Thursday, November 19, 2009

Sem sorte nos velórios...

Depois que dei os parabéns, em vez de pêsames, à minha professora da quarta série primária no velório do seu marido acabei criando um bloqueio com esses cerimoniais de morte. Tudo bem, eu tinha apenas dez anos, mas até hoje acho que não superei isso. Sempre acho que vou cometer outra gafe, não sei o que falar para os amigos e familiares que ficam. Desde então tenho resistido a ir a velórios e enterros.

Muito tempo depois, talvez 15 anos, faleceu uma amiga do Zé Gota. Não cheguei a conhecê-la, mas sabia que ele a tinha como irmã. Pensei que devia superar aquela resistência a cemitérios e velórios e oferecer meu abraço ao amigo; sabia que era um momento muito difícil pra ele. Se não me engano o velório estava marcado para as 17h30min. Saí do trabalho às 17h e fui o mais rápido que pude até o Cemitário Parque Jardim da Paz, lá... na Lomba do Pinheiro.

Vi que por mais rápido que fosse chegaria um pouco atrasado. Estacionei o carro ali na frente, por volta das seis da tarde, talvez um pouquinho mais. Tinha idéia daqueles jardins gramados, com todos de freto frente a um padre e ao caixão. Não era bem assim... O funcionário do cemitério me conduziu a um corredor com umas capelas e voltou à portaria. Me senti num filme, num corredor vazio com luz fraca, puxando para o verde e as portas das capelas, todas vazias. Até que numa das capelas encontrei um caixão. Não havia ninguém acompanhando. Procurei por algum nome, mas como o Zé tratava sua amiga por Nina, ou algo parecido, não imaginava qual seria seu nome.

Fiquei ali e depositei todos meus sentimentos àquela pessoa que partira. Estava um pouco intrigado por não haver mais ninguém, nem o próprio Zé. Tínhamos combinado entre pelo menos umas seis pessoas de estar ali. Não quis telefonar pois o silêncio era absoluto, e não queria ser eu, justamente, a quebrá-lo. Passados uns 20 minutos resolvi sair e ligar pra alguém. No outro lado muitas vozes e risos. “Onde vocês estão?”, perguntei baixinho. Estavam todos no bar no qual tínhamos combinado de ir após o velório. Velório que começara pontualmente e cujo corpo já fora enterrado.

Monday, November 09, 2009

Tava bem boa a festinha...

Festa na Associação geralmente é diversão garantida. Como era a comemoração de quatro aniversariantes, entre eles a Alice, mais a Rossa e o Gus, era uma boa oportunidade para reunir os amigos. A Rossa bolou um convitinho bacana, estilo Feira do Livro, cada um levava seus comes e bebes e a festa se conduziria por si.


Logo que chegamos nos assustamos um pouco. Todas as luzes acesas, todo mundo muito sóbrio. Muitas crianças. Parecia festa evangélica. A minha irmã disse que parecia aqueles reencontros da turma de sessenta e poucos do colégio tal. Nem música tinha, pra se ter uma ideia. Tinha um cara que devia ser o dj, mas ele tomou um laço de pelo menos meia hora até conseguir apertar o play pela primeira vez.

Aos poucos as coisas começaram a funcionar. A música foi embalando, a cerveja foi servida, depois chegou o Gus com o gelo e pude fazer umas caipirinhas, e, enfim, a luz se apagou. Já era uma festa normal, com diversão e amigos bebendo juntos.

Houve alguns contratempos, mas havia ainda a promessa da banda do Décio...
...que garantiu a animação até o final. Vimos novamente aquelas cenas de todo mundo cantando abraçado, fotos e fotos da banda, com a banda,... E isso era apenas o final de uma noite de sexta-feira!


Tuesday, October 20, 2009

A motoneta...

Tratamos essa viagem como uma aventura de superação de obstáculos. Praticamente todas são assim, com algumas coisas mais dominadas e outras completamente novas. Esta, em especial, foi bastante segmentada, um pouco pela experiência das outras viagens e pela questão do idioma, que sempre assustava... Assim, dividimos tudo, cada dia, entre passagem, trajeto, hospedagem, etc. E dessa vez compramos praticamente tudo pela internet, inclusive o passe do ferryboat. Mesmo assim, teríamos que retirá-lo na agência em Atenas, mimicamente falando.

Vencidos alguns passos até a ilha e instalados no hotel, o próximo passo era o aluguel do... vejamos... motoneta. Esse foi o nome que demos. Mas tínhamos que passar essa mensagem a algum grego, e isso não foi muito fácil. Poderíamos ter alugado daqui, pela internet, mas imaginamos que na hora conseguiríamos um preço melhor do que os 25 euros por dia. A primeira a nos oferecer foi a Arguiro, no próprio hotel. A locadora levaria o que ela chamou de “moto” até o hotel e o levaria dali mesmo. Essa comodidade tinha seu preço: 20 euros a diária. Mais, era uma moto mesmo, two wheels, duas rodas. O motociclo com 4 rodas já era mais caro. Ela já queria que fechássemos ali, na hora, mas dissemos que pretendíamos pagar menos e tentaríamos em Thira, Capital da ilha no dia seguinte. Ela fez uma cara de quem não gostou muito e dispensou o cara da locadora ao telefone.

A ilha é dividida em pequenos povoados, que seriam como bairros, mas na verdade são cidades independentes. Existe ônibus que ligam todas essas vilas, mas tem a questão do horário e dos intervalos de pelo menos meia-hora. Então um meio de deslocamento próprio é fundamental. E esses motociclos fazem muito sucesso. São mais baratos que um carro, não há muito risco de cair, pois tem quatro rodas e se pode ter a sensação do ar batendo no rosto.

No dia seguinte pegamos um ônibus até Thira e fomos procurar o motociclo. Esse modelo com quatro rodas é chamado de ATV. Lembrei de ter visto na internet aqui. Passamos por algumas locadoras até que vimos uma que parecia especializada em ATV. Só tinha esse tipo. Nos entendemos em inglês precário e entendi que custaria 10 euros a diária. Não acreditei, pensei até em golpe. Mas tudo fazia parte da aventura, ainda mais quando ele chamou um velho de uns setenta e muitos para me ensinar a lidar com o troço. Coloquei o capacete, aprendi a dar a partida, frear, acelerar e abastecer. A pior part foi entender o Sans plumbum, que o velho repetia e eu não entendia. A Alice subiu na minha garupa e saímos dali numa adrenalina que eu não experimentava havia algum tempo.

Wednesday, August 05, 2009

Santorini

Depois do pequeno contratempo com a numeração dos assentos, tratamos de descansar. Por mais confortáveis que fossem as poltronas, foram oito horas até a ilha. No caminho a recorrente reflexão sobre uma viagem como aquela. Não sobre essa vez, especificamente, mas uma longa viagem em geral.

O meu ponto de vista, e acredito que o da Alice também, é de que uma viagem é um investimento cultural tão rico ou mais do que o conhecimento que nos é oferecido nas escolas. Eu não gostava das disciplinas de história no primeiro grau, e isso foi uma dificuldade a mais para o jornalismo, pois tive de estudar por conta alguns fatos importantes. E em cada viagem a preparação envolve um breve estudo sobre o lugar, os costumes, a cultura, etc. Depois, estar nesses lugares é como um diploma, um certificado que mistura conhecimento e prazer que ninguém mais te tira.

Na última hora do trajeto a ansiedade em pisar no solo da ilha era grande. Cabe lembrar que paralelamente ao prazer de estar chegando a uma ilha grega existe um constante raciocínio lógico e organizado em como proceder cada ato: descer do ferry; checar as malas e pertences; conseguir um transporte até o hotel; chegar ao hotel; confirmar a reserva; entrar no quarto e o quarto corresponder às fotos. Nunca esquecendo que o primeiro contato sempre é em grego: Parakaló!

A primeira ótima impressão foi o azul forte e transparente do mar contrastando com as possíveis emoldurações do porto. Negociamos uma corrida numa van até Megalochori e subimos o paredão. Não lembro de ter visto ninguém subindo de mula, mas vi que seria algo completamente impraticável. Finalmente chegamos ao hotel e fomos recepcionados pela proprietária Arguiro (ou algo assim). Nos orientou até o quarto, e as palavras, se precisassem ser ditas, faltariam a cada passo a mais, dada a incrível exuberância da vista que se apresentava. O quarto era exatamente como as fotos, mas aquela paisagem à nossa frente não podia ser traduzida numa imagem digital ou impressa.

Tuesday, July 21, 2009

A caminho de Santorini...

