por num outro que estava ali sem uso, fiz todo o processo e nada! Abri novamente e testei a resistência com um multímetro. A resistência nos terminais era de cerca de 2000 ohms, enquanto era pra ser uns 3 ohms. Pra não parecer que estou falando grego, digo que realmente estou! Assim como Tensão se mede em Volt, Corrente em Ampère e Potência em Watt, a resistência é medida em Ohm. E a relação entre corrente e resistência é inversamente proporcional: quanto maior a resistência menor a corrente e, conseqüentemente, menor a potência. Não ia aquecer nunca. Desmontei tudo de novo e limpei a oxidação dos terminais. A resistência baixou sensivelmente para uns 12 ohms.
Montei tudo de novo e...
Nada!
Como poderia eu apanhar assim para um simples chuveiro? Desisti! Reconheci que a véspera de Natal é o pior dia do ano para se mexer no chuveiro. Reconheci que minha teimosia é faz passar por situações desse tipo, nada agradáveis. Pensei até em chamar um eletricista, mas novamente fui reprimido.
Não havia mais tempo para pensar o que fazer. O banho seria frio. A frustração foi ao mais alto grau. Cabisbaixo caminhei até a cozinha enquanto ela tomava o banho frio. Peguei a embalagem do lixo e, finalmente uma razão lógica: Resistência para chuveiro 220V.
Num mesmo instante me senti alegre e idiota. Consegui comprar as duas resistências para 220V! E estava destacado em amarelo.. Mas tudo bem, agora era só trocar por uma 110 e tudo estaria resolvido... estaria...
No domingo do dia 24, véspera de Natal, dispunha de bastante tempo: o único compromisso era a Ceia de natal, às nove da noite, lá nos meus pais. Resolvi então abrir o chuveiro pra ter certeza do problema. Tão logo manifestei essa vontade, fui reprimido:
- Tu vai abrir o chuveiro hoje – véspera de Natal?
- Eu ia.. tu acha muito ruim?
- Tu não quer deixar pra outro dia?
- Tá..
Desisti. Teria que fazer aquilo algum outro dia menos importante. Mas devo ter estampado a frustração no rosto..
- Se tu quiser pode mexer no chuveiro..
- Eeeeeeeeeeeeee!!!!
Me muni das ferramentas que tinham na gaveta, desliguei o disjuntor correspondente e dei início à “simples” verificação da resistência. Era pra ser uma coisa bem simples mesmo. A maioria dos homens, e até mesmo muitas mulheres já devem ter aberto um chuveiro pra trocar a resistência. Acho que até veado troca!
Tentei em vão não me molhar. Fiz escorrer o que achava que eram os últimos pingos pela mangueirinha, mas assim que desenrosquei veio o banho. Me molhar não era o problema maior: a água na sola suja do chinelo deixou o chão num tom não muito agradável para o azulejo branco.
Lá estava: a parte do inverno inteira e a do verão queimada.
- Vou sacar e trocar por uma nova!
Meu pensamento me pareceu brilhante e objetivo. Me pareceu. E no instante em que toquei com o alicate na resistência, a parte que estava inteira se rompeu. Um belo mal começo. Agora eu era obrigado a consertar aquele chuveiro e torcer para que o calor permanecesse.
- Tu vai trocar isso, agora? (17h)
- Sim. Vou ali no Zaffari..
- Não tá fechado - o Zaffari?
- Não. Vi que estaria aberto até às 20h, hoje.
- Tá..
Corri até o super e comprei, não só uma, mas duas resistências. Assim, quando queimasse novamente o chuveiro numa fria noite de inverno, eu, o precavido, teria uma resistência sobressalente e salvaria o banho quente da donzela. Esse pensamento me levou saltitante ao caixa e já me imaginava trocando a segunda resistência, na tal noite fria do inverno.
Já em casa, abri a embalagem, identifiquei as partes e troquei. Montei novamente todo o chuveiro, deixei correr um pouco de água para não queimar e liguei o disjuntor. Voltei ao banheiro e...
Nada!
Nenhum barulhinho de banho quente. O primeiro “Puta que o pariu!” foi proferido. Lá fui eu: desliga disjuntor, escorre água pela mangueirinha, desenrosca a parte furadinha, e a constatação: a porra da resistência queimou! Nova! Eu juro que tinha deixado correr um pouco de água antes de ligar. Eu só não tinha era afastado as espiras umas das outras. Assim, a corrente em vez de passar por todo o fio, passou pela superfície, onde a resistência é bem menor, causando o curto! “Antes de ligar, afaste as espiras” dizia na embalagem! E eu não li.
Tive que sacrificar a resistência da noite fria do inverno. Afastei as espiras e montei tudo de novo. Deixei correr a água e liguei o disjuntor. Liguei o chuveiro e..
Nada!
Pela segunda vez proferi o palavrão. Fui até o disjuntor, troquei por num outro que estava ali sem uso, fiz todo o processo e nada! Abri novamente e testei a resistência com um multímetro. A resistência nos terminais era de cerca de 2000 ohms, enquanto era pra ser uns 3 ohms. Pra não parecer que estou falando grego, digo que realmente estou! Assim como Tensão se mede em Volt, Corrente em Ampère e Potência em Watt, a resistência é medida em Ohm. E a relação entre corrente e resistência é inversamente proporcional: quanto maior a resistência menor a corrente e, conseqüentemente, menor a potência. Não ia aquecer nunca. Desmontei tudo de novo e limpei a oxidação dos terminais. A resistência baixou sensivelmente para uns 12 ohms.
Montei tudo de novo e...
Nada!
Como poderia eu apanhar assim para um simples chuveiro? Desisti! Reconheci que a véspera de Natal é o pior dia do ano para se mexer no chuveiro. Reconheci que minha teimosia é faz passar por situações desse tipo, nada agradáveis. Pensei até em chamar um eletricista, mas novamente fui reprimido.
Não havia mais tempo para pensar o que fazer. O banho seria frio. A frustração foi ao mais alto grau. Cabisbaixo caminhei até a cozinha enquanto ela tomava o banho frio. Peguei a embalagem do lixo e, finalmente uma razão lógica: Resistência para chuveiro 220V.
Num mesmo instante me senti alegre e idiota. Consegui comprar as duas resistências para 220V! E estava destacado em amarelo.. Mas tudo bem, agora era só trocar por uma 110 e tudo estaria resolvido... estaria...
Thursday, January 04, 2007
Confusões da modernidade...
É sabido que sou um atrapalhado por natureza. Quase tudo o que faço – ou tento fazer – tem seu momento de desastre. Por conta disso digo que às vezes entro em colapso. Estou até pensando em um livro: Desventuras do Lar. Este seria apenas com as trapalhadas de dentro de casa, como a saga do chuveiro em plena véspera de Natal, que contarei mais tarde. Mas a distração me acompanha em todos os lugares, principalmente aqui no trabalho, onde passo boa parte do dia.
Tocou o celular ( um velho companheiro de trapalhadas). Era da Associação.
- Oi Raul!
- Oi!
- É a Leca, da Astti. Tu reservou o salão da associação né? Tu vai confirmar?
- Vou sim. Eu já paguei. Só esqueci de enviar o comprovante do depósito. Deixa eu ver se eu acho.
- Tá.
- Achei, tá aqui!
Abri a bandeja do fax e posicionei a folha. Deixei o dedo pronto sobre o botão enviar.
- Pode me mandar o sinal de fax?
- Posso sim. Agora?
- Sim, pode mandar.
- Piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii....
Liguei de volta.
- Astti, bom dia!
- Leca?
- Sim.
- É o Raul.
- O que houve? Não conseguiu?
- Não, eu tava no celular. Não funciona o fax pelo celular. Agora estou ligando do fax, pode mandar o sinal de novo..?
São situações como essa que recheiam o meu dia e me fazem rir sozinho quando lembradas.
Protetor solar...
Acho que ando meio ranzinza mesmo. Depois de declarar que não gosto de Amigo Secreto descubro que não gosto de passar protetor solar. Na verdade eu já sabia disso, mas fica cada vez mais evidenciado quando vou à praia. Reluto em ir pro mar temendo ter de passar o protetor. Mas vou. Sempre acho que vou ficar de camiseta, que vou ficar abrigado à sombra de um guarda-sol e que o sol não vai me pegar. Só tem uma coisa que é certa: o sol não perdoa. Pode-se passar um turno inteirinho debaixo do guarda sol de camiseta, mas basta uma ida ao quiosque para buscar uma cerveja que o torrão tá garantido. É que a gente esquece que a caminhada da casa até a praia e a volta também queimam. Infelizmente o sol não age só quando a pessoa coloca o pé na areia.
Um pouco menos pior do que ficar um pimentão sem achar posição para dormir que não se fique ardendo por umas duas ou três noites é se submeter ao melecado processo do protetor, sozinho. Em vez de a pele assumir o vermelho uniforme, ela dá espaço a marcas de dedos aleatórias pelo corpo, principalmente nas costas. É mais comum nos homens, que não pedem ou não deixam que ninguém passe o protetor nas suas costas.
Em tempo: não agüento as pessoas chamando protetor solar de bronzeador.
A ironia (ou seria incoerência) é que eu sou um dos maiores defensores do uso do protetor solar. Nunca compro de fator menor que 25 e sei que a cada ano são menos “melecantes”.
Usemos o protetor!
Tocou o celular ( um velho companheiro de trapalhadas). Era da Associação.
- Oi Raul!
- Oi!
- É a Leca, da Astti. Tu reservou o salão da associação né? Tu vai confirmar?
- Vou sim. Eu já paguei. Só esqueci de enviar o comprovante do depósito. Deixa eu ver se eu acho.
- Tá.
- Achei, tá aqui!
Abri a bandeja do fax e posicionei a folha. Deixei o dedo pronto sobre o botão enviar.
- Pode me mandar o sinal de fax?
- Posso sim. Agora?
- Sim, pode mandar.
- Piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii....
Liguei de volta.
- Astti, bom dia!
- Leca?
- Sim.
- É o Raul.
- O que houve? Não conseguiu?
- Não, eu tava no celular. Não funciona o fax pelo celular. Agora estou ligando do fax, pode mandar o sinal de novo..?
São situações como essa que recheiam o meu dia e me fazem rir sozinho quando lembradas.
Protetor solar...
Acho que ando meio ranzinza mesmo. Depois de declarar que não gosto de Amigo Secreto descubro que não gosto de passar protetor solar. Na verdade eu já sabia disso, mas fica cada vez mais evidenciado quando vou à praia. Reluto em ir pro mar temendo ter de passar o protetor. Mas vou. Sempre acho que vou ficar de camiseta, que vou ficar abrigado à sombra de um guarda-sol e que o sol não vai me pegar. Só tem uma coisa que é certa: o sol não perdoa. Pode-se passar um turno inteirinho debaixo do guarda sol de camiseta, mas basta uma ida ao quiosque para buscar uma cerveja que o torrão tá garantido. É que a gente esquece que a caminhada da casa até a praia e a volta também queimam. Infelizmente o sol não age só quando a pessoa coloca o pé na areia.
Um pouco menos pior do que ficar um pimentão sem achar posição para dormir que não se fique ardendo por umas duas ou três noites é se submeter ao melecado processo do protetor, sozinho. Em vez de a pele assumir o vermelho uniforme, ela dá espaço a marcas de dedos aleatórias pelo corpo, principalmente nas costas. É mais comum nos homens, que não pedem ou não deixam que ninguém passe o protetor nas suas costas.
Em tempo: não agüento as pessoas chamando protetor solar de bronzeador.
A ironia (ou seria incoerência) é que eu sou um dos maiores defensores do uso do protetor solar. Nunca compro de fator menor que 25 e sei que a cada ano são menos “melecantes”.
Usemos o protetor!
Thursday, December 28, 2006
Não gosto de Amigo Secreto...
Pra começar, de secreto não tem muito. Se a brincadeira se dispusesse ao menos a fazer jus ao nome, talvez até fosse interessante. Assim como é feito não vejo graça nenhuma. Mas isso pode ser “ranzismo” meu.
No sorteio dos papeizinhos já começam as caras feias... “Puuuutz, esse mala, de novo!!”, “Bah, nem conheço essa pessoa!”, “Ah, eu quero trocar o meu! Quem tu tirou?” É um festival de inimizade secreta sem tamanho.
É normal que não se saiba a fundo os gostos da pessoa que se tira de amigo. Valeria o bom senso e o bom gosto: um presente que qualquer pessoa acharia muito bom. Mas confiar no bom senso alheio é muito arriscado; no bom gosto, nem pensar! Para isso criou-se uma lista de sugestões, em que, na falta dessa pré-disposição a procurar algo com “a cara da pessoa”, encontra-se, ali, alguma sugestão interessante.
Só que o que era pra ser sugestão tornou-se uma lista obrigatória sem direito a quaisquer alterações. Não se coloca apenas “uma blusa, uma calça, uma bola, chinelo,...”, mas sim “blusa verde 18 da Tok Iguatemi, tamanho P; calça capri Gang, número 36, rosa com detalhe em branco,...” Só falta colocar o preço e as condições de pagamento.
O valor é outra imposição. O que vem a ser bem vindo com a condição financeira da maioria, ainda mais nessa época do ano. Mesmo assim sempre tem os sem noção. Minha sobrinha foi minha amiga secreta pelo segundo ano consecutivo. Entre as sugestões dela havia “Celular Nokia com câmera”. Por sorte havia um perfume dentro da faixa de preço estipulada (R$30,00).
Outro problema do Amigo Secreto lá de casa é o amigo do pai. Meu pai não entra em loja nenhuma que não seja supermercado ou ferragem. No ano passado deu a quantia em dinheiro pra minha irmã. Divertido né? E este ano me deu duas camisas pólo. Muito bonitas, mas obviamente minha mãe que escolheu e comprou.
O ponto positivo é a parte da divulgação dos amigos e entrega dos presentes. Uma boa dose de ironia sadia extravasando algumas “qualidades” e muitas risadas. Lá em casa pelo menos é assim. Tudo é motivo de diversão. Minha mãe iniciou dizendo que o amigo dela era uma pessoa que não tinha sexo definido: era o meu pai!
Feliz Ano Novo!!!
Todo final de ano é a mesma coisa: Feliz Natal e próspero Ano Novo. Há quem não goste do Natal e há quem o trate como um dia comum. Eu gosto, e lá em casa sempre tem festa. Nosso Natal sempre é muito feliz! Por isso, muito obrigado a todos que – ainda que de forma automática – desejaram Feliz Natal!
Agora o Ano Novo é um pouco diferente. Tem também essa parte automática do Feliz Ano Novo, Próspero Ano Novo,... e o ano que termina fica com aquela imagem de “já vai tarde”. O novo ano é cheio de promessas e esperanças e realizações muitas. Tudo isso se compacta dentro do “Próspero Ano Novo” e explode com os fogos da virada. Aqueles sonhos todos ficam muito mais bonitos coloridos e brilhantes em contraste com o negro do céu, e o P do “próspero” soa como o estouro de uma champagne.
Pois bem, não sei se com todos foi assim. Mas quero agradecer a todos que me desejaram Próspero Ano Novo. Foi um ano, sem dúvida, maravilhoso, no melhor dos sentidos que essa palavra pode ter. Um dos anos mais difíceis e prazerosos do aprendizado de jornalismo, em especial nas aulas do Leonam e do Holdfeldt; um ano maravilhoso no amor, que culminou num desejo de entrega mútua e uniu dois corações. Ali se ama e se escreve, a cada dia, um capítulo de uma linda história sem fim. Meu presente de aniversário, de Natal e de todos os dias. E pra finalizar, um ano maravilhoso para todos que, de certa forma, morrem de paixão pelo glorioso Campeão da América e do Mundo: o Sport Club Internacional!!!
Feliz Ano Novo!
No sorteio dos papeizinhos já começam as caras feias... “Puuuutz, esse mala, de novo!!”, “Bah, nem conheço essa pessoa!”, “Ah, eu quero trocar o meu! Quem tu tirou?” É um festival de inimizade secreta sem tamanho.
É normal que não se saiba a fundo os gostos da pessoa que se tira de amigo. Valeria o bom senso e o bom gosto: um presente que qualquer pessoa acharia muito bom. Mas confiar no bom senso alheio é muito arriscado; no bom gosto, nem pensar! Para isso criou-se uma lista de sugestões, em que, na falta dessa pré-disposição a procurar algo com “a cara da pessoa”, encontra-se, ali, alguma sugestão interessante.
Só que o que era pra ser sugestão tornou-se uma lista obrigatória sem direito a quaisquer alterações. Não se coloca apenas “uma blusa, uma calça, uma bola, chinelo,...”, mas sim “blusa verde 18 da Tok Iguatemi, tamanho P; calça capri Gang, número 36, rosa com detalhe em branco,...” Só falta colocar o preço e as condições de pagamento.
O valor é outra imposição. O que vem a ser bem vindo com a condição financeira da maioria, ainda mais nessa época do ano. Mesmo assim sempre tem os sem noção. Minha sobrinha foi minha amiga secreta pelo segundo ano consecutivo. Entre as sugestões dela havia “Celular Nokia com câmera”. Por sorte havia um perfume dentro da faixa de preço estipulada (R$30,00).
Outro problema do Amigo Secreto lá de casa é o amigo do pai. Meu pai não entra em loja nenhuma que não seja supermercado ou ferragem. No ano passado deu a quantia em dinheiro pra minha irmã. Divertido né? E este ano me deu duas camisas pólo. Muito bonitas, mas obviamente minha mãe que escolheu e comprou.
O ponto positivo é a parte da divulgação dos amigos e entrega dos presentes. Uma boa dose de ironia sadia extravasando algumas “qualidades” e muitas risadas. Lá em casa pelo menos é assim. Tudo é motivo de diversão. Minha mãe iniciou dizendo que o amigo dela era uma pessoa que não tinha sexo definido: era o meu pai!
Feliz Ano Novo!!!
Todo final de ano é a mesma coisa: Feliz Natal e próspero Ano Novo. Há quem não goste do Natal e há quem o trate como um dia comum. Eu gosto, e lá em casa sempre tem festa. Nosso Natal sempre é muito feliz! Por isso, muito obrigado a todos que – ainda que de forma automática – desejaram Feliz Natal!
Agora o Ano Novo é um pouco diferente. Tem também essa parte automática do Feliz Ano Novo, Próspero Ano Novo,... e o ano que termina fica com aquela imagem de “já vai tarde”. O novo ano é cheio de promessas e esperanças e realizações muitas. Tudo isso se compacta dentro do “Próspero Ano Novo” e explode com os fogos da virada. Aqueles sonhos todos ficam muito mais bonitos coloridos e brilhantes em contraste com o negro do céu, e o P do “próspero” soa como o estouro de uma champagne.