Quando organizamos a viagem, o horário do ferryboat de Atenas até Santorini, às 7h da manhã não assustava muito. Não tínhamos muita escolha: o outro horário – 15h – nos deixaria na ilha quase à meia-noite. Acordamos por volta das 5h do dia 4 de junho e pegamos o metrô até o porto. Ainda deu tempo de tomar um bom capuccino antes de embarcarmos.

O porto, apesar de não ter quase nenhuma infra, tem uma escada rolante gigante para atravessar a avenida, e impressiona pelo tamanho dos barcos que levam milhares de turistas às ilhas todos os dias, além de carros e caminhões.

Entregamos a passagem e vimos que tínhamos feito um bom negócio em ter pago um pouco a mais pelo lugar demarcado no lounge com poltronas de avião. A passagem mais barata era no deck, porém, apesar de imenso, essa área é bem reduzida, com cadeiras de plástico, vista só para as laterais e o assoalho completamente molhado. Com isso, as poltronas internas eram muito disputadas.

Embora apenas o alfabeto seja grego – os algarismos eram arábicos – o sistema de numeração nos atrapalhou. Havia uns 5 lounges, o nosso era o segundo, com duas fileiras de poltronas. Procurei pelos nossos números e encontrei uma senhora de idade, grega, na nossa poltrona. Fiz uns barulhos, emendei um “please, sorry” e mostrei nosso bilhete. Ela resmungou em grego e ficou parada. Como ela não esboçou nada em inglês, mostrei-lhe novamente o bilhete. Com isso a mulher que estava dormindo no banco de trás, onde seria o lugar da senhora, levantou. Olhou os bilhetes, resmungou em grego e pulou um banco pra trás. A velha, demonstrando certa indignação, passou para o lugar da que estava dormindo. Pronto, nos acomodamos. Então comecei a observar que a numeração, que estava indicada no encosto da poltrona, correspondia ao lugar da frente. A velha estava certa. E tivemos passar pra frente. Eu acho que a velha não deve ter gostado. Mas eu falei um novo “sorry!” pra ela.

Era o início, atrapalhado e cômico, de uma viagem de 8 horas pelo Mar Egeu até a ilha de Santorini.

Friday, June 19, 2009

Novas impressões do velho mundo: Atenas

Saímos de Porto Alegre tendo como destino Atenas sob um ambiente carregado de dúvidas e especulações sobre o acidente da véspera, no voo AF447, e a segurança do transporte aéreo.

Durante uma viagem a um país estrangeiro – no caso, dois – geralmente temos boas e más experiências de tratamentos recebidos. Sendo na maior parte do tempo clientes, antes da denominação turistas, entendemos que, além de respeito, um pouco de gentileza sempre vai bem.

No aeroporto de Paris, o funcionário da polícia poderia nos ver apenas como dois estrangeiros, olhar nossos passaportes e as fotos e nos liberar. Ele foi um pouco mais adiante: ao ver que éramos brasileiros, sorriu e disse: “Você está feliz?”. Respondemos que estávamos muito felizes, o agradecemos, e tivemos nossa primeira boa impressão. Cerca de uma hora e meia depois estávamos embarcando para Atenas com algumas poucas palavras: kalimera (bom dia), kalispera (boa tarde), kalinihta (boa noite), parakalô (por favor) e efharistó (obrigado), que no alfabeto grego se escreve assim: Eυχαριστώ. Fácil, né?

A briga e as descobertas com o idioma foram uma aventura à parte. Nos rendeu situações engraçadas, mas nos mostrou, mais uma vez, que temos uma educação completamente pobre sobre culturas e línguas. Tanto na Grécia quanto na França acabamos nos virando com o nosso pobríssimo inglês apoiado moralmente por algumas noções de espanhol e italiano. No Hotel Metropolis, em Atenas, resolvi ousar. Já tinha decorado os números de zero a dez. Então olhei no nosso guia como era quarenta. Já no segundo encontro com o recepcionista pedi a chave do nosso quarto: “Saranda dio” (42). Ele sorriu, surpreso, e nos entregou a chave, repetindo o “saranda dio”.

A primeira vista da janela do quarto confirmava nossa escolha pela localização. No alto da Acrópole, o Partenon já esperava nossa visita do dia seguinte. Apesar de muito cansados da viagem tomamos um banho e fomos visitar a Ágora Antiga e conhecer um pouco dos arredores do hotel, tudo a pé. Estávamos muito bem localizados. As ruas eram cheias de lojinhas de souvenirs e restaurantes. Algumas bancas de frutas e turistas e muitos e muitos gregos. Nessa noite experimentamos o souvlaki de porco, que é um espetinho, e a salada grega, com tomates, azeitonas, pepino, cebola roxa, azeite de oliva e uma deliciosa fatia de queijo feta. Para acompanhar bebemos a Retsina, um vinho branco típico.





No dia 3 subimos até o terraço para tomar o café da manhã olhando para a Acrópole, que foi o nosso passeio daquela tarde. Em seguida do café fomos visitar o Museu Arqueológico Nacional que ajudou a formar, juntamente com os monumentos, uma idéia de como devia ser a civilização naqueles dois mil e poucos anos antes. No museu, a riqueza está puramente nas peças expostas. Não é bonito como o Louvre, não tem telas nas paredes. Quase tudo são esculturas e vasos pintados. Há também uma ala com muitas jóias, a maioria delas em ouro. Colares e coroas enormes, com folhas de árvore e ramos em ouro extremamente brilhante.







A visita aos monumentos da Acrópole não é simples. Embora fisicamente seja apenas um monte seco, com construções em ruínas, um sentimento forte de imaginar como pode o homem ter feito tudo aquilo há tanto tempo intriga a todo instante. Agradeci por poder pisar ali. Era o nosso último dia em Atenas. Na manhã seguinte embarcamos num ferryboat gigante para Santorini.















A Alice sempre faz fotos nas agências de Correios por onde passamos. Esta, em especial, na Acrópole, foi bem bacana.

Tuesday, June 16, 2009

Intrigante proximidade...

Tentaram nos assustar. Eram 8h da manhã de segunda, 1° de junho quando eu terminava de ajeitar as malas. Sempre escutamos a Itapema FM, que toca músicas agradáveis intercaladas com alguns drops de manchetes. Geralmente notícias burocráticas como o índice de aceitação do governo ou culturais, como os shows que estão para vir para Porto Alegre. Só que naquele dia o locutor interrompeu o jeito descontraído e falou com voz de plantão noticiário de filme que havia desaparecido um avião da companhia aérea francesa Air France com cerca de 200 pessoas a bordo no trecho Rio – Paris. Era justamente o trecho que faríamos: Rio – Paris. O último contato da aeronave, que saíra às 19h de domingo do Rio, teria sido por volta das 6h da manhã. Naquela hora, às 8, não tinha nenhuma notícia concreta. A Alice saiu do quarto e perguntou: “E agora?”.

Deixei as malas de lado, levantei e fui até ela. Abracei-a e disse que tudo daria certo. No fundo eu estava com muito medo, mas não podia abandonar tudo ali. Se essas coisas podem apresentar-se como um sinal para se desistir de algo, para mim era um sinal de que, por maior que fosse o desastre, o nosso voo estaria a salvo. Não tínhamos muito tempo pra refletir o que fazer, o voo para o Rio era às 10h40min. No Galeão, centenas de jornalistas e TVs de todas as partes lotavam as áreas comuns em busca de entrevistas. Mas ainda nenhuma notícia do que havia ocorrido, só especulações. Aguardamos até o embarque, às 16h20min, naquele ambiente nada favorável para o início de uma viagem de duas semanas em férias.

De nossa parte, o fato mais intrigante, além de irmos pela Air France, era de que tentei comprar as passagens saindo no domingo, mas o atendente disse que não havia mais no valor que eu queria, apenas na segunda. Como iríamos chegar aqui no sábado, 13, e ter o domingo para descansar, não faria muita diferença adiantar o cronograma para mais um dia. Só que nosso voo, mesmo que fosse no domingo, não seria no mesmo horário do AF447 (19h), e sim no das 16h20min.

Fomos e voltamos muito bem. Durante a viagem vimos muito pouco sobre os desdobramentos do acidente e conseguimos aproveitar ao máximos as maravilhas que nos foram oferecidas.

Friday, May 22, 2009

Falta pouco...

Maio vai chegando ao fim e a viagem fica a cada dia mais próxima. Foram meses de muita especulação cambial, roteiros, lugares, quebra-cabeças intermináveis para definir os hotéis dentro dos nossos critérios de recursos oferecidos, preço e localização, além de muita leitura de outros viajantes e do que devemos encontrar no caminho.

Como a organização dos preparativos tomou muita energia, não consegui aproveitar esses últimos dias para o que havia me programado, que era ler sobre a história e os personagens de cada um dos nossos destinos.

Um pouco do nosso roteiro

Partimos aqui de Porto na segunda, 1° de junho, e desembarcamos na terça, em Atenas. Teremos um dia e meio para mergulhar na história de uma atmosfera milenar e mitológica por onde passaram nomes como Alexandre, o Grande.

Dia 4 de junho pegaremos um ferryboat às 7h da manhã até a ilha de Santorini. Uma viagem de aproximadamente sete horas e meia até um dos destinos mais românticos do mundo. A ilha de origem vulcânica tem imensas encostas repletas de casinhas brancas e aberturas azuis, típicas da maioria das cenas gregas, como em Oía, ao norte, que também é muito conhecida pelo seu pôr-do-sol. Ficaremos nesse pedaço de paraíso num hotel com piscina e vista para a caldeira do vulcão até o dia 8, fechando nossa primeira semana.

Por volta da uma da tarde do dia 8 pegaremos um voo, em Santorini mesmo, até Paris. Ainda não definimos o que ver em dois dias, mas uma coisa é certa: vamos fazer o passeio noturno.

Dia 10 de junho será um dos dias mais cheios de toda a viagem. Teoricamente é simples: Paris – Le Mont Saint Michel. Nos despedimos brevemente da cidade-luz e vamos de trem para Rennes, no noroeste da França. Ali na estação de trem um carro da avis estará nos esperando. Então coloco em prática minha Carteira de Habilitação Internacional que recebi ontem e viajamos 60km para o norte de Rennes até o monte que durante a Guerra dos Cem Anos, entre França e Inglaterra, foi uma verdadeira fortaleza, resistindo a todas as tentativas inglesas de tomá-la e constituindo-se, assim, em símbolo da identidade nacional francesa. Declarado monumento histórico e Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1979. Mais ou menos no meio do caminho entre Rennes e o Monte pararemos em Liffré, a cidadezinha onde fica o hotel no qual passaremos essa noite. Nossa idéia é ficar no Mont Saint Milchel até umas nove da noite, quando o sol começa a se pôr. Depois voltaremos ao hotel.

Na manhã do dia 11 seguiremos para o Vale do Loire. Ficaremos numa cidadezinha próxima a Tours. Ali visitaremos alguns castelos seguindo numa atmosfera medieval que estará nos acompanhando desde o Mont Saint Michel, inclusive no dia 12 de junho, um Dia dos namorados bastante especial.

Finalmente, no sábado, dia 13, depois de devolver o carro na estação de Tours, pegaremos um trem até o aeroporto de Paris, de onde sai nosso voo de volta.

A ideia de escrever um livro este ano ainda é só uma ideia. Mas creio que depois dessa viagem terei bons motivos para começar a escrever.

Tuesday, May 19, 2009

Amigos dispersos...

Dia desses conversávamos sobre amigos desaparecidos. Não com um paradeiro completamente desconhecido. Sabemos mais ou menos onde estão, mas não dão as caras. A Aline sempre cita o caso de um amigo que, quando aparece, aparenta apenas estar promovendo algum evento ou a nova atividade.

Acho que ela tem razão. Só que as pessoas todas que chamamos - ou não - amigos não encontram-se mais como já foi um dia. Os interesses e situações individuais mudaram. Não há mais eventos abertos a todos. O grande grupo se dispersou, e restou a lembrança das festas, das viagens, excursões... E nos pequenos eventos que hoje acontecem a ausência de um ou de outro se torna mais evidente.

Eu sinto falta do grande grupo não se reunir mais em um grande grupo. Por outro lado entendo que o momento passou e querer remontar algo semelhante raramente dá certo. Prefiro deixar que o acaso nos reúna em algumas datas especiais e aniversários.

Tuesday, May 12, 2009

Aniversários...

Meu aniversário teve uma comemoração bem divertida. Calma, de certa forma, mas divertida. Neste ano, novamente não farei uma festa, deixarei para os 33. Já estou preparando uma temática comigo e o JC, com displays em tamanho real, eu e o JC abraçados e tals.

Fiz ali no Z Café da Padre Chagas, o que provocou espanto em alguns. Foram as vinte pessoas que eu previra, o pessoal todo comportado tomando um chopinho. A Alice bebeu umas caipirinhas. Me deu a camisa dourada do centenário do Inter, muito bonita!

O nosso aniversário de casamento comemoramos a dois, com uma jantinha e um vinho. Pela manhã mandei flores pros Correios. Algumas lembranças de quando éramos namorados, muitas lembranças da noite do nosso casamento, nossa dança, nossa festa, a celebração na igreja,... Beijos, carinhos, um gole de vinho... e alguns preparativos finais para a nossa próxima lua-de-mel, no mês que vem.

Thursday, April 23, 2009

Caminhando...

Sábado estávamos bem a fim de comer umas sobrecoxas de frango assadas e um purê do Zaffari. Escolhi uma bandejinha de sobrecoxas, devidamente sem pele e sem ossos, só o trabalho de mastigar.. Tudo se montava perfeitamente para um delicioso almoço de sábado.

Então fui até o balcão das comidas (rotisseria?) para pedir o purê e avistei a barata de longe. Dentro do balcão! Me aproximei para ter certeza. E quando começaram a me olhar como se eu estivesse furando a fila, falei: "tem uma barata ali!"

A atendente deu uma olhada despretensiosa, se fez de mosca e seguiu atendendo quem se arriscou a permanecer na fila. Um tiozinho disse que dava vontade de sair correndo. Mas ficou e pediu a sua massa com molho...

Eu, obviamente desisti. Abstraí e peguei umas batatinhas cruas que eu mesmo lavaria e descascaria para o nosso limpo e delicioso almoço de sábado.

Escrevo pois acho que o comportamento da atendente deveria ter sido outro. Parava o atendimento e tirava todas as comidas dali para limpar o balcão. Mas não sei como é a instrução do Seu Zaffari nesses casos, nem quero saber. Só sei que depois disso perderam por um bom tempo um assíduo cliente no balcão das comidas prontas.

Tuesday, March 31, 2009

Meu pai não curte o Lula...

Cresci com a imagem da foto do Getúlio pendurada num dos pilares da garagem da casa dos meus pais. Uma foto velha, em um tom desbotado puxando pro marrom. Mas o Getúlio permaneceu firme ali durante anos. Depois dele, ouvi muito falar do Brizola, mas a imagem que tinha dele, ainda vivo, destoava daquela que meu pai se agarrava, de um homem forte. Para mim não parecia ter forças para brigar com a vibrante imagem do Collor, por exemplo.

E esse foi o responsável pela minha grande decepção política. Eu não votei em 89, tinha 12 anos. Então, depois de correr atrás do caminhão do Collor pra ganhar camisetas com os guris da rua e sentir a desaprovação do meu pai, minha parte rebelde da adolescência me fez tomar rumo de uma terceira tendência. Assim tornei-me um petista. Nada radical, nem muito explícito. Simpatizava, apenas. Tanto que não votei na eleição em que me era facultado.

Acho que meu pai não gostou muito quando me viu com o bigode do Olívio durante a campanha para o governo do Estado, e isso o enraizou fortemente na sua nova convicção tucana. Por um lado até entendo, pois ele associava o PT à anarquia. E me chamava de descamisado – brincando – quando eu ficava sem camisa em casa.

Hoje quero mais que os políticos se explodam. Não sei qual a parcela de culpa do Lula nisso tudo que acontece no país, mas “simpatizo” com o governo dele. Coisa que eu não conseguia com o Fernando Henrique e com o Rigotto, e agora com a Yeda, a versão gaúcha do David Bowie. Não consigo ver nada de bom no governo dela e, sinceramente, torço contra.

Achei engraçado isso quando vi o sentimento de desaprovação refletido no meu pai. Ele não aceita o Lula de jeito nenhum, algo semelhante ao que acontece com alguns amigos. Esses dias eu falava com meus pais a respeito de provas de concursos e minha mãe levantou a questão do hífen. Meu pai não podia perder:

- É coisa desse bobalhão que tá lá. – ele nem cogita chamá-lo de Presidente.
- Pai, era só o que faltava, colocar a culpa da reforma ortográfica no Lula, que nem sabe escrever direito...
- Pois é, mas ele assinou!

É por isso que uma mudança política é tão difícil!

Wednesday, March 18, 2009

Estão tentando retomar o controle...

Entre os diversos males dos quais somos obrigados a conviver, o que mais me procupa é a drogadição. Mais que assalto – que vem em segundo – mais que o câncer e as doenças do coração. Mais que o Gremio ser campeão da Libertadores (o Roth no comando me garante isso).