Pois bem, não sei se com todos foi assim. Mas quero agradecer a todos que me desejaram Próspero Ano Novo. Foi um ano, sem dúvida, maravilhoso, no melhor dos sentidos que essa palavra pode ter. Um dos anos mais difíceis e prazerosos do aprendizado de jornalismo, em especial nas aulas do Leonam e do Holdfeldt; um ano maravilhoso no amor, que culminou num desejo de entrega mútua e uniu dois corações. Ali se ama e se escreve, a cada dia, um capítulo de uma linda história sem fim. Meu presente de aniversário, de Natal e de todos os dias. E pra finalizar, um ano maravilhoso para todos que, de certa forma, morrem de paixão pelo glorioso Campeão da América e do Mundo: o Sport Club Internacional!!!
Feliz Ano Novo!
Friday, December 22, 2006
Feliz Natal...
Semana que vem farei uma retrospectiva de um dos melhores anos da história. Como sempre, sou contrário àqueles que anseiam desesperados pelo término do ano. Os últimos segundos reservados pela areia da ampulheta me trazem à memória o que teve de melhor neste ano, e isso me faz alegre. Então, por que não, aproveitar essa última semana com essas boas lembranças?
Deixo aqui o meu carinho a todos os amigos que contribuíram com cada sorriso e abraço em todos esses dias.
Um beijo e um abraço eterno, com todo meu amor àquela que divide comigo os dias e as noites, e que comigo protagoniza o melhor da nossa história..
A todos um Feliz Natal!
Deixo aqui o meu carinho a todos os amigos que contribuíram com cada sorriso e abraço em todos esses dias.
Um beijo e um abraço eterno, com todo meu amor àquela que divide comigo os dias e as noites, e que comigo protagoniza o melhor da nossa história..
A todos um Feliz Natal!
Tuesday, December 19, 2006
Para a história...
Era segunda, quando escrevi pela última vez. Estava em Campinas, longe da minha família, dos meus amigos e, principalmente, longe do meu amor. Fosse qualquer outra semana, a saudade seria o que pautaria qualquer coisa que fosse escrever. Só que essa semana foi simplesmente a que marcou na história: na do Inter, na minha e na de cada Colorado espalhado pelo mundo. Era natural que houvesse um temor ante o jogo que levaria o Inter à grande final. Provavelmente contra o temível Barcelona, de Ronaldinho, Deco e companhia.
O temor se confirmou e passou. O Barcelona se confirmou e se tornou mais temível ainda, ao aplicar 4 x 0 no América com uma apresentação de luxo com a maioria das jogadas passando pelo Ronaldinho. Se o time catalão assustava, agora ele parecia ignorar qualquer um que se atrevesse a enfrentá-lo.
Apesar de estar às vésperas do maior jogo da história do Inter, mantive-me estranhamente calmo. Consegui não ficar preocupado. No fundo acho que eu gostaria mesmo era de estar ansioso, nervoso, quem sabe até roendo as unhas. Mas não. A leveza estava instaurada, e – exceto alguns flashes de arrepio por tomar consciência do momento – o tempo passou tranqüilamente até a noite do sábado.
Um desses momentos foi na tarde de sexta. Eu voltava do centro ouvindo a Continental. Nada a ver com clima de jogo. Os vidros do carro estavam fechados e eu não ouvia nenhuma possível manifestação da rua. Então começou aquele solinho de teclado em melodia quase infantil seguido de uma lenta marcação longa e contínua de um baixo. Inconfundível! Aquarela do Toquinho. Não sei por que, mas senti um fio de gelo percorrer cada um dos meus braços fazendo eriçar cada ínfimo pêlo e toda frase da música teve um sentido naquela hora.
Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo – a Terra e o sol nascente, tudo numa folha, palpável. ...é fácil fazer um castelo – o poderoso castelo do Barcelona. E com o lápis em torno da mão foi feita a luva de um arqueiro. Com ou sem chuva não apenas um pinguinho caiu no pedacinho azul do papel, e uma linda gaivota voou para anunciar a grande conquista. E ela foi, pelo Hawaii, Pequim e Istambul, num barco a vela, num beijo azul: um beijo frio de tchau, de despedida àqueles que ousassem contemplar o vôo da gaivota sem fazê-lo por merecer.
O lindo avião rosa e grená do Barcelona era realmente lindo, um time com tudo em volta colorindo e muitas luzes a piscar. Mas se Deus quisesse ele iria pousar porque a vez de decolar era nossa. O nosso navio de partida tomaria asas com todos nossos amigos bebendo de bem com a vida, e agora o mundo estava ao alcance de um traço. O traço que o contestado Adriano riscou desde antes do meio do campo cruzando o campo na velocidade de quem estava predestinado a fazer história. Foi o menino que caminhou e caminhando chegou no muro. Ali logo em frente a esperar pela gente o futuro estava.
Sem tempo nem piedade nem hora de chegar, sem pedir licença muda nossa vida e depois convida a rir ou chorar. E foi assim aquela sexta-feira. A dois dias do jogo ouvi a música que me deu todo este significado. Obviamente sem a parte do Adriano. Mas no lugar dele estava o jovem Pato. E hoje vejo que poderia ter sido qualquer um, que pouco importava quem fizesse aquele maravilhoso gol.
Um dia por certo essa linda Aquarela descolorirá. Será quando nossos olhos fecharem, enfim. E toda nossa glória em lembrança se guardará em tons de cinza, por toda a história.
O temor se confirmou e passou. O Barcelona se confirmou e se tornou mais temível ainda, ao aplicar 4 x 0 no América com uma apresentação de luxo com a maioria das jogadas passando pelo Ronaldinho. Se o time catalão assustava, agora ele parecia ignorar qualquer um que se atrevesse a enfrentá-lo.
Apesar de estar às vésperas do maior jogo da história do Inter, mantive-me estranhamente calmo. Consegui não ficar preocupado. No fundo acho que eu gostaria mesmo era de estar ansioso, nervoso, quem sabe até roendo as unhas. Mas não. A leveza estava instaurada, e – exceto alguns flashes de arrepio por tomar consciência do momento – o tempo passou tranqüilamente até a noite do sábado.
Um desses momentos foi na tarde de sexta. Eu voltava do centro ouvindo a Continental. Nada a ver com clima de jogo. Os vidros do carro estavam fechados e eu não ouvia nenhuma possível manifestação da rua. Então começou aquele solinho de teclado em melodia quase infantil seguido de uma lenta marcação longa e contínua de um baixo. Inconfundível! Aquarela do Toquinho. Não sei por que, mas senti um fio de gelo percorrer cada um dos meus braços fazendo eriçar cada ínfimo pêlo e toda frase da música teve um sentido naquela hora.
Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo – a Terra e o sol nascente, tudo numa folha, palpável. ...é fácil fazer um castelo – o poderoso castelo do Barcelona. E com o lápis em torno da mão foi feita a luva de um arqueiro. Com ou sem chuva não apenas um pinguinho caiu no pedacinho azul do papel, e uma linda gaivota voou para anunciar a grande conquista. E ela foi, pelo Hawaii, Pequim e Istambul, num barco a vela, num beijo azul: um beijo frio de tchau, de despedida àqueles que ousassem contemplar o vôo da gaivota sem fazê-lo por merecer.
O lindo avião rosa e grená do Barcelona era realmente lindo, um time com tudo em volta colorindo e muitas luzes a piscar. Mas se Deus quisesse ele iria pousar porque a vez de decolar era nossa. O nosso navio de partida tomaria asas com todos nossos amigos bebendo de bem com a vida, e agora o mundo estava ao alcance de um traço. O traço que o contestado Adriano riscou desde antes do meio do campo cruzando o campo na velocidade de quem estava predestinado a fazer história. Foi o menino que caminhou e caminhando chegou no muro. Ali logo em frente a esperar pela gente o futuro estava.
Sem tempo nem piedade nem hora de chegar, sem pedir licença muda nossa vida e depois convida a rir ou chorar. E foi assim aquela sexta-feira. A dois dias do jogo ouvi a música que me deu todo este significado. Obviamente sem a parte do Adriano. Mas no lugar dele estava o jovem Pato. E hoje vejo que poderia ter sido qualquer um, que pouco importava quem fizesse aquele maravilhoso gol.
Um dia por certo essa linda Aquarela descolorirá. Será quando nossos olhos fecharem, enfim. E toda nossa glória em lembrança se guardará em tons de cinza, por toda a história.
Monday, December 11, 2006
Um pouco de diário...
Na sexta pela tarde recebi um email com minha presença confirmada num curso de GSM pela Huawei a partir de ontem, segunda, aqui em Campinas. Mais do que surpreso com o próprio curso, fiquei com a data da viagem: domingo, 14:50h. Depois de um certo esforço consegui alterar para três horas mais tarde.
A partir de então as horas eram todas elas escassas, e os minutos se esvaíram como areia de ampulheta logrando saudade de olhos que, então, estavam diante de si mesmos. Todo movimento e brilho seriam guardados em memória para posterior lembrança. Uma pequena dose que viria a amenizar, ou pelo menos tentar, a falta física, por mais que se soubesse que não seria mais que quatro dias.
Quando a saudade se manifesta no presente, fazendo viver cada momento como retorno de uma longa viagem, o ausente é frio, e não faz parecer justo.
O domingo amanheceu como o dia que não teria sua noite marcada por palavras doces sussurradas ao ouvido; pelo carinho bom; pelo boa noite entre beijos..
O ambiente do curso é muito bom: pessoas jovens e tecnologia. Tudo parece novo. A maciça presença de jovens chineses realça o aspecto tecnológico e, de minha parte, uma – digamos – xenofobia. Me assusta a quantidade com que ele se apresentam. Falam chinês o tempo todo. Se precisam se comunicar com um brasileiro, o fazem em um inglês improvisado. Seus costumes e, principalmente, sua cultura, me espantam mais ainda. Falando com um ex-colega que agora trabalha na Huawei, descobri que grande parte dos jovens asiáticos não sabiam (e muitos ainda não fazem idéia) do que seja Catolicismo, Beatles ou Natal. Vivem num mundo totalmente à parte, nesses quesitos.
Quinta-feira termina, e por ela anseio. Quando eu voltar o Natal se fará muito próximo e – tomara – o Inter pode estar diante da maior partida de sua história, prestes a conquistar seu maior título. Isso também causa uma sensível inquietação. Nesse dia, quinta, provavelmente as horas pareçam maiores, mas remeterão a uma convergência tal, que por vontade e desejo, tão cedo não diga tchau..
A partir de então as horas eram todas elas escassas, e os minutos se esvaíram como areia de ampulheta logrando saudade de olhos que, então, estavam diante de si mesmos. Todo movimento e brilho seriam guardados em memória para posterior lembrança. Uma pequena dose que viria a amenizar, ou pelo menos tentar, a falta física, por mais que se soubesse que não seria mais que quatro dias.
Quando a saudade se manifesta no presente, fazendo viver cada momento como retorno de uma longa viagem, o ausente é frio, e não faz parecer justo.
O domingo amanheceu como o dia que não teria sua noite marcada por palavras doces sussurradas ao ouvido; pelo carinho bom; pelo boa noite entre beijos..
O ambiente do curso é muito bom: pessoas jovens e tecnologia. Tudo parece novo. A maciça presença de jovens chineses realça o aspecto tecnológico e, de minha parte, uma – digamos – xenofobia. Me assusta a quantidade com que ele se apresentam. Falam chinês o tempo todo. Se precisam se comunicar com um brasileiro, o fazem em um inglês improvisado. Seus costumes e, principalmente, sua cultura, me espantam mais ainda. Falando com um ex-colega que agora trabalha na Huawei, descobri que grande parte dos jovens asiáticos não sabiam (e muitos ainda não fazem idéia) do que seja Catolicismo, Beatles ou Natal. Vivem num mundo totalmente à parte, nesses quesitos.
Quinta-feira termina, e por ela anseio. Quando eu voltar o Natal se fará muito próximo e – tomara – o Inter pode estar diante da maior partida de sua história, prestes a conquistar seu maior título. Isso também causa uma sensível inquietação. Nesse dia, quinta, provavelmente as horas pareçam maiores, mas remeterão a uma convergência tal, que por vontade e desejo, tão cedo não diga tchau..
Monday, November 27, 2006
Petit Gâteau...
Que sorte a minha, de ter uma relação muito bem encaminhada! Quando o diferencial é o que conta, alguns pré-requisitos parecem ser imprescindíveis. E hoje vejo que minha carga de conhecimentos gerais está muito aquém do mínimo necessário numa eventual disputa feminina. A não ser que o meu diferencial fosse esse: a falta de pré-requisitos. Meus conhecimentos gerais como argumento amoroso me colocariam num nível de grau médio incompleto. Ou “cursando” para dar uma idéia de alguém que mantém o aprendizado.
Quando ouvi pela primeira vez “petit gâteau”, imaginei tratar-se de um afrancesamento de alguma expressão afim de não explicitar o significado diante de quem não interessasse se fazer ouvir. Estava no Habib’s com uns amigos depois de uma festa. Achei que as gurias estivessem comentando sobre algum “gatinho” nas mesas alheias. Meses depois li a tal palavra no cardápio do mesmo estabelecimento, mas não fiz questão de ver do que se tratava. Em restaurante árabe, o nome da comida não faz a menor diferença para a escolha do prato.
Entre meus tropeços e dribles, como no primeiro gol do Sóbis na final da Libertadores, marquei o início da mais bela conquista. Mesmo com minha desfavorável deficiência de conhecimentos. Meu mundo, agora, estava inserido no universo feminino: o universo das bases e dos glitter, dos scarpins, dos channel e, como não podia deixar de ser, dos petit gâteau.
Numa dessas conversas, as gurias riam muito de um episódio justamente denominado “petit gâteau”, ocorrido com uma delas, dias antes. Ela tinha começado a sair com um carinha. Uma festinha aqui, um barzinho ali... até que ele a convidou para uma janta mais íntima, com vinho e tudo mais. A proposta era ótima. Tudo se encaminhava muito muito bem, a cada detalhe que incrementava a tão esperada noite, ela se enchia de pensamentos prazerosos. Tanto que ela se prontificou a providenciar a sobremesa. Certamente um prato no nível do que era preparado: o Petit Gâteau!
- Vou fazer um Petit Gâteau para sobremesa!
E todo o enlevo que fora construído a cada “Huuuummm” proferido aos sussurros desandou em segundos. Como se alguém acendesse a luz no instante que antecede o primeiro beijo...
- Quê!?
- Petit Gâteau.. vou fazer pra nós, de sobremesa...
- Quê que é isso?
- Ah.. deixa pra lá.. um docinho..
Assim desandou também a maquiagem e todo o tesão daquela noite. Houve a janta, que comeram e beberam tanto até quase não deixarem espaço para o Petit Gâteau - que até agora ele não tinha aprendido a pronunciar – houve também a sobremesa e, por conta desta, o sono.
Quando ouvi pela primeira vez “petit gâteau”, imaginei tratar-se de um afrancesamento de alguma expressão afim de não explicitar o significado diante de quem não interessasse se fazer ouvir. Estava no Habib’s com uns amigos depois de uma festa. Achei que as gurias estivessem comentando sobre algum “gatinho” nas mesas alheias. Meses depois li a tal palavra no cardápio do mesmo estabelecimento, mas não fiz questão de ver do que se tratava. Em restaurante árabe, o nome da comida não faz a menor diferença para a escolha do prato.
Entre meus tropeços e dribles, como no primeiro gol do Sóbis na final da Libertadores, marquei o início da mais bela conquista. Mesmo com minha desfavorável deficiência de conhecimentos. Meu mundo, agora, estava inserido no universo feminino: o universo das bases e dos glitter, dos scarpins, dos channel e, como não podia deixar de ser, dos petit gâteau.
Numa dessas conversas, as gurias riam muito de um episódio justamente denominado “petit gâteau”, ocorrido com uma delas, dias antes. Ela tinha começado a sair com um carinha. Uma festinha aqui, um barzinho ali... até que ele a convidou para uma janta mais íntima, com vinho e tudo mais. A proposta era ótima. Tudo se encaminhava muito muito bem, a cada detalhe que incrementava a tão esperada noite, ela se enchia de pensamentos prazerosos. Tanto que ela se prontificou a providenciar a sobremesa. Certamente um prato no nível do que era preparado: o Petit Gâteau!
- Vou fazer um Petit Gâteau para sobremesa!
E todo o enlevo que fora construído a cada “Huuuummm” proferido aos sussurros desandou em segundos. Como se alguém acendesse a luz no instante que antecede o primeiro beijo...
- Quê!?
- Petit Gâteau.. vou fazer pra nós, de sobremesa...
- Quê que é isso?
- Ah.. deixa pra lá.. um docinho..
Assim desandou também a maquiagem e todo o tesão daquela noite. Houve a janta, que comeram e beberam tanto até quase não deixarem espaço para o Petit Gâteau - que até agora ele não tinha aprendido a pronunciar – houve também a sobremesa e, por conta desta, o sono.
Wednesday, November 22, 2006
Um simples crachá...
Trabalho há nove anos nessa empresa, e até hoje não consigo me adaptar a alguns “processos”, como denominam. Desde que entrei aqui muita coisa mudou. Mudou horário, mudou endereço, mudaram pessoas. Menos o salário, esse sim poderia ter mudado. Mas tudo bem. Ruim com ele, pior sem. Por graças nunca tivemos uniforme, embora uma vez eu tenha tentado padronizar minhas roupas de trabalho. Comprei três camisas e três calças azuis. Iria me vestir todos os dias assim: calça e camisa azul. A calça num tom mais escuro, quase azul-marinho.
Minha idéia não teve um dia sequer de êxito. Meus colegas mais próximos, assim que lhes contei sobre a compra, me fizeram entender que ninguém - senão eu e eles - saberia que eu tinha três conjuntos daquela roupa e iriam achar que eu vestia sempre a mesma. E mais: se soubessem, aí sim me achariam um louco.
Por sorte não eram de boa qualidade e em pouco tempo acabei doando tudo pra campanha do agasalho. Poderia ter ao menos tirado uma foto com meu traje personalizado enquanto era novo. Aliás, tenho pouquíssimas fotos aqui do trabalho.
Uma coisa que mudou muito pouco para os demais e muito pra mim foi um pequeno retângulo plástico com um chip dentro: o crachá. O crachá! Tão pequeno e tão problemático... Há quem diga que o telefone é mais problemático. Até já foi. Mas esse último está durando bastante.
Há uns três anos teve uma sessão de fotos para o novo crachá com a nova marca da empresa. Crachá com chip interno e foto impressa, tri tecnológico. O ponto seria registrado apenas aproximando o crachá; as portas dos andares dariam acesso apenas ao pessoal do setor, todas essas facilidades que o tal chip poderia proporcionar. Ah, e as fotos seriam armazenadas em um banco de dados para facilitar uma eventual confecção de segunda via.
Mal sabiam eles (trato eles os detentores do poder, aquelas pessoas pelas quais passam a maioria dos processos burocráticos da empresa) que seriam tantas segundas vias, no meu caso. A segunda via mesmo eu nem lembro por que pedi. Acho que o meu crachá já veio em segunda via.