Não tenho medo do efeito das drogas, tampouco curiosidade: em quase 32 anos nunca experimentei um baseado. O que me assusta é a atmosfera criminosa que circunda o “inofensível” consumo. Não creio que seja um entendedor do assunto, mas acompanho quase que diariamente, nos jornais, as apreensões de drogas e prisões de envolvidos. Vejo a epidemia do crack ligada a assaltos a pessoas e furtos em residências e a cocaína e a maconha ao roubo de carros e bancos.

Então ouço rumores otimistas, se assim puder dizer. A epidemia do crack seria mal vista pelos traficantes, os que efetivamente tem algum controle. Lembrei de quando fazia as primeiras excursões pro Farol de Santa Marta, com os amigos de um colega da eletrônica, lá por 96. Entre todos os ocupantes dos dois ônibus, apenas eu e a namorada de um cara não fumávamos. Os demais compensavam e bem. E por incrível que pareça, no meio de todo aquele buffet do mal, havia uma regra: não era permitido loló. Nunca entendi o porquê, mas chegavam a bater em quem se escondia no banheiro do ônibus pra enfiar a cara no saco plástico.

Talvez para o crack haja uma argumentação melhor. Existe uma parcela de consumidores que ainda tem poder de consumo com dinheiro, mas à medida em que a classe social diminui, a fatia aumenta, e a moeda passa a ser os bens: roupas, panelas, tênis, relógios, enfeites de casa, maçanetas, assoalhos, torneiras, janelas e tudo mais que surgir numa imaginação em plena fissura.

Quem sabe...

Tuesday, March 10, 2009

2009

Depois dos 81 anos do pai, do Carnaval e das férias, 2009 começa. Começa um pouco mais lento do que eu esperava, com menos metas estabelecidas objetivamente. Esse ver passar o tempo sem definições concretas a curto e médio prazos causam uma pequena frustração. Devia ter guardado uns dias antes das férias para organizar isso. Então coloco os pés no chão e tento dar conta do agora com algumas trivialidades úteis para não deixar o tempo passar simplesmente pensando. Só que as trivialidades, por mais simples que sejam, esbarram em processos lentos e pessoas sem vontade e sem possibilidade de cobrança. Desanima, profissionalmente falando.

Enquanto isso, os objetivos não profissionais estão bem traçados e prometem muito prazer. Semana que vem recomeça o italiano. E procuro assunto e inspiração para dar início a um livro..

Friday, February 13, 2009

Uma visita à casa da minha infância...

Os cães latiam como sempre. O Duque mais forte, mesmo cego, o Sultão um pouco menos, mas por mais tempo. Acho que não era fome, os potes ainda tinham bastante ração.
Como pode ter sido essa a casa em que vivi? Como posso ter me acostumado a um ambiente tão cheio, tão carregado? Uma coisa eu sempre soube: que guardávamos mais do que o útil e que o inútil. Assim não me espantei ao ver que deixaram bananas maduras na cesta de frutas sobre a mesa. O cheiro da casa toda é como uma mistura da minha infância com um cheiro de vó que não conheci. Um cheiro velho.

Uma das minhas atribuições no trabalho é vistoriar prédios e instalações e listar todas as pendências e melhorias possíveis. No meu cotidiano consigo não levar esse olhar à procura de defeitos para a minha casa e para os lugares que não o meu expediente. Mas ali na casa dos meus pais não pude fugir à pergunta de como faria se tivesse que deixá-la limpa, apreciável.

Dei mais uma volta pela casa, completei os potes com ração, me despedi dos cães e saí.

Agora a tarefa era o presente do meu pai. O que poderia esperar um homem aos 81 anos. Confesso que há uma tendência inicial em tratá-lo como uma criança. Muitas coisas dificultam: ele não lê livros, não assiste a filmes, não ouve cds, nada cultural. Não usa perfumes.. Queria algo diferente da cadeira de praia do Natal. Se os 80 anos foram uma marca forte, cada ano a mais é como mais um brinde. À vida. Mais uma saideira daquelas noites em que se fecha o bar com os amigos, sempre espiando o garçom e esperando que não comece a levantar as cadeiras e recolher as mesas. Aquela saideira que se sabe – não é a última.

Friday, February 06, 2009

Que palhaçada é essa de Canoas em vez de Ulbra?

Em fevereiro do ano passado o Leo Prestes, do Linha Burra, já havia previsto, mas eu achei que não chegariam a efetivar essa palhaçada. A equipe da RBS TV está tratando a ULBRA simplesmente por CANOAS.

Ainda ontem houve uma discussão no Sala de Redação a respeito de como, afinal, se chamava o time da universidade. Lembraram de outros exemplos, inclusive do Gremio, que deveria se chamar PORTOALEGRENSE. Há vários outros casos em que o time é chamado não pelo nome principal, mas por aquele que “pegou”. Então o professor Ruy deu a real: “o nome do time é o nome consolidado ao longo dos anos e assumido pela sua torcida”.

Tomara que assim seja, porque além de todo o mal estar político, fica ridículo e nada natural. Sorte da Internazionale que não é nome de empresa, senão seria chamada de Milão.

Wednesday, January 28, 2009

Por onde andamos...

Sou daquelas pessoas que precisam registrar as coisas para que a roda ande. E como vejo um 2009 cheio de possibilidades, não quero deixar em branco este espaço onde coloco algumas coisas importantes que acontecem.

No dia 23 teve duas formaturas, a da De e a da Raquel, irmã da Alice. Essa última, Nutrição/IPA, teve uma colação com detalhes que a diferenciaram. Ninguém, absolutamente, bateu palmas depois dos hinos Nacional e Riograndense. Como era uma turma com suprema predominância feminina, os discursos eram "a todos e todas presentes", "queridas e querido formandas e formando". E o mais legal de tudo: a homenagem aos pais, que nunca foge da Adriana Calcanhoto cantando bochecha sem cladinho. Som de Phil Colins para uma montagem com cenas de desenhos animados com imagens de família.. Rei Leão, Tarzan, Nemo, vários, vários. Muito emocionante!

Shows

Começamos a temporada 2009 com o James Blunt ontem, no Pepsi On Stage. Não recomendo o lugar: ruim de estacionar e vista prejudicada da pista. O show foi muito.. vibrante, digamos. O cara entrou no palco com uma energia que não deixou cair nem um minuto. Todas as músicas, mesmo as de letra triste, foram pra cima, desenvolvidas com empolgação. Muito bom show!

E em plena era digital, onde as mãos todas levantadas empunhavam uma câmera ou celular, aproveitamos o calor do show abraçados, apenas. Em vez de cliques, guardávamos os melhores momentos do show com beijos..

Friday, January 16, 2009

DWL7713 - Parati Track & Field prata - SP - São Paulo

Dessa vez não foi traumático. Pelo menos acho que não foi. Fui assaltado e roubaram o carro. Passado o susto inicial foi tranquilo. O carro era da empresa, por isso não gerou tanta indignação. Meus, foram levados o relógio, dinheiro (60 pila), a bateria do celular e uma barraca.

O maior valor é a vida, sem dúvida. Depois a integridade física. Mas não vejo como não ficar indignado diante da situação e não contabilizar os bens.

Segunda-feira saí pra almoçar. Eram quase 2h da tarde. Parei num cruzamento na Atanásio Belmonte, paralela à Plínio. Arranquei e parei em seguida para anotar um telefone de um prédio em construção. Ouvi um toc toc toc no vidro. Achei que fosse algum conhecido. Como o vidro estava fechado e o som e o ar ligados, prestei atenção no que dizia: “Abre! Abre!” Um pouco mais abaixo, o que fazia o toc toc toc era o cano do revólver. Levantei as mãos e calmamente abri a porta. A primeira coisa que pediu foi o dinheiro, o que me fez pensar que seria só isso. Entreguei a carteira, mas ele pediu novamente só o dinheiro, que eu podia ficar com os documentos. Na hora devo ter feito uma expressão de “Pô, bacana!” Abri a carteira colocando a palma da mão para cima, escondendo a aliança, que era – depois da vida – o que mais temia. Eu disse que podia levar tudo, mas que virasse aquele negócio pra lá.

Puxei uma nota de dez pila, ao que imediatamente ele comentou: “Bah, tá mais pelado que eu!” Eu sabia que tinha uma de 50, e entreguei em seguida. Depois pediu o telefone, e mais um comentário tragicômico: “Bah, teu celular tá mal.. deixa eu pegar só a bateria pra tu não ligar.” Novamente fiquei contente por não perder meu telefone, e sabia que tinha uma bateria reserva no escritório.

Perguntou se o carro tinha corta-corrente e se eu estava armado. Disse que não tinha nada e podia levar. Quando desci do carro pediu ainda meu relógio vagabundo – um Technos Skydiver lindo que ganhara de Natal da Alice – que um parceiro dele tava precisando daquele relógio. Finalmente desci do carro e ele arrncou. O pesadelo tinha acabado e, passado o susto, eu estava inteiro, ileso, com meus documentos, cartão do banco, celular, aliança e a convicção de que meu Santo que é forte se encarregue de aprontar alguma pra aquele filho da puta.

Tuesday, January 06, 2009

Presentes infelizes para um Natal monótono...

Recebi do Jurânio uma tentativa de votos natalinos fora do lugar-comum – não sei se o hífen está correto. Desejava aos constantes na lista do email dificuldades elevadas à n-potência num texto cujo tom me lembrou muito o Sunscreen, aquele video que teve uma versão em português com narração do Bial. Apenas em tom, pois o Sunscreen tem um texto “do bem”, é otimista. Para finalizar, nos desejou de forma muito pessimista que, um dia, tenhamos um feliz Natal.

Considero-me um tradicionalista e otimista. Por outro lado gosto de ver o empenho para mudanças; gosto de quando algumas pessoas – amigos ou não – te dão a real sem maldade. Sem querer usar o que dizem como um investimento pessimista para futura promoção pessoal. Não creio que tenha sido esse o motivador, entendi como dificuldades que provoquem desafios, superações pessoais e, sobretudo, profissionais. O sucesso, enfim. Só que nos desejou a parte suja.

E nessa época de festividades, em que o aniversário do JC consta como um ilustre coadjuvante, acho que as pessoas querem o bom e velho otimismo. Eu sou assim, pelo menos. Olho sorrindo para o ano que passou, agradeço o que tive de bom e torço que o ano seguinte seja melhor. Tudo muito generalizado, superficial, mas que me deixa leve, imune a eventuais contratempos (sem hífen?) e, por que não, monótono.

A Alice já me cobrou algumas vezes por aquele Raul impulsivo, surpreendente, imprevisível. Fazer isso com responsabilidade é uma meta. No Natal, porém, eu assisti a tudo sem responsabilidade e sem mais nada, apenas estampando um sorriso que não era meu. Vi minha sobrinha obesa aos 8 anos, que passara a tarde tomando refrigerante comer até todos perceberem que era de mais. Vi a teimosia da minha irmã caçula promover um Papai Noel que ninguém viu para a mesma sobrinha. Assisti ao silêncio da mesa só ser quebrado pelo barulho da tv. Vi os presentes que ficaram acumulados no canto da sala serem atirados pelo ar aos seus donos pela mesma sobrinha que buscava mais um com o seu nome. Assim a Alice recebeu o presente que passei dias pensando e horas escolhendo:

- Ó, Alice.

Assim recebi a linda camisa que ela me deu. Assim, também, recebemos os infelizes: a bermuda xadrez, um bermudão até a canela, um vestido tomara-que-caia e uma blusinha frente única. Coisas que nunca usamos nada parecido que inspirasse um presente assim. Depois de tudo conseguimos rir. Mas era preciso um desabafo. Restou o desafio de uma receita com o melhor do tradicional e impulsos surpreendentes. Não apenas para um feliz Natal.

Wednesday, December 24, 2008

Também quero!

Mesmo eu gostando mais do antigo método da surpresa ao dar e receber presentes, entendo que existe uma boa fatia da nação capitalista que adianta o que quer ganhar ou parte direto pro vale-presente.

Claro que no time dos que preferem a surpresa valem as dicas, pistas, etc. Digamos que seria um processo implícito construtivo intrínseco. Ao quadrado. Não, muito matemático. Mas é isso. Só que algumas pessoas não têm saco e chutam o balde. No meio do involuntário jogo resolvem falar: “Olha, quem sabe tu me dá isso...!”

O normal seria fazer isso a quem presenteia: familiares próximos, alguns amigos, namorado, namorada, filhos, ou ao Papai Noel. E eu tenho certeza que não tenho cara de Papai Noel.

Um vizinho de uma estação me ligou e solicitou que eu fosse até o local. Como eu tava aqui no ar condicionado, e se fosse pros 33° da rua iria diretamente onde precisava. Pedi que me adiantasse o assunto. Ficou brabo!

- Olha aqui, ó. Me falaram que qualquer problema era pra eu ligar pra esse número. Se não vai funcionar eu vou ligar lá e reclamar.
- Primeiro o senhor se acalma e depois a gente conversa.
- Eu não tô nervoso! É que me disseram...
- Tudo bem, o senhor me adianta do que se trata e eu vou aí.
- Não é, é que precisa falar pessoalmente.

E assim foi. Até que o convenci a adiantar que se tratava de furtos do pessoal que pulava pra dentro do nosso terreno. E ele iria nos dar umas “idéias”. Cheguei na estação e ele já estava ali na frente. Camisa só com um botão preso e sandálias franciscanas. Disse que mora há anos ali e acompanha as reuniões dos vagabundos em frente ao nosso terreno. Eles o respeitam, mas que uma hora precisa dormir e então eles pulam a grade e furtam os cabos que conseguem.

Pensei que ele fosse pedir café ou guaraná do amazonas pra conseguir se manter mais tempo acordado. Que ingenuidade. Respondi amenidades.

- É, a violência hoje em dia...

Foi aí que ele foi direto ao ponto:

- Olha, eu vou me mudar mês que vem. Quem sabe vocês não constróem uma casinha pra mim no fundo do terreno pra eu morar e eu cuido aí pra vocês?

Tuesday, November 25, 2008

De volta pra casa...

Voltei ao meu posto de trabalho. Já faz umas duas semanas. Pude então rever meu conceito em querer deixar a casa isolada onde trabalhamos para estar na vitrine do prédio sede. Depois de 11 anos não seria a exposição que abriria portas a uma possível promoção. O ônus da sensação de ser vigiado 8 horas por dia não compensa.

Estou um pouco alheio aos problemas da humanidade. Sei que Santa Catarina vive uma das maiores calamidades de sua história – se não a maior; que rompeu o duto que traz GNV para o RS e a normalização deve ocorrer só daqui a 21 dias; que a crise mundial ainda tem forças e tudo mais. Mas não tenho acompanhado mais nenhum detalhe de nada. Fico só nas manchetes.

Aprofundei-me um pouco mais no trabalho e vi que a roda pode girar um pouco melhor se eu mantiver este empenho, e já que ali estou, devo tratar de tornar o processo mais atrativo.

O ano vai se aproximando do final e as festividades vão tomando forma. Percebi, agora, que estou sendo alienado a um motivo para a virada do ano. Quando surge o assunto tento parecer o menos inoportuno às expectativas e acabo simplificando tudo a um: “pra mim tá bom”. Quero realmente comemorar o Ano Novo, como sempre fiz. Sempre fui contrário à idéia de querer logo que o ano acabe. Mas não é simplesmente isso. Não querer que o ano acabe e não viver a passagem como uma mudança realmente boa não tem muita diferença.

Viver como se as expectativas não existissem seria hibernar a vontade de viver.

Tuesday, November 04, 2008

Previsível

Fui transferido temporariamente. Faz quase um mês. E nesse pequeno período posso perceber consideráveis diferenças em habitar o prédio sede. Inegavelmente a empresa é ali; acontece ali. Não poderia ser diferente. Mas quando se passa alguns anos trabalhando num setor sediado numa casa de bairro não se tem a mesma percepção.

No prédio sede me sinto um personagem do Dilbert. Não saberia dizer qual. Mas vejo características de todos eles ali. Ontem a Zero colocou um que eu ri muito, pela coincidência.

O interlocutor apenas ouve as três sentenças:

“Você excedeu seu limite de armanezamento de emails.

Para aumentar seu limite você precisa de autorização do céu, do Presidente da República e de alguém ainda a ser especificado.

Estou em dúvida entre o Abominável Homem das Neves e uma Top Model formada em Engenharia.”

Logo na entrada do corredor principal do andar um senhor que considero atípico. Notavelmente ele tenta se fazer ver como alguém diferenciado. Não seria necessário. É um homem de uma ímpar riqueza cultural mergulhado num oceano nerd. Então ele o faz. Lê em voz alta um email spam: um banco teria lhe alertado sobre falsos emails e informado que “maiores informações” poderiam ser obtidas clicando “aqui”, e para não receber mais emails do tipo outro “clique aqui”. Ele diz isso em voz alta como se fosse a primeira pessoa a receber algo assim e estivesse alertando em primeira mão os incautos sobre a fraude. Lê, como se fosse um discurso, e em seguida abre um silêncio para os comentários.