Um dia eu voltava do serviço da rua e fui pegar o crachá pra passar na catraca da portaria. Nada num bolso, nada no outro, nada em lugar nenhum. Tive que entrar com a identidade. Passei uma semana procurando e nada.
Pedi outro. (perdi outro)
Aí começaram os problemas. Tive que ligar pra um tal de Mr. Bean, como é conhecido nos bastidores. Um dos responsáveis pela segurança.
- Mas tu já pediste uma segunda via.
- Sim, eu sei. Mas eu perdi.
- Perdeu onde?
A velha pergunta...
- Não sei mesmo.
- Pois bem, me mande um email explicando o caso com uma justificativa.
Uma semana depois eu estava com meu crachá. Meu terceiro crachá. Eu havia ficado quase duas semanas me identificando na portaria e me desdobrando nos andares, pois os crachás de visitante só dão acesso a um andar específico. Cansei de ficar trancado no corredor entre o elevador e a porta do andar...
- E aí, Raul, o que anda fazendo por aí?
- Ah.. tô esperando o elevador! Mas que desligado que sou, esqueci de apertar o botão.
E voltava ao meu andar. Quando era muito urgente pegava carona com o crachá de quem estivesse passando. Mas, enfim, estava com meu crachá novinho em folha. Dois meses depois fui transferido e os carros iriam pra revisão. Naquela manhã o motorista, que havia tirado algumas coisas dos carros, veio na minha direção.
- Ó! Acho que isso é teu!
- Bah, obrigado! Onde estava?
- Tava caído embaixo do tapete do carro.
Eu, que antes estava sem o crachá, agora estava com dois! Dei jeito de dar sumiço em um, já que não funcionava mais. Não lembro ao certo quanto tempo durou, mas lembro a situação. Acabava de voltar da praia do Rosa com uns amigos. Isso era março de 2005. Logo depois que me largaram em casa o Pitoko me ligou avisando que tinha sido assaltado. Levaram o carro com tudo, inclusive a minha carteira que eu tinha esquecido no porta-luvas. Meu crachá estava dentro da carteira. Juro que foi o que mais senti falta.
Agora eu não tinha culpa de ter perdido. Afinal, assalto é assalto! Tudo bem, eu não precisava ter esquecido a carteira no carro, mas também podia ter sido assaltado junto.
Aqui eu chegava no auge da problemática: quando um caso de resolução aparentemente simples toma os sentidos de maneira a ensaiar desculpas a si mesmo. Por sorte, o respaldo do assalto era forte, e me fez seguir o processo do pedido.
Dessa vez sim, o senhor Mr. Bean reclamou como um irmão mais velho que nega uma bolachinha recheada ao caçula. Como se ele tivesse que tirar do próprio bolso uma quantia significativa para a produção do meu crachá. E era tão simples: achar meu nome no banco de dados e mandar imprimir um novo. Automaticamente o antigo não funcionaria mais. Mas de simples não teve nada. Tive que registrar ocorrência na polícia e mandar uma cópia, além de – novamente – explicar o caso por email. Mais de uma semana depois veio a resposta:
“Seu quarto crachá está à disposição no departamento de segurança.”
Aquele “quarto crachá” teve um peso tão grande que prometi: não mais passaria por aquela situação. Pelo menos enquanto seu Mr. Bean estivesse no “comando” da segurança. O caso deixava seqüelas. E o inevitável aconteceu. Em fevereiro desse ano, quando fui pro Rio, usei em alguns estabelecimentos o crachá como Identidade, uma vez que tinha o RG impresso. E em algum desses lugares devo tê-lo deixado.
Só fui me dar conta quando já estava em Porto Alegre, aí já era tarde. E eu é que não ia pedir outro. Azar! Todas as vezes que tinha que entrar no prédio sede me submetia àquela identificação com o RG e foto do computador. Aliás, que troço chato esse “Senhor, olha pra câmera!”
Assim fiquei. Quando ia a alguma outra empresa já me identificava com a identidade e dizia o nome da empresa. Mas sempre ouvia: “Posso ver o se crachá?” Dava vontade de dizer que tava lá no Rio, mas não. Respondia apenas que não tinha. Atrasava um pouco a entrada, mas dava certo. Isso até a semana passada. Tive que pedir para a segurança uma liberação para o pessoal de uma terceirizada e me indicaram uma funcionária. Fiquei contente por não ser o Mr. Bean. Aproveitei e perguntei como era o procedimento para pedir o crachá.
- Ah, é comigo mesmo! (cheguei a suspirar)
- É? E como eu faço?
- Me dá teu nome completo e a gente marca um dia pra tu vir bater a foto.
- Não.. te dou o número da matrícula. Já deve ter todos os dados aí.
- Ah.. é segunda via. Aí não é comigo.. (tava bom demais)
- Hum. E com quem é?
- É com o Fábio Irineu, no ramal 389.
- Tá, obrigado!
Pelo menos não era o Mr. Bean! Liguei para o tal Fábio Irineu.
- Alô!
- Fabio?
- Sim!
- Fábio, aqui é o Raul.. blá blá blá.. crachá .. blá blá blá.. segunda via..
- Tá. Faz o seguinte: explica isso num email e manda pro Mr. Bean.
Juro que quase chorei! Mas uma hora isso teria que acabar. Não poderia viver atrás de um medo de algo que não tinha acontecido. Estava decidido a conseguir meu crachá. Ia mandar o tal email, e se o Mr. Bean resolvesse complicar iria ouvir. Afinal, um funcionário não podia ficar sem a identidade funcional, oras! Em último caso faria o pedido pelo meu coordenador, e aí queria ver ele reclamar do meu “quinto crachá”. Esperei chegar a hora de ir embora. Escrevi o email com “CRACHÁ” no assunto e saí. Queria esquecer daquilo pelo menos até o dia seguinte, e aproveitar minha noite como se nunca houvera problema algum com meu crachá.
Na manhã seguinte nem lembrava mais. Liguei o micro e, como de costume, uma lista com vários documentos não lidos. Entre eles um se destacava: “Re: CRACHÁ” E minha manhã, que começara tão boa, logo se encheu de todas aquelas preocupações de como eu responderia à altura aquele sósia do Mr. Bean. Era, sem dúvida, o auge da problemática de novo. A relação com o Mr. Bean se tornava quase pessoal. Mas eu precisava abrir o email. Enchi o peito, fechei os olhos por um instante e li:
“Ok, estamos providenciando um novo.
Abraço!”
Monday, November 13, 2006
Quando um casal apaixonado resolve passar um fim de semana na serra, não quer dizer que seu passado de trapalhadas seja abandonado...

...e quem sabe até volte a mostrar-se vivo
Os finais de semana na Capital costumam ser bastante agitados: um barzinho aqui, futebol, um aniversário ali, um almoço em família acolá.. sempre tem alguma coisa. Azar de quem espera passar a semana para poder namorar em paz.
Há quem diga que uma das virtudes do Homem, é observar aquilo que o cerca, e mudar o que precisa ser mudado. Ou pelo menos tentar. Pois bem, para contrapor todo esse agito, propus algo diferente:
- A gente tem alguma coisa marcada pro final de semana que vem?
- Acho que não. Por quê?
- Queria te convidar para viajar..
A cena era de filme: um café com chantily, mãos dadas, olhares entre si, num abandono total do mundo exterior, vozes em sussurro.
- Vamos.. Pra onde?
- Ainda não sei. Qualquer lugar.
O destino só foi definido na quinta à noite. Gramado. Uma cidadezinha muito bonita e aconchegante na serra. Ideal para o que se propunha. De quebra ainda seríamos contemplados com o início das apresentações do Natal Luz. Tudo transcorrendo muito bem.
A passagem
Na sexta escolhemos uma pousada com quesitos básicos de benefício e custo, sendo um deles a proximidade do centro e da rodoviária. A sexta acabou e eu acabei esquecendo de comprar as passagens pela internet. Ir até a rodoviária, no Centro, era muito inviável. Saí da aula e fui num cyber. Depois de meia hora tentando entender o processo de compra, vi que era preciso primeiro fazer o depósito do valor, e mais 30 minutos para ser creditado no cadastro.
Fiz o depósito e fui embora. Precisaria de alguém com acesso à internet para entrar com o meu login e efetivar a compra. Não foi nada fácil. Nem possível. Todos os contatos imagináveis não estavam em casa ou não atenderam o telefone. Seria pelo horário: 0:22h? Provável que sim. Acordaríamos mais cedo, então, para tentar alguém pela manhã. O ônibus sairia às 8:45h. E toda essa função porque a atendente da rodoviária disse que os lugares se esgotariam em breve. Um pouco antes das oito da manhã acordei o Pitoko, que fez a mão da passagem. Amigo é pra essas coisas.. pra ser acordado antes das 8 e ter que acessar a internet pros amigos viajarem. Vou comprar uma água dele depois, pra agradecer.
A camareira
Fizemos a ficha de cadastro e subimos pro quarto. Largamos as bagagens, conferimos as acomodações e deitamos pra relaxar um pouco. Um beijo entre carícias selava o início do final de semana.
Clunckkk.. - Ãhhh!!!!
Olhamos para a porta. Lá estava a camareira, estática, com o susto estampado no rosto. Desculpou-se e saiu. A primeira grande risada. A melhor, talvez. Só a do trevo pode ter sido melhor..
Houve várias outras depois, pelos mais variados motivos. A do trevo, por exemplo.. Beijávamo-nos num canteiro virtual no meio da via, entre a praça e a outra calçada. Virtual porque era apenas pintado, não era elevado nem tinha meio-fio. Mas os motoristas entendiam que ali não se podia passar, e não o faziam. Mesmo assim ela se aproximou, primeiramente parecendo que pediria alguma coisa, ou uma informação, mas não.
- Desculpa, eu sei que não é da minha conta, mas por que vocês não saem do meio da rua? Daqui a pouco vem um maluco e passa com o carro por cima, aí vão morrer os dois abraçados. Vão ali na praça junto com o Papai Noel!
Outra vez aos risos saímos. E dos vários motivos, vale aquele que, se não existisse, nenhum desses motivadores externos nos arrancaria tanta alegria: o sentir-se bem. Não importava o lugar, não importava o que acontecesse, estávamos felizes, e assim ficamos. E é assim, entre o inusitado e o esperado, que vivemos e rimos de nós mesmos, todos os dias.
Wednesday, November 01, 2006
O vizinho de cima tem uma bicama...

Todas as noites, pontualmente onze e pouco, ele abre a bicama. É um ritual sagrado. Talvez mais certo que o churrasco de domingo do meu pai. Mas esse ritual só começou a ser notado de um tempo pra cá. Teve uma noite em que chegamos um pouco mais empolgados depois de uma festa, e acredito que ele tenha se incomodado com algum barulho de copos, ou risadas, ou.. enfim... Deu três batidas firmes.
Tum Tum Tum!!!
Um breve instante de silêncio e... uma gargalhada de duas vozes ultrapassou cada fresta e ecoou no apartamento de cima que, a partir daquele dia, foram intensificados consideravelmente. A única janela que faz barulho ao abrir ou fechar é a dele. Podemos ouvir também os passos fortes e, obviamente, o abrir e fechar da bicama. A bicama emite um som muito próprio, e aliada ao horário pontual, não tem como não rir. Os dias seguintes se passaram assim: a bicama abrindo e nós rindo. Passamos a fazer especulações sobre o tal Cara da Bicama, se ele morava sozinho, se era gordo (os passos firmes indicavam uma pessoa de peso considerável), se estaria há tempo sem fazer melhor uso da bicama que não para dormir, essas coisas.
Mas teve um dia que ele se enlouqueceu. Acho que novamente tínhamos voltado de uma festa. Empolgados.. Aí veio um primeiro estrondo. Muito forte. Parecia que alguém tinha batido de cabeça numa parede. Mas naquele momento nada do mundo exterior podia abalar o entusiasmo que nos acometia. Ao que o Cara da Bicama apelou:
TUM TUM TUM!!!
Muito mais forte dessa vez. Novo silêncio breve. Só que dessa vez a gargalhada teve de esperar um pouco mais...
Monday, October 30, 2006
Duas famílias, algumas etnias...
Esse negócio de família é engraçado. Entre o aniversário da avó da Alice e o da minha mãe no sábado, e o almoço lá em casa domingo, teve tudo daquilo de família. Coisas que eu não vivia há muito tempo, e que vieram num momento bom. Desde bolo, salgadinho, torta fria e refri até álbum de foto do tempo do Epa. Mãe, vó, tio, tia e cachorro completavam o ambiente familiar com todo seu requinte daqueles que se conhecem há algumas décadas. Nas mãos, cada foto do álbum amarelado fazia reviver na memória um momento distante que foi eternizado enquadrado num pedaço de papel. Tantos rostos e tão diferentes com o passar dos anos.. Rostos que ontem completavam a mesa do churrasco serão os mesmos que motivarão boas risada daqui alguns anos.
Uma nova família começa assim, a partir de duas que se formaram a partir de várias. Uma mistura de cores, de lugares, e da história de um passado bem marcado por rugas. De sonhos..
Uma nova família começa assim, a partir de duas que se formaram a partir de várias. Uma mistura de cores, de lugares, e da história de um passado bem marcado por rugas. De sonhos..
Monday, October 23, 2006
Aquela que espera...
Quando li Yves Simon, gravei este trecho. Inevitavelmente, a identifiquei nele. E assim pude ver e provar, não apenas da espera, mas da companhia, da cumplicidade, da entrega..
Tirou do bolso um objeto do tamanho de uma caixinha de fósforos. “É para você.” Rasguei o papel e descobri um minúsculo cofre de madeira fechado com um ganchinho. Abri. Sobre um papel de seda havia três minúsculas estatuetas, três mulheres nuas, de cores diferentes. Surpresa.
“Trouxe-as do México, sem ter a menor idéia do que se passava com você. Esse país conhece a arte de encontrar as portas secretas que levam ao interior dos pensamentos. Por que três mulheres? Porque uma história nunca vale por si mesma e no amor a armadilha consiste em estar obcecado por uma só. Observe a primeira. Tem os olhos abertos, os dedos apertados. É a mulher que dá. A segunda tem os dedos abertos. É a mulher que toma. Agora olhe com atenção a terceira. Tem os olhos fechados, as mãos cruzadas sobre o ventre. Que pensa dela?”
Não sabia o que responder.
Ela espera.
Ela me espera sem brincos. Ela não usa brincos. Ela se enfeita de beleza e de um perfume que tira meus pés do chão. Sigo atrás do rastro até a fonte do cheiro natural ainda não marcado pela boa química perfumada que escorre suavemente por sua pele. Besteira minha falar em fonte daquela que em fonte, toda se apresentou. Mas a concepção dos sentidos exige uma materialização daquilo que em conjunto torna pobre qualquer que fosse minha descrição. Do sentido da visão, a macroimagem segmentada dos olhos, uma fração do nariz, a textura do rosto e as pequeninas ranhuras da fina pele dos lábios.. Mas volto ao todo, pois falar da fina pele dos lábios já é lembrar do quão macio, do hálito quente, do gosto..
Meu presente é embriagar-me em toda tua fonte,e nela saciar os meus sentidos. Meu presente é ser tua fonte todos os dias. A ti meu carinho; dos meus olhos o reflexo do brilho dos teus; da minha boca o beijo que escapa da tua boca e por ti percorre.. és toda fonte e eu todo sentido.. de todo meu corpo, o calor, do meu coração, o amor..
Feliz aniversário, Alice..!
Tirou do bolso um objeto do tamanho de uma caixinha de fósforos. “É para você.” Rasguei o papel e descobri um minúsculo cofre de madeira fechado com um ganchinho. Abri. Sobre um papel de seda havia três minúsculas estatuetas, três mulheres nuas, de cores diferentes. Surpresa.
“Trouxe-as do México, sem ter a menor idéia do que se passava com você. Esse país conhece a arte de encontrar as portas secretas que levam ao interior dos pensamentos. Por que três mulheres? Porque uma história nunca vale por si mesma e no amor a armadilha consiste em estar obcecado por uma só. Observe a primeira. Tem os olhos abertos, os dedos apertados. É a mulher que dá. A segunda tem os dedos abertos. É a mulher que toma. Agora olhe com atenção a terceira. Tem os olhos fechados, as mãos cruzadas sobre o ventre. Que pensa dela?”
Não sabia o que responder.
Ela espera.
Ela me espera sem brincos. Ela não usa brincos. Ela se enfeita de beleza e de um perfume que tira meus pés do chão. Sigo atrás do rastro até a fonte do cheiro natural ainda não marcado pela boa química perfumada que escorre suavemente por sua pele. Besteira minha falar em fonte daquela que em fonte, toda se apresentou. Mas a concepção dos sentidos exige uma materialização daquilo que em conjunto torna pobre qualquer que fosse minha descrição. Do sentido da visão, a macroimagem segmentada dos olhos, uma fração do nariz, a textura do rosto e as pequeninas ranhuras da fina pele dos lábios.. Mas volto ao todo, pois falar da fina pele dos lábios já é lembrar do quão macio, do hálito quente, do gosto..
Meu presente é embriagar-me em toda tua fonte,e nela saciar os meus sentidos. Meu presente é ser tua fonte todos os dias. A ti meu carinho; dos meus olhos o reflexo do brilho dos teus; da minha boca o beijo que escapa da tua boca e por ti percorre.. és toda fonte e eu todo sentido.. de todo meu corpo, o calor, do meu coração, o amor..
Feliz aniversário, Alice..!
Tuesday, October 17, 2006
A vida de um atrapalhado é triste, mas pelo menos tem emoção!
O dia começava meio apreensivo: uma audiência me aguardava no início da tarde, e como nunca participei de uma audiência, isso era aceitável, ainda mais nas circunstâncias em que se apresentava.
Há umas três semanas chegou uma intimação. Já fiquei todo assustado. As poucas informações eram de que eu seria testemunha de acusação de um processo aberto pelo MP contra um figura sobre um delito de trânsito. Aí sim que fiquei mais perdido. Nunca processei ninguém, e não me lembro de ter sido testemunha de nenhum acidente.
Mas intimação é intimação. Fui até o Foro Central e retirei o mandado de notificação para a audiência – crime (medo!), a realizar-se dia 16/10. Como não tinha detalhes, perguntei ao oficial de justiça do que se tratava. Ele me encaminhou à vara de delitos de trânsito e lá pude ver o processo: era sobre o fatídico roubo das baterias do Seu Vivo. Só que com um detalhe importante: no processo consta como se eu fosse testemunha de um roubo ocorrido lá em Santa Maria.
No ano passado presenciei uma tentativa de furto numa das estações do Seu Vivo. Houve uma febre de furtos desse tipo no Estado. Na ocasião tive de registrar ocorrência e, um tempo depois, ir a Santa Maria reconhecer umas fotos de uns vagabundos que pegaram por lá. Até aí tudo bem. Reconheci a gurizada pelas fotos e prestei novo depoimento, ainda sobre o fato ocorrido aqui em porto.