A previsibilidade é uma merda!

Thursday, October 23, 2008

Feliz aniversário, Alice...

O pensamento lógico dos aniversários é o aguradar o dia chegar, parabenizar, presentear e comemorar. Os aniversários todos não são assim. Uns antecipam o prazo, alguns muitos se esuqecem da data; uns lembram e não falam nada, uns não dão presentes aos aniversariantes, e esses, por sua vez, não os recebem; e os outros tantos que não comemoram.

Os aniversários todos são assim, querendo ou não, eles acontecem. O que se vai fazer para marcá-los ou não, é o que podemos fazer. Ou não, no caso das festas surpresa. Gosto dessa parte de presentear, apesar de achar uma questão muito difícil e delicada. Entendo como uma arte em que se tenta alcançar o sucesso. Mas são coisas do nosso mundo, objetos do desejo que tomam significado de acordo com nossos gostos, nossas experiências e a sensibilidade que temos sobre a pessoa a qual presenteamos.

E acima de todos esses presentes e comemorações existe o amor. E assim como não tenho forças nem meios para compreendê-lo completamente, não sei se tenho o amor de Alice como presente ou se a presnteio com meu amor. Sei que é um sentimento simples e ao mesmo tempo incrivelmente cheio de significados e poderes. Está sempre ali, manifestando-se mais ou menos na medida em que o cultivamos.

Então hoje quero resgatá-lo todo. E se todo maravilhoso é, quero ver o brilho maior, como o de um brilhante à luz de um ângulo diverso, sentir o cheiro de todas as manhãs mais o perfume das noites de festa; embrulhar tudo no meu beijo e assim, te presentear, Alice..

Te amo!

Tuesday, October 14, 2008

A queda...

Não gosto de escrever sobre futebol aqui, mas preciso desabafar.

Ainda faltam dez rodadas para terminar o brasileirão, e essa situação do Gremio como líder é extremamente deprimente. Espero muito que no fim tudo dê certo e eles não sejam campeões. Mas me refiro ao agora, nessa condição atual de manter-se em primeiro por várias e várias rodadas.

Não sei como foi quando o Inter ganhou a Libertadores. Acho que foi diferente. Cada jogo era uma decisão, e havia a possibilidade real de acabar o pesadelo (para os gremistas) ali. Na medida em que o Inter avançava as esperanças inimigas se renovavam: os times em disputa entravam com as mesmas chances.

Agora num campeonato de pontos corridos, a cada rodada o time que está na frente fica mais próximo se ser o campeão. E não há uma final, onde teoricamente os times entrariam em iguais condições. Não sei se é generalizado, mas posso observar toda a soberba que é cabida aos gremistas. Talvez tenha sido assim com Colorados quando o time estava bem. Não sei. Só sei que isso precisa acabar logo.

Friday, October 10, 2008

A bolsa...

Um comentário, hoje de manhã, curto e simples, valeu uma boa risada pra começar o fim de semana.

O Alemão Victor Hugo, no Iô-iô:

- Com essa história da bolsa até neguinho que nunca teve dinheiro anda preocupado: "E agora, o que é que eu vou fazer com meu dinheiro?". Pô, o neguinho nunca teve dinheiro!

Hahahahahahaha!!!

Tuesday, September 23, 2008

Eu era uma criança infeliz...

Não sempre, é claro. Minha família sempre foi bastante unida, ao menos em termos de espaço. E a proximidade da família, com todas as suas diferenças, é boa para a criança. Só que a diferença de idade dos meus pais é muito grande: dezesseis anos. E embora minha mãe ter ganho meu irmão logo aos dezoito, eu só vim quando ela tinha 33, uma idade até razoável, e meu pai, 49.

Quando comecei a me dar conta das coisas do mundo minhas duas irmãs e meu irmão mais velho já eram gente grande pra mim, então não tive alguém com quem pudesse ter uma cumplicidade dentro da família. Meus amigos eram os confidentes, mas com esses existe uma barreira natural. Aos amigos, antes de sê-los, tende-se a mostrar a parte bonita.

Minha irmã mais nova, a última dos cinco, veio quando eu tinha 4. E ela, com quem eu poderia ter estabelecido essa relação mais próxima, foi muito mais uma inimiga do que amiga. Vivemos uma infância de gato e rato, brigando por todos os motivos possíveis.

Digo que era infeliz porque não tive essa cumplicidade, porque via meus pais como senhores rígidos e mais velhos, com regras para comer, para dormir depois de comer, para não sair de casa. Eu era uma criança viva e ativa, não queria dormir durante o dia, queria descobrir o mundo.

Hoje posso passar um domingo de sol inteirinho na cama com a minha mulher. Mas essa é a minha ambição, de estarmos juntos, de fazermos amor, de preparar algo para comermos, de beber juntos. Meu descobrir o mundo hoje é preencher nosso álbum de vida com momentos maravilhosos, a sós ou com nossos amigos; em casa ou na rua. Mas são planos em que a gente geralmente conhece o destino, e define apenas como fazê-los.

Quando criança tudo seria novo, mas o tempo passava enquanto minha infância se desenvolvia dentro dos limites da casa. Agradeço, claro, pelos passeios que fizemos à praia, ao Jardim Zoológico, mas foram poucos. Nunca fomos a um restautrante, por exemplo. Só fui “comer fora” quando comecei a trabalhar.

Por isso digo, hoje, que fui uma criança infeliz. Por que vejo que de certa forma passei alguns anos preso em casa. Ainda bem que eu morei em casa!

Tuesday, September 16, 2008

Pendente...

Nesses últimos dias surgiu uma discussão a respeito da maneira como (não) encaro o que a vida me reserva. A maior parte das situações ocorrem no trabalho. Pelo menos é onde mais se observa, mas o destino se encarrega de mesclar no cotidiano alguns conflitos particulares.

O procedimento é simples: se o conflito tem algum risco de ser desgastante, fujo. Protelo, adio, faço que esqueço, e às vezes esqueço mesmo. Das coisas que preciso fazer escolho aquelas que podem ser executadas sem ter de pedir ajuda, o que está mais ao alcance, etc. Pode parecer comodismo, de querer fazer o mais fácil. Porém não é somente isso. Se preciso fazer algo de interesse próprio, ou que seja pedido urgência, empenho ao máximo as habilidades necesssárias fara fazê-lo. Mas são poucas as vezes em que isso ocorre.

O resultado é proatividade zero e uma lista de pendências que se fosse enumerá-las e cogitar resolvê-las me levaria ao colapso.

O primeiro passo foi dado: reconhecer o problema. Agora estou tentando atacar os prazos. Os atrasos têm me arruinado. Perdi de inscrever a minha reportagem sobre a Cabana do Turquinho no Set Universitário da Puc.

Voltaremos!

Tuesday, September 09, 2008

Canta loupe...

Não entendo por que as pessoas não compram o canta loupe. Ou cantaloupe, talvez. Assim como as demais frutas, o melão tem suas variedades, umas mais conhecidas, outras menos: o o paulista, o gaúcho, o espanhol, o net, o orange, o pele-de-sapo, e o canta loupe, o melhor dos melões! Deve haver outras. Não importa.

Tive a sorte de conhecer o canta loupe graças à revolução da apresentação das frutas ao consumidor. Devemos reconhecer, nesse caso, a importância da Virgínia, pioneira na luta das frutas por uma melhor aparência. Ela defende que o aspecto e a não praticidade com que as frutas são oferecidas pela natureza nos levam a escolher, em geral, as guloseimas. O chocolate, por exemplo, além de agradável aos olhos, é dividido em quadradinhos que facilitam o consumo.

Um dia o Seu Zaffari deve ter lido o extinto blog da Vi. Leu o texto das frutas e inseriu nas inúmeras ofertas do seu supermercado, a bandejinha de frutas em pedaços. É uma maravilha! É verdade que quem instituiu o consumo das frutas na bandejinha lá em casa foi a Alice. As frutas vem em uns quatro ou cinco grupos de 3 pedaços. Três cubos de abacaxi, três de manga, kiwi, morango, melão, etc. Pra quem quer só um tipo de fruta tem as bandejas de abacaxi, de mamão, de manga e... as de melão.

Na primeira vez escolhi, além da aparência, pelo nome. Achei bonitinho o canta loupe. O resultado não poderia ter sido melhor. Doçura, aroma e consistência inigualáveis. Não chega a ser de desmanchar na boca. Mas quase.