Essas três semanas se passaram assim, meio intrigado. Não queria testemunhar algo que não vi. Acredito que como tenham pego esses vagabundos lá em Santa Maria, querem que eu testemunhe esse fato para que possam prendê-los. Também não quero que minha imagem seja exposta a eles. Fiquei pensando em tudo isso.
Na manhã do dia 16 conversei com um advogado da empresa e expliquei o caso. Ele pediu que eu encaminhasse a notificação por fax. Aproveitei e escrevi tudo, e que me respondesse o quanto antes, pois a audiência seria naquela tarde, às 14h. Menos de cinco minutos depois ele me ligou: disse pra que na próxima audiência eu fique calmo, e só fale sobre aquilo que eu realmente vi, e que foi aqui em Porto, mas que eu cuidasse muito da data e da hora, pois aquela já tinha acontecido às 9:05h da manhã, como estava escrito bem grande na notificação!
Há umas três semanas chegou uma intimação. Já fiquei todo assustado. As poucas informações eram de que eu seria testemunha de acusação de um processo aberto pelo MP contra um figura sobre um delito de trânsito. Aí sim que fiquei mais perdido. Nunca processei ninguém, e não me lembro de ter sido testemunha de nenhum acidente.
Mas intimação é intimação. Fui até o Foro Central e retirei o mandado de notificação para a audiência – crime (medo!), a realizar-se dia 16/10. Como não tinha detalhes, perguntei ao oficial de justiça do que se tratava. Ele me encaminhou à vara de delitos de trânsito e lá pude ver o processo: era sobre o fatídico roubo das baterias do Seu Vivo. Só que com um detalhe importante: no processo consta como se eu fosse testemunha de um roubo ocorrido lá em Santa Maria.
No ano passado presenciei uma tentativa de furto numa das estações do Seu Vivo. Houve uma febre de furtos desse tipo no Estado. Na ocasião tive de registrar ocorrência e, um tempo depois, ir a Santa Maria reconhecer umas fotos de uns vagabundos que pegaram por lá. Até aí tudo bem. Reconheci a gurizada pelas fotos e prestei novo depoimento, ainda sobre o fato ocorrido aqui em porto.
Essas três semanas se passaram assim, meio intrigado. Não queria testemunhar algo que não vi. Acredito que como tenham pego esses vagabundos lá em Santa Maria, querem que eu testemunhe esse fato para que possam prendê-los. Também não quero que minha imagem seja exposta a eles. Fiquei pensando em tudo isso.
Na manhã do dia 16 conversei com um advogado da empresa e expliquei o caso. Ele pediu que eu encaminhasse a notificação por fax. Aproveitei e escrevi tudo, e que me respondesse o quanto antes, pois a audiência seria naquela tarde, às 14h. Menos de cinco minutos depois ele me ligou: disse pra que na próxima audiência eu fique calmo, e só fale sobre aquilo que eu realmente vi, e que foi aqui em Porto, mas que eu cuidasse muito da data e da hora, pois aquela já tinha acontecido às 9:05h da manhã, como estava escrito bem grande na notificação!
Wednesday, October 11, 2006
O que dizer da saudade..?
Tão rica e tão suave, palavra doce que faz mexer toda a boca iniciando em sorriso e ecoando carinho quando proferida. Assim fui lapidando e assimilando tão sublime sentimento que um dia fora entendido como, simplesmente, sentir falta de alguém longe.
Talvez seja ela – a saudade – uma das bases onde se alimentam as mais fortes relações. Uma sensação que começa no calor que se sente aumentar ante cada milímetro em que um lábio se aproxima do outro no ínfimo instante anterior ao beijo, quando as pálpebras descem em cortinas de veludo vermelhas de um espetáculo prestes a ocorrer, onde os atores são sua própria platéia. Um show que se faz sentir falta por cada segundo que nosso relógio consome. A saudade que se manifesta no instante em que os lábios, ainda em contato, úmidos, tomam movimento em sentidos opostos. O mesmo dos braços em leve toque superficial até que apenas as pontas dos dedos se fazem unir deixando pra trás pêlos eriçados como se suplicassem um retorno. Saudade do presente..
Talvez seja ela – a saudade – uma das bases onde se alimentam as mais fortes relações. Uma sensação que começa no calor que se sente aumentar ante cada milímetro em que um lábio se aproxima do outro no ínfimo instante anterior ao beijo, quando as pálpebras descem em cortinas de veludo vermelhas de um espetáculo prestes a ocorrer, onde os atores são sua própria platéia. Um show que se faz sentir falta por cada segundo que nosso relógio consome. A saudade que se manifesta no instante em que os lábios, ainda em contato, úmidos, tomam movimento em sentidos opostos. O mesmo dos braços em leve toque superficial até que apenas as pontas dos dedos se fazem unir deixando pra trás pêlos eriçados como se suplicassem um retorno. Saudade do presente..
Thursday, October 05, 2006
Sorria, tu estás sendo observado!
Quem tu observa? Quem te observa? Andamos na rua, analisamos as pessoas: roupas, modos, comportamento, cabelos, alguma extravagância, peso excessivo, tudo. Alguns olham mais do que outros, que não querem nem saber se o cara do lado tem metade do cabelo vermelho, se usa uma meia de cada cor, se é muito feio, etc.Eu perco boa parte do tempo que passo na rua analisando esses tipos. Me divirto muito. Foi assim que conhecemos – eu e Alice - o Magua (personagem de O Último dos Moicanos), um varredor de rua que passa o dia em frente a um estacionamento da Mauá. O apelidei assim pelo seu pitoresco cabelo (ou a falta de boa parte dele). Todos os dias ali, empunhando uma vassoura e uma pá com cabinho. Nunca o vi descansando no estreito espaço para passeio da movimentada Mauá.
Começamos a especular sobre a sua vida, se tinha mulher, se ela gostava dele mesmo com aquele cabelo, se tinham momentos íntimos.. é só ingressar na Mauá que meu olho já começa a procurá-lo. Cheguei ao ponto de perguntar à Alice se ela o tinha visto nessas duas semanas que não fui ao centro! Disse-me que só o viu na segunda. Eu estava com saudades da imagem do Magua, como pode?
Então ontem entrei nesse assunto: será que ele sabe que é observado todos os dias? Será que imagina todas essas especulações que fazemos? E nós!? Quem nos observa? Todos devemos ter algum detalhe que vai se apresentar como pitoresco a alguém. E se for alguém que nos tenha no campo de visão seguidamente, sempre vai atentar para tal detalhe. Assim, somos tantos e tantos Maguas varredores por aí. Quem vai saber?
Thursday, September 28, 2006
Cabelos brancos...
Que preocupações poderiam acometer um hippie? – fiquei pensando na volta da Puc, no T9. Não me considero um bom identificador de tribos. No meu tempo existiam os hippies, os punks, os black power, os mauricinhos e patricinhas, e os nem uma coisa nem outra, como eu. O máximo de “estranho” que á vesti poderia até me identificar como uma mistura de hippie com grunge – uma outra tribo, já dos anos 90 - Cabelos compridos, um óculos escuro redondo e camisa de flanela xadrez. Imagina que graça..
Pois bem, por sorte o passar dos anos me fez desistir dessas vestes radicais. Hoje, além desse grunge, que eu acho que já deve estar até ultrapassado, tem mais um monte de tribos novas, cada um com seus detalhes estranhos, como esse tal de Emo. Podem dizer o que quiserem, mas pra mim não passa de uma evolução do punk, agora com a permissão de peças coloridas e de banho, creio eu. Ainda assim um despropósito.
Apesar da minha deficiência de identificação, acho que tratava-se de um hippie mesmo: calça jeans meio surrada com as bainhas desfeitas, arrastando no chão, All Star surrado 9tudo era meio surrado), jaqueta jeans com forro em veludo e o cabelo daquele jeito.. estilo Jim Morrison e aparentemente sujo.
Essas coisas todas não me intrigavam, afinal, era a idéia que eu tinha de um hippie. Agora aqueles cabelos brancos não podiam estar ali. Ainda mais naquela quantidade num guri daquela idade. Devia ter, no máximo, uns 22 anos. Ele e sua cabeleira infestada de fios brancos. Sei bem que cabelos brancos podem ter as mais variadas origens, mas pra mim a que mais evidencia são as preocupações.
Tenho um amigo com uma quantidade considerável de fios brancos. Não vai demorar muito a ser chamado de grisalho. Só que ele é empresário do ramo de TI. Deve ter lá suas preocupações de empresário, seus investimentos, os riscos do mercado.. Coisas essas que, imagino eu, não deveriam preocupar um hippie como aquele do T9. O olhar perdido dele analisando uma franja na jaqueta não eram de alguém que estava preocupado nem com um provável aumento da passagem, quem dirá com a alta do dólar.
De que seriam então, aqueles fiapos albinos? Quase cheguei pra ele e perguntei: “O que te preocupa?”. Mas provavelmente ele olharia devagar pra mim e diria arrastando: “ãaahn!?” Não ia entender nada. Uma coisa é certa: devo ter ganho algum fio branco com esse hippie.
Pois bem, por sorte o passar dos anos me fez desistir dessas vestes radicais. Hoje, além desse grunge, que eu acho que já deve estar até ultrapassado, tem mais um monte de tribos novas, cada um com seus detalhes estranhos, como esse tal de Emo. Podem dizer o que quiserem, mas pra mim não passa de uma evolução do punk, agora com a permissão de peças coloridas e de banho, creio eu. Ainda assim um despropósito.
Apesar da minha deficiência de identificação, acho que tratava-se de um hippie mesmo: calça jeans meio surrada com as bainhas desfeitas, arrastando no chão, All Star surrado 9tudo era meio surrado), jaqueta jeans com forro em veludo e o cabelo daquele jeito.. estilo Jim Morrison e aparentemente sujo.
Essas coisas todas não me intrigavam, afinal, era a idéia que eu tinha de um hippie. Agora aqueles cabelos brancos não podiam estar ali. Ainda mais naquela quantidade num guri daquela idade. Devia ter, no máximo, uns 22 anos. Ele e sua cabeleira infestada de fios brancos. Sei bem que cabelos brancos podem ter as mais variadas origens, mas pra mim a que mais evidencia são as preocupações.
Tenho um amigo com uma quantidade considerável de fios brancos. Não vai demorar muito a ser chamado de grisalho. Só que ele é empresário do ramo de TI. Deve ter lá suas preocupações de empresário, seus investimentos, os riscos do mercado.. Coisas essas que, imagino eu, não deveriam preocupar um hippie como aquele do T9. O olhar perdido dele analisando uma franja na jaqueta não eram de alguém que estava preocupado nem com um provável aumento da passagem, quem dirá com a alta do dólar.
De que seriam então, aqueles fiapos albinos? Quase cheguei pra ele e perguntei: “O que te preocupa?”. Mas provavelmente ele olharia devagar pra mim e diria arrastando: “ãaahn!?” Não ia entender nada. Uma coisa é certa: devo ter ganho algum fio branco com esse hippie.
Tuesday, September 19, 2006
Teresa...
Em pouco menos de um mês, Tobias teria de avaliar tudo o que tinha de indispensável em seu apartamento. Ia se mudar para Natal, no Rio Grande do Norte para acompanhar o projeto de instalação de equipamentos de sua empresa naquela cidade.
Como não tinha muito tempo, e a idéia era ficar, no máximo um mês, levou apenas roupas, o notebook, o dvd e alguns discos.
Apesar de o projeto ser no nordeste, o trabalho ocuparia o dia todo, inclusive os finais de semana, e não teria muito tempo para o lazer, tampouco para dar conta de algo que o preocupava há algumas semanas: conhecer alguém.
Na verdade, Tobias não queria apenas conhecer alguém. Depois da segunda semana despindo-se apenas para o chuveiro, a idéia de conhecer alguém especial dava espaço a ter uma mulher em sua cama, nem que fosse por algumas horas. Suas últimas experiências não tinham sido muito encantadoras, por isso a idéia de alguém especial. Uma mulher que o provocasse, que desenvolvesse um bom diálogo sobre coisas interessantes, que tivesse um bom perfume e um olhar instigante. Coisa que não provara ultimamente. Não por ele não despertar interesse nas mulheres especiais. Tobias tinha lá seus predicados, tanto que chegava a trocar algumas palavras nas festas com tipos bastante cobiçados. Porém, Tobias carregava consigo um incrível dom para o azar.
Quase que todas as conversas ao telefone que tínhamos após as festas eram iniciadas por ele com um desanimador “ai meu Deus..!” Parecia que tudo conspirava contra quando conhecia, enfim, alguém interessante. Era o pneu do carro que furava, a chave que quebrava na fechadura, uma dor de estômago repentina e avassaladora. Aliás, isso era um dos piores inimigos de Tobias. Sempre acontecia uma dessas tragédias que faziam com que as moças fossem embora indignadas, crentes que eram elas, as azaradas por darem chance a um tipo tão atrapalhado. Talvez fossem.
Essas eram suas últimas lembranças no campo “mulher”. Nada consolador para quem aumentava o jejum a cada dia. Estava decidido que não iria apelar para o sexo pago. Acreditava que podia conquistar uma mulher que não fosse uma representante comercial do amor. E essa mulher estaria em Natal.
Depois de dias e noites trabalhando no projeto, Tobias resolveu que ia encerrar mais cedo as atividades e tomar uma cerveja. Foi ao hotel, tomou um banho e saiu. No bar, percebia que algumas mulheres o olhavam. Mulheres não muito bonitas, diga-se. Tobias era um tanto paciente. Com a notícia de que ficaria mais um mês no projeto, sem direito a visitar sua casa, decidiu que, naquela noite encerraria seu jejum sexual, nem que a mulher em questão na tivesse nada de interessante ou especial.
Uma morena de cabelos e blusalaranja estava só, numa mesa na parede. Tobias a viu assim que entrou, e posicionou-se estrategicamente no balcão ficando de frente pra ela. Parecia não tê-lo visto. Após algumas cervejas e olhares perdidos, a mulher de blusa laranja lança um olhar fulminante. Antes que pensasse em levantar-se do balcão do bar, a moça veio na sua direção. Sentou-se ao seu lado. Segurava uma garrafa de cerveja pelo gargalo e tomava no bico, o que deixou Tobias inseguro.
- Teresa.
- Oi.. meu nome é Tobias.
Um brinde e um gole.
Trocaram algumas poucas palavras até que ela insinuasse irem para um motel. Ele pagou a conta, e saiu logo atrás dela. Sem mãos dadas, sem beijos. Como se ele apenas seguisse o rastro de seu perfume de maçã. Ela tinha o perfume com aroma de maçã, e ele queria morde-la. Ela o aguardava do lado de fora. O comprimento da saia revelava uma perna bem torneada. Entraram no carro e ela indicou-lhe o caminho. Apenas apontando o braço longo, quase não trocaram palavras. Tobias suava na testa, quase tremia. Por sorte não lembrou de sua sina de azar. Subiram para o quarto, ao que Teresa saltou sobre Tobias, atirando-o por sobre a colcha de cetim.
- Aaaaai..
- O que foi..? – sussurrou ela.
- Nada.. nada..
Sua cabeça tinha batido no controle remoto da tv. Era o sinal que Tobias não queria receber. Num só movimento, Teresa arrancou as roupas e foi preparar a banheira. Antes, falou-lhe ao ouvido:
- Vou te dar um banho..
Enquanto ele tirava a roupa ela abriu a torneira da banheira para aquecer. Ela o olhava nos olhos, fulminante. Enfim Tobias encerraria seu jejum num verdadeiro banquete. Teresa era toda sedução. Tobias a encara. Fica de costas para a banheira. Ela se aproxima. Ele recua. Sente que a banheira está logo atrás. Ela se aproxima mais.. ele decide cair de costas na água.
- Aaaaahhhhhhhhhhhhhh!!!!!!!! Aaaaahhhhhhhhhhhhhh!!!!!!!!
Tobias salta por cima de Teresa e a atira no chão.
- O que foi, o que foi? – pergunta ela.
Ele apenas grita. Se retorce na cama com as mãos entre as pernas. Ela tenta ajudar, mas ele não deixa tocá-lo. Grita mais e mais. Teresa vai até a banheira e constata: havia ligado somente a água quente. No máximo. Ele recusa ajuda.
Ela vai embora.
Como não tinha muito tempo, e a idéia era ficar, no máximo um mês, levou apenas roupas, o notebook, o dvd e alguns discos.
Apesar de o projeto ser no nordeste, o trabalho ocuparia o dia todo, inclusive os finais de semana, e não teria muito tempo para o lazer, tampouco para dar conta de algo que o preocupava há algumas semanas: conhecer alguém.
Na verdade, Tobias não queria apenas conhecer alguém. Depois da segunda semana despindo-se apenas para o chuveiro, a idéia de conhecer alguém especial dava espaço a ter uma mulher em sua cama, nem que fosse por algumas horas. Suas últimas experiências não tinham sido muito encantadoras, por isso a idéia de alguém especial. Uma mulher que o provocasse, que desenvolvesse um bom diálogo sobre coisas interessantes, que tivesse um bom perfume e um olhar instigante. Coisa que não provara ultimamente. Não por ele não despertar interesse nas mulheres especiais. Tobias tinha lá seus predicados, tanto que chegava a trocar algumas palavras nas festas com tipos bastante cobiçados. Porém, Tobias carregava consigo um incrível dom para o azar.
Quase que todas as conversas ao telefone que tínhamos após as festas eram iniciadas por ele com um desanimador “ai meu Deus..!” Parecia que tudo conspirava contra quando conhecia, enfim, alguém interessante. Era o pneu do carro que furava, a chave que quebrava na fechadura, uma dor de estômago repentina e avassaladora. Aliás, isso era um dos piores inimigos de Tobias. Sempre acontecia uma dessas tragédias que faziam com que as moças fossem embora indignadas, crentes que eram elas, as azaradas por darem chance a um tipo tão atrapalhado. Talvez fossem.
Essas eram suas últimas lembranças no campo “mulher”. Nada consolador para quem aumentava o jejum a cada dia. Estava decidido que não iria apelar para o sexo pago. Acreditava que podia conquistar uma mulher que não fosse uma representante comercial do amor. E essa mulher estaria em Natal.
Depois de dias e noites trabalhando no projeto, Tobias resolveu que ia encerrar mais cedo as atividades e tomar uma cerveja. Foi ao hotel, tomou um banho e saiu. No bar, percebia que algumas mulheres o olhavam. Mulheres não muito bonitas, diga-se. Tobias era um tanto paciente. Com a notícia de que ficaria mais um mês no projeto, sem direito a visitar sua casa, decidiu que, naquela noite encerraria seu jejum sexual, nem que a mulher em questão na tivesse nada de interessante ou especial.