Não fosse pela apresentação inovadora, jamais conheceria o canta loupe. Ele é assim por fora.

Porém, por dentro, revela-se apetitoso, suculento, delicioso!

Então eu não entendo quando vejo as pessoas comprando aqueles melões amarelos que são verde desbotado dentro.

Friday, August 29, 2008

Voltaremos!

Parei, pensei, saiu fumaça, e desisti.

Depois de tanto tempo parado, seria querer demais escrever alguma coisa com contiúdo. Assim como não escrevi mais, não li mais nada, não descobri nenhum site bacana, nada.

Isso foi só pra dizer que tirei a poeira do teclado e devo desenferrujar isso aqui.

Voltaremos!

Wednesday, July 30, 2008

Tem horas em que todos somos iguais...

Sempre que parabenizo alguém pelo seu aniversário, desejo o mesmo: saúde e sorte. Esses dois esses são tão simples e geralmente nos acompanham por toda a vida sem serem percebidos. Todavia, tem uma hora que sentiremos a falta de um ou de outro. E nessa hora, a tendência é de que todos se igualem. Digo no sentido das desigualdades sociais. Sempre haverá um ricaço preso no mesmo engarrafamento onde se encontra um – ou vários – pobretão. Tudo bem, ele vai estar no ar condicionado, se não tiver a falta de sorte de estragar. Doença também não escolhe conta bancária. Por isso desejo sempre saúde.

Voltei a pensar nisso ontem, quando vim pra Campinas. Logo que saí de Porto Alegre, por volta das cinco da tarde, passei pela pior turbulência que podia imaginar. Semana passada estive em São Palo, e não tem como passar em Congonhas sem lembrar do acidente do ano passado. Mas correu tudo bem. Agora era Campinas, mas com uma escala em Curitiba. Acho normal ocorrer turbulência, ainda mais em dia chuvoso. Só que teve uma, depois outra mais forte, e não parou mais. Até que o avião teve uma súbita perda de altitude que fez com que todos tivessem um violento “frio na barriga”. Ali eu senti que era mais sério do que o usual. O comandante nos garantiu que era uma “pequena” turbulência, mas pediu que permanecêssemos com os cintos afivelados.

Tive muito medo. Muito mesmo. Até tentei manter o pensamento no bem, que ia passar em seguida, mas a cada balançada e com as asas do avião subindo e descendo visivelmente, não teve como. Tive vontade de ligar o celular ali, e com algum resquício de sinal que porventura houvesse, telefonar pra Alice e dizer que a amo. Só isso. São palavras simples, que as repito algumas vezes ao dia. Mas pra mim têm um valor inestimável e que nunca é exagero repetir. Só queria que aquilo passasse, que o avião estabilizasse e que eu chegasse bem. Depois passou. Quando descemos em Curitiba mandei uma mensagem. O tempo já estava bom, mas vai que..

Estou bem, muito bem. E tive a sorte de não ser aquele um vôo daqueles que não nos deixam esquecer.

Friday, July 11, 2008

Síndrome de abstinência...

Houve um tempo em que vendiam Polar e Brahma no Beira-Rio.

Depois a maldita Coca-Cola ofereceu, e o Inter, pensando muito mais no contrato do que na satisfação do cliente torcedor, aceitou a exclusividade para oferecer as porcarias que aquela empresa chama de cerveja.

Tava ruim, mas tava bom. Tava muito ruim, aliás, mas tava bom. Podíamos fazer um aquece com Polar no Tele-X, beber as saideiras no Tele-X ou qualquer outro bareco. Aí a Sol engasga-gato descia.

Então pribiram a venda de bebidas dentro dos estádios.

Aí ficou ruim mesmo. E dali a mais bem pouquinho ia ficar bem pior.

Por enquanto se pode beber nos bares. Mesmo assim a venda de bebidas reduziu drasticamente.

Aí começaram a aparecer as Vans, uma ótima idéia. E a máfia dos taxistas já indicou o serviço como ilegal, acatados pela EPTC de tapa-olho.

"O presidente da EPTC, Luiz Afonso Sena, afirma que o sistema de transporte de Porto Alegre já é bem constituído, com ônibus, lotações e táxis. Não está prevista qualquer discussão para a regulamentação específica do serviço de transporte de clientes dos bares e restaurantes. (Zero Hora, 10/06/2008)"

Manda a mãe dele pegar um ônibus da Cidade Baixa até o Jardim Botânico às duas da manhã, eu quero ver.

Não vou estranhar se limitarem o consumo de bebidas ao lar, com as autoridades ameaçando blitzes com bafômetros em pedestres e com projetos de lei para proibir a venda nos supermercados.

Hoje é sexta. Queria fazer um aquece antes de irmos pro Terça Insana. Dar boas risadas embriagadas. Sair do show e ir pra um bar. Dirigindo, no nosso carro, ouvindo nossos cds. Fazer todas essas coisas que não mais se pode.

Monday, June 30, 2008

Veneza foi assim...

Como é fascinante conhecer um lugar!

Tenho na minha lista de lugares favoritos, ou que gosto de visitar, Bombinhas, Garopaba, Riozinho, Rio, etc. São lugares realmente belos, e que a cada vez que volto me mostram um pouco mais de suas belezas.

O que há de comum em todos eles é que a espinha dorsal, a planta do lugar, já foi estabelecida há algum tempo. Não apenas visualmente, como olhar um mapa, a noção de espaço do lugar, quando se coloca os pés nele, se forma sem que se perceba. E a cada vez que lá se volta incrementam-se os espaços vazios com uma nova prainha, um volume mais ou menos intenso na qeda d’água, uma vista diferente lá do Corcovado, e assim por diante. Mudam fatores climáticos e psicológicos, e por isso é tão importante o momento do conhecer, quando se forma esse sentido de espaço de cada lugar.

Antes de pisar em Veneza olhei dezenas de mapas, durante meses, e não conseguia entender aqueles canaizinhos disputando espaços com as ruas. A Alice disse que era bom que ficássemos pero da Praça São Marco, e era nisso que eu me baseava. Para descobrir a rua em que ficamos tive que recorrer ao Google. Em nenhum mapa dos que já tínhamos ela constava. Mas ficava bem pertinho da Ponte Rialto, e isso era muito bom.

Os meios de transporte em Veneza são as pernas, nas vias terrestres, e os flutuantes (lanchas, gôndolas, etc.) nas aquáticas. Não há carros nem motos. O único som ruim é a sirene da lancha da polícia, que ouvimos uma duas ou três vezes. Depois, são sinos constantes, pessoas falando e caminhando, o bater asas dos pombos e o abrir de uma ou outra rolha.

Independente do destino, penso que uma viagem deve ser prazer nas coisas essenciais, como o caminhar pelas ruas, o beber, o comer e o dormir. Nisso incluem-se o deslocamento, a higiene e o conforto. Depois desses requisitos preenchidos e uma linda mulher, coloque Veneza, com o Grande Canal e suas ruazinhas, as máscaras, os vidros de Murano, as gôndolas, massas e vinhos italianos, uma cama com lençóis brancos num quarto do século XIX e goze.

O Grande canal

As máscaras

Grande Canal, visto da Ponte Rialto

Passeio na Gôndola

Pontezinha ao lado da Santa Maria dei Miracoli

E um brindezinho..

Friday, June 27, 2008

Quando eu crescer...

Um dia eu vou terminar o segundo grau, cursar uma faculdade de jornalismo e ser um jornalista. Vou chegar na redação, pegar as pautas que renderão desde simples notas a grandes reportagens. Trabalharei para uma grande corporação, com toda a infra-estrutura para os colaboradores. Sairemos, eu e minha equipe, às estâncias gaudérias em busca da informação munidos de microfones, câmeras fotográficas, gravadores, blocos, canetas, etc. Tudo a bordo do nosso poderoso carro de reportagem, devidamente identificados..



Monday, June 23, 2008

Florença...

Antes de mais nada, Florença – das quatro cidades que visitamos – foi a que mais me encantou.

Um pouco mais habituados ao sistema férreo, adquirimos os bilhetes de Roma para Florença numa espécie de caixa eletrônico de trem, com interface amigável em seis idiomas, entre eles o já saudoso português. Havia vários desses caixas, e várias opções de horários. Há dois tipos de trem também: o regional e o de alta velocidade (no qual viajamos), que levou cerca de 1h45min para percorrer 300km.

Da janela do quarto víamos a igreja San Lorenzo e a praça à sua frente. Ficamos em um hotel próximo à estação, junto ao duomo, a Catedral de Florença. Nossa primeira visita foi justamente a ela, com todos seus 463 degraus, e que nos ofereceu vistas das mais belas, algumas delas retratadas, outras muitas, não.