Uma morena de cabelos e blusalaranja estava só, numa mesa na parede. Tobias a viu assim que entrou, e posicionou-se estrategicamente no balcão ficando de frente pra ela. Parecia não tê-lo visto. Após algumas cervejas e olhares perdidos, a mulher de blusa laranja lança um olhar fulminante. Antes que pensasse em levantar-se do balcão do bar, a moça veio na sua direção. Sentou-se ao seu lado. Segurava uma garrafa de cerveja pelo gargalo e tomava no bico, o que deixou Tobias inseguro.
- Teresa.
- Oi.. meu nome é Tobias.
Um brinde e um gole.
Trocaram algumas poucas palavras até que ela insinuasse irem para um motel. Ele pagou a conta, e saiu logo atrás dela. Sem mãos dadas, sem beijos. Como se ele apenas seguisse o rastro de seu perfume de maçã. Ela tinha o perfume com aroma de maçã, e ele queria morde-la. Ela o aguardava do lado de fora. O comprimento da saia revelava uma perna bem torneada. Entraram no carro e ela indicou-lhe o caminho. Apenas apontando o braço longo, quase não trocaram palavras. Tobias suava na testa, quase tremia. Por sorte não lembrou de sua sina de azar. Subiram para o quarto, ao que Teresa saltou sobre Tobias, atirando-o por sobre a colcha de cetim.
- Aaaaai..
- O que foi..? – sussurrou ela.
- Nada.. nada..
Sua cabeça tinha batido no controle remoto da tv. Era o sinal que Tobias não queria receber. Num só movimento, Teresa arrancou as roupas e foi preparar a banheira. Antes, falou-lhe ao ouvido:
- Vou te dar um banho..
Enquanto ele tirava a roupa ela abriu a torneira da banheira para aquecer. Ela o olhava nos olhos, fulminante. Enfim Tobias encerraria seu jejum num verdadeiro banquete. Teresa era toda sedução. Tobias a encara. Fica de costas para a banheira. Ela se aproxima. Ele recua. Sente que a banheira está logo atrás. Ela se aproxima mais.. ele decide cair de costas na água.
- Aaaaahhhhhhhhhhhhhh!!!!!!!! Aaaaahhhhhhhhhhhhhh!!!!!!!!
Tobias salta por cima de Teresa e a atira no chão.
- O que foi, o que foi? – pergunta ela.
Ele apenas grita. Se retorce na cama com as mãos entre as pernas. Ela tenta ajudar, mas ele não deixa tocá-lo. Grita mais e mais. Teresa vai até a banheira e constata: havia ligado somente a água quente. No máximo. Ele recusa ajuda.
Ela vai embora.
Friday, September 15, 2006
Pessoas imprescindíveis...
De todas as pessoas que conheço, tiraria duas pra colocar a foto em quadro. De amigos tantos, e amores um, sempre presentes, esses dois passam a maior parte do tempo longe. Já tentei mudar isso, mas a vida me ensinou a compreender que os cotidianos são diferentes, e querer interferir seria como querer apreciar a beleza de um silvestre fora do habitat.
Considero o Régis e a Vi pessoas imprescindíveis por vê-los como personagens do palco da vida. Sempre fiz questão de que meus maiores amigos conhecessem-nos. Não pelas histórias malucas que protagonizaram. Mas sim pela maneira que interpretam a cada vez que nos contam sobre qualquer coisa, e assim fazem cada ato transformar-se num novo episódio.
O mais engraçado é que os dois não se conhecem.
Saudade, Régis; saudade Vi!
Inspiração...
- Tu vai querer ter uma cadeira de balanço um dia?
- Quê!?
- Uma cadeira de balanço, tu vai querer ter um dia?
- Ha ha.. como assim?
- Já tivemos uma lá em casa..
- Lá na vó tinha uma também.
- Ah sim.. mas a que tinha lá em casa era de criança, desse tamanho
- Bah!
- Mas eu te pergunto porque se um dia, quando fores bem velhinha, tu quiser ter uma, eu te embalo.
Considero o Régis e a Vi pessoas imprescindíveis por vê-los como personagens do palco da vida. Sempre fiz questão de que meus maiores amigos conhecessem-nos. Não pelas histórias malucas que protagonizaram. Mas sim pela maneira que interpretam a cada vez que nos contam sobre qualquer coisa, e assim fazem cada ato transformar-se num novo episódio.
O mais engraçado é que os dois não se conhecem.
Saudade, Régis; saudade Vi!
Inspiração...
- Tu vai querer ter uma cadeira de balanço um dia?
- Quê!?
- Uma cadeira de balanço, tu vai querer ter um dia?
- Ha ha.. como assim?
- Já tivemos uma lá em casa..
- Lá na vó tinha uma também.
- Ah sim.. mas a que tinha lá em casa era de criança, desse tamanho
- Bah!
- Mas eu te pergunto porque se um dia, quando fores bem velhinha, tu quiser ter uma, eu te embalo.
Wednesday, September 13, 2006
Extensão do domínio da luta...
Eu lia um trecho de Extensão do Domínio da Luta, do Houellebecq, quando percebi tratar-se de uma leitura típica do Rivo. Não lembrei-me dele pelo comportamento descrito, mas pelo tipo de leitura mesmo.
Assim que li, pensei: isso é a cara do Rivo, vou ligar! Quando ohei pro telefone, lá estava: 1 chamada não atendida - Rivo. Coisas desse tipo me deixam intrigado!
Eis o trecho:
Numa noite de dezembro (não trabalharia na segunda-feira, pois tinha tirado, contra sua vontade, quinze dias de férias "para as festas"), Gérard Leverrier voltou para casa e meteu uma bala na cabeça.
A notícia da morte dele não surpreendeu ninguém na Assembléia Geral, onde era, sobretudo, conhecido pelas dificuldades que tinha para comprar uma cama. Fazia alguns meses que ele se decidira a fazer a tal compra, mas a concretização do projeto se apresentava impossível. A anedota era contada, geralmente, com um leve sorriso irônico; porém, não havia motivo para riso; a compra de uma cama, na atualidade, apresenta, efetivamente, consideráveis dificuldades e pode mesmo levar alguém ao suicídio. Antes de tudo deve-se prever a entrega e, portanto, tirar uma manhã de folga, com todos os problemas ocasionados por isso. Às vezes, os entregadores não aparecem, o que nos obriga a pedir mais uma tarde de folga. Essas dificuldades se reproduzem com todos os móveis e eletrodomésticos; o acúmulo de aborrecimento resultante pode bastar para perturbar seriamente um ser sensível.
Mas a cama, entre todos os móveis, cria um problema especial, eminentemente doloroso. Se quisermos manter a consideração do vendedor, temos que comprar uma cama de casal, útil ou não, tenhamos ou não lugar para ela. Comprar uma cama de solteiro significa confessar publicamente que não se tem vida sexual e que não se pretende ter uma no futuro próximo (pois as camas duram, nos dias de hoje, muito tempo, bem além do prazo de garantia, entre cinco e dez, ou até mesmo vinte anos; é um investimento sério que o compromete praticamente para o resto da vida; as camas duram, em média, bem mais tempo que os casamentos, como se sabe bem mais). Mesmo a compra de uma cama de 140 cm de largura o faz passar por um pequeno-burguês mesquinho e limitado. Aos olhos do vendedor, a cama de 160 cm é a única que merece ser comprada; só assim você tem direito ao respeito dele, à sua consideração, quem sabe até a um leve sorriso cúmplice, exclusivo para as camas de 160.
Já tinha ouvido falar sobre o trecho, mas não tinha noção do quanto era envolvente e verdadeiro. Diariamente passamos por situações do tipo. Obviamente não culminam em suicídio, mas certamente numa morte momentânea onde a única coisa que se deseja é chegar em casa. Desistimos de negócios que empacam em burocracias ou pessoas ignorantes. Em outras situações, desistimos de fazer alguma coisa por criar mil dificuldades que, de fato, não existem.
Isso sem contar nos "parâmetros" pré-determinados aparentemente por ideais capitalistas de consumo, mas com uam boa dose de auto-afirmação por trás.
O óculos de natação tem que ser do tipo competição, anti-embaçante, senão não seremos vistos como nadadores de respeito, e sim comparados aos velhinhos da hidrginástica; os pneus do carro com sulco pra chuva e travas para terrenos acidentados nos dão a impressão de quem vai viajar no final de semana; até mesmo o mouse do computador, se não for com a luzinha embaixo (não digo infra-vermelho porque infra-vermelho é invisível), não seremos vistos como peritos da informática, que usam programas de ponta em empresas totalmente informatizadas; e a cama.. a cama, obviamente tem que ser de casal, de preferência com 160 cm de largura.
Assim que li, pensei: isso é a cara do Rivo, vou ligar! Quando ohei pro telefone, lá estava: 1 chamada não atendida - Rivo. Coisas desse tipo me deixam intrigado!
Eis o trecho:
Numa noite de dezembro (não trabalharia na segunda-feira, pois tinha tirado, contra sua vontade, quinze dias de férias "para as festas"), Gérard Leverrier voltou para casa e meteu uma bala na cabeça.
A notícia da morte dele não surpreendeu ninguém na Assembléia Geral, onde era, sobretudo, conhecido pelas dificuldades que tinha para comprar uma cama. Fazia alguns meses que ele se decidira a fazer a tal compra, mas a concretização do projeto se apresentava impossível. A anedota era contada, geralmente, com um leve sorriso irônico; porém, não havia motivo para riso; a compra de uma cama, na atualidade, apresenta, efetivamente, consideráveis dificuldades e pode mesmo levar alguém ao suicídio. Antes de tudo deve-se prever a entrega e, portanto, tirar uma manhã de folga, com todos os problemas ocasionados por isso. Às vezes, os entregadores não aparecem, o que nos obriga a pedir mais uma tarde de folga. Essas dificuldades se reproduzem com todos os móveis e eletrodomésticos; o acúmulo de aborrecimento resultante pode bastar para perturbar seriamente um ser sensível.
Mas a cama, entre todos os móveis, cria um problema especial, eminentemente doloroso. Se quisermos manter a consideração do vendedor, temos que comprar uma cama de casal, útil ou não, tenhamos ou não lugar para ela. Comprar uma cama de solteiro significa confessar publicamente que não se tem vida sexual e que não se pretende ter uma no futuro próximo (pois as camas duram, nos dias de hoje, muito tempo, bem além do prazo de garantia, entre cinco e dez, ou até mesmo vinte anos; é um investimento sério que o compromete praticamente para o resto da vida; as camas duram, em média, bem mais tempo que os casamentos, como se sabe bem mais). Mesmo a compra de uma cama de 140 cm de largura o faz passar por um pequeno-burguês mesquinho e limitado. Aos olhos do vendedor, a cama de 160 cm é a única que merece ser comprada; só assim você tem direito ao respeito dele, à sua consideração, quem sabe até a um leve sorriso cúmplice, exclusivo para as camas de 160.
Já tinha ouvido falar sobre o trecho, mas não tinha noção do quanto era envolvente e verdadeiro. Diariamente passamos por situações do tipo. Obviamente não culminam em suicídio, mas certamente numa morte momentânea onde a única coisa que se deseja é chegar em casa. Desistimos de negócios que empacam em burocracias ou pessoas ignorantes. Em outras situações, desistimos de fazer alguma coisa por criar mil dificuldades que, de fato, não existem.
Isso sem contar nos "parâmetros" pré-determinados aparentemente por ideais capitalistas de consumo, mas com uam boa dose de auto-afirmação por trás.
O óculos de natação tem que ser do tipo competição, anti-embaçante, senão não seremos vistos como nadadores de respeito, e sim comparados aos velhinhos da hidrginástica; os pneus do carro com sulco pra chuva e travas para terrenos acidentados nos dão a impressão de quem vai viajar no final de semana; até mesmo o mouse do computador, se não for com a luzinha embaixo (não digo infra-vermelho porque infra-vermelho é invisível), não seremos vistos como peritos da informática, que usam programas de ponta em empresas totalmente informatizadas; e a cama.. a cama, obviamente tem que ser de casal, de preferência com 160 cm de largura.
Monday, September 11, 2006
Dias de ansiedade e euforia...
Dias loucos, aqueles. A ansiedade tomava conta de cada ato e me fazia correr contra um tempo que não tinha prazo. Sabia que se mais demorasse, explicitaria o que tinha por vir. Depois de tantas voltas, a decisão que por vontade não tinha mais por que tardar.
No meio de tanta gente encontrei. Foi um momento de apreensão e ansiedade, mas que não podia ser contido. Ouvi gritos, ouvi choro, ouvi risos. E eram tão silenciosos diante daquele olhar.
A euforia da felicidade fez-me forte contra a ansiedade dos dias seguintes: os dias dos comunicados formais, marcados pela simplicidade e tomados por uma alegria geral. Toda a felicidade desejada é a que vivemos a cada dia. Assim seja..
No meio de tanta gente encontrei. Foi um momento de apreensão e ansiedade, mas que não podia ser contido. Ouvi gritos, ouvi choro, ouvi risos. E eram tão silenciosos diante daquele olhar.
A euforia da felicidade fez-me forte contra a ansiedade dos dias seguintes: os dias dos comunicados formais, marcados pela simplicidade e tomados por uma alegria geral. Toda a felicidade desejada é a que vivemos a cada dia. Assim seja..
Friday, September 08, 2006
Ainda sobre o podre amargo do doce...
"Pouco importa o julgamento dos outros.." Pois é isso. Quando fiquei entre os oito e os oito mil caí na mesmice do quase. Aos porcos da inveja nem oito nem nada; e a quem merece meu autêntico e verdadeiro amor, oito mil vezes mais amor.
**********
A decisão...
Faz umas duas semanas. Não vou dizer que fiquei dias pensando, analisando prós e contras, pesando isso e aquilo. Apenas dei um pouco mais de asas aos sentimentos e simplesmente voei, trazendo pela mão a dona do meu sorriso.
Alice...
Ali se adormecem meus boas noites
Ali se perdem meus olhos e lábios
Devolvidos em sorriso
Encantados pelo beijo
Ali se alimenta meu desejo
Na pele e no perfume
No carinho e no calor
Arrepio e suor
Ali se acordam meus bons dias
Das manhãs de todos meus amanhãs
Ali se faz ouvir ecoando
Te amo..!
**********
A decisão...
Faz umas duas semanas. Não vou dizer que fiquei dias pensando, analisando prós e contras, pesando isso e aquilo. Apenas dei um pouco mais de asas aos sentimentos e simplesmente voei, trazendo pela mão a dona do meu sorriso.
Alice...
Ali se adormecem meus boas noites
Ali se perdem meus olhos e lábios
Devolvidos em sorriso
Encantados pelo beijo
Ali se alimenta meu desejo
Na pele e no perfume
No carinho e no calor
Arrepio e suor
Ali se acordam meus bons dias
Das manhãs de todos meus amanhãs
Ali se faz ouvir ecoando
Te amo..!
Monday, September 04, 2006
O amargo do doce...
O corrompimento dos valores ultrapassa os próprios limites afim de que nele se afundem quem quer que seja. Chega mascarado em doce, mas esconde um amargo podre. E mais podre que a prostituição do corpo nas ruas é a da alma, que nem preço tem. Penso então, que não se trata mais de vaidade. Talvez uma tentativa de afirmação esnobe de uma derrotada.
A saga de uma uma alma derrotada, prostituída, é a eterna luta contra si mesma na perda contínua desses valores em atos inconseqüentes. Queria eu, que meus lábios não tivessem se movido a proferir tamanha desqualificação. Queria que o desprezo não me deixasse sentir o amargo.
Todos os gritos desesperados sucumbem no vácuo do sentimento a eles reservado. Por sorte o fervor do meu sangue noutro peito ainda guarda a ternura da criança que vi nascer. Nela deposito meu amor e recobro o bom de quem ainda não acha que o normal é a inversão do seu valor.
A saga de uma uma alma derrotada, prostituída, é a eterna luta contra si mesma na perda contínua desses valores em atos inconseqüentes. Queria eu, que meus lábios não tivessem se movido a proferir tamanha desqualificação. Queria que o desprezo não me deixasse sentir o amargo.
Todos os gritos desesperados sucumbem no vácuo do sentimento a eles reservado. Por sorte o fervor do meu sangue noutro peito ainda guarda a ternura da criança que vi nascer. Nela deposito meu amor e recobro o bom de quem ainda não acha que o normal é a inversão do seu valor.
Friday, September 01, 2006
Aniversários...
Ontem, 31 de agosto, houve dois acontecimentos marcantes na história da civilização humana na Terra*.
Nos idos de 1963, dona Anair e seu Antônio selavam o matrimônio. Ela com dezoito e ele com trinta e quatro. Quatorze anos depois, essa união daria fruto a este que vos escreve. Então liguei pra escola onde minha mãe é merendeira pra parabenizá-la, já que ontem esqueci de fazê-lo pessoalmente. Só que o mané aqui é tão perdido pra data que o tal aniversário de casamento foi há um mês: 31 de julho. De qualquer forma ela disse que gostou. E assim, faz 43 anos e 1 mês que estão juntos.
Parabéns pai e mãe!
Mas ontem, ontem mesmo, foi o aniversário do grande amigo FM. Não liguei porque amanhã é o dia da grande festa, e pra ele não ficar se achando muito. Ele que só faz as coisas pra se aparecer. Sacanagem!
Amanhã a imperdível festa de aniversário desse figura. Vai ser ali na Asfinter, atrás do Beira-Rio com pulseirinhas e todas essas frescuras.
Site da festa
Parabéns, cara! Saúde e sorte sempre!
E hoje!!!
Hoje, é o aniversário do meu sobrinho e afilhado Douglas. Sim, aquele mesmo que dei por 2 anos seguidos o mesmo presente: uma Batalha Naval. Mas este ano prometo um presente diferente pro guri. Senão vai ser o primeiro caso de Padrinho deposto.
História da civilização humana na Terra.
(*) Quase sempre que alguém vai dar um discurso sobre qualquer coisa que envolva pessoas, enche lingüiça com essas obviedades. Só não descobri se é pra dar um tom de entendedor ou pra engordar o texto mesmo. "Pessoa humana", "civilização humana", e assim vai. Prestem atenção.
Tempo...
Tem uma hora que as projeções da vida começam a tomar forma. E ainda que sejam de surpresa, não são assustadoras. A não ser que não se entenda o porquê de ser tudo tão bom. Há quem perca a preciosidade do tempo tentando entender isso e há quem simplesmente aproveite o que há de bom, e gaste-o na medida em que surge nos relógios.
Assim cada momento se torna especial, por mais numerosos que sejam, e não há como não querer mais. Tudo o que a vida adiou passa a ter uma razão tão forte que os olhos de guri jamais permitiriam ver. Todo o tempo que passou, se não teve a mesma riqueza de alegria, foi a base para poder olhar pra trás e confirmar que o hoje é o presente maior, e que o futuro, a cada novo instante, novo presente se faz.
Ontem, 31 de agosto, houve dois acontecimentos marcantes na história da civilização humana na Terra*.
Nos idos de 1963, dona Anair e seu Antônio selavam o matrimônio. Ela com dezoito e ele com trinta e quatro. Quatorze anos depois, essa união daria fruto a este que vos escreve. Então liguei pra escola onde minha mãe é merendeira pra parabenizá-la, já que ontem esqueci de fazê-lo pessoalmente. Só que o mané aqui é tão perdido pra data que o tal aniversário de casamento foi há um mês: 31 de julho. De qualquer forma ela disse que gostou. E assim, faz 43 anos e 1 mês que estão juntos.
Parabéns pai e mãe!
Mas ontem, ontem mesmo, foi o aniversário do grande amigo FM. Não liguei porque amanhã é o dia da grande festa, e pra ele não ficar se achando muito. Ele que só faz as coisas pra se aparecer. Sacanagem!
Amanhã a imperdível festa de aniversário desse figura. Vai ser ali na Asfinter, atrás do Beira-Rio com pulseirinhas e todas essas frescuras.
Site da festa
Parabéns, cara! Saúde e sorte sempre!
E hoje!!!
Hoje, é o aniversário do meu sobrinho e afilhado Douglas. Sim, aquele mesmo que dei por 2 anos seguidos o mesmo presente: uma Batalha Naval. Mas este ano prometo um presente diferente pro guri. Senão vai ser o primeiro caso de Padrinho deposto.
História da civilização humana na Terra.
(*) Quase sempre que alguém vai dar um discurso sobre qualquer coisa que envolva pessoas, enche lingüiça com essas obviedades. Só não descobri se é pra dar um tom de entendedor ou pra engordar o texto mesmo. "Pessoa humana", "civilização humana", e assim vai. Prestem atenção.
Tempo...
Tem uma hora que as projeções da vida começam a tomar forma. E ainda que sejam de surpresa, não são assustadoras. A não ser que não se entenda o porquê de ser tudo tão bom. Há quem perca a preciosidade do tempo tentando entender isso e há quem simplesmente aproveite o que há de bom, e gaste-o na medida em que surge nos relógios.
Assim cada momento se torna especial, por mais numerosos que sejam, e não há como não querer mais. Tudo o que a vida adiou passa a ter uma razão tão forte que os olhos de guri jamais permitiriam ver. Todo o tempo que passou, se não teve a mesma riqueza de alegria, foi a base para poder olhar pra trás e confirmar que o hoje é o presente maior, e que o futuro, a cada novo instante, novo presente se faz.
Thursday, August 24, 2006
A fila do buffet...
Uma vez por semana, ao menos, almoço com uns amigos aqui perto. E tem um deles que sempre reclama tão logo entra no restaurante.
- Bah, vamos embora daqui, vamos comer em outro lugar. Detesto fila pra comer.
Até que ele tem certa razão. Mas a comida dali é boa, e levando em conta o tempo de deslocamento até outro estabelecimento, e o risco de também estar cheio, acabamos ficando. E ouvindo os reclames desse amigo.
- Detesto esperar pra comer.. – fica ele resmungando.
Fosse só a espera por uma mesa, pelo tal restaurante ser muito procurado, tudo bem. Mas existe também a fila no buffet. Essa sim é triste. Tem gente que simplesmente não pensa no conjunto. É a minha vez de servir e danem-se os outros.
A pessoa analisa os pratos, escolhe um sem nenhum defeitinho de fabricação. Depois o garfo, de preferência com nenhum dente torto ou amassado e, por fim, a faca, com o fio devidamente em dia. Isso são só os instrumentos. Aí então passa-se a escolher o arroz. Primeiro o figura dá uma amassada no arroz, pra soltar a parte a ser servida. Mas não toda a parte. Dentre os grãos soltos escolhe-se uma porção. E a pessoa de trás esperando. E a fila aumentando.
O alface! Tem gente que escolhe o alface! Eu imagino o trabalho da cozinheira soltando as folhas do pé e as lavando. Qualquer uma é uma. Estão todas devidamente selecionadas. Mas não, as pessoas precisam avaliar a área da folha de alface e a textura do verde.
E aqueles que tentam se enganar no buffet e se matam na sobremesa? Bah! Mulher então... Chegam a catar dois ou três grãozinhos de feijão, e duas bolinhas de ervilha. Se cai uma a mais no prato é retirada. Controle de qualidade extremo. E a fila aumentando. Depois comem dois pratinhos de pudim de leite condensado. Pra compensar – argumentam.
E assim os restaurantes ganham essa fama, de que são cheios e têm fila até pra servir o buffet. Certas pessoas deviam encarar um bandejão de RU pra ter mais modos.
- Bah, vamos embora daqui, vamos comer em outro lugar. Detesto fila pra comer.
Até que ele tem certa razão. Mas a comida dali é boa, e levando em conta o tempo de deslocamento até outro estabelecimento, e o risco de também estar cheio, acabamos ficando. E ouvindo os reclames desse amigo.
- Detesto esperar pra comer.. – fica ele resmungando.
Fosse só a espera por uma mesa, pelo tal restaurante ser muito procurado, tudo bem. Mas existe também a fila no buffet. Essa sim é triste. Tem gente que simplesmente não pensa no conjunto. É a minha vez de servir e danem-se os outros.
A pessoa analisa os pratos, escolhe um sem nenhum defeitinho de fabricação. Depois o garfo, de preferência com nenhum dente torto ou amassado e, por fim, a faca, com o fio devidamente em dia. Isso são só os instrumentos. Aí então passa-se a escolher o arroz. Primeiro o figura dá uma amassada no arroz, pra soltar a parte a ser servida. Mas não toda a parte. Dentre os grãos soltos escolhe-se uma porção. E a pessoa de trás esperando. E a fila aumentando.
O alface! Tem gente que escolhe o alface! Eu imagino o trabalho da cozinheira soltando as folhas do pé e as lavando. Qualquer uma é uma. Estão todas devidamente selecionadas. Mas não, as pessoas precisam avaliar a área da folha de alface e a textura do verde.
E aqueles que tentam se enganar no buffet e se matam na sobremesa? Bah! Mulher então... Chegam a catar dois ou três grãozinhos de feijão, e duas bolinhas de ervilha. Se cai uma a mais no prato é retirada. Controle de qualidade extremo. E a fila aumentando. Depois comem dois pratinhos de pudim de leite condensado. Pra compensar – argumentam.
E assim os restaurantes ganham essa fama, de que são cheios e têm fila até pra servir o buffet. Certas pessoas deviam encarar um bandejão de RU pra ter mais modos.
Wednesday, August 23, 2006
Gelo...
Era pra ser um simples alô de boa tarde. A semana terminava, e sempre é bom demarcar que "hoje é sexta-feira!". Parece que as horas seguintes passam mais depressa depois de ouvir um "Hoje é sexta-feira!". Pois eu iria fazer meu anúncio de que era sexta e tentar tornar as horas seguintes mais doces na vida de alguém.
Mas ela não atendeu. E antes que pensasse qualquer besteira de que não quisesse falar comigo, me cortei: é muito atarefada! Em seguida o telefone tocou. Era ela. A mesma voz doce de sempre. Anunciei a sexta e deixei a palavra com ela. Falou, falou, falou. Disse que tudo corria bem. Até que hesitou..
- ...aqui vai tudo bem, daqui a pouco vou embora e... tsc, depois eu falo contigo.
- O que foi?
- Não, nada. Quero falar contigo, mas é melhor deixar pra depois.
- Pode falar..
- Não, depois eu converso contigo. Se bem te conheço tu não vai gostar.
- Tudo bem..
Se ela soubesse o frio na espinha que dá um "quero falar contigo", não o faria assim, como quem diz que vai ao supermercado comprar pão e leite. E era uma sexta, ainda teria a aula de Telejornal pra produzir. Certamente eu não agüentaria até às 23h para saber do que se tratava.
Logicamente as horas remanescentes da sexta, em vez de passarem mais depressa, estagnaram-se no meu relógio biológico e voltei para as oito da manhã. Meu raciocínio para a produção da matéria da aula travou. Não consegui mais pensar em nada que não naquele avassalador e determinado "quero falar contigo".
O que seria, meu Deus? Alguma crise repentina de ciúmes? Mas a troco de quê? Que eu saiba ela não teria nenhum elemento argumentativo para ciúmes. Uma difamação! Isso! Uma difamação. Com o atual engajamento político que vivemos, é natural que o brasileiro leve para a sua vida a parte suja da coisa. E passe a usar isso com as pessoas do deu dia-a-dia.
Assim, alguma amiga invejosa pode ter dito coisas a meu repeito. Sim, era isso. Só podia ser. E como eu faria pra criar uma argumentação em meu favor se sequer sabia qual era o assunto? Estava perdido. Ela, que tinha a bomba nas mãos, tinha todo o tempo pra pensar em como me aniquilar da pior maneira, caso eu não tivesse uma boa desculpa pra aquilo que ela sabia que não fiz. Mas como foi dito, eu que me defendesse. Eu estava perdido!
Tentei pensar em outra coisa. Mas nada me vinha. A matéria pra aula de telejornal! Não podia perder. Ainda faltava uma hora pra eu sair do trabalho e ir pra casa. Por sorte o chefe me pediu um favor casual que fez eu perder a atenção no tempo. Quando vi, já passava das dezessete e podia continuar me preocupando em casa e depois na aula.
Quantos meses, quanta dedicação, quanta coisa boa.. ploft! Assim! Não era justo! Pra piorar meu azar perdi o ônibus um pouquinho antes de chegar à parada. Depois, os semáforos levavam uma vida.. Ainda tinha a aula. Eu não iria agüentar! Termina a aula, professor! - eu implorava em silêncio. Agora eu já não sabia mais se queria mesmo enfrentar a situação ou protelar mais um pouco. A testa suava. Via os lábios do professor se movendo, mas não ouvia nada.
A aula terminou. E agora? Não tinha mais como fugir. Adentrei no T9 e sentei com o meu dilema. Lembrei de todos os momentos bons entre nós. Não era justo. Não era. Como ela podia acreditar em alguém que não conhecia a nossa história. Será que eu deveria apenas ligar e tentar conversar por telefone? Não. Ia ser homem e encarar de vez aquela situação.
A bateria do meu telefone acabou, pra piorar a situação. E eu não lembrava o número do apartamento. Só faltava, agora, era tocar no apartamento errado. Daí sim. E acordar algum tiozão velho, gordo e ranzinza, justamente na hora da sua janta sagrada. Era o meu dia de desgraça mesmo. Apertei o botão, cheio de medo.
- Oi..
- Oi, tô aqui embaixo..
A voz até que era a mesma voz suave de sempre. Primeiro bom sinal. Talvez não fosse tão grave assim. Ou ela estaria esperando pra me aniquilar depois, pra não fazer escarcéu ali na rua. Subi quieto. Ela me olhava. Nesse momento os olhos falavam muito mais do que qualquer palavra. Depois de alguns instantes ela lascou, mas aind suave..
- Tu estás tão quieto..
- Eu sou quieto.
- Hahahaha
- Hahahaha
Risadas.. outro bom sinal, mas podiam ser risadas sarcásticas. Então fui ao ponto:
- Tu disse que queria falar comigo..
- ..(silêncio)
- O que foi?
- Hahahahahhahahhahahahhahaha não acredito! Eu nem lembrava mais! Hahahahhahaa!!!
- Fala, por favor!
- Ah não, agora vou te deixar mais curioso..
- Tu não quer ir na formatura, amanhã, é isso?
- Hahahahahaha! Claro que é. É só isso!
Eu me odeio!
Mas ela não atendeu. E antes que pensasse qualquer besteira de que não quisesse falar comigo, me cortei: é muito atarefada! Em seguida o telefone tocou. Era ela. A mesma voz doce de sempre. Anunciei a sexta e deixei a palavra com ela. Falou, falou, falou. Disse que tudo corria bem. Até que hesitou..
- ...aqui vai tudo bem, daqui a pouco vou embora e... tsc, depois eu falo contigo.
- O que foi?
- Não, nada. Quero falar contigo, mas é melhor deixar pra depois.
- Pode falar..
- Não, depois eu converso contigo. Se bem te conheço tu não vai gostar.
- Tudo bem..
Se ela soubesse o frio na espinha que dá um "quero falar contigo", não o faria assim, como quem diz que vai ao supermercado comprar pão e leite. E era uma sexta, ainda teria a aula de Telejornal pra produzir. Certamente eu não agüentaria até às 23h para saber do que se tratava.
Logicamente as horas remanescentes da sexta, em vez de passarem mais depressa, estagnaram-se no meu relógio biológico e voltei para as oito da manhã. Meu raciocínio para a produção da matéria da aula travou. Não consegui mais pensar em nada que não naquele avassalador e determinado "quero falar contigo".
O que seria, meu Deus? Alguma crise repentina de ciúmes? Mas a troco de quê? Que eu saiba ela não teria nenhum elemento argumentativo para ciúmes. Uma difamação! Isso! Uma difamação. Com o atual engajamento político que vivemos, é natural que o brasileiro leve para a sua vida a parte suja da coisa. E passe a usar isso com as pessoas do deu dia-a-dia.
Assim, alguma amiga invejosa pode ter dito coisas a meu repeito. Sim, era isso. Só podia ser. E como eu faria pra criar uma argumentação em meu favor se sequer sabia qual era o assunto? Estava perdido. Ela, que tinha a bomba nas mãos, tinha todo o tempo pra pensar em como me aniquilar da pior maneira, caso eu não tivesse uma boa desculpa pra aquilo que ela sabia que não fiz. Mas como foi dito, eu que me defendesse. Eu estava perdido!
Tentei pensar em outra coisa. Mas nada me vinha. A matéria pra aula de telejornal! Não podia perder. Ainda faltava uma hora pra eu sair do trabalho e ir pra casa. Por sorte o chefe me pediu um favor casual que fez eu perder a atenção no tempo. Quando vi, já passava das dezessete e podia continuar me preocupando em casa e depois na aula.
Quantos meses, quanta dedicação, quanta coisa boa.. ploft! Assim! Não era justo! Pra piorar meu azar perdi o ônibus um pouquinho antes de chegar à parada. Depois, os semáforos levavam uma vida.. Ainda tinha a aula. Eu não iria agüentar! Termina a aula, professor! - eu implorava em silêncio. Agora eu já não sabia mais se queria mesmo enfrentar a situação ou protelar mais um pouco. A testa suava. Via os lábios do professor se movendo, mas não ouvia nada.
A aula terminou. E agora? Não tinha mais como fugir. Adentrei no T9 e sentei com o meu dilema. Lembrei de todos os momentos bons entre nós. Não era justo. Não era. Como ela podia acreditar em alguém que não conhecia a nossa história. Será que eu deveria apenas ligar e tentar conversar por telefone? Não. Ia ser homem e encarar de vez aquela situação.
A bateria do meu telefone acabou, pra piorar a situação. E eu não lembrava o número do apartamento. Só faltava, agora, era tocar no apartamento errado. Daí sim. E acordar algum tiozão velho, gordo e ranzinza, justamente na hora da sua janta sagrada. Era o meu dia de desgraça mesmo. Apertei o botão, cheio de medo.
- Oi..
- Oi, tô aqui embaixo..
A voz até que era a mesma voz suave de sempre. Primeiro bom sinal. Talvez não fosse tão grave assim. Ou ela estaria esperando pra me aniquilar depois, pra não fazer escarcéu ali na rua. Subi quieto. Ela me olhava. Nesse momento os olhos falavam muito mais do que qualquer palavra. Depois de alguns instantes ela lascou, mas aind suave..
- Tu estás tão quieto..
- Eu sou quieto.
- Hahahaha
- Hahahaha
Risadas.. outro bom sinal, mas podiam ser risadas sarcásticas. Então fui ao ponto:
- Tu disse que queria falar comigo..
- ..(silêncio)
- O que foi?
- Hahahahahhahahhahahahhahaha não acredito! Eu nem lembrava mais! Hahahahhahaa!!!
- Fala, por favor!
- Ah não, agora vou te deixar mais curioso..
- Tu não quer ir na formatura, amanhã, é isso?
- Hahahahahaha! Claro que é. É só isso!
Eu me odeio!
Friday, August 18, 2006
O rumo do sol nascente...
Num repente, o enigmático gerenciador de todos os relógios do mundo os fazia parar. Assim foi desde a tarde de quarta-feira. Parecia que aquela noite não chegaria nunca. Fiquei num estado que cheguei a temer pela saúde.
Até que, enfim, segurei aquela mão suave e dela não mais soltei. A frieza que me congelava os nervos se acabava com o calor daquele abraço, ligado por aquelas mãozinhas. E esse calor fez com que os relógios de todo o mundo voltassem a funcionar normalmente.
A tão temida tempestade chegou. Inevitavelmente chegou com ondas gigantes. Mas gigante também era a nossa bravura. A certeza do meu porto no espelho daqueles olhos e no calor daquelas mãos me seguraram em pé. E as onze velas inflaram como se 50 mil soprassem juntos, e o velho casco de carvalho foi como escudo durante todo o tempo.
Ao final, molhados e exaustos, sorrimos entre lágrimas. Vibramos, choramos, sorrimos. A tempestade passara. Tomamos o oceano, agora calmo. Naquele abraço adormeci. O tão sonhado amanhecer estava tão perto. O olhos no horizonte e o rumo do sol nascente. Sempre junto do meu porto seguro, com os dedos entrelaçados naquela mão suave, o calor daquele abraço e o brilho provocante dos olhos onde me perdi.
Até que, enfim, segurei aquela mão suave e dela não mais soltei. A frieza que me congelava os nervos se acabava com o calor daquele abraço, ligado por aquelas mãozinhas. E esse calor fez com que os relógios de todo o mundo voltassem a funcionar normalmente.
A tão temida tempestade chegou. Inevitavelmente chegou com ondas gigantes. Mas gigante também era a nossa bravura. A certeza do meu porto no espelho daqueles olhos e no calor daquelas mãos me seguraram em pé. E as onze velas inflaram como se 50 mil soprassem juntos, e o velho casco de carvalho foi como escudo durante todo o tempo.
Ao final, molhados e exaustos, sorrimos entre lágrimas. Vibramos, choramos, sorrimos. A tempestade passara. Tomamos o oceano, agora calmo. Naquele abraço adormeci. O tão sonhado amanhecer estava tão perto. O olhos no horizonte e o rumo do sol nascente. Sempre junto do meu porto seguro, com os dedos entrelaçados naquela mão suave, o calor daquele abraço e o brilho provocante dos olhos onde me perdi.
Tuesday, August 15, 2006
Porto seguro...
Quando diziam que as pessoas devem (ou deveriam) ter um porto seguro, sempre fiz pouco caso. Sempre me imaginei auto-suficiente, e resolvia as turbulências sofridas a minha maneira: na rua. Quase sempre deu certo. Porém, minha falta de medida na rua era proporcional ao que me afligia, embora sempre negasse passar por qualquer temeridade. Assim protagonizei histórias que serviriam de prato farto pra um personagem de desgraças.