Impressionante é uma das palavras que dá uma idéia do que é Florença. Pode-se escolher outros termos para definir, de acordo com a percepção, não importa.

O “problema” é que tu anda na rua, e todas são ornadas com secular bom gosto de arquitetura; de repente, uma escultura feita pelo Michelangelo, algumas outras réplicas. Mais uns passos adiante, o Palazzo Vechio, ao seu lado, o Palazzo degli Uffizi, com a Primavera e O Nascimento de Venus, ambas de Botticelli, que se pode perder horas admirando-as. Ainda no Uffizi, um vasto acervo de obras belíssimas, impressionantes.

A noite vai caindo e Florença lentamente acende suas luzes. Cafés tímidos e portas fechadas, à luz do dia, ganham vida ao escurecer do céu e forma-se uma cena cativante. Inúmeros bares e restaurantezinhos ao longo das ruazinhas, cada um com seu atrativo. Por alguma razão ficamos cativos do Nutti, que ficava na nossa quadra. Depois de termos jantado ali por duas noites, decidimos pegar uma pizza deles e comer no hotel com um vinho que tínhamos. No Nutti, as pizzas custavam em torno de 7 euros. O garçon (ou gerente) nos cumprimentou, como de costume, intermediou nosso pedido com o pizzaiolo para que colocasse dois sabores na pizza e foi para trás do balcão. Sacou duas taças de champagne e as serviu numa torneirinha semalhante a uma de chopp. Imaginei que fosse pedido de alguma mesa. Veio em nossa direção e entregou as taças. Não poderíamos recusar, independente do preço. Imaginamos, sem querer acreditar muito, que seria uma cortesia da casa. Assistimos nossa pizza assar no forno à lenha até borbulhar a muzzarela. Quando fomos pagar, mais uma surpresa: nosso amigo pediu que o caixa cobrasse apenas 5 euros. Disse a ele que era porque era pra levar. A maioria dos estabelecimentos italianos cobra preços diferenciados entre mesa e balcão.

Assim, saímos muitíssimo agradecidos com o Nutti e o serviço da casa. Em meio a uma infinidade de turistas, sentimo-nos muito bem recebidos na bela Florença.

Friday, June 06, 2008

Itália...

Mal estava me reacostumando ao fuso, e já me via olhando as luzes de Porto Alegre do alto, a algumas centenas de quilômetros por hora, rumo a Campinas, agora, a trabalho.

Longe de casa, com uma saudade sem tamanho, tive pouco tempo de desfrutar o prazer de casa e da companhia maravilhosa da Alice.

Logo que viajamos começaram as tratativas para este treinamento aqui em Campinas. Voltei para o trabalho na terça e me informaram. Tive que trazer as roupas sujas mesmo para lavar aqui, senão não teria o que vestir.

A Itália

Mais uma vez, fomos a nossa própria agência de viagens. A&R Tur. Eu sei que as agências podem facilitar a vida de quem viaja. Mas como gosto de escolher estrategicamente onde ficar, as acomodações, pesquisar preços, etc., prefiro preparar tudo por conta própria. Dá um pouco de trabalho, mas o prazer recompensa.

Posso dizer que o prazer nos motivou a ir, e esteve presente em cada momento realmente maravilhoso desses dias.

Para brindar a viagem e dar início aos trabalhos, tomamos um champagne, sem medo de ser corrigidos que era espumante. Vantagens de viajar com uma companhia francesa. Depois, para agüentar as muitas horas de vôo e tentar dormir, um vinho tinto.. francês também. Merci!

A mistura dos idiomas foi engraçada, como era de se esperar. No vôo da volta pedi um vino rosso para a aeromoça que perguntou o que eu queria em francês. “Rouge”, me corrigiu o senhor que estava do meu lado.

Em Roma ficamos num apartamento. Muito boa a proposta. Pelo preço da diária de um hotel, um apartamento com mezanino, todo mobiliado, em estilo meio cavernoso. Uma biblioteca, alguns filmes em VHS, dois banheiros – um deles com banheira – e outras coisas de apartamento romano. Um ponto pitoresco do lugar em que ficamos foi a vizinhança.. Justamente a nossa rua, e um pouco pelos arredores, era um poto de prostituição de último nível. Umas tias literalmente mais do que rodadas, muito acima do peso (gordachas!) passavam os dias escoradas nos carros. Elas não usavam roupas sumárias, por sorte. A gorda (todas eram) bateu o ponto todos os dias, até no domingo. Acho que se ficássemos mais um dia nos cumprimentaria com um Buongiorno.

Instalados, demos início ao passeio. Andar pelas ruas do centro histórico de Roma é uma difícil escolha entre saborear a cena a olhos nus ou pelo visor da câmera. Assim também foi em Florença e em Veneza, mas começou ali, na Via dei Capocci. No final da rua, escorria de uma floreira de um primo piano uma imensa rama florida que exalava um perfume sem igual. Todos os dias passávamos por ali e diminuíamos um pouco o passo até parar, fechar os olhos e respirar fundo o perfume daquelas florzinhas brancas.

As ruazinhas menores não tinham calçada e passavam as noites e os dias com carros estacionados dos dois lados. Roma tem muito carro! Pequenos, grandes, muitos! A poucos passos do final da nossa rua já se podia avistá-lo...

É imperdível, sem dúvida, entrar no Coliseu. Cada pedra em cada degrau tem encrostada milhares de anos de história, mitologia, cultura! Mas a grandiosidade e a graça, é poder escolher o ângulo a dez, cem, duzentos, quinhentos metros dali, e em diferentes alturas possíveis.

As ruínas dos fóruns imperiais e o Monte Paladino também são lugares que – também um pouco pelo cansaço de subir e descer escadarias – te fazem olhar tempo para um pilar, um campo, algo como uma igreja e não ter a noção de quanto tempo aquilo está ali. É fácil se perder sonhando acordado em como devia ser a vida ali, há 2 ou 3 mil anos. O trabalho que homens tiveram para erguer aquilo tudo, sem contar no trabalho de engenharia e arquitetura empregado.












Le paste!

Jantar uma comida típica italiana pode ser simples, e muito saporito, ao contrário da maioria das propostas que temos por aqui. Os preços podem variar um pouco, mas existem muitas opções de primeiro prato (grupo das massas e risotos) entre 6 e 8 euros; vinhos da casa por 8 ou 9 (o litro!). É claro que uma jornada completa, com antipasto, primeiro, segundo, contorno, sobremesa, vinho e café passa tranqüilamente dos 100 euros, mas nem os italianos comem tudo isso. Os pratos de massa valem por uma boa refeição.

Vinho da casa pode parecer um pouco arriscado. Não quando se está na Itália, pelo menos. Os vinhos da casa que tomamos – bastante – eram melhores ou equivalentes a muitos dos nossos Almadén, Salton e cia.

Todos os restaurantes te oferecem azeite de oliva extra virgem e pimenta calabresa maravilhosos.

No sábado pela manhã, quando escovava os dentes depois do café, ouvi:

- Aeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!!!


Era o Dudi. Engraçado sai do Brasil para a Itália e encontrar um amigo que está morando em Londres. Estava com a camisa do Inter. Coincidentemente e curiosamente, eu também. Conferimos o melhor caminho para o Vaticano e seguimos para a casa do Papudo, o amigo do Nego Osvaldo.

Incrível! É só o que eu digo sobre o Vaticano.

A Praça São Pedro também impressiona pelo enorme. Tudo fica pequeno ali. Me senti abençoado diretamente por Deus.

Do Vaticano fomos para a Piazza Navona e depois para casa descansar. Ainda passamos pelo Castel Sant’Angelo, com ponte sobre o rio e tudo o mais. Só faltou o jacarezinho. À noite, depois de passar pela Praça Espanha e pela Fontana di Trevi – um dos monumentos mais impressionantes de toda a viagem – jantamos uma pizza gigantesca.

Foram algumas horas, somente, mas bom para matar um pouco da saudade do amigo, contar histórias e dar muitas risadas.

Nos despedimos e acabamos entrando numa festinha, onde encontramos os vizinhos de mesa do restaurante, que eram brasileiros.

Roma foi fascinante! É uma cidade grande, populosa, barulhenta, mas enraizada na história de uma forma realmente incrível.

O primeiro destino estava devidamente visitado, e foi realmente maravilhoso apreciá-la com a Alice. Se levei alguns anos para sentir o quão prazerosa é uma viagem assim, é incalculável o prêmio pela lembrança recente e constante. É como reviver tudo a cada instante, pra sempre.

Minhas fotos no