Não vou dizer que me arrependo. Mas se eu fui alegre nos momentos de Tom Sem Freio, Exagerado, Nau à deriva, posso dizer que, ora bem ancorado, ora com um rumo bem definido com velas e leme na mesma direção, agora sou realmente feliz.
Ao oceano em meio a enormes ondas. Desta vez nenhuma delas foi capaz de nos levar de volta à terra firme. Talvez não tenhamos respeitado os perigos dos mares em outras investidas. E desta vez, com repeito e cautela, fomos onde nunca ninguém foi. E eis que me deparo com uma tempestade iminente. Não há tempo de voltar, senão enfrentá-la. É sabido que todas as forças, toda a perspicácia e toda audácia será necessária. E assim, com o devido respeito destemido, seremos recompensados com um imenso oceano, por hora calmo, apenas espelhando um sol forte. E um horizonte...
De minha parte, sei que só cheguei até aqui pela certeza das águas cristalinas e calmas do porto que vejo naqueles olhos. É neles que adormeço e revigoro para uma nova manhã. Não exatamente a certeza de uma volta, porque quem está sempre presente não precisa voltar. A dona desses olhos levo comigo. É a mão suave que vou segurar firme na hora da batalha final. Naqueles braços é que vou adormecer à espera do tão sonhado amanhecer.
Não vou dizer que me arrependo. Mas se eu fui alegre nos momentos de Tom Sem Freio, Exagerado, Nau à deriva, posso dizer que, ora bem ancorado, ora com um rumo bem definido com velas e leme na mesma direção, agora sou realmente feliz.
Ao oceano em meio a enormes ondas. Desta vez nenhuma delas foi capaz de nos levar de volta à terra firme. Talvez não tenhamos respeitado os perigos dos mares em outras investidas. E desta vez, com repeito e cautela, fomos onde nunca ninguém foi. E eis que me deparo com uma tempestade iminente. Não há tempo de voltar, senão enfrentá-la. É sabido que todas as forças, toda a perspicácia e toda audácia será necessária. E assim, com o devido respeito destemido, seremos recompensados com um imenso oceano, por hora calmo, apenas espelhando um sol forte. E um horizonte...
De minha parte, sei que só cheguei até aqui pela certeza das águas cristalinas e calmas do porto que vejo naqueles olhos. É neles que adormeço e revigoro para uma nova manhã. Não exatamente a certeza de uma volta, porque quem está sempre presente não precisa voltar. A dona desses olhos levo comigo. É a mão suave que vou segurar firme na hora da batalha final. Naqueles braços é que vou adormecer à espera do tão sonhado amanhecer.
Thursday, August 10, 2006
Um sonho vivo...
É de muito que criamos os sonhos. Os guris, logo que ganham os primeiros carrinhos de brinquedo, já começam a nutrir, nas suas cacholinhas de guri, a idéia de ter um carro quando adultos. Montam em pensamento carros dos mais incrementados, com aerofólios e instrumentos de ponteiro, turbo e insulfilm. O pior é que depois de adultos, uns esquecem e transformam os automóveis em carros alegóricos.
Mais tarde, nas aulas de geografia, são apresentados a mundos incríveis muito além das fronteiras do muro de casa. E desses mundos se formarão os sonhos das viagens, mas estes não serão restritos aos guris. As meninas receberão as mesmas aulas e terão também suas viagens dos sonhos.
Assim como os guris criam seus sonhos de carros, as gurias têm um sonho muito mais bonito, muito mais rico do que o materialismo de ter um carrão. Elas sonham com uma família e um lar. Talvez por brincarem de casinha e boneca, sei lá. Talvez por isso também, amadureçam mais cedo. Enquanto os porra-loucas dos guris se imaginam dentro de uma máquina a duzentos por hora, as gurias estão lá.. com um maridão, numa casa aconchegante embalando o doce sono de uma criança. Um sonho que chega a ser quase sagrado, esse das gurias.
Ainda hoje ouvi do amigão Régis a seguinte frase: "A família é a menor igreja do mundo!" Falou isso porque eu contei pra ele que ontem, quando fui sair pra ver o jogo do Inter, fui até o quarto e dei um abraço apertado no meu pai. "Sorte, pai!" – falei baixinho, mas com muita vontade. E isso é uma coisa muito rara. Lá em casa o carinho todo fica por conta da minha mãe. Mas foi bom aquele abraço forte. Um abraço esperado há anos. Certo que ele lembrou do calor daquele abraço e do "sorte" quando foi dormir.
E é esse sonho que vejo se realizar. Aquela guriazinha pequena de apelido tão miudinho vem me dizer que vai ter um Piolhinho. Ora mas que coisa mais linda! Num mesmo momento vejo uma mistura de sonho, festejo e realização. Quando percebo estar vivendo o melhor, quando percebo que não é o sonho que é real, mas sim que o real, de tão bom, parece sonho, percebo também que não é um presente único. E o que posso desejar é que seja uma criança de muitos sonhos. Sonhos de carrinhos, de bonecas, de um lar e, principalmente, de uma família.
Mais tarde, nas aulas de geografia, são apresentados a mundos incríveis muito além das fronteiras do muro de casa. E desses mundos se formarão os sonhos das viagens, mas estes não serão restritos aos guris. As meninas receberão as mesmas aulas e terão também suas viagens dos sonhos.
Assim como os guris criam seus sonhos de carros, as gurias têm um sonho muito mais bonito, muito mais rico do que o materialismo de ter um carrão. Elas sonham com uma família e um lar. Talvez por brincarem de casinha e boneca, sei lá. Talvez por isso também, amadureçam mais cedo. Enquanto os porra-loucas dos guris se imaginam dentro de uma máquina a duzentos por hora, as gurias estão lá.. com um maridão, numa casa aconchegante embalando o doce sono de uma criança. Um sonho que chega a ser quase sagrado, esse das gurias.
Ainda hoje ouvi do amigão Régis a seguinte frase: "A família é a menor igreja do mundo!" Falou isso porque eu contei pra ele que ontem, quando fui sair pra ver o jogo do Inter, fui até o quarto e dei um abraço apertado no meu pai. "Sorte, pai!" – falei baixinho, mas com muita vontade. E isso é uma coisa muito rara. Lá em casa o carinho todo fica por conta da minha mãe. Mas foi bom aquele abraço forte. Um abraço esperado há anos. Certo que ele lembrou do calor daquele abraço e do "sorte" quando foi dormir.
E é esse sonho que vejo se realizar. Aquela guriazinha pequena de apelido tão miudinho vem me dizer que vai ter um Piolhinho. Ora mas que coisa mais linda! Num mesmo momento vejo uma mistura de sonho, festejo e realização. Quando percebo estar vivendo o melhor, quando percebo que não é o sonho que é real, mas sim que o real, de tão bom, parece sonho, percebo também que não é um presente único. E o que posso desejar é que seja uma criança de muitos sonhos. Sonhos de carrinhos, de bonecas, de um lar e, principalmente, de uma família.
Wednesday, August 02, 2006
Real encanto...
Tudo começou com um email. Um simples email, de poucas e simples palavras. Porém, de uma simplicidade pura e objetiva que naquele final de tarde despertavam algumas lembranças merecedoras de serem revividas. Não que outras lembranças boas sejam menos merecedoras, mas aquelas lembranças tinham um quê de promessa de que se revividas teriam muito mais a oferecer.
Mas depois de tanto tempo.. Poderia soar estranho. Se bem que todas as vezes, por mais que demorasse, tinham sido como um dia após o outro, apenas com um toque a mais de inspiração cativante. Talvez aquela coisa do sabor residual.
Assim, aquela saudação a quem a criatividade cativava, devolvida com um elogio, saudade, um beijo e reticências duplas, criativou a catividade em um nó que os passos seguintes foram empurrados em êxtase por instinto, lembrança e desejo. Uma certa serenidade ao telefone não ocultava que aquela mesma voz suave e doce tinha, pessoalmente, um gosto bem melhor.
O suficiente para que as pálpebras se fizessem cortinas de veludo às retinas num sonho acordado. Aos ouvidos uma resistência inicial destoava, e só serviu para alimentar a criatividade persistente. Ouvia por trás daquele não um sim. Um sorrateiro sim subliminar no leve tchau fazendo-me recorrer a um último apelo. Não podia deixar escorrer todo aquele enlevo solitário por entre os dedos. E antes que pendesse em frustração, uma rápida resposta de vontades ansiosas era trazida pelos ares e fazia rebrotar nos cantos dos lábios um sorriso. Alguém mais no mundo achava que aqueles sonhos eram merecedores de serem revividos.
E só mais uma pessoa no mundo era suficiente para que tais lembranças viessem à tona mutuamente, e era justamente dela que provinha a tal resposta radiante. Foi então selado, sem que percebessem, algo tão bom e sem carência de explicação que seria preservado em zelo mútuo pelo tão almejado tempo sem medida.
As horas seguintes foram de intensa expectativa. Minuto a minuto. Até que, enfim, chegou o momento da aproximação. Apesar da proximidade natural do abraço, apesar do calor e da certeza de um toque tenro e macio, os lábios hesitaram em tocar-se. Aguardaram até o primeiro brinde. Depois de alguns goles, risadas soltas e olhares que insistiam em se alinhar por mais movimentos que o corpo fizesse.. um beijo. O residual do sabor já dava sinais de que não se podia mais adiar.
Quando o desejo do corpo e a saudade dos olhos e do sorriso são cúmplices, não há força que seja contrária. Depois de alguns dias de assimilação, a comprovação de havia sim, muito mais a ser oferecido por reviver aquelas lembranças. Um exemplo, talvez um dos melhores, é a certeza de, a cada dia, acordar e ver que não se trata de um sonho. Ou melhor.. um real momento de tamanho encanto que se faz parecer sonho. A cada dia, a cada noite, a cada beijo..
Mas depois de tanto tempo.. Poderia soar estranho. Se bem que todas as vezes, por mais que demorasse, tinham sido como um dia após o outro, apenas com um toque a mais de inspiração cativante. Talvez aquela coisa do sabor residual.
Assim, aquela saudação a quem a criatividade cativava, devolvida com um elogio, saudade, um beijo e reticências duplas, criativou a catividade em um nó que os passos seguintes foram empurrados em êxtase por instinto, lembrança e desejo. Uma certa serenidade ao telefone não ocultava que aquela mesma voz suave e doce tinha, pessoalmente, um gosto bem melhor.
O suficiente para que as pálpebras se fizessem cortinas de veludo às retinas num sonho acordado. Aos ouvidos uma resistência inicial destoava, e só serviu para alimentar a criatividade persistente. Ouvia por trás daquele não um sim. Um sorrateiro sim subliminar no leve tchau fazendo-me recorrer a um último apelo. Não podia deixar escorrer todo aquele enlevo solitário por entre os dedos. E antes que pendesse em frustração, uma rápida resposta de vontades ansiosas era trazida pelos ares e fazia rebrotar nos cantos dos lábios um sorriso. Alguém mais no mundo achava que aqueles sonhos eram merecedores de serem revividos.
E só mais uma pessoa no mundo era suficiente para que tais lembranças viessem à tona mutuamente, e era justamente dela que provinha a tal resposta radiante. Foi então selado, sem que percebessem, algo tão bom e sem carência de explicação que seria preservado em zelo mútuo pelo tão almejado tempo sem medida.
As horas seguintes foram de intensa expectativa. Minuto a minuto. Até que, enfim, chegou o momento da aproximação. Apesar da proximidade natural do abraço, apesar do calor e da certeza de um toque tenro e macio, os lábios hesitaram em tocar-se. Aguardaram até o primeiro brinde. Depois de alguns goles, risadas soltas e olhares que insistiam em se alinhar por mais movimentos que o corpo fizesse.. um beijo. O residual do sabor já dava sinais de que não se podia mais adiar.
Quando o desejo do corpo e a saudade dos olhos e do sorriso são cúmplices, não há força que seja contrária. Depois de alguns dias de assimilação, a comprovação de havia sim, muito mais a ser oferecido por reviver aquelas lembranças. Um exemplo, talvez um dos melhores, é a certeza de, a cada dia, acordar e ver que não se trata de um sonho. Ou melhor.. um real momento de tamanho encanto que se faz parecer sonho. A cada dia, a cada noite, a cada beijo..
Thursday, July 27, 2006
Pessoas complicadas...
Cortava um pedaço da fatia da pizza quatro queijos quando a conversa quebrou dos amenos “passa a mostarda.. passa o azeite.. obrigado!” para uma pergunta de opinião pessoal.
- O que tu acha das pessoas que passam uma imagem superficial?
O silêncio congelou a cena travando até mesmo o movimento do corte na fina fatia, enquanto na mente milhares de cenas carentes de opinião própria não deixavam opinar alheiamente.
- Se eu dissesse que são pessoas complicadas não estaria olhando pra mim.
- Hum.. eu não diria que tu és uma pessoa complicada. Aliás.. isso nunca seria uma coisa que eu diria sobre ti.
- Hum.. talvez seja por isso que estamos aqui. Pois bem.. sobre as pessoas que passam uma imagem de superficialidade.. eu diria que ninguém voltaria pra casa pensando: “Que pessoa interessante..!”
Terminei de cortar o pedaço e o levei à boca.
*********************
Equilíbrio...
O grande problema é quando alguém se acha superior na relação. (ou inferior) Aí se pode cair na armadilha de achar que domina o sentimento da pessoa, e que manter a relação só depende de si. Aos poucos uma pequena brecha no sentimento vai se abrindo a novos interesses - não necessariamente a outra pessoa - mas se fica muito vulnerável. Podemos até não querer acreditar, mas a outra pessoa sente o afastamento. Conscientemente ou não, subestimamos os sentimentos apaixonados e acabamos subestimados pela sorte do amor.
Quando se vê a pessoa como uma igual, como segura de si e dos seus sentimentos, se sente uma vontade de conquistar novamente a cada minuto. Tudo o que se faz é em função de satisfazer a pessoa, de certa forma. E fazemos as coisas empolgados, não como obrigação. É preciso sentir um certo mistério. É preciso, em todos os beijos, o mesmo tesão do primeiro. Limpar as cinzas e dar espaço à brasa nova. O equilíbrio está na cumplicidade em querer manter o mesmo fogo, às vezes mais intenso, outras menos, sempre numa intensidade em que nenhum dos dois se queime, mas que se sinta calor. Equilíbrio a quem recai a sorte do amor.
- O que tu acha das pessoas que passam uma imagem superficial?
O silêncio congelou a cena travando até mesmo o movimento do corte na fina fatia, enquanto na mente milhares de cenas carentes de opinião própria não deixavam opinar alheiamente.
- Se eu dissesse que são pessoas complicadas não estaria olhando pra mim.
- Hum.. eu não diria que tu és uma pessoa complicada. Aliás.. isso nunca seria uma coisa que eu diria sobre ti.
- Hum.. talvez seja por isso que estamos aqui. Pois bem.. sobre as pessoas que passam uma imagem de superficialidade.. eu diria que ninguém voltaria pra casa pensando: “Que pessoa interessante..!”
Terminei de cortar o pedaço e o levei à boca.
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Equilíbrio...
O grande problema é quando alguém se acha superior na relação. (ou inferior) Aí se pode cair na armadilha de achar que domina o sentimento da pessoa, e que manter a relação só depende de si. Aos poucos uma pequena brecha no sentimento vai se abrindo a novos interesses - não necessariamente a outra pessoa - mas se fica muito vulnerável. Podemos até não querer acreditar, mas a outra pessoa sente o afastamento. Conscientemente ou não, subestimamos os sentimentos apaixonados e acabamos subestimados pela sorte do amor.
Quando se vê a pessoa como uma igual, como segura de si e dos seus sentimentos, se sente uma vontade de conquistar novamente a cada minuto. Tudo o que se faz é em função de satisfazer a pessoa, de certa forma. E fazemos as coisas empolgados, não como obrigação. É preciso sentir um certo mistério. É preciso, em todos os beijos, o mesmo tesão do primeiro. Limpar as cinzas e dar espaço à brasa nova. O equilíbrio está na cumplicidade em querer manter o mesmo fogo, às vezes mais intenso, outras menos, sempre numa intensidade em que nenhum dos dois se queime, mas que se sinta calor. Equilíbrio a quem recai a sorte do amor.
Monday, July 24, 2006
A saga do telefone... (continuação)
Na terça-feira passada me ligaram pra dizer que “infelizmente não vai ser possível entregar seu telefone...”
Gelei! Tremi! Eu já tava chegando em casa... de noitezinha.. aquele frio.. Mas comecei a suar a testa na hora! Mas mantive a calma e deixei a moça continuar...
“...fora do endereço de correspondência! Só lá no prédio sede mesmo.”
Uuuuuffa!!! Disse que não tinha problema. Então ela deu o prazo de 5 dias úteis.
- Mas moça, 5 dias era a partir de ontem, quando fiz o pedido pela terceira vez!
- Não, senhor.. 5 dias conta a partir de hoje.
- (suspiro) tudo bem!
Aí ontem a nossa secretária lá do prédio sede ligou, dizendo que tava lá, o meu telefone. Bah.. inacreditavel!
Tá aqui agora, o bicho.. falando e tudo! Vamos ver quanto tempo dura!
******************************
Do mar, teu rumo...
Dos olhos, o espelho de águas profundas por onde navego sem norte, guiado pela sorte do meu coração.
Dos cabelos, o vento em brisa, que sopra minha vela e traz pra perto o rumo incerto do horizonte.
Da pele, o calor das noites e madrugadas frias. Das enluaradas e quentes, o suor.
Das mãos, o carinho de quem não veleja mais sozinho. Abandonei a solidão.
Dos braços, o abraço que me conforta o peito onde teu rosto descansa.
Da boca os lábios, e destes, o beijo. De bom dia, de boa noite, de desejo.
Gelei! Tremi! Eu já tava chegando em casa... de noitezinha.. aquele frio.. Mas comecei a suar a testa na hora! Mas mantive a calma e deixei a moça continuar...
“...fora do endereço de correspondência! Só lá no prédio sede mesmo.”
Uuuuuffa!!! Disse que não tinha problema. Então ela deu o prazo de 5 dias úteis.
- Mas moça, 5 dias era a partir de ontem, quando fiz o pedido pela terceira vez!
- Não, senhor.. 5 dias conta a partir de hoje.
- (suspiro) tudo bem!
Aí ontem a nossa secretária lá do prédio sede ligou, dizendo que tava lá, o meu telefone. Bah.. inacreditavel!
Tá aqui agora, o bicho.. falando e tudo! Vamos ver quanto tempo dura!
******************************
Do mar, teu rumo...
Dos olhos, o espelho de águas profundas por onde navego sem norte, guiado pela sorte do meu coração.
Dos cabelos, o vento em brisa, que sopra minha vela e traz pra perto o rumo incerto do horizonte.
Da pele, o calor das noites e madrugadas frias. Das enluaradas e quentes, o suor.
Das mãos, o carinho de quem não veleja mais sozinho. Abandonei a solidão.
Dos braços, o abraço que me conforta o peito onde teu rosto descansa.
Da boca os lábios, e destes, o beijo. De bom dia, de boa noite, de desejo.
Monday, July 17, 2006
A saga do telefone...
Nunca tive muita sorte com telefones celulares. Na verdade, nunca é muito tempo. Já pude sim, receber e fazer chamadas normalmente, olhar para o visor e ver ali as funções básicas prontas para serem usadas, terminar uma ligação e o telefone continuar ligado.. essas coisas que qualquer telefone celular faz.
Uma coisa que nunca fui mesmo, é exigente quanto aos extras. Capacidade de memória, câmera fotográfica, não sei quantos torpedos ao mesmo tempo.. essas frescuras. Telefone pra fazer e receber chamadas e pronto.
Ia tudo muito bem até meados de 2003. O bom e velho 5125 resistia a todas as provas às quais era submetido. Tombos sucessivos, o coitado sofria. E sempre manteve-se inteiro. A não ser a antena.. Ai ai! Será que nunca tive nenhum telefone que ficou intacto mesmo? Pois esse a antena vivia quebrada! Eu a colava com Super Bonder, mas não durava muito. Mas pelo menos funcionava!
Eis que ganhei um novo. Um 8260.. a vedete dos TDMA. Não durou 2 dias. Eu tava ali no posto da Silva Só esperando um amigo. Eu num carro e ele noutro. Eu tinha parado o carro ao lado da lojinha de conveniência: telefone novo no ombro esquerdo, cabeça torta pra esse ombro, copo de cerveja na mão esquerda e mão direita segurando o volante. Meu amigo pára o carro ao lado do meu e diz ao telefone: “olha pro lado!” Não tive dúvidas, virei a cabeça pro lado esquerdo. Blubpt! No mesmo instante senti que faltava um pesinho sobre o ombro esquerdo. Olhei pra dentro do copo e vi o telefone que ganhara havia dois dias submerso na cerveja.
Com umas sucatas de telefone consegui trocar o display. Funcionou até.. A tecla do número 2 ficou com um mau contato. Volta e meia eu o abria pra dar uns ajustes. Na festa de final de ano da vivo resolvi me atirar na piscina. Cheguei num colega de confiança e deixei com ele as chaves do carro, carteira e máquina fotográfica. Pulei na piscina! Com o telefone no bolso!!! EEEEEEEEEEEEEEE!!!! Apelidaram o telefone de Aquaplay! E o pior é que funcionou depois, por mais uns dias. No final de 2004, com o advento do CDMA, ganhamos aparelhos novos. Eu digo ganhamos pois trabalho na vivo e não precisamos comprar telefone. Eu tava passando a virada do ano em Imbé com uma turma de amigos, então, nova. Já estávamos no último dia do final de semana e fomos dar um pulo na praia. Eu tava ali, bem tranqüilo.. brincando na areia e tomando uma ceva. Até que veio uma onda invasora, daquelas que fazem todo mundo sair correndo e levantei-me correndo. A bolsa com as minhas coisas (máquina fotográfica, celular, carteira,...) tava um pouco longe de mim e alguém a levantou a tempo de não molhar. Molhou só a alça. Era uma bolsa dessas novas, com compartimento pra telefone onde? Exatamente! Na alça! Esse não teve nem choro, a água do mar fez o bichinho morrer na hora.
Fui fazer a solicitação na intranet. Nome completo, matrícula, Rg, tipo sangüíneo.. e passar pela aprovação de uns 5 gestores. Ao que passava uns 5 dias eu consultava no sistema. Pedido cancelado! Isso aconteceu umas 4 ou 5 vezes. Uma hora era porque não tinha o tal modelo no depósito, outra era porque um gestor esquecia de aprovar.. e a cada cancelamento desses eu tinha que contar toda a história por telefone antes de fazer um novo pedido.
Abre um parêntese
Nesse meio tempo eu fiquei usando emprestado um telefone do meu chefe. Durou as três semanas de novela do novo pedido. Fui carregar a bateria pra entregar a ele com um carregador de outra marca... Tééééc! Um cheirinho de queimado e nunca mais ligou. Tá aqui na gaveta até hoje.
Fecha.
Passadas as três semanas recebi o telefone. Bem bonitinho! Meio gay até! Branco com azul-claro, parecia uma saboneteira. Mas funcionava que era uma maravilha até o primeiro tombo. “Searching for network...” era a mensagem que aparecia no display. Aí tu dava uma torcida nele e ele voltava a funcionar. Fiquei nessa função de torcer o telefone até o final do ano passado, quando não adiantava mais torcida, porrada nem nada. Antes de fazer o novo pedido tive que pegar um laudo com a assistência técnica. Resultado do diagnóstico: “sem conserto”. Mais três semanas de novela de pedido na intranet e, enfim, um telefone novo!
Nunca entendi por que este telefone não funcionou direito. Não me lembro de tê-lo derrubado, nem de ter derramado nada nele. Mas logo que o recebi já começou a dar umas rateadas. Muito raramente, é bem verdade, mas rateava. Se desligava sozinho, aparecia aquela mensagem de “searching for network...”
Pra quê aquelas reticências??? Pra eu ficar esperando? Nunca achou a network, se quiserem saber. Tinha que desligar, tirar a bateria e ligar de novo. Só que o problema foi aumentando, até que não funcionou mais mesmo. Fiz uma intervenção cirúrgica com um papelzinho dobrado e o dito funcionou por uns 2 meses, rateando bem lá de vez em quando.
Hoje meu telefone tem a duração de uma chamada. Se ele não desliga durante a conversa, desliga no fim. Simplesmente apaga! Em todas, literalmente! Por conta disso me vi obrigado a pedir um novo telefone; conseqüentemente, a concordar com todos aqueles que dizem que o call center da vivo é o pior que existe.
Hoje foi a nona vez que liguei..
- Você está ligando do número tal tal tal... (como se eu não soubesse..) se quiser alguma informação de outra linha, digite o número da linha com o código de área.
- ...(digito o número)
- Após falar com um de nossos atendentes, não desligue! A vivo precisa da sua opinião. Carolina Queiroz, no que posso estar ajudando?
- Meu telefone.. blá blá blá..
- Senhor, qual o número do aparelho pra que eu possa estar olhando no sistema?
- Por que vocês pedem pra eu digitar o número se eu vou ter que dizer depois?
- Senhor, faz parte do procedimento. O senhor pode estar falando o número da linha?
- 51.. 99...
- Senhor, seu pedido foi cancelado porque o modelo pedido saiu de circulação. Estava dando muita reclamação.
- :| E vocês não iam me avisar? Por que pediram um outro número de contato?
- Sengundo consxta no sistema, foi tentado contato com o senhor e não foi conseguido.
- Ninguém tentou contato.
- Senhor, então eu não saberia estar lhe dizendo. O senhor terá que estar fazendo um novo pedido... blá blá blá...
E assim foi. Fiz um novo pedido que deve demorar uns 5 dias pra que chegue o aparelho. Isso, claro, se não ocorrer nenhum contratempo. Mantenho-vos informados.
Uma coisa que nunca fui mesmo, é exigente quanto aos extras. Capacidade de memória, câmera fotográfica, não sei quantos torpedos ao mesmo tempo.. essas frescuras. Telefone pra fazer e receber chamadas e pronto.
Ia tudo muito bem até meados de 2003. O bom e velho 5125 resistia a todas as provas às quais era submetido. Tombos sucessivos, o coitado sofria. E sempre manteve-se inteiro. A não ser a antena.. Ai ai! Será que nunca tive nenhum telefone que ficou intacto mesmo? Pois esse a antena vivia quebrada! Eu a colava com Super Bonder, mas não durava muito. Mas pelo menos funcionava!
Eis que ganhei um novo. Um 8260.. a vedete dos TDMA. Não durou 2 dias. Eu tava ali no posto da Silva Só esperando um amigo. Eu num carro e ele noutro. Eu tinha parado o carro ao lado da lojinha de conveniência: telefone novo no ombro esquerdo, cabeça torta pra esse ombro, copo de cerveja na mão esquerda e mão direita segurando o volante. Meu amigo pára o carro ao lado do meu e diz ao telefone: “olha pro lado!” Não tive dúvidas, virei a cabeça pro lado esquerdo. Blubpt! No mesmo instante senti que faltava um pesinho sobre o ombro esquerdo. Olhei pra dentro do copo e vi o telefone que ganhara havia dois dias submerso na cerveja.
Com umas sucatas de telefone consegui trocar o display. Funcionou até.. A tecla do número 2 ficou com um mau contato. Volta e meia eu o abria pra dar uns ajustes. Na festa de final de ano da vivo resolvi me atirar na piscina. Cheguei num colega de confiança e deixei com ele as chaves do carro, carteira e máquina fotográfica. Pulei na piscina! Com o telefone no bolso!!! EEEEEEEEEEEEEEE!!!! Apelidaram o telefone de Aquaplay! E o pior é que funcionou depois, por mais uns dias. No final de 2004, com o advento do CDMA, ganhamos aparelhos novos. Eu digo ganhamos pois trabalho na vivo e não precisamos comprar telefone. Eu tava passando a virada do ano em Imbé com uma turma de amigos, então, nova. Já estávamos no último dia do final de semana e fomos dar um pulo na praia. Eu tava ali, bem tranqüilo.. brincando na areia e tomando uma ceva. Até que veio uma onda invasora, daquelas que fazem todo mundo sair correndo e levantei-me correndo. A bolsa com as minhas coisas (máquina fotográfica, celular, carteira,...) tava um pouco longe de mim e alguém a levantou a tempo de não molhar. Molhou só a alça. Era uma bolsa dessas novas, com compartimento pra telefone onde? Exatamente! Na alça! Esse não teve nem choro, a água do mar fez o bichinho morrer na hora.
Fui fazer a solicitação na intranet. Nome completo, matrícula, Rg, tipo sangüíneo.. e passar pela aprovação de uns 5 gestores. Ao que passava uns 5 dias eu consultava no sistema. Pedido cancelado! Isso aconteceu umas 4 ou 5 vezes. Uma hora era porque não tinha o tal modelo no depósito, outra era porque um gestor esquecia de aprovar.. e a cada cancelamento desses eu tinha que contar toda a história por telefone antes de fazer um novo pedido.
Abre um parêntese
Nesse meio tempo eu fiquei usando emprestado um telefone do meu chefe. Durou as três semanas de novela do novo pedido. Fui carregar a bateria pra entregar a ele com um carregador de outra marca... Tééééc! Um cheirinho de queimado e nunca mais ligou. Tá aqui na gaveta até hoje.
Fecha.
Passadas as três semanas recebi o telefone. Bem bonitinho! Meio gay até! Branco com azul-claro, parecia uma saboneteira. Mas funcionava que era uma maravilha até o primeiro tombo. “Searching for network...” era a mensagem que aparecia no display. Aí tu dava uma torcida nele e ele voltava a funcionar. Fiquei nessa função de torcer o telefone até o final do ano passado, quando não adiantava mais torcida, porrada nem nada. Antes de fazer o novo pedido tive que pegar um laudo com a assistência técnica. Resultado do diagnóstico: “sem conserto”. Mais três semanas de novela de pedido na intranet e, enfim, um telefone novo!
Nunca entendi por que este telefone não funcionou direito. Não me lembro de tê-lo derrubado, nem de ter derramado nada nele. Mas logo que o recebi já começou a dar umas rateadas. Muito raramente, é bem verdade, mas rateava. Se desligava sozinho, aparecia aquela mensagem de “searching for network...”
Pra quê aquelas reticências??? Pra eu ficar esperando? Nunca achou a network, se quiserem saber. Tinha que desligar, tirar a bateria e ligar de novo. Só que o problema foi aumentando, até que não funcionou mais mesmo. Fiz uma intervenção cirúrgica com um papelzinho dobrado e o dito funcionou por uns 2 meses, rateando bem lá de vez em quando.
Hoje meu telefone tem a duração de uma chamada. Se ele não desliga durante a conversa, desliga no fim. Simplesmente apaga! Em todas, literalmente! Por conta disso me vi obrigado a pedir um novo telefone; conseqüentemente, a concordar com todos aqueles que dizem que o call center da vivo é o pior que existe.
Hoje foi a nona vez que liguei..
- Você está ligando do número tal tal tal... (como se eu não soubesse..) se quiser alguma informação de outra linha, digite o número da linha com o código de área.
- ...(digito o número)
- Após falar com um de nossos atendentes, não desligue! A vivo precisa da sua opinião. Carolina Queiroz, no que posso estar ajudando?
- Meu telefone.. blá blá blá..
- Senhor, qual o número do aparelho pra que eu possa estar olhando no sistema?
- Por que vocês pedem pra eu digitar o número se eu vou ter que dizer depois?
- Senhor, faz parte do procedimento. O senhor pode estar falando o número da linha?
- 51.. 99...
- Senhor, seu pedido foi cancelado porque o modelo pedido saiu de circulação. Estava dando muita reclamação.
- :| E vocês não iam me avisar? Por que pediram um outro número de contato?
- Sengundo consxta no sistema, foi tentado contato com o senhor e não foi conseguido.
- Ninguém tentou contato.
- Senhor, então eu não saberia estar lhe dizendo. O senhor terá que estar fazendo um novo pedido... blá blá blá...
E assim foi. Fiz um novo pedido que deve demorar uns 5 dias pra que chegue o aparelho. Isso, claro, se não ocorrer nenhum contratempo. Mantenho-vos informados.
Friday, July 14, 2006
Uma mesinha de três pernas...
Uma vez escrevi assim: que afinidades, química e querer estar com alguém, e só com este alguém eram as três premissas fundamentais para a manutenção de um relacionamento. Não apenas no sentido de duração, mas em intensidade, desejo constante, saudade nova renovada a cada instante.
Esses elementos seriam como uma mesa de três pernas, o número mínimo necessário para que se mantenha em pé. Se uma delas quebra, a mesa desaba. E sobre essa mesa se constrói aos poucos tudo o que vai sendo vivido, como um equilibrista que com habilidade coloca as taças de cristal, uma sobre a outra. É a fragilidade de toda a relação que investiu nos três pontos fundamentais.
Será que existiria algum quarto ou quinto ponto necessário para a mesinha se manter em pé? Ouvi falar de um banquinho de piano que vivia caindo, justamente por ter só três pernas. Onde entraria, por exemplo, uma situação em que se espera companhia, mas as duas partes não têm a mesma disposição?
Diferenças existem, e também são muito importantes. Acho que ninguém suportaria conviver com alguém completamente igual a si.. as mesmas manias, os mesmos defeitos, a mesma mecha no cabelo.. ia ser muito chato. Voltando à química, uma das bases fundamentais.. dois elementos distintos, com características diferentes, podem produzir uma mistura homogênea.
E quando existe a certeza de estar vivendo mutuamente o melhor momento, nenhuma diferença se contrapõe com vantagem a quaisquer daqueles três elementos. Apenas tempera a mistura, sem nunca deixar de ser homogênea..
E como um dia já escrevi..
Por todo um corpo, um sangue faz ferver, quando na retina de olhos brilhantes reflete a luz de uma união de formas, de forma que se perceba e sinta que nada disso se sente sozinho.
Esses elementos seriam como uma mesa de três pernas, o número mínimo necessário para que se mantenha em pé. Se uma delas quebra, a mesa desaba. E sobre essa mesa se constrói aos poucos tudo o que vai sendo vivido, como um equilibrista que com habilidade coloca as taças de cristal, uma sobre a outra. É a fragilidade de toda a relação que investiu nos três pontos fundamentais.
Será que existiria algum quarto ou quinto ponto necessário para a mesinha se manter em pé? Ouvi falar de um banquinho de piano que vivia caindo, justamente por ter só três pernas. Onde entraria, por exemplo, uma situação em que se espera companhia, mas as duas partes não têm a mesma disposição?
Diferenças existem, e também são muito importantes. Acho que ninguém suportaria conviver com alguém completamente igual a si.. as mesmas manias, os mesmos defeitos, a mesma mecha no cabelo.. ia ser muito chato. Voltando à química, uma das bases fundamentais.. dois elementos distintos, com características diferentes, podem produzir uma mistura homogênea.
E quando existe a certeza de estar vivendo mutuamente o melhor momento, nenhuma diferença se contrapõe com vantagem a quaisquer daqueles três elementos. Apenas tempera a mistura, sem nunca deixar de ser homogênea..
E como um dia já escrevi..
Por todo um corpo, um sangue faz ferver, quando na retina de olhos brilhantes reflete a luz de uma união de formas, de forma que se perceba e sinta que nada disso se sente sozinho.
Monday, July 10, 2006
Quero viajar...
Acho que chega um momento na rotina das pessoas que faz com que elas precisem renovar os ares por uns dias. Pois bem, o meu chegou. E por graças, sorte e mais qualquer outra variante, não exclusivamente.
A primeira idéia de destino foi, obviamente, Bombinhas. Um lugar reservado a poucos felizardos. Sempre gostei de definir esse lugar em poucas palavras.. uma só, talvez: mágico!
Se for esse mesmo, o destino, será como reconhecer um lugar que tenho como uma peça extra da casa, reviver a brisa, o pisar descalço na areia, apreciar de ângulos diferentes as curvas que formam aquela maravilha.
Mas o rumo tomado for outro, da mesma forma será vivido intensamente por quem carece absorver o mais belo que há para se oferecer. Tanto as belas formas reservadas pela geografia, com seus verdes e demais coloridos, quanto a mística guardada nas entranhas arquitetônicas herdada de todos os povos que por ali tenham passado.
Um momento não apenas de apreciar beleza, mas viver e absorver a beleza. Algo como uma obra-prima única criada por artistas renomados, e que a cada ato vai tomando forma, sendo esculpida por quatro mãos de habilidade ímpar inspiradas mutuamente em si mesmas.
A primeira idéia de destino foi, obviamente, Bombinhas. Um lugar reservado a poucos felizardos. Sempre gostei de definir esse lugar em poucas palavras.. uma só, talvez: mágico!
Se for esse mesmo, o destino, será como reconhecer um lugar que tenho como uma peça extra da casa, reviver a brisa, o pisar descalço na areia, apreciar de ângulos diferentes as curvas que formam aquela maravilha.
Mas o rumo tomado for outro, da mesma forma será vivido intensamente por quem carece absorver o mais belo que há para se oferecer. Tanto as belas formas reservadas pela geografia, com seus verdes e demais coloridos, quanto a mística guardada nas entranhas arquitetônicas herdada de todos os povos que por ali tenham passado.
Um momento não apenas de apreciar beleza, mas viver e absorver a beleza. Algo como uma obra-prima única criada por artistas renomados, e que a cada ato vai tomando forma, sendo esculpida por quatro mãos de habilidade ímpar inspiradas mutuamente em si mesmas.
